Sexta-feira, 18 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1059
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CIRCO DA NOTíCIA >

Laura Mattos

23/03/2004 na edição 269

‘Há muito mais do que uma simples campanha institucional por trás dos comerciais de autopromoção que a TV Globo mantém nos intervalos da programação.

A série de depoimentos elogiosos -gravados por políticos e personalidades culturais- faz parte de estratégia ampla e organizada de colar ao canal uma imagem de socialmente responsável e defensor da cultura nacional.

Enquanto age nos bastidores do Congresso contra projetos de obrigar as TVs a transmitir cotas de programação regional e independente e a patrocinar a indústria cinematográfica, a Globo reforça no ar o slogan ‘Acreditar no Brasil é a nossa vocação’.

Paralelamente à operação com o telespectador, busca se aproximar de líderes da classe artística e convencê-los do quanto é ‘produtora de conteúdo nacional’. Em duas ocasiões recentes, no mês passado, ‘martelou’ essa idéia. A primeira foi um almoço realizado no Projac (central de estúdios do Rio), em que Marluce Dias da Silva, diretora-geral, falou a cineastas sobre ‘os investimentos da emissora em cinema’ e não se cansou de repetir a expressão ‘conteúdo nacional’. A segunda foi em São Paulo, quando a Globo ajudou a organizar um seminário justamente com esse tema, batizado de ‘Conteúdo Brasil’, na PUC.

As iniciativas propaladas são antigas -como ‘Criança Esperança’, ‘Amigos da Escola’ e merchandising social de novelas-, mas nunca haviam sido divulgadas dessa maneira tão contundente pela própria emissora.

Desde sua entrada na Globo, em 1997, Marluce Dias da Silva orienta os autores a incluir merchandising social (campanhas de saúde, antiviolência etc.) nas histórias.

A ação agora está mais profissionalizada do que nunca. No final do ano passado, foi distribuído aos criadores de telenovelas um documento batizado de ‘Política para o Merchandising Social – Sistematização de Projeto’.

O texto, ao qual a Folha teve acesso, é um verdadeiro manual de procedimentos e orienta os autores a ‘priorizar ações promovidas pela própria Globo’. Tem forma esquemática, vários itens e é dividido em três partes principais:

1) Definição, Premissas e Objetivos; 2) Processo e 3) Sinergias e Resultados. Sua alma fica clara logo na primeira página: ‘Merchandising Social (MS) é a inserção planejada -sistemática e com propósitos definidos- de mensagens sociais e educativas nas tramas e enredos das produções de teledramaturgia’.

Na página seguinte, a Globo se autoproclama ‘a única fonte de informação e entretenimento para milhões’, o que justificaria sua ‘responsabilidade na difusão de conhecimentos’. O documento diz ainda que não há veiculação do MS a interesses econômicos, ‘exceto benefício da imagem’.

Mocinho

A um custo de R$ 200 mil, foram produzidos 12 anúncios protagonizados, entre outros, pelo presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), pelo senador Paulo Paim (PT-RS), pela secretária estadual da Cultura de São Paulo, Cláudia Costin, e por Zilda Arns, coordenadora nacional da Pastoral da Criança -nenhum deles recebeu cachê. Lançadas em novembro, as propagandas ficarão no ar até o fim deste mês.

Os filmes têm ar intimista. Quando a tela se divide em dois blocos, um lado mostra uma cena da Globo, e o outro, o rosto da personalidade, em close, dizendo frases como ‘A Globo tem a cara do Brasil’ e ‘As novelas da Globo têm dado uma grande contribuição para a recuperação da cidadania’.

Os comerciais se encerram com a voz de Tony Ramos repetindo o slogan ‘Acreditar no Brasil é a nossa vocação’. O ator é um dos principais garotos-propaganda de ações voluntárias da Globo. Mantém boa imagem pública, é casado com a mesma mulher há mais de 30 anos, discreto e intérprete de vários mocinhos (até seu vilão de ‘Torre de Babel’ era mais ‘do bem’ do que ‘do mal’).

