Domingo, 17 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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Mídia, cevada e Thomas Edison

Por Alberto Dines em 20/06/2005 na edição 334

A mídia eletrônica está quieta. Ainda não começou a chiar contra a Operação Cevada que deixou grogue a cervejeira Schincariol, uma das grandes anunciantes da TV aberta.


Empresários que honram os seus compromissos com o Fisco geralmente costumam apoiar as operações contra sonegadores. Não no Brasil: aqui há sonegadores úteis, casta de empresários infratores que merecem tratamento especial, e os sonegadores lúmpen, completamente marginais.


A diferença entre eles está no número de empregos formais que geram, no montante que gastam em matéria-prima, no volume de investimentos, na imagem que conseguiram criar à sua volta e, conseqüentemente, no tamanho da verba de propaganda. Se o sonegador útil não anuncia, passa automaticamente à categoria dos párias, sujeito ao rigor da lei.


A reação da Schincariol à violenta ação da Receita e da Polícia Federal só começou efetivamente na segunda-feira (20/6), quando o grupo cervejeiro publicou matéria paga nas primeiras páginas do Estado de S.Paulo e da Folha de S.Paulo, e na página 3 do Globo. No mesmo dia começaram a pipocar notícias de que a empresa tornada acéfala com a prisão de alguns dirigentes poderá interromper a produção, demitir e… parar de anunciar.


Em pé de igualdade


Jornais não ‘vendem’ cerveja, a loura prefere a televisão e, no verão, as coloridas revistas. Pode converter-se em interessante caso de estudo a eventual reação da mídia cervejeira diante da inédita repressão aos sonegadores.


Mais fascinante seria a hipótese de uma ação policial contra os sonegadores úteis na área dos eletrodomésticos ou eletroeletrônicos. Alguns estão entre os maiores anunciantes do país com atuação ostensiva na programação esportiva, de auditório e, sobretudo, nas capas, contracapas e falsas-capas dos diários (grandes e médios).


Evidentemente, algumas dessas gigantescas cadeias de eletrodomésticos oferecem preços e financiamentos imbatíveis graças a uma política fiscal, digamos, flexível. Aquecem o consumo e, com o colossal volume de vendas, conseguem comprar espaço e tempo na mídia por preços aviltantes.


A mídia ganha alguns trocados mas não pode chiar, obrigada a conviver com esses sonegadores úteis. Contudo, há sinais de que os pagadores de impostos começam a ficar incomodados. Não é justo combater apenas a pirataria das calçadas. A turma legal quer crescer, vender, anunciar e competir, mas em pé de igualdade – sem dumping e sem sonegação.


Pergunta-se: qual seria a reação da mídia se no lugar da Operação Cevada for deslanchada a Operação Edison, cândida homenagem ao precursor da eletricidade para uso doméstico?

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