Sexta-feira, 18 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1059
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CIRCO DA NOTíCIA >

Geraldo Casé

30/03/2004 na edição 270

‘Resoluta, destemida, obstinada, aguerrida, invejada, irascível, explosiva, pau-pra-toda-obra, pé-de-boi, criativa, crítica, determinada; isto é um pouco do que se pode dizer desta máquina de trabalhar chamada Marlene Mattos, que se desligou da TV Globo bandeando-se para a TV Bandeirantes.

Conheci-a quando trabalhava comigo como datilógrafa. Em pouco tempo tornou-se assistente do meu gerente de produção e, logo em seguida, passou a ser seu braço direto. No entanto, com as contumazes mudanças nos núcleos da TV Globo, ela foi descartada por um novo gerente, por razões jamais esclarecidas.

Logo Marlene ressurgiu, descoberta pelo mago das louras na TV, Maurício Sherman, que praticamente inventou, com Wilson Rocha, a hoje superstar Xuxa e deu notoriedade à não menos loura Angélica. Diretor, na ocasião, da Rádio Roquete Pinto, foi encontrá-la por acaso, atrás de uma pilha de LPs, substituindo a programadora oficial da FM. Marlene vivia de forma muito modesta, num aposento dividido com mais três pessoas. Com aquele expediente temporário conseguia se manter.

Maurício adotou-a como curinga em suas múltiplas atividades. Marlene chegou a controlar borderôs em um show no Asa Branca, na Lapa, contabilizando o número de freqüentadores. Na TV Manchete ele a escalou para o programa que lançava a modelo Xuxa. A loura relutava em apresentar um programa para crianças, almejava outros caminhos. Quem diria! Xuxa ( quem se lembra?) era criticada pela forma agressiva como tratava os participantes mirins. Os diretores tentavam coibir a apresentadora, mas Sherman demitia os diretores. Achava que as impaciências e atitudes descontraídas da apresentadora eram características marcantes que a levariam a fazer sucesso.

Acertou na mosca! A meiguice e brejeirice dedicadas aos baixinhos só vieram muito tempo depois da fase dos piparotes e cascudos, que ela distribuía sem cerimônia.

Foi nessa época que se deu o encontro entre Xuxa e Marlene. A princípio, a relação entre as duas não era amistosa. Marlene não aceitava Xuxa. Mas, pouco a pouco, os entraves foram superados, levando Marlene a assumir o cargo de secretária e mentora da estrela. Na transferência do programa da Manchete para a Globo, ela continuou na mesma função. Logo conquistou e ganhou mais espaço, acabando por se transformar em diretora-geral do show. Marlene, de acólita, fez-se dona da Rainha dos Baixinhos e lhe regeu os passos com uma abnegação e disciplina de ditadora.

Marlene incomodou e incomoda. Ninguém sabe exatamente defini-la. É criticada pelo seu autoritarismo e julgada por sua impertinência e teimosia. Faz jus ao slogan: ‘ame-a ou deixe-a!’. Na Globo, foi endeusada e respeitada. Fazia tremer desde os comandados aos mais respeitáveis diretores. E assim, foi ampliando seus poderes. Transformou-se em empresária, consultora, assessora e administradora de atores, cantores e jogadores de futebol.

Trombeteava-se que Xuxa aparentava estar manietada. Cotidianamente, a apresentadora fazia elogios e agradecimentos à diretora, no ar. As duas faziam o casamento profissional perfeito. Laços de um matrimônio cuja duração parecia eterna.

O folclore e as fofocas eram constantes. Dizia-se que até a cor das paredes e o os arranjos de flores da casa de Xuxa passavam pelo crivo de Marlene. Todas as explicações foram aventadas quando se deu o desenlace. Pitonisas e profetas, que torciam pelo desmantelamento da grande dupla da televisão brasileira, diziam que há muito previam tal desfecho.

Mesmo depois do rompimento com Xuxa o prestígio de Marlene, nas praias globais, durante algum tempo, permaneceu o mesmo. Claro que seus passos começaram a ser vigiados e suas decisões solapadas. As críticas vinham de todos os lados, mesmo daqueles que antes a acarinhavam com freqüência. Os que por ela foram prejudicados ou banidos, justa ou injustamente, iniciaram a caça à raposa. O processo culminou com a saída de Marlene para a Band.

Com sua obstinação e garra, Marlene quer criar uma nova cara para aquela emissora. Tenha ela a cara que tiver, não há dúvida, muita gente vai fazer careta! A quem, na concorrência, ela quer atingir com a nova linha de programas que pretende adotar? Na TV Globo, Mário Lucio Vaz, poderoso chefão e velho companheiro, do alto de sua mineirice, deve estar sussurrando infalíveis profecias…’



GLOBO INTERNACIONAL
Assis Moreira

‘Globo Internacional inicia serviço na Europa’, copyright Valor Econômico, 26/03/04

‘A TV Globo Internacional lançou ontem seu primeiro serviço de TV a cabo na Europa. A concessão é na Suíça, cobrindo o cantão de Genebra e cidades próximas. Nos próximos meses, pode cobrir grande parte do país a partir de Zurique. Depois da Suíça, os planos são de oferecer a TV por meio do cabo na Alemanha, Franca e Itália. A TV projeta aumentar em 30% seu faturamento este ano, graças a expansão de sua transmissão. Lançada em 1999, tem hoje 250 mil assinantes em 43 países nos cinco continentes. ´´A TV Globo internacional é um negócio rentável para o grupo´´, diz Marcelo Spínola, diretor de distribuição internacional. Ele não revela o total do faturamento em 2003, mas indica que 80% vem da receita com assinantes e 20% com publicidade.