Para a produção, a Globo contratou a Gorila Filmes, de Suzana Villas Boas, produtora-executiva do programa ‘Saia Justa’ (GNT).

A equipe -sediada em São Paulo- teve de viajar em alguns casos, como a Brasília, para gravar com o presidente da Câmara, e a Curitiba, com Zilda Arns.

Toda a empreitada está submetida à Central Globo de Comunicação. O departamento cuida da imagem da casa e coordena as iniciativas sociais. Tem de dar crivo a outro alicerce dessa ‘plástica’ de marca: os merchandising sociais das novelas. O que pode até começar como mera boa intenção de autor acaba inserido num organizado esquema institucional.

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‘Emissora nega e diz que objetivo é mostrar apoio ao social e à cultura’, copyright Folha de S. Paulo, 21/03/04

‘A TV Globo afirmou que as declarações do presidente da Record, Dennis Munhoz, vinculando a campanha da emissora ao empréstimo do BNDES, partem ‘de premissa equivocada’.

‘O que se discute junto ao BNDES é um empréstimo para todo um setor, incluindo mídia impressa, e não para a TV Globo, que tem audiência crescente e é uma empresa lucrativa’, afirmou por e-mail à Folha Luís Erlanger, diretor da Central Globo de Comunicação (CGCom).

Ele defendeu, indiretamente, que o banco empreste dinheiro à mídia. ‘As entidades do setor reivindicam, como segmento econômico importante e gerador de mão de obra, apenas que sejam tratadas nos mesmos moldes que as demais áreas da iniciativa privada’, disse o diretor.

Segundo Erlanger, ‘se existe uma empresa que tem legitimidade histórica para falar em responsabilidade social e conteúdo brasileiro, é a Globo’.

‘Além dos nossos projetos sociais (Criança Esperança, Amigos da Escola, Ação Global etc.) e do merchandising social, podemos citar o jornalismo regional voltado às comunidades. Abrimos veiculação gratuita para mensagens de entidades do terceiro setor. Se esse espaço fosse cobrado, certamente seria a maior conta da publicidade brasileira’, disse.

Segundo Erlanger, a campanha institucional levada ao ar nos últimos meses tem como objetivo ‘retratar o que tem sido a TV Globo através dos tempos: uma empresa com responsabilidade social e que aposta em conteúdo nacional’. ‘Qual outra atinge mais de 90% de produção nacional na sua grade?’

Ele disse que a Globo é contrária a cotas obrigatórias de programação independente e regional. ‘[Cotas] Se chocam com o princípio constitucional que assegura a liberdade de criação e programação.’ E afirmou que a emissora já atende as cotas previstas em projetos do Congresso, ‘não só nos programas como no apoio, sem grande retorno financeiro, ao cinema nacional’. Sobre a relação entre os comerciais institucionais e o seminário ‘Conteúdo Brasil’, Erlanger disse que ‘a campanha estava no ar meses antes de surgir essa parceria com a PUC’.

Em referência ao encontro entre Marluce Dias da Silva e cineastas, afirmou que a diretora-geral vem mantendo reuniões do gênero há mais de dois anos. ‘O que houve agora foi uma retomada do diálogo com diversos setores da produção cultural -houve similar com profissionais de teatro, por exemplo-, interrompido durante o tratamento de saúde dela.’

Erlanger disse que o merchandising social existe na Globo ‘há décadas’ e que o projeto da CGCom entregue no ano passado aos autores tem o objetivo de ‘melhorar esse instrumento’.’

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‘Personalidades aproveitam a vitrine’, copyright Folha de S. Paulo, 21/03/04

‘Além de fazer a autopropaganda da Globo, os comerciais também serviram como promoção para alguns dos participantes.

O presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), falou sobre o Estatuto do Desarmamento, uma de suas principais bandeiras. Disse que ‘Mulheres Apaixonadas’ teve ‘grande contribuição’ no debate sobre o estatuto.

O senador Paulo Paim (PT-RS) gravou depoimento elogiando a Globo por ter colaborado com a aprovação do Estatuto do Idoso, de sua autoria, com campanha feita na mesma novela. ‘Consegui aprovar o estatuto, engavetado por cinco anos, em seis meses.’ Ele não crê que a rede tenha, com os comerciais, intenção de se beneficiar na aprovação de leis ou num empréstimo do BNDES. ‘Não enxergo fantasmas. Tudo bem que faz propaganda para a emissora. Mas sempre digo: ‘A César o que é de César’.’

Cláudia Costin, secretária da Cultura do Estado de SP, gravou comercial sobre o apoio da Globo à leitura. O tema é uma das vitrines de sua administração, que criou o programa São Paulo – Um Estado de Leitores. Segundo ela, a idéia de exibir atletas lendo nos intervalos de jogos e de colocar jovens com livros nas novelas surgiu em sua secretaria. Costin disse não ter ‘entendido claramente’ que seria uma propaganda. ‘Achei, pelo que a assessoria passou, que ia ser um programa. Talvez a falha tenha sido mais minha. Levei um susto, mas positivo.’

Ela afirmou que, na adolescência, ‘alguns problemas da Globo’ chamaram sua atenção. ‘Fui militante de esquerda, e a Globo tem vários papéis, de vários lados. Mas morei na África e vi o que apareceu de programas cedidos à TV africana pela emissora.’

Sobre os objetivos da campanha, disse que ‘toda empresa busca desenvolver ações de responsabilidade social para melhorar a percepção da sua marca’. ‘Se fez para buscar benesses de governos, não saberia discutir, mas, em si, o feito é meritório.’’

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‘Record liga campanha institucional a interesse por empréstimo público’, copyright Folha de S. Paulo, 21/03/04

‘Dennis Munhoz, presidente da Record, vincula a campanha da Globo à intenção da emissora de obter empréstimo do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

A Record, comandada pela Igreja Universal do Reino de Deus, abandonou em 20 de fevereiro a Abert (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão), da qual a Globo faz parte. E declarou ‘guerra’ contra a concorrente. Leia trechos da entrevista de Munhoz à Folha.

Folha – O site Arca Universal, ligado à Igreja Universal, publicou reportagens, com tom opinativo, contrárias à Globo e à possibilidade de a emissora receber dinheiro do BNDES para pagar dívidas. A saída da Record da Abert, também por essa razão, teve conseqüência?

Dennis Munhoz – Procuramos o ministro Luiz Gushiken (Comunicação de Governo) e dissemos que não concordávamos com o dinheiro do BNDES para pagamento de dívida, e sim para investimento. Ele, quando tomou ciência dessa falta de unanimidade entre as redes, mostrou espanto, porque pensou que a coisa estivesse decidida. Sugeriu-nos que procurássemos o presidente do BNDES (Carlos Lessa). Estivemos com Lessa no Rio e entregamos documento manifestando a nossa discordância. Ele admitiu que o tema tomou uma proporção maior, que deveria se tornar discussão pública, quem sabe no Congresso, porque essa falta de unanimidade era preocupante.

Folha – O sr. já viu a campanha institucional da Globo?

Munhoz – Gostaria de deixar claro que não temos nada contra a Globo, mas filosoficamente somos contra o empréstimo de dinheiro público para pagar dívida de empresa privada. É que hoje, claro, todo mundo sabe que grande parte desse dinheiro é para pagar dívida da Globo. Como foi criada essa dívida da Globo? Qual é o motivo de essa dívida crescer de uma forma astronômica? Foram com atitudes monopolistas. A Globo comprava todos os eventos, pagava duas, dez vezes o valor do mercado, muitas vezes até para não exibir. Mas só para impedir que os outros exibissem. Não é justo que a sociedade pague por uma atitude monopolística.

