Domingo, 21 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Editora enfrenta denúncias de plágio e falsidade

15/04/2008 na edição 481

A Lonely Planet, especializada em guias de viagem, defendeu a veracidade de suas publicações depois de denúncias de que um de seus autores teria plagiado e inventado seções dos livros. Os jornais australianos Herald Sun e Sunday Telegraph reportaram que Thomas Kohnstamm teria admitido que inventou partes de guias que escreveu, copiou informações de outras publicações e ainda aceitou presentes, o que viola a política da Lonely Planet.

Posteriormente, Kohnstamm afirmou à Associated Press que seus comentários haviam sido tirados de contexto pelos jornais australianos. ‘Eu não inventei as seções, nem cometi plágio’, afirmou o autor, que vive em Seattle, nos EUA. Ele disse à agência de notícias que, ainda que tenha aceitado descontos em quartos de hotel e refeições de graça, nunca trocou um presente ou desconto por uma avaliação positiva.

Diante das denúncias, a Lonely Planet decidiu revisar os livros em que houve contribuição de Kohnstamm. Mas até agora, diz o editor Piers Pickard, não foi encontrada nenhuma informação errada. Segundo ele, a empresa construiu sua reputação com base na integridade dos livros e, por isso, qualquer erro seria rapidamente corrigido. A editora tem mais de 500 livros publicados, em sua maioria guias de viagem. ‘As afirmações de Thomas não são uma reflexão precisa de como nossos autores trabalham’, diz Pickard. Em 2007, a BBC Worldwide comprou 75% da companhia.

De longe

Os jornais australianos também acusam Kohnstamm de não ter visitado um dos países sobre o qual escreveu. ‘Eles não me pagaram o bastante para ir à Colômbia’, ele é citado nos artigos. ‘Eu escrevi o livro de São Francisco. Peguei as informações de uma mulher com quem estava saindo e que era estagiária no consulado da Colômbia’.

Neste ponto, Pickard declarou que a alegação é ‘maliciosa’, já que Kohnstamm havia sido contratado para escrever sobre a história do país, e não para viajar até lá e testar restaurantes e hotéis – o que seria feito por outros dois autores. De acordo com o depoimento de Kohnstamm à AP, não era esperado que ele fosse à Colômbia para o guia em questão. Sua intenção na entrevista aos jornais australianos era dizer que, para se cobrir todos os aspectos de um país, ‘é necessário juntar informações de segunda mão sobre coisas que você não pode ver por si só’. ‘Eu descobri muito rápido que não poderia ir a todos os lugares a que precisava ir; que eu não conseguia fazer o dinheiro chegar até o final [da viagem]’, afirma. ‘Não sei a porcentagem de autores que vão a todos os lugares, mas não acho que a maioria das pessoas o faça’.

Kohnstamm deve ir à Austrália em breve para promover seu livro Do Travel Writers go to Hell? (Será que autores de guias de viagem vão para o inferno?, tradução livre), sobre suas experiências como autor de guias de viagem. Informações da AP [14/4/08].

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