Sexta-feira, 22 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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CIRCO DA NOTíCIA > OBSERVAÇÃO DO LEITOR

Mídia sem identidade e críticas diversas

Por Carlos Wagner Campos e outros autores em 09/05/2006 na edição 337

Quem é a imprensa, quem é a mídia? Ela é multiforme. É o que cada profissional acha e sente. Não é possível falar que a imprensa é isso ou aquilo, porque ela é de tudo um pouco. Há jornalistas, empresários, radialistas, comentaristas etc. etc., pastores, políticos, artistas, críticos disso ou daquilo. Qualquer um que tenha um palanque ou uma tribuna se arvora a dizer o que bem entende, e dependendo do poder do seu veículo, opiniões viram sentenças, reputações são jogadas ao vento e a verdade é a primeira prejudicada.


Porém, a imprensa é necessária. Daí a dizer que ela é senhora de seu próprio julgamento, como acontece quase que sempre, de forma corporativa, e com o poder que tem, isso se torna massacrante para a sociedade que quer se informar. Quem controla isso? É preciso, com criatividade social, que sejam criadas instituições capazes de equilibrar essa mixórdia. O Observatório da Imprensa é um bom caminho para que se possa infiltrar nesse meio e se ter voz. Porém, ele é um orgão também, majoritariamente, de jornalistas. (Lagoa Santa, MG, professor)


 


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Censura em jornal-laboratório


Nesta terça-feira, dia 9 de maio, os estudantes do UniCeub foram surpreendidos com o comunicado de que a última edição do jornal-laboratório Esquina – já impressa – não iria circular. O motivo da apreensão dos três mil exemplares foi a censura à matéria intitulada ‘Comigo é no popular’, numa referência ao ex-governador de Brasília, Joaquim Roriz. A publicação é produzida, há cerca de 30 anos, pelos cursandos do 6° semestre de Jornalismo do UniCeub e, até onde se sabe, foi a primeira vez que tal fato ocorreu. Não podemos nos calar e permitir que ainda estudantes já nos furtem o direito da livre expressão. Principalmente dentro de uma instituição de ensino, que deve funcionar como um santuário onde seja preservada, estimulada e garantida a liberdade de imprensa. O direito do jornalista. Não de difamar e fazer falsas acusações, e sim de revelar fatos e dados que sejam de interesse público. Como estudantes de Comunicação Social que acreditam no valor da profissão, pedimos que este fato não passe despercebido. (Letícia Alcântara, editora de Comunidade do Esquina)


 


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Puro charlatanismo


O Canal 21 de São Paulo, pertencente à Rede Bandeirantes de TV, exibe todos os dias um programa religioso que é puro charlatanismo, com exercício ilegal da medicina e exploração da credulidade popular. O bispo diz que só naquele lugar as pessoas podem ser curadas de câncer, diabetes, Aids etc. (Florencio Souza, São Vicente, SP, portuário)


 


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Demissão de Franklin Martins


Fui pego de surpresa, creio que como todos aqueles que gostam de boas análises políticas, com a demissão do Franklin Martins da Globo. Como tenho, ainda, um pouquinho de bom senso, não posso crer que a demissão do Franklin tenha qualquer relação com as desavenças dele com o Mainardi. Fiquei refletindo… e justamente hoje a Abril vendeu 30% de seu capital. Será que é coincidência? Mas que coisa interessante, justamente o Franklin, um dos melhores comentaristas políticos que conheço, de repente sai da Globo. Há algo estranho, eu pensei. Mas depois, raciocinando melhor, concluí que é impossível. A Globo, ainda que tenha algo com a negociação da Abril, como dizem, jamais poderia ter abordado a briga do Franklin, afinal é uma coisa muito particular deles. (Leão Machado, São Paulo, engenheiro)


 


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Cadê a indignação da mídia?


O maior escândalo de corrupção da história do país. Que diriam os senhores da mídia se num só dia a PF prendesse 46 pessoas, e o número deveria subir a mais de 100, e a cifra do assalto aos cofres públicos fosse mais que o dobro do valerioduto petista (55 milhões) e maior que o azeredoduto tucano (101 milhões)? Se 52 deputados federais estivessem envolvidos no assalto? Se além dos deputados estivessem envolvidos prefeitos, assessores de toda sorte, membros das mesas etc. etc. etc.? Se o dinheiro fosse roubado de uma área cujos recursos são poucos, mas que qualquer centavo desviado pode significar a morte de seres humanos? Seria ou não o maior escândalo da República, seja pelos valores, personagens etc.?


Mas onde é que ouvimos ou lemos a palavra escândalo ou crise sobre o assunto? Qual jornal, comentarista, jornalista, opinionista etc. deu o merecido destaque ao assunto? Nenhum, e sabem por quê? Porque, ao que aprece, conforme a lista do insuspeitável colunista de direita Cláudio Humberto, nenhum dos nomes de políticos envolvidos pertence ao PT, só por isso. Hipócritas. Confiram a lista dos envolvidos. (Luciana Souza, Belo Horizonte, médica)


 


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Exploração infantil em rede nacional


Hoje, 5 de maio de 2006, há poucos minutos, assisti ao programa Fala que eu te escuto, da Record. O programa tinha o seguinte tema: ‘Qual o motivo do aumento do número de estupros: omissão ou impunidade?’ O programa levou ao ar várias matérias de arquivo sobre estupros recentes, e fiquei extremamente chocado ao ver algumas matérias com garotas de 10, 11 anos sendo entrevistadas e tendo que relatar às câmeras o que seus ‘agressores’ tinham feito com elas. Pessoa alguma deveria passar por essa situação que todos sabem ser extremamente traumatizante. A exposição a que essas pessoas foram submetidas é totalmente condenável, ainda mais quando a vítima é uma criança. (Pedro Vitor Rocha, Franca, SP, estudante)




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Crise do gás


Fico indignado como a ignorância de alguns jornalistas de TV importantes, sem conhecimento profundo de determinado assunto, como nesse caso do gás da Bolívia. Vêm a publico se manifestar como se sua opinião fosse a verdade. Seria preciso que assistissem a um debate da Cultura para entender que neste assunto não é a bravata que vai resolver a questão. Fico feliz por ver que nosso presidente veja as coisas com mais profundidade, e resolva com boa política de Estado. Não podemos ir para cima da Bolívia, temos que respeitar suas decisões internas. A Petrobras tem condições de resolver este problema da melhor maneira, sem alarde nacionalista de alguns jornalistas e autoridades que vêem nesse episódio pretexto para criticar a política externa do Itamaraty, para atingir a figura do presidente, que agiu da maneira centrada, como compete ao mandatário de uma nação civilizada. (Magno Aurélio Guedes Sobral, João Pessoa, petroleiro)




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(Des)cobertura da nacionalização boliviana


Lamentável a cobertura televisiva sobre a nacionalização feita por Evo Morales. Uma ‘patriotata’ sem nexo, com comentários maldosos em cima de frases tiradas do discurso do presidente boliviano, a quem o comentarista-metralhadora Jabor desdenhou como ‘esse índio que virou presidente’. Até a Cultura e o professor Heródoto entraram nessa linha. Enquanto isso, a Bolsa de Valores desatava os nós da expectativa e realinhava sua avaliação, dando uma valorização invejável às ações da Petrobras. A quem serviu essa cobertura? (Agostinho Rosa, Campinas, SP, editor www.inovacaotecnologica.com.br)

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