O exemplo mais gritante é a Copa do Mundo. Até 1998, todas as redes pagavam reunidas US$ 10 milhões pela Copa. Isso, dividido por cinco, dava em média US$ 2 milhões para cada uma. O público tinha opção de assistir pela emissora que quisesse, a emissora negociava comercialmente o evento e tinha até lucro. Mas a Globo procurou a empresa detentora dos direitos de 2002 e 2006 e ofereceu US$ 240 milhões. É lógico que é impossível isso dar lucro.

Quem assume esse risco tem que pagar a conta. Você assume o risco de contratar um profissional por dez vezes o que ele vale no mercado, comprar o evento para deixar na prateleira e o outro não usar. É uma competição desleal com as outras emissoras.

Folha – Então o sr. vê relação dessa campanha institucional com o empréstimo do BNDES?

Munhoz – Estão tentando confundir a opinião pública, e isso é perigoso. A coisa tem que ser clara. Se forem emprestar o dinheiro para a Globo, OK, a opinião pública tem que estar informada sobre isso. Não pode é tentar jogar areia nos olhos de todo mundo.

Folha – A campanha para se posicionar como defensora de conteúdo nacional e empresa cidadã funciona como argumento para angariar empréstimo do BNDES?

Munhoz – Então, em nome de produção de conteúdo nacional, você vai ter uma benesse? Eles estão tentando jogar para a opinião pública que a Globo é essencial, que não pode quebrar, que não pode acontecer nada com ela. Por que a Tupi acabou, a Excelsior, a Manchete? Por que o BNDES nunca emprestou dinheiro para a mídia, e, coincidentemente, agora que a Globo está nessa situação difícil, surge essa linha de crédito? São perguntas que o BNDES não responde, que a Globo não responde.

A Tupi, quando quebrou, era mais forte do que a Globo. Tem gente que trabalhou na Manchete e até hoje não recebeu a rescisão do contrato. Como é que foi a preocupação do governo com esses trabalhadores? E agora, com a Globo, o tratamento tem que ser diferente? O assunto está sendo tratado de forma velada.

Folha – O sr., então, não acha que seja uma coincidência que essa campanha institucional esteja ocorrendo nesse momento?

Munhoz – Não, lógico que não. É lógico que ela está tentando fazer com que a opinião pública se sensibilize. Está lutando com as armas que tem, fazendo o que é certo para ela. Está tentando marcar a questão da geração de conteúdo. Mas isso não é exclusividade dela. Há várias emissoras produzindo, que até gostariam de produzir mais. Mas quando a gente tenta fazer uma novela própria, vamos procurar os autores, eles estão na Globo, sem trabalhar, mas não podem trabalhar com você. A Globo pega cem artistas, utiliza dez. Os outros 90 não está utilizando. Claro, paga os salários, mas está impedindo que essas pessoas trabalhem em outras emissoras. E a gente só não tem mais conteúdo nacional porque falta autor, roteirista, artista.

Folha – E para o poder público? Essa campanha da Globo é eficiente?

Munhoz – Não acredito. A Globo tem um passado. Acho preocupante que o congressista participe dessas campanhas, porque vai contra a opinião pública. Eles foram eleitos pelo Brasil inteiro. Devem dar satisfação a todo o povo brasileiro, e não a uma empresa.

Mídia nacional acumula dívida de R$ 10 bilhões

Empresas de mídia brasileiras, entre elas as de TV, acumulam dívidas de R$ 10 bilhões e vivem uma das mais graves crises da história recente. Levantamento publicado pela Folha em 15 de fevereiro mostrou que a Globopar -holding das organizações Globo- tem dívida equivalente a cerca de R$ 5,6 bilhões. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) estuda um pedido de socorro financeiro feito por algumas das instituições. A Record teme que o empréstimo fortaleça a Globo.’



