Domingo, 16 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1041
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CIRCO DA NOTíCIA >

Mão na cumbuca põe quem quer

Por Marinilda Carvalho em 10/05/2005 na edição 328

Nada como um dia após o outro. Corinthians 1 x 5 São Paulo. Os mesmos repórteres que na semana passada bajularam Kia Joorabchian, poderoso chefão do Corinthians, tubarão das finanças esportivas, caíram de pau no iraniano no domingo. Derrota ensina ética?

Não. Nos vestiários do Morumbi, nenhum repórter perguntou a nenhum jogador o que acha de ser massa de manobra em negociata internacional; ou o que acha de representar o sabão em operações de lavagem de dinheiro.

Ah, isso não é futebol? E tubarão falar de futebol, é futebol? [ver remissão abaixo].

No programa Linha de passes, do Sportv, o conhecido corintiano Washington Olivetto foi procurado para falar da goleada e disse com todas as letras: ‘O Corinthians está sendo tratado mais como negócio do que como futebol’. Ninguém aproveitou a deixa. Luiz Carlos Júnior, o apresentador, reduziu: ‘O torcedor então está se sentindo traído?’ A resposta, claro, foi enrolação. O anzol do comentarista Roberto Assaf quase pescou um nervo da questão crucial: ‘O Kia é um ditador?’ (o tubarão invade o vestiário para xingar os derrotados, põe e dispõe sobre o time). Mas, desta vez, quem escapou foi Olivetto: ‘Não diria isso…’

Claro, Olivetto nada diria porque é publicitário, profissão torcedor. Não é jornalista, não tem compromisso algum de informar ao cidadão quais são as manobras e quem são os manobreiros do futebol. Quem tem essa função, que muitos esquecem de que é uma função social, é o jornalista.

Propósito e compromisso

Já na ESPN Brasil, foi procurado pelo programa Sportcenter o corintiano assumido Juca Kfouri, profissão jornalista, que não hesita em denunciar pouca-vergonha. E contou: o elenco do Corinthians ainda não recebeu o salário de abril porque há uma pendenga com Edu, ex-Arsenal. Isso porque o festejado time britânico é massa de manobra do mesmo cardume. Sabia disso, leitor? O tubarão não tem capital para salário. Depende do andamento de negócios internacionais para pagar em dia aos jogadores do Corinthians.

Contou mais: por que a briga em torno de Mascherano, cuja contratação o técnico Passarela não quer, mas o tubarão exige? Porque é onde está o ‘negócio’, disse Juca. O ‘ator de negócios’, como descreveu Kia Joorabchian um jornalista russo, não quer saber de montagem de time, mas dos negócios.

Isto é informação – a tal função social da imprensa, no Planalto, na Câmara ou no Morumbi. O estabanado futebol dos craques do Corinthians é o de menos. Ainda assim, Juca disse uma frase esclarecedora sobre a derrota de seu time do coração para o São Paulo: ‘Não se faz de propósito, é que não se tem compromisso’. É isso aí. Compromisso com tubarão têm os ambientalistas, que Netuno os proteja. Atletas não têm compromisso com negociatas, têm compromisso com times. Repórteres, a gente sabe com quê. E todos sujeitos à ética do marceneiro, aquela do Cláudio Abramo [ver remissão abaixo].

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