Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

CIRCO DA NOTíCIA > GOVERNO MARTA

Lino Bocchini

20/04/2004 na edição 273

‘A TV Globo e alguns jornais engoliram a versão de que o protesto ocorrido ontem na porta da Prefeitura era uma manifestação popular espontânea. Outros veículos, mais cautelosos, deixaram clara a conotação política do ato organizado pelo PSDB. Oficialmente, a ação foi organizada por uma associação presidida pela mulher de um vereador tucano. Subiram no carro de som o vereador em questão, diversos parlamentares e até um pré-candidato a prefeito, todos do mesmo partido. ‘Foi um comício do PSDB’, resumiu com precisão o líder do governo na Câmara, o vereador petista João Antônio, ao Jornal da Tarde.

E não era só: a pauta de reivindicações dos manifestantes continha diversos pedidos há muito atendidos, como a regularização de lotes. Outro fato evidenciou as óbvias intenções do grupo: dentro da Prefeitura, falando alto ao celular, um assessor tucano que acompanhava os manifestantes comemorava a cobertura da Globo e o interesse da TV Record.

Sobre o número de participantes, a PM avaliou em cerca de mil, e os organizadores falaram em 4 mil. O jornal Agora SP bancou a informação dos membros do PSDB (4 mil) como fato consumado, sem citar a fonte. A Folha, do mesmo grupo de comunicação, agiu diferente, publicando as duas avaliações.

JORNAIS COMPRAM MAIS UM ‘LEVANTAMENTO’ DE VEREADOR TUCANO

Ontem, enquanto o PSDB promovia o ato, um vereador tucano, pródigo em levantamentos duvidosos, acusou a Prefeitura de pagar mais pelos CEUs em construção do que pelos já inaugurados. O Estadão, apesar de abrir página com a notícia, pelo menos foi claro no título (‘Vereador diz que custo do CEU…’). Já a Folha, em sua má-fé habitual, não só banca integralmente a informação do vereador como dá uma chamada de capa acima da dobra para a ‘denúncia’, desmentida com veemência pela Secretaria de Educação. A> atitude não surpreende, já que os ‘levantamentos’ do vereador já subsidiaram diversas capas do caderno Cotidiano.’



ELEIÇÕES 2004
Daniel Castro

‘Globo e Band fecham agenda de debates’, copyright Folha de S. Paulo, 16/04/04

‘No meio de uma intensa disputa nos bastidores para decidir quem fará o primeiro debate deste ano, Globo e Band marcaram seus primeiros encontros entre prefeituráveis na mesma semana e antes do prazo final para registros de candidaturas (5 de julho).

A Globo, se a Band não conseguir virar o jogo, vencerá a batalha por apenas três dias. Seu primeiro debate está marcado para 1º de julho, uma quinta, por volta das 12h. Anteontem, a Band fechou com partidos a realização de seu primeiro debate em 4 de julho, um domingo, às 22h.

A Band, no entanto, pode dar um drible na Globo, que exigiu dos partidos a preferência pelo primeiro debate. A emissora paulista marcou para 23 de maio um ‘quase debate’ com líderes de partidos. ‘Esse programa pode virar um debate entre pré-candidatos. Vai depender da definição das candidaturas’, diz Fernando Mitre, diretor de jornalismo.

Membros do alto escalão do jornalismo da Globo duvidam que a Band já tenha acertado seu primeiro debate. Dizem que a emissora ainda não tem o ‘sim’ dos candidatos. Mitre nega: ‘Já temos tudo acertado e assinado’.

O segundo debate da Band será em 12 de setembro, e o da Globo, em 30 de setembro. No segundo turno, haverá debate na Band em 10 de outubro e, na Globo, no dia 29. A Band fechou acordo com os partidos que prevê confronto entre os candidatos nos debates.

OUTRO CANAL

Time

Natália do Vale, Eva Wilma, Antonio Calloni, Carlos Vereza, Erik Marmo, Betty Goffman e Guilherme Piva, além de Marcos Paulo, são os nomes já confirmados no elenco de ‘Romance’, próxima novela das sete da Globo.