JB vs. TV GLOBO
Lula Branco Martins

‘Dez programas que incomodaram a Globo’, copyright Jornal do Brasil, 21/03/04

‘Unhas encravadas na história recente da emissora mais poderosa do país. Será que Metamorphoses também vai chatear?

1

Pantanal.A novela foi ao ar em 1990, na TV Manchete. Entrava em horário nobre, um pouco mais tarde, por causa das cenas de nudez. Fez tanto sucesso que a Globo, tempos depois, acabou contratando todo mundo: do seu diretor, Jayme Monjardim, à atriz principal, Cristiana Oliveira.

2

Casa dos artistas.Incomodou a emissora porque estreou pouco antes da primeira edição do Big Brother Brasil, com formato parecido, no SBT.

3

O estouro do vôlei. Só Luciano do Valle, na Band, no início dos 80, percebeu o filão de Bernard, Renan e do saque Jornada. Promoveu jogo até no Maracanã.

4

Show do milhão.O Fantástico perdeu muito público, há alguns anos, na primeira e melhor fase do programa de perguntas de Silvio Santos, no SBT.

5

Inauguração do Sambódromo. Em 1984, a Globo perdeu a exclusividade da transmissão dos desfiles para a Manchete. Depois ainda aceitaria um pool.

6

Ratinho. Ele havia começado na CNT e virou um fenômeno sensacionalista na Record. A Globo quis contratá-lo. Talvez parasse na geladeira. Não topou.

7

Bóris Casoy. Pioneiro na Record e no SBT, era, enfim, um âncora com opinião. Fez que a Globo recrutasse jornalistas de verdade para apresentar os noticiários.

8

Pokémon.Veiculado primeiramente pela Record, o desenho japonês virou febre e gerou produtos. A Globo respondeu com o Digimon, de menor impacto.

9

Tiazinha. Surgiu na Bandeirantes, como assistente de Luciano Huck. A Globo nem filmou a moça quando ela desfilou na Sapucaí. Huck acabou contratado.

10

Chaves. O seriado mexicano do SBT foi e ainda é uma unha encravada no pé da Globo. Superou, no ibope, muita gente boa, até Ana Maria Braga.’



FOLHA CONTESTADA
Painel do Leitor, Folha de S. Paulo

‘Painel do Leitor’, copyright Folha de S. Paulo

20/03/04

Governo Lula

‘Sou assinante da Folha. Depois da eleição de Lula, parece que a condução das reportagens se tornou um tanto quanto tendenciosa. Está cada vez mais difícil encontrar neste jornal críticas construtivas para um governo que acaba de iniciar sua gestão. Um bom jornal só é completo quando não busca apenas fazer críticas destrutivas, mas também dá guarida ao outro lado da moeda.’ Alexandre Ceroni (São Paulo, SP)

1964, 40 anos

‘Sem dúvida, a democracia é um bem a preservar, e o jornal tem que dar espaço a todas as correntes. Apesar de tudo isso, ler Jarbas Passarinho (‘Tendências/Debates’, página A3 de ontem) é um triste e amargo regresso a um passado que queremos esquecer. Xô, Passarinho!’ Francisco Mendes (Salvador, BA)

PSDB

‘Não se sabe o que é pior: suportar Serra como candidato, livrando os leitores da Folha de sua arrogância, ou engolir seus artigos quando está sem cargo. Agora vem o chorão de sempre a declamar contra o arrocho fiscal do governo Lula (Opinião, página A2, 9/2). Seria bom que o sr. Serra apresentasse claramente carga tributária, dívida externa, dívida interna e crescimento do PIB na octaetéride tucana, não se esquecendo de mencionar as receitas de privatização havidas no período.’ Luiz Gornstein (São Paulo, SP)

‘A Paixão de Cristo’

