Segunda-feira, 18 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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CIRCO DA NOTíCIA > THE WASHINGTON POST

O jornal e a dependência das agências

21/02/2012 na edição 682
Sobre artigo de Patrick B. Pexton, de Washington (EUA)

Antes do Twitter, existia a Associated Press. Por mais de 160 anos, algumas vezes em menos de 140 caracteres, os boletins de notícias da agência, por meio de telégrafo, teletipo, fio, satélite ou internet, chegavam até milhares de redações, que passavam a informação para leitores, ouvintes e telespectadores em todos os cantos do mundo.

Na realidade, a AP e outros serviços como Reuters e Agence France-Presse agem, diz a própria AP, como a “espinha dorsal” do sistema mundial de informações. “Nenhum de nós, na indústria jornalística, poderia fazer nosso trabalho de maneira apropriada sem eles”, comentou, em sua coluna [17/2/12], o ombudsman do Washington Post, Patrick B. Pexton.

De tempo em tempo, Pexton recebe comentários de leitores criticando a cobertura de determinados episódios e a dependência de material de agências. Com a política de corte de custos no jornal, os leitores verão mais e mais fotos e matérias de serviços como a AP, que é o maior parceiro do Post, além da Bloomberg, Reuters e outros.

No entanto, diz o ombudsman, é errado que leitores considerem matérias, fotos, vídeos e gráficos de agências como sendo de menor qualidade do que os produzidos pelo jornal. Muitos profissionais do Post trabalharam na AP antes e o escritório da agência em Washington tem veteranos do Post em sua equipe atual. A AP e outras agências empregam repórteres e fotógrafos de qualidade, que diariamente lutam para ter acesso a informações de governos relutantes em revelar informações.

Complemento

Na semana passada, por exemplo, foi a AP que deu em primeira mão matéria noticiando que, no incêndio em uma penitenciária em Honduras, com 355 mortos, a maioria dos internos não havia sido acusada formalmente de crimes, muito menos condenada. A matéria foi escrita com base em um relatório interno do governo de Honduras, obtido pela agência. Ttambém foi a AP o primeiro veículo jornalístico a divulgar a morte da cantora Whitney Houston – e a agência obteve direito exclusivo de transmitir ao vivo seu funeral. Estas notícias ajudaram a AP a atrair 100 mil novos seguidores no Twitter na semana passada.

Como jovem repórter em Annapolis, nos anos 80, o ombudsman aprendeu muito sobre apuração, escrita, rigor e justiça para todos os partidos políticos com Tom Stuckey, um dos mais antigos chefes de redação da AP, que se aposentou em 2006. Ele dava furos com frequência, até mesmo à frente dos repórteres do Post. No Pentágono, Pexton também trabalhou com veteranos da AP e Reuters. A AP ganhou 30 prêmios Pulitzer por jornalismo e fotografia. Seu padrão de ética é um dos mais rígidos da indústria jornalística. E ela é moderna, com fotógrafos podendo editar e transmitir fotos de suas câmeras por meio de um fio ao computador, em segundos.

Michel du Cille, diretor de fotografia do Post, diz que depende de fotos da AP, Reuters, Getty Images e AFP para a maior parte das matérias de última hora de fora de Washington. A editora executiva Kathleen Carroll afirma que a equipe de 2,5 mil jornalistas da AP, em mais de 100 idiomas em 100 países, e nos 50 estados americanos, complementa e apoia seus parceiros associados com o melhor conteúdo possível para ajudar as pessoas a entenderem o mundo.

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