Cota

Leandro Firmino da Hora, o Zé Pequeno de ‘Cidade de Deus’, fez teste para interpretar Moacir, delegado de uma cidade imaginária e ‘galã jovem afro-brasileiro’ de ‘Romance’.

Ranking

‘Um Só Coração’ acabou empatando com ‘A Casa das Sete Mulheres’ na disputa pela minissérie de maior audiência da Globo desde 2000. Ambas fecharam com 28 pontos. ‘Um Só Coração’ leva ligeira vantagem: em média, 53% dos televisores ligados ficaram sintonizados na minissérie, contra 52% de ‘A Casa das Sete Mulheres’.

Idéia fixa

Mantendo sua tradição de novelas com títulos esquisitos, o SBT estréia dia 26, às 19h30, a infantil ‘Amy, a Menina da Mochila Azul’ no lugar de ‘Poucas, Poucas Pulgas’. E reprisará ‘Pícara Sonhadora’ a partir de segunda, às 13h.

TV Trash

Foi um sucesso (só no Ibope e para os padrões do SBT) a estréia do seriado ‘Meu Cunhado’, com Moacyr Franco e Ronald Golias, anteontem. Deu média de 21 pontos, com picos de 26.’



ECOS DE 1964
Carlos Heitor Cony

‘Antônio Callado’, copyright Folha de S. Paulo, 10/04/04

‘Reclamei, com certa antecipação, do excesso de testemunhos e depoimentos relativos ao golpe militar de 64 -excesso do qual participei, atendendo a solicitações de colegas da imprensa que me procuraram para engrossar o assunto.

Com o fim da onda, senti falta de um nome que pouco foi lembrado nas muitas e extensas matérias feitas pela mídia. Antônio Callado foi o único jornalista brasileiro pessoalmente proibido de escrever em jornais. De 1964 a 1968, quem quis escreveu contra o movimento militar de abril. Evidente que se pagava o preço, mas era a regra do jogo. Callado foi o único profissional que por decreto do governo ficou proibido de escrever. Os outros ou se proibiram ou não quiseram se manifestar.

Além disso, Callado é autor de ‘Quarup’, que representou para os anos 60 o mesmo que ‘Grande Sertão: Veredas’ representou para os anos 50. Foi preso diversas vezes, numa delas, levou para a prisão na Vila Militar o pôster de Che Guevara que tinha em sua casa, no Leblon. Foi uma cena que Glauber Rocha poderia ter filmado: num jipe aberto, o sofisticado sir Anthony levando o enorme pôster que tremia com o vento da corrida.

Lendária a sua calma que merecia realmente o clichê de ‘fleuma britânica’. Na prisão, sem dar bola para o desconforto, relia pausadamente Proust, o autor francês que mais admirava.

Após o AI-5, quando ficou impossível escrever contra o regime militar aqui instalado, fez uma coisa espantosa. Ele, que nunca brigava por nada, brigou ferozmente pelo direito de ir ao Vietnã, num dos períodos mais violentos daquela guerra e que não trazia nenhuma glória para quem por lá se aventurasse.

Callado foi um dos homens mais importantes da minha geração, tanto no jornalismo, como na literatura e na vida social. Lembrá-lo com carinho é uma obrigação de todos os que resistiram contra o totalitarismo. E para mim, pessoalmente, uma expressão de saudade.’



Zuenir Ventura

‘Escapando por pouco’, copyright No Mínimo (http://nominimo.ibest.com.br), 13/04/04

‘Há duas semanas, eu estava trancado vendo documentários no festival ‘É tudo verdade’, do qual era jurado, em São Paulo, quando soube que Elio Gaspari estava atrás de mim, querendo falar com urgência. Interrompi às pressas o trabalho e liguei para ele:

– Você escapou de morrer – ele começou, à sua maneira, sem preparação: primeiro dá a notícia e depois explica. Como o verbo estava no passado, fiquei mais ansioso do que assustado. Devo ter raciocinado como um perfeito idiota: se escapei, é porque não morri, então tudo bem.