‘Imaginemos um andarilho arrastando multidões, pregando por onde estivesse que o único reino verdadeiro era o de Deus e que para Deus não havia escolhidos: somos todos irmãos, filhos do mesmo Pai, a quem devemos amar. Num ambiente devastado, essas palavras despertam comoção entre os desvalidos e a ira dos poderosos. Com a finalidade de eliminar um foco de desordem e sublevação, a autoridade religiosa se alia à autoridade administrativa, condenando exemplarmente um perturbador da ordem pública -que naqueles tempos andava provocando tumultos no templo, expulsando os mercadores que ali trabalhavam- à morte. O relato dos fatos, entretanto, privilegia uma das facções em detrimento da outra, jogando sobre esta última toda a responsabilidade pelo acontecido. Nesse cenário, a população local não pode ser culpada por uma decisão tomada numa articulação entre os poderes estabelecidos. Mesmo porque o condenado gozava de admiração e afeto entre o dito povo comum.’ Monika Schmidt (São Paulo, SP)



18/03/04

Guerra das cervejas

‘Danuza Leão acertou em cheio em seu texto de anteontem (Dinheiro, página B3) ao destacar o aspecto mais importante no episódio da guerra publicitária das cervejas: as obrigações de conduta e de comportamento -no caso, de Zeca Pagodinho, mas extensíveis a todos- tão necessárias para o amadurecimento deste país, onde hoje os contratos e a palavra dada de nada valem.’ Eduardo de Souza Amaral (São Paulo, SP)

‘Ao contrário do que escreveu Danuza Leão no seu comentário sobre o episódio Zeca Pagodinho, penso que a atitude do cantor veio a calhar: ainda que indiretamente, contribuiu para um entendimento correto a respeito do sentido da publicidade. Caiu por terra a idéia de que os participantes de comerciais estão ali não só pelo dinheiro, mas também porque adquirem e recomendam o produto. Quem participa de comerciais não pode fornecer exemplos de correção moral pelo simples fato de que o telespectador é concebido, seja por eles mesmos, seja pelas agências, como um meio que fornecerá rendimentos, nunca como fim. Nessa perspectiva, exigir coerência daqueles que participam desses anúncios significa defender disfarçadamente tal manipulação -ou simples ingenuidade.’ Daniel De Luca (Belo Horizonte, MG)

Deputados do PT

‘O texto ‘Frente contra Palocci recebe adesões entre petistas moderados’ (Brasil, pág. A7 de ontem), no que me diz respeito, é integralmente falso, e o jornalista que o redigiu em nenhum momento me consultou. Nunca participei de nenhuma ‘frente parlamentar social’ e de nenhum movimento de contestação ao ministro Palocci. Pelo contrário, questionei publicamente o deputado Valdemar Costa Neto quando teceu críticas ao ministro da Fazenda. Solicito à Folha que, em nome de sua credibilidade, repare essa tentativa grosseira de criar um clima de intriga entre companheiros de partido, baseando-se unicamente na maliciosa fantasia do repórter.’ Arlindo Chinaglia, líder do PT na Câmara dos Deputados (Brasília, DF)

Resposta do jornalista Gustavo Patú-

Chinaglia integra a Frente Parlamentar e Social de Acompanhamento da Dívida Pública, do Sistema Financeiro e da Política de Juros, como informa o site da entidade. A frente defende mudanças na política econômica.



