Segunda-feira, 25 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

CIRCO DA NOTíCIA > CPI DO BANESTADO

O dinheiro que escorre

Por Carlos Brickmann em 21/12/2004 na edição 308

Deve ter sido falha deste colunista, claro: não é possível que tenha acontecido. Mas o fato é que não encontrei a lista completa de indiciados pela CPI do Banestado em qualquer outro lugar que não fosse o jornal eletrônico Último Segundo, do portal iG (http://ultimosegundo.ig.com.br/materias/brasil/1827501-1828000/1827693/1827693_1.xml). Em outros lugares, vi, amplamente citados, dois nomes: o de Gustavo Franco e o de Celso Pitta. E, menos apontados, Samuel e Michael Klein, das Casas Bahia.

Houve muitas queixas a respeito da lista: faltou Maluf, faltou Cipriani, essas coisas. Mas lista mesmo, que é bom, só no Último Segundo – a propósito, ‘lista que é bom’ coisa nenhuma: se pelo Banestado se esvaíram 30 bilhões de dólares, de acordo com as estimativas mais conservadoras, e menos de cem pessoas foram indiciadas, isso significa que há suspeitas de que cada um mandou algo como 300 milhões de dólares? Não, não é possível.

Mas é o que normalmente acontece no Brasil. No Jornal do Brasil, Augusto Nunes usa seu personagem Cabôco Perguntadô para fazer uma pergunta difícil de responder: entre 2003 e 2004, a Polícia Federal fez 39 operações, daquelas com nomes tipo Operação Saci Voador. Augusto Nunes pergunta: quantos são os suspeitos investigados? Quantos foram presos? Quantos continuam presos? Quantos foram indiciados?

Augusto Nunes termina com uma frase impecável: se tudo for só barulho, basta o Carnaval.



Janio vem aí

Vale a pena ler a coluna de Janio de Freitas da Folha de S.Paulo de domingo (19/12): ele se pergunta por que tanta resistência em abrir os arquivos da ditadura. Afinal de contas, que houve tortura, já se sabe; já se conhecem os nomes de alguns dos principais torturadores; há livros muito bem documentados sobre o assunto. Janio levanta a hipótese de que não queiram a divulgação de crimes especialmente bárbaros (com esquartejamento, por exemplo); nem que sejam divulgadas as ligações entre a repressão e grupos criminosos. Como é que oficiais importantes na luta da ditadura, como o capitão Guimarães, acabaram virando cabeças do crime organizado?



Luta pela notícia

Vale a pena destacar algo cada vez mais raro no jornalismo: o ‘furo’. O jornalista Daniel Lima, do Diário do Grande ABC, descobriu, publicou e bancou a notícia de que o prefeito de São Caetano, Luís Tortorello, estava gravemente doente. Amigos e família desmentiram, o jornalista manteve sua posição. E, 41 dias após a publicação da notícia, o prefeito Tortorello morreu, vítima de câncer.



Pobre português!

Está num anúncio de autopeças (e, se o cuidado que tomam com o produto é o mesmo adotado com o idioma, não dá para comprá-las). Promete transformar qualquer automóvel em bicombustível. Em vem o slogan: ‘Seu carro meresse e seu bolso agradece’. Será que a gente também ‘meresse’?



Monopólio

O empresário Rupert Murdoch acaba de oferecer 44 milhões de dólares pelo apartamento triplex que foi de Lawrence Rockefeller na 5ª Avenida, Nova York. É um preço recorde: antes dele, segundo o The New York Times, o maior preço de um apartamento em Nova York foi de 42,5 milhões de dólares.

E que é que isso tem a ver com a imprensa ou com nosso país? Tudo: Murdoch é dono, no Brasil, das duas maiores transmissoras de TV paga via satélite, a Sky e a DirecTV. Como as duas competidoras pertencem a um só dono, dá para imaginar como competem, não é mesmo? E quanto é que isso custa a nós, consumidores. Mas ele precisa: imóvel em NY custa caro.



Lendo certo

A notícia está nos jornais: como o PPS decidiu romper com o governo, os deputados Agnaldo Muniz, de Roraima, e Lupércio Ramos, do Amazonas, vão para o PP. Agora, a leitura correta (e engraçadíssima): como os comunistas romperam com Lula, dois de seus parlamentares se mudam para o partido de Paulo Maluf, para ficar ao lado de Lula.

Lembra do personagem Sebá, ‘o último exilado’, de Jô Soares? Pois é, não querem que ele volte.



Os amigos de Mengele

A leitora Marguerita Fahrer escreve dos Estados Unidos para dizer que tem as mesmas dúvidas do colunista sobre o tempo em que o assassino nazista Josef Mengele passou no Brasil. Quem era seu contato? A quem ele pagou pedágio para não denunciá-lo? Tudo isso ficou esquecido (e foi lembrado no excelente livro Crônica de uma guerra secreta, do embaixador Sérgio Correa da Costa). Marguerita tem um motivo especial para ler este colunista e Alberto Dines, que tem tratado do mesmo assunto: sua mãe foi vítima de Mengele no campo de concentração de Auschwitz.

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Jornalista, diretor da Brickmann&Associados Comunicação; e-mail (carlos@brickmann.com.br)

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