O maior faturamento é na África, onde tem 60 mil assinantes por satélite. Em Angola, são 42 mil, mais do que no Japão (40 mil) e só abaixo dos EUA (50 mil). Além disso, o preço da assinatura é maior na África: cerca de US$ 20 por mês, enquanto nos países industrializados a média é de US$ 18. Os operadores de TV estrangeiros ficam com 50% a 70% da receita.

A Globo internacional mostra muito futebol, menos os jogos da seleção brasileira, por causa de contratos de federações estrangeiras com outras TVs. Mas Spínola diz que pesquisa feita na Europa mostrou que a preferência dos brasileiros por futebol vem em terceiro lugar, depois de notícias e novelas. Para conquistar mais assinantes, haverá um sinal específico para a África e a Europa, adequando o horário das novelas a noite, como no Brasil.’



ENTREVISTA / JAYME MONJARDIM
Leila Reis

‘‘Não cheguei nem à metade do caminho’’, copyright O Estado de S. Paulo, 26/03/04

‘Jayme Monjardim tem 48 anos, três filhos e 20 novelas no currículo. Esta semana embarcou para os Estados Unidos com Glória Perez para colher subsídios para a novela América, escalada para janeiro pela Globo.

Antes da estréia, porém, Jayme lança seu primeiro longa-metragem – Olga, sobre Olga Benário, companheira de Luís Carlos Prestes – e um livro com fotos de sua mãe, a cantora Maysa.

Estado – Segunda-feira ‘A Casa das Sete Mulheres’ recebe o grande prêmio da crítica paulista. Este é o maior prêmio de sua carreira?

Jayme Monjardim – Já ganhei o prêmio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Artes) por O Clone, mas este é mais importante porque significa o reconhecimento da nossa tentativa de fazer algo diferenciado, foi um trabalho muito gratificante. A Casa está para estrear na Itália e nos EUA.

Estado – As minisséries são o filé mignon da Globo. Com ‘Aquarela do Brasil’ e ‘A Casa das Sete Mulheres’ você pode dizer que chegou ao topo na carreira na TV?

Monjardim – Não cheguei nem à metade do caminho. Existe um Brasilzão a ser explorado. Tenho inúmeros projetos: com a Glória Perez, a minissérie Do Imperador do Acre a Chico Mendes, queria fazer Romaria, uma minissérie sobre 100 anos de história do Brasil através do olhar do caboclo. Outra sobre Santos Dumont e outra sobre minha mãe (a cantora Maysa), acho que o Brasil deve isso a ela. Idéias não faltam.

Estado – Você está muito entusiasmado com o cinema. Quais as expectativas que você deposita no filme ‘Olga’?

Monjardim – É meu primeiro longa-metragem, vai estrear em agosto. Quero que todo mundo veja e goste. Mas entrei na TV por causa de cinema. Mostrei um curta-metragem sobre minha mãe para o Roberto Talma e acabei contratado pela Bandeirantes para fazer Braço de Ferro, uma novela infantil. Já fiz 20 curtas, na maioria, documentários.

Estado – Você tem muito material sobre a Maysa?

Monjardim – Tenho quase todos os registros feitos sobre ela no cinema, na TV e as filmagens que meu pai fez. Minha intenção não é usar esse material na minissérie, quero fazer ficção mesmo. Agora estou selecionando material para um álbum fotográfico com todas as fases da vida da minha mãe para a Editora Globo. O livro deve ser lançado este ano.

Estado – Qual é a sua próxima novela?

Monjardim – Estou indo para os Estados Unidos com a Glória Perez para pesquisar para a novela América, que vai entrar no ar em janeiro. Vamos para Los Angeles, Houston, Las Vegas e Miami. Vamos entrevistar imigrantes ilegais presos, percorrer a fronteira com o México. Em O Clone a Glória quis abordar o problema das drogas, agora quer tratar da imigração ilegal, da vontade de recomeçar. América será um épico.

Estado – Glória Perez é sua autora preferida?

Monjardim – Sempre me dei bem com os autores, não dá para trabalhar sem a união entre diretor e autor. Benedito Ruy Barbosa é uma das melhores coisas que aconteceu na minha vida. Com ele fiz Pantanal, Voltei pra Você, Sinhá Moça, Terra Nostra. Tudo que sou devo a ele. Adoro Maria Adelaide Amaral, Walter Negrão.

Estado- Que novela você gostaria de ter dirigido, mas deram para outro?

Monjardim – Não posso me queixar porque dirigi grandes novelas, bons trabalhos.

Estado – É fácil ser casado com atriz?

Monjardim – Não é fácil. Por ser do mesmo meio profissional, conhecemos os problemas um do outro. Mas se não houver amizade e confiança, não dá certo.

Estado – Você acompanha o trabalho da Daniela Escobar?

Monjardim – Não perco um capítulo de Um Só Coração porque a Daniela trabalha e ainda namora com meu tio-avô Ciccilo Matarazzo (Edson Celulari).’

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