17/03/04

Bingos

‘A reportagem ‘Número de empregos em bingos é inflado’ (Dinheiro, pág. B1 de anteontem) apresenta insinuações infundadas. A Associação Brasileira dos Bingos repudia a afirmativa de que o número real de trabalhadores em bingos que perderiam seus empregos seja 60% do total divulgado (120 mil). A Abrabin repudia a falta de sensibilidade e de discernimento do texto. Mesmo se o cálculo informal feito pelas autoras estivesse correto, a demissão de 70 mil pessoas já seria um fator de indignação. A informação de que a Volkswagen mundial vai demitir 5.000 pessoas causa repúdio e conquista espaços na mídia. A associação, com base em dados fornecidos por seus associados, projetou estimativas que asseguram o valor divulgado -120 mil empregos diretos. Esse valor não é inflado. Um bingo de pequeno, médio ou grande porte não opera com um quadro de funcionários menor que 30 pessoas. Esse número é multiplicado pelos turnos de funcionamento, e muitos bingos operam 24 horas. A citação do uso da mão-de-obra infantil pelos bingos é uma acusação grave, que precisa ser apurada. A Abrabin desconhece essas acusações, mas irá solicitar à procuradora-geral do Trabalho, Sandra Lia Simón, uma lista com os nomes das casas de bingo que estariam contratando crianças. A Abrabin é a maior interessada em excluir esses bingos do seu quadro de associados.’ Olavo Sales da Silveira, presidente da Abrabin -Associação Brasileira dos Bingos (São Paulo, SP)

Maluf

‘No texto ‘Maluf pode não sofrer ação penal’ (Brasil, 27/2, pág. A7), certamente por engano, são a mim atribuídas duas afirmações publicadas entre aspas. Não é correto que tenha afirmado, como sugere o texto, que a redução pela metade dos prazos de prescrição, nos casos em que o acusado tenha 70 anos ou mais, seja construção da jurisprudência. Embora os nossos tribunais reiteradamente venham se ocupando dessa questão, trata-se de regra expressamente prevista pelo artigo 115 do Código Penal. Além disso, ao comentar supostas acusações sobre crime de corrupção, jamais afirmei que Nicéa Camargo, ex-mulher do prefeito Celso Pitta, ‘não tem credibilidade para acusar Maluf’. A afirmação feita foi a de que Nicéa já havia sido processada criminalmente por fazer afirmações dessa natureza, não apenas pelo meu cliente Paulo Salim Maluf, mas também por outras pessoas, entre as quais um senador da República.’ José Roberto Leal de Carvalho, advogado (São Paulo, SP)

1964, 40 anos

‘Observo que a mídia, incluindo a Folha, persiste na visão parcial da divulgação da história, associando as Forças Armadas e seus integrantes à opressão gratuita em relação à Revolução de 64. É lamentável tamanha parcialidade. A trajetória histórica dos militares brasileiros -os quais proclamaram a República, auxiliaram Vargas a extinguir a República Velha, destituíram Vargas e seu Estado Novo, fizeram ampla reforma do Estado com o regime da Revolução de 1964 e devolveram aos civis em 1985, após acentuado período de desenvolvimento econômico, o governo republicano- induz a uma reflexão: eles permanecerão distantes de seu passado de intervenções republicanas num eventual novo quadro de crise institucional?’ Renato Wieser (Juiz de Fora, MG)’



FOLHA ABSOLVIDA
Folha de S. Paulo

‘Justiça rejeita ação movida contra Folha’, copyright Folha de S. Paulo, 20/03/04

‘A Justiça Estadual de São Paulo rejeitou uma ação de indenização por danos morais movida contra a Folha pelo empresário Sérgio Gomes da Silva, preso sob a acusação de ser o mandante do assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT).

O processo teve início em abril de 2002, três meses após a morte de Daniel. Na época, Gomes da Silva acusou o jornal de reproduzir informações não autorizadas e ‘ofensas mentirosas’ em sua cobertura jornalística. Pediu uma indenização de R$ 150 mil.

O juiz estadual Marcello do Amaral Perino, da 22ª Vara Cível de São Paulo, considerou improcedente a ação por indenização. Em sua sentença, o magistrado afirmou que impedir a publicação de reportagens constituiria ‘verdadeira censura’, principalmente num caso que envolve interesse público como o de Santo André.

‘Não é possível impedir, sob pena de caracterização de verdadeira censura, que se publiquem na imprensa fatos de interesse comum, como é o caso em debate, porquanto envolve a administração pública do município de Santo André, repercutindo, inclusive, no próprio governo federal’, afirmou Perino em sua decisão do dia 3 de março.

