Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

CIRCO DA NOTíCIA > OSCAR 2010

Jornal tem hora para fechar e rodar

Por Alberto Dines em 09/03/2010 na edição 580

O leitor sabe disso há muito tempo: aprendeu que nos dias seguintes aos jogos noturnos não encontrará notícia alguma sobre o placar da véspera porque a partida terminou depois da hora de fechamento. Mesmo sem elucubrar sobre o ‘periodismo’ dos veículos impressos em oposição ao ‘fluxo continuo’ da mídia eletrônica, Sua Excelência o leitor tem uma noção correta a respeito das diferenças, vantagens e desvantagens de cada medium.


Não havia dúvidas de que no Brasil a cobertura da cerimônia da entrega do 82º Oscar da Academia de Ciências e Artes Cinematográficas de Hollywood (domingo, 7/3), como sempre, ultrapassaria o deadline, os prazos de fechamento. Sendo assim, conviria estudar uma fórmula capaz de tornar naturais as inevitáveis lacunas das partes mais importantes do prêmio, obviamente deixadas para o fim do espetáculo (melhor filme, melhor diretor, melhor filme estrangeiro, melhores atores).


Nossos jornalões matutaram, matuturam e optaram pela pior solução: o jornalismo-mutreta. Fingiram que ofereciam ao leitor uma cobertura completa quando na realidade só reportaram as categorias menos importantes. A Folha de S.Paulo tentou insinuar a incompletude da notícia no segundo parágrafo da matéria da edição São Paulo/DF entregue aos assinantes da capital paulista, ao dizer que ‘até o fechamento desta edição Avatar já havia perdido dois prêmios’ (‘Ilustrada’, pág. E-1)


Sem contrapartida


O Estado de S.Paulo optou por um acompanhamento cronológico da entrega dos prêmios secundários, mas parou à meia-noite e dez minutos. Na edição que manda para fora do Rio, inclusive a assinantes, O Globo preferiu esquecer os Oscars. Mas na segunda edição metropolitana – reservada às bancas do centro e zona sul do Rio – a cobertura foi completa com chamada na capa e uma página inteira na seção internacional.


Supõe-se que os jornalões da Paulicéia Desvairada tenham utilizado o mesmo expediente. A suposição vai por conta da habitual falta de transparência adotada por nossa mídia no tocante aos seus procedimentos.


Novamente chama a atenção o descaso dos grandes jornais com aquele leitor fiel que paga adiantado por uma assinatura e não recebe troco algum, sequer explicações. Um esforço logístico em ocasiões previsíveis é o mínimo que os assinantes deveriam esperar das empresas às quais oferecem seu apoio há anos.

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