Terça-feira, 16 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1045
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Encapuzados na reitoria

Por Mauro Malin em 04/11/2011 na edição 666

Ouvido pela Folha de S. Paulo (4/11) a respeito da invasão da reitoria da USP, o jurista Dalmo de Abreu Dallari, colaborador do Observatório da Imprensa, criticou o uso de capuzes por estudantes:

“Combati a presença da ditadura na universidade e me expus. Nunca me escondi atrás de máscaras. Se os estudantes querem defender uma posição, que assumam suas responsabilidades.”

Esconder a própria identidade é, na maior parte dos casos, assumir que a ação é passível de punição segundo as leis vigentes. As mais importantes manifestações públicas da história recente do Brasil foram feitas de cara limpa: a Passeata dos Cem Mil, em 1968, o culto ecumênico em homenagem a Vladimir Herzog, em 1975, as assembleias de metalúrgicos em São Bernardo do Campo, em 1980, os comícios pelas eleições diretas, em 1984.

A mídia não deve contribuir para a naturalização da presença de encapuzados em manifestações públicas pacíficas. Deve sempre registrar de modo crítico a ocultação de identidade. Em benefício dos próprios manifestantes. O próprio fato de haver duas categorias de participantes nos atos – os que mostram e os que não mostram os rostos – é sintoma explícito de divisão.  

Não por acaso, os grandes atos acima mencionados tiveram sucesso político: foram unitários. Em 1968, o abandono das posições unitárias levou ao enfraquecimento do movimento estudantil, que consumou seu isolamento ao tentar fazer um congresso da UNE clandestino em Ibiúna, interior paulista.

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