De acordo com o juiz, as reportagens descreveram fatos e noticiaram o ocorrido ‘sem externar qualquer opinião desairosa’ e sem o ‘ânimo de ofender’.

Para Taís Gasparian, advogada da Folha, a sentença de Perino reforça a importância do interesse público na divulgação de um fato. ‘A sentença considera que as reportagens da Folha são isentas e que havia interesse comum a justificar sua publicação’, disse ela.

O juiz condenou o empresário a pagar R$ 15 mil a título de honorários advocatícios.

A decisão é de primeira instância, e Gomes da Silva poderá recorrer. A reportagem procurou ontem Paula de Freitas, advogada do empresário. Sua secretária informou que somente seria possível falar com ela na segunda-feira.’



ESTADO DE MINAS
Dimas Lopes

‘Estado de Minas’ anuncia mudanças gráfica e editorial’, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 19/03/04

‘Uma festa para autoridades, lideranças sociais e formadores de opinião, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, marcou o lançamento das mudanças com que a direção do diário ‘Estado de Minas’ pretende brindar os leitores do ‘Grande Jornal dos Mineiros’, a partir deste domingo (dia 21). Além da realização de ‘um antigo sonho’ dos Associados em Minas, de ‘redesenho do jornal’, o novo projeto editorial e gráfico deve revelar, segundo seus idealizadores, ‘uma forma nova de fazer jornal, privilegiando o conteúdo da informação, com reportagens mais abrangentes, analíticas e investigativas, ilustradas com fotos maiores e mais coloridas’.

Depois de tentar, sem êxito, sucessivas vezes, ouvir o Diretor de Redação do EM, Josemar Gimenez, o Comunique-se reproduz aqui, algumas das principais mudanças estruturais, anunciadas em oito páginas do tablóide Especial ‘Um novo jornal…’, encartado na edição do ‘Estado de Minas’ de 18 deste mês de março.

Segundo o roteiro/apresentação de ‘…como vai ficar seu jornal’, ‘para marcar a mudança de editorias, os cabeçalhos serão maiores e vão trazer, do lado direito, os nomes dos editores, telefone e e-mail da editoria, abrindo um canal direto para o leitor; no alto das páginas, o leitor terá sempre um versal (palavra-chave), seguido de duas linhas em cinza, que resumirão a notícia; as páginas terão, no máximo, três matérias distintas, mas algumas vão ter apenas um assunto especial, com a análise e a explicação de forma didática dos fatos; a coluna de notas curtas – importantes ou curiosas mas com o peso de reportagem – aparecerá em todas as editorias, sempre que necessário; a Editoria Gerais passará a abrir um caderno, encerrado pela Editoria de Esportes; ao longo de todo o jornal, os espaços em branco vão tornar a leitura e o visual mais agradáveis; e a primeira página (capa) valorizará os suplementos e dará mais espaço às fotos, tornando-se mais chamativa e de leitura mais dinâmica’. Além disso ‘a estrutura de fechamento também vai mudar, para privilegiar o leitor do Interior, que receberá o jornal mais cedo – a 1ª edição será finalizada às 20h30min; a 2ª, às 23h30min; e a 3ª, à 1h da madrugada’.

Para o Diretor Executivo do EM, Álvaro Teixeira da Costa, ‘a proposta representa evolução para o jornalismo mineiro, e cumpre mais uma etapa da trajetória do jornal’. O Diretor Geral, Édison Zenóbio, concorda com o seu companheiro de Condomínio Associado, e resumiu para o Comunique-se, a ‘visibilidade mais moderna até dos anúncios’ do novo projeto: ‘O que era bom, fica muito melhor!’. Já o governador Aécio Neves acha que ‘essa inovação não ficará restrita ao Estado’, pois ‘é mais uma presença forte de Minas Gerais, que haverá de inspirar, com certeza, em todo o Brasil, outras empresas jornalísticas’.’

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