Aliviado, quis saber detalhes. Ele tinha encontrado um documento do antigo Serviço Nacional de Informações (o SNI da ditadura militar) e queria me mostrar. Ou eu pegava a chave de sua biblioteca, a Malan, e ia lá eu mesmo localizar o tal papel, ou esperava até o jantar que teríamos dois dias depois na casa de Edla Van Steen e Sabato Magaldi, quando então ele me entregaria uma cópia xerox. Como daí a pouco eu seguiria para Porto Alegre, o remédio era esperar até minha volta a SP. Imaginem o suspense.

Elio me esperava com um envelope grande na mão. Dentro, o documento, de 1º de setembro de 1975, com o carimbo de ‘secreto’. Trata-se da ‘apreciação sumária no 02/GAB/75’, que o SNI enviara ao presidente da República, na época, o general Geisel. São dez páginas de análise da conjuntura política, com um capítulo dedicado à subversão na imprensa. Segundo o informe, a ‘infiltração na imprensa’ obedecia a duas linhas de atuação. Uma, ‘francamente comunista ou esquerdista’ (jornais ‘Opinião’, ‘A Crítica’, ‘Movimento’ e ‘Pasquim’). A outra, ‘por não ser concentrada, é de mais difícil caracterização’. Seria o caso de ‘Última Hora’, ‘O Globo’, ‘Estado de São Paulo’ e revista ‘Visão’, que estariam submetidos a um processo de infiltração de ‘elementos do Partido Comunista’.

É quando se fala de ‘Visão’ que apareço na história: ‘Apesar de ter demitido mais de uma dezenas de jornalistas esquerdistas, tendo em vista a sua nova orientação – combate à estatização dos jornais – ainda mantém em seus quadros ZUENIR VENTURA, comunista apontado como o coordenador das campanhas que o PCB desencadeia na imprensa e também do remanejamento dos jornalistas esquerdistas nos órgãos de divulgação do país’.

Parecia uma piada de tão ridículo. O problema, porém, é que a repressão acreditava nas fantasias que inventava, e muitos inocentes morreram por causa disso. Para ela, por exemplo, a ‘infiltração esquerdista’ era a responsável ‘pelo clima de desconfiança, e até mesmo de revolta, observado em parcela da população relativamente grande, contra alguns setores do governo’.

Minha sorte, segundo Elio, é que o SNI de Brasília não passou as informações para a agência de São Paulo, sede da revista, que eu freqüentava semanalmente, como chefe de redação da sucursal do Rio. Se fosse preso, eu iria negar a acusação, claro, já que nunca fui do Partido Comunista e nem coordenava nada. Aliás, nem minha casa, que é coordenada por minha mulher. ‘Mas justamente por isso, porque não tinha nada para entregar, é que você ia apanhar até morrer’, explica meu amigo, que, como se sabe, é o maior especialista em ditadura militar.

A ‘apreciação sumária’ é de setembro. Um mês depois, Vladmir Herzog, que tinha trabalhado comigo na ‘Visão’, foi preso sob a acusação de atividades subversivas. Não precisou de muito tempo para que ele fosse apresentado com uma corda amarrada no pescoço como se tivesse suicidado. Vlado morreu porque não tinha o que revelar. O seu brutal assassinato levou D. Paulo Evaristo Arns – com aquela coragem cívica com que enfrentava os militares – a abrir as portas da Catedral de São Paulo para um culto ecumênico que reuniu, talvez pela primeira vez naqueles tempos, toda a classe jornalística. Na revista ‘Época’ da semana passada, D. Paulo conta ao repórter Federico Mengozzi como Vlado foi morto, provavelmente depois de gritos de dor da tortura: ‘Eles queriam silenciar Herzog e encheram sua boca com lã, também para fazê-lo sofrer. Ele era cardíaco e o coração parou, e não conseguiram mais reanimá-lo’.

