Quarta-feira, 23 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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CIRCO DA NOTíCIA > OLIMPÍADAS 2004

Medalhas e medalhadas

Por Marinilda Carvalho em 17/08/2004 na edição 290

– E então, Glória Maria, que tal assistir de perto pela primeira vez ao desfile dos atletas?

– Ah, Galvão, as coisas são sempre muito parecidas… é como o desfile das escolas de samba…

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– Agora desfilam os macedônicos [Galvão Bueno].

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Lá pelas 11 da noite de domingo já dava vontade de gritar quando o quadragésimo repórter, narrador ou comentarista repetia que o dream team (time dos sonhos) americano de basquete tinha vivido ‘um pesadelo’ na derrota diante de Porto Rico. Será possível que ninguém previu que este seria um clichê ululante? Pois repórteres e colunistas o repetiram à grande na segunda-feira.

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A exploração sentimentalóide da despedida de Gustavo Borges das piscinas na madrugada/manhã de domingo era desnecessária. O próprio nadador tinha dado um tom suficientemente dramático a seu adeus.

A homenagem maior teria sido destacar o tempo do nosso grande atleta que, mesmo aos 31 anos, não foi responsável pelo mau desempenho da equipe masculina nos 4x100m livre.

Os tempos: Jader Souza – 50s89; Gustavo Borges – 49s59; Carlos Jayme – 49s67; Rodrigo Castro – 50s05.

Os sites de notícias não deram a informação. O Globo do dia seguinte nem tocou no assunto. Para apurar bastava telefonar à Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA): uma equipe esteve de plantão, durante a prova apurando tudo e até depois das 13h de domingo atualizando o site. Um e-mail com o pedido dos tempos individuais da equipe foi enviado pelo OI ao endereço (imprensa@cbda.org.br) às 12h59 de domingo e foi respondido, com as informações, às 13h19, assinado pela repórter Eliana Alves. Que até brincou: ‘Somos apenas dois colegas, à distância pelas madrugadas… isso também dá matéria (rs)’.

Anotem o e-mail, colegas.

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Como a ESPN Brasil não há. Os canais da família Globo dão show de imagens exclusivas recheadas de comentaristas estelares, mas jornalismo de face humana é mesmo com a turma do José Trajano. Do bom e alegre pessoal do Sportv (quatro canais!) tivemos montanhas de informações sobre as contusões de Nalbert do vôlei e Janeth do basquete. Na ESPN Brasil, entretanto, é que se fica sabendo que as duas maiores esperanças do boxe brasileiro (no Brasil, um primo pobre dos esportes olímpicos) perderam na estréia porque tiveram membros fraturados há pouco tempo (um dos atletas quebrou a mão 27 dias antes da primeira luta na Olimpíada!). Aquilo sim, deu vontade de chorar.

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No cômputo geral, porém, a cobertura da TV brasileira da Olimpíada vem sendo de alto nível – e um canal completa o outro. A família Globo cobre as estrelas e a ESPN Brasil também, mas com um bom espaço aos atletas pobres e esquecidos.

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Pedro Bassan, da Globo, disputa com André Plihal, da ESPN Brasil, a medalha de ouro dos melhores e mais criativos textos sobre os jogos. Dorrit Harazim, claro, é hors-concours. Suas matérias no Globo têm sido de uma qualidade que há muito não se vê na imprensa. O perfil do nadador americano Michael Phelps foi primoroso. E profético.

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