Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CIRCO DA NOTíCIA > CARTUM DO PROFETA

Irã protesta contra desenho em jornal sueco

29/08/2007 na edição 448

O Ministério das Relações Exteriores do Irã convocou a diplomata sueca Gunilla von Bahr para fazer uma reclamação formal contra a publicação de mais uma caricatura do profeta Maomé. Desta vez, o jornal Nerikes Allehanda, na cidade de Örebro, no centro-sul da Suécia, estampou um desenho da cabeça de Maomé em um corpo de cachorro. A obra do artista Lars Vilks, publicada no início de agosto, foi considerada pelo Irã ‘um insulto contra o profeta’.


O jornal decidiu publicar o desenho após uma recente polêmica envolvendo Vilks. Ao tentar montar uma exposição com uma série de desenhos sobre Maomé, pelo menos duas galerias de arte se recusaram a exibir as figuras, alegando receio com a segurança. ‘Junto com a caricatura, nós publicamos um artigo afirmando ser uma questão séria a autocensura entre as galerias de arte’, explica o editor-chefe do Nerikes Allehanda, Ulf Johansson. O jornal tem circulação de 65 mil exemplares.


A História se repete


A controvérsia na Suécia lembra a confusão que teve início em setembro de 2005, na Dinamarca, depois que o Jyllands-Posten, um dos principais diários do país, publicou 12 cartuns do profeta. Na ocasião, um autor de histórias infantis havia reclamado que não conseguia encontrar um ilustrador para um livro sobre a vida de Maomé. O Islã proíbe qualquer representação gráfica do profeta ou de Alá.


Os desenhos dinamarqueses deram início a violentos protestos em diversos países de maioria muçulmana, e no início de 2006 a embaixada da Dinamarca em Damasco e seu consulado em Beirute foram incendiados. O editor responsável pelos cartuns, Flemming Rose, passou a receber ameaças e ficou um longo período sob proteção policial.


Repercussão


Questionado se ponderou o caso dinamarquês antes de publicar o desenho de Vilks, Johansson afirmou que chegou a ficar preocupado com a repercussão, mas decidiu ir adiante com a idéia. Uma semana após a publicação, um grupo de cerca de 60 pessoas fez um protesto em frente à redação do jornal.


Sobre a crítica do Irã, o editor-chefe afirmou que não está ‘interessado no que eles dizem; é um tipo especial de regime’. Segundo Sofia Karlberg, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Suécia, o assunto foi resolvido. ‘Disseram a ela [à diplomata] que [o desenho] era um insulto ao profeta. Nós consideramos o caso encerrado’. Informações de Gwladys Fole [MediaGuardian, 28/8/07].

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