Em 1999 fui dado como morto num acidente, com direito a notícia na internet. Os obituários, já prontos, só não foram publicados nos jornais porque ressuscitei a tempo. Luiz Fernando Verissimo escreveu uma crônica dizendo que foi pena porque perdi a oportunidade de tomar conhecimento do que ‘todo homem no fundo quer, que é saber o que dirão dele depois de morto’. Agora descubro que há quase 30 anos escapei por pouco. Isso é chato, porque quando chegar de fato minha hora, se é que vai chegar, corro o risco de ninguém acreditar. Já estou vendo o Tutty tentando convencer as pessoas: ‘Dessa vez é pra valer’.’

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PRIMEIRAS EDIçõES > ***

Lino Bocchini

Por lgarcia em 27/01/2004 na edição 261

GOVERNO MARTA

“Investigação De Supostas Contas Do Maluf: Colunista Social Do Estadão Erra Feio”, copyright Além da Notícia (informativo da Prefeitura de S. Paulo), 21/01/04

“Há tempos a imprensa fala de supostas contas do ex-prefeito Paulo Maluf no exterior. O Ministério Público investiga a questão, e a Prefeitura vem acompanhando o caso. Nesse contexto, a coluna social ?Persona?, de O Estado de S. Paulo, entrou hoje na história de forma desastrosa. Afirmou o colunista: ?corre nos bastidores do PT um comentário que a prefeita Marta Suplicy terá o apoio do ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf para a sua reeleição. Comenta-se que o referido apoio teria sido conseguido em virtude da não opção da Prefeitura em contratar um advogado em New Jersey para a averiguação de possíveis contas do ex-prefeito naquele estado americano?. Abaixo, a informação correta:

1. Como já foi amplamente divulgado, a Prefeitura de São Paulo contratou um escritório de advocacia em Genebra (Suíça) para acompanhar procedimento instaurado naquele país em relação à suposta existência de contas bancárias em nome do ex-prefeito Paulo Salim Maluf.

2. O seguimento do processo depende da decisão da suprema corte suíça para ajuizar a medida cível cabível para a obtenção de documentos protegidos por sigilo judicial.

3. Trata-se de notícia velha e mentirosa a afirmação de que haja negociação para o apoio do ex-prefeito Maluf à candidatura a reeleição da prefeita Marta Suplicy.

4. Quanto ao ?furo? do colunista, que descobriu uma conta de Maluf no estado americano de New Jersey, a Prefeitura nada pode fazer, visto que as iniciativas do governo municipal têm se voltado para a Suíça e a Ilha de Jersey, situada no Canal da Mancha, a milhares de quilômetros da costa leste dos Estados Unidos.”

 

GOVERNO REQUIÃO

“Requião pagou por ?reportagens? no Paraná”, copyright Folha de S. Paulo, 23/01/04

“O governo do Paraná pagou pela publicação de ?reportagens? em seis dos principais jornais do Estado em 1991, no primeiro mandato do atual governador, Roberto Requião (PMDB), de acordo com cópias de documentos que tiveram a autenticidade conferida pela Agência Folha.

Foram notícias relacionadas ao governo, com viés positivo, sem que o leitor fosse informado de que se tratavam de ?reportagens? pagas. Tal prática não é ilegal, mas os jornais são proibidos de agir assim de acordo com o código de ética da ANJ (Associação Nacional dos Jornais).

Em 2 de setembro do ano passado, a Folha publicou reportagem relatando que, em 2002, na gestão de Jaime Lerner (então no PFL, hoje no PSB), o governo do Paraná gastou R$ 6,418 milhões com a compra de ?reportagens? em 76 veículos de comunicação (68 jornais, 6 revistas e 2 colunas).

A reportagem provocou a abertura de dois procedimentos no Ministério Público do Paraná, para investigação do assunto.

Indagado na época sobre o assunto, o governador Requião negou usar ?matérias? pagas em seus dois mandatos no Paraná. ?Eu nunca fiz isso?, disse. A reportagem solicitou entrevistas com o governador sobre a publicidade no seu primeiro mandato, mas sua assessoria não viabilizou nenhum contato.

Auditoria

As cópias de documentos a que a Agência Folha teve acesso foram destacadas de uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas do Estado em 1993, sobre os gastos com publicidade no ano de estréia de Requião como governador.

Em meio aos comprovantes de gastos apresentados aos auditores pela Comunicação Social de Requião, há textos de aparente cunho jornalístico veiculados nos jornais ?Gazeta do Povo?, ?Diário Popular?, ?Correio de Notícias?, ?Jornal do Estado?, ?O Estado do Paraná? e ?Folha de Londrina?.

No caso da ?Gazeta do Povo?, a auditoria aponta que o governo pagou à empresa do principal colunista do jornal, Dino Almeida, morto em abril de 2001.

Vários jornais com sede no interior do Estado, além da ?Folha de Londrina?, também receberam recursos dessa forma do primeiro governo de Requião, segundo notas fiscais e comprovantes de empenho anexados ao relatório final da auditoria do TCE.

O material fez parte de uma lista de dezenas de irregularidades na publicidade atribuídas à administração de Requião usadas em uma ação iniciada em 1995 na Justiça Eleitoral com o objetivo de cassar o mandato de senador -Requião ocupou o cargo de 1995 a 2002.

De acordo com a acusação -feita por um adversário político de Requião na disputa por uma vaga no Senado em 1994, o ex-deputado Hélio Duque (PSDB)-, Requião se valeu do cargo de governador para bancar propaganda em jornais contra o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia (PMDB), numa disputa pelo comando do PMDB nacional.

O processo acabou em maio do ano passado. O Tribunal Superior Eleitoral determinou ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná seu arquivamento ?por perda de objeto?. Requião cumpriu o mandato de senador e já não haveria razão para o caso prosseguir, segundo concluiu o TSE.

O empenho n? 343 da Secretaria de Comunicação Social de Requião, analisado pelos auditores do TCE, indica que o jornal ?Correio de Notícias? recebeu, em julho de 1991, Cr$ 8 milhões (a moeda da época era o cruzeiro), o equivalente hoje a R$ 75 mil, por seis matérias pagas publicadas no mês anterior.

Uma consulta da Agência Folha aos arquivos da Biblioteca Pública do Paraná, em Curitiba, constatou que cinco, dos seis títulos relacionados, foram as manchetes (principal destaque da capa) das edições da primeira semana de junho do jornal. O sexto título teve um destaque menor na primeira página da publicação.

Parte das ?reportagens? pagas chegou aos jornais por intermédio de agências de publicidade, que receberam a comissão de praxe pela intermediação, mesmo sem produzir os textos e ilustrações. Naquele ano, as agências contratadas prestaram serviço sem passar por licitação. A ausência dessa formalidade legal foi destacada na auditoria do TCE, mas o tribunal não estimulou a desaprovação das contas daquele ano pela Assembléia Legislativa.

Nos casos analisados, há notas fiscais de pagamentos atribuídos ao final da gestão do antecessor de Requião, Alvaro Dias (que governou pelo PMDB e hoje está no PSDB). Requião era o candidato de Dias, que lhe deu posse em março de 1991.

Incêndio

A Agência Folha não conseguiu apurar quanto o primeiro governo de Roberto Requião gastou com a publicidade oficial. A Inspetoria Geral de Controle do TCE informou que não seria possível fornecer o dado.

O presidente do TCE, Henrique Naigeboren, foi procurado para entrevistas por duas vezes, mas não atendeu à Agência Folha. Naigeboren é cunhado de Jaime Lerner e foi indicado pelo ex-governador para o cargo de conselheiro, que é vitalício.

A Assembléia Legislativa também não forneceu o dado. O diretor legislativo Severo Sotto Maior disse que o incêndio de setembro de 1994, que consumiu o quarto e o quinto andares do prédio, queimou a biblioteca e os arquivos da Casa. O secretário da Comunicação Social do governo, Airton Pissetti, disse que os documentos estariam no TCE.”

***

“Governador diz ter ?demitido? seu secretário”, copyright Folha de S. Paulo, 23/01/04

“O governador Roberto Requião (PMDB) disse, por intermédio de sua assessoria, que demitiu o secretário de Comunicação da época, depois de tomar conhecimento do pagamento de reportagens nos jornais.

?À época, o secretário da Comunicação alegou que estava fazendo uma compra antecipada de espaço nos jornais [uma situação negociada com certa frequência no mercado publicitário do Paraná] e mesmo assim foi demitido?, disse o porta-voz de Requião, jornalista Benedito Pires, que não quis informar o nome do secretário demitido.

O primeiro secretário de Comunicação do governo Requião foi o jornalista Fábio Campana. Ele assumiu o cargo em março de 1991, com Requião, e saiu da secretaria em novembro. Foi substituído pelo administrador de empresas Gilberto Griebeler -que efetuou pagamentos a jornais em dezembro daquele ano, segundo auditoria do Tribunal de Contas do Estado. Griebeler hoje ocupa cargo de diretoria na Copel (estatal de energia do Paraná).

A Agência Folha tentou falar com Campana. Deixou recados para ele, renovados com sua secretária, mas ele não ligou de volta. (MT)”

***

“Gasto em 91 é estimado em R$ 1,2 mi”, copyright Folha de S. Paulo, 23/01/04

“?Reportagens? pagas publicadas em seis jornais do Paraná em 1991, no primeiro governo Roberto Requião (PMDB), custaram aos cofres estaduais o equivalente a R$ 1,21 milhão, em valores atualizados até dezembro de 2003 pelo IGP-M, índice de inflação calculado pela Fundação Getúlio Vargas.

O valor se refere a 21 registros de pagamentos feitos pela Secretaria de Comunicação Social naquele ano analisados pelo TCE.

Nos registros, foi possível constatar que o ?Correio de Notícias? (que deixou de circular em janeiro de 1995) recebeu R$ 360 mil por seis faturas em dezembro.

Em dezembro, a editora ?O Estado do Paraná? recebeu R$ 34 mil por nove textos. Foi o único documento a que a Agência Folha teve acesso que liga o jornal do presidente da Copel, ex-governador Paulo Pimentel, a pagamento de ?reportagens?.

Por quatro textos produzidos por sua equipe de repórteres sobre assuntos em pauta nos dias 25, 28 e 29 de agosto, a ?Folha de Londrina? emitiu nota cobrando e recebendo do governo, em setembro, R$ 75,4 mil. O ?Jornal do Estado? teve seu caixa reforçado com verba do governo em abril, julho, outubro e dezembro de 1991 em cerca de R$ 384 mil.

Quatro itens do relatório indicam pagamento de R$ 21,7 mil à Dialpres Promoções e Empreendimentos, pela ?confecção de inúmeras e pequenas matérias ou textos sobre acontecimentos (…) inseridos na coluna Dino Almeida, da ?Gazeta do Povo?.

O presidente do TCE na época, Rafael Iatauro, disse em entrevista que os conselheiros fazem ?análise subjetiva? do assunto e que ?todos os governos do Paraná? usaram a prática de pagar por ?reportagens?.”

“Memória curta”, in Painel, copyright Folha de S. Paulo, 22/01/04

“Roberto Requião nomeou Marcos Batista para a TV Educativa do Paraná. Ex-diretor de jornalismo da afiliada da Globo, já foi acusado pelo governador de receber ?capilé grossinho? de suposto ?esquema de corrupção? da campanha de Lerner.

Sem cobertura

Requião se queixava de que a Globo não cobria as investigações sobre irregularidades em Londrina, que terminaram com a cassação do prefeito da cidade, Antônio Belinati, ex-aliado de Lerner, então governador.

Coisas do passado

Marcos Batista foi dispensado da Globo em abril de 2000, mês em que sofreu o ataque de Requião. O governador se recusa a comentar o que seria só ?a nomeação de mais um funcionário?. Batista nega as acusações e diz que ?são coisas do passado?.”

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