Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Os diferentes mitos por trás do esporte e da imprensa

Por Bruno Mourão em 26/08/2008 na edição 500

‘O mito Phelps’. Essa foi a frase que o narrador disse quando o nadador Michael Phelps acabara de ganhar sua última medalha nos Jogos Olímpicos de Pequim. Embora não tenha me soado estranho a conquista do norte-americano, o termo ‘mito’ bateu em meus ouvidos com a força das braçadas do campeão.

Ora, se a professora da escola não estava errada, ‘mito’, para mim, era palavra que indica atos simbólicos, imaginários, idealizados. Para ter certeza, ao consultar o dicionário, melhorei meu vocabulário ao descobrir que o termo também se refere a feitos heróicos, fabulosos, enfim, o nadador-sensação do momento pode ser, sim, um mito. Mas será realmente que ele deve ser considerado tudo isso que vem sendo considerado em alguns noticiários esportivos? A questão bateu com mais força em minha mente do que a dúvida com relação ao termo mito.

Mais atenção na escola

Parte da mídia – e trato de mídia em todos os sentidos: publicidade, relações públicas e imprensa –, por vezes aproveita fatos grandiosos e os eleva a patamares ainda mais altos, às vezes extrapolando até a ética. Pode ser o feliz caso de Phelps, como pode ser a tragédia da menina Isabella, já esquecida pela maioria da imprensa. Ora, e por que essa atitude? Não poderíamos – como jornalista, me incluo neste grupo – tratar de algo tão grandioso quanto os Jogos de Pequim através de fatos ‘em tese’ menos chamativos? Sim, poderíamos e deveríamos.

Pensemos, como exemplo, a candidatura do Rio de Janeiro para sediar os Jogos de 2016 e a realidade do esporte no país. Como o Brasil pretende preparar uma de suas principais capitais para receber toda a ideologia do espírito olímpico se, nas escolas, a disciplina Educação Física é vista com desleixo?

Atletas como Michael Phelps não surgem depois de seus 20 anos, numa piscina de clube! E, além dos atletas que vão aos jogos, há também os para-atletas e os jogos para-olímpicos. Uma criança com alguma deficiência não deveria receber mais atenção na prática esportiva na escola (novamente, a educação)? Creio que sim.

Sem idealismos e utopias

Esses são pontos que mostram que Estado, mídia, algumas confederações e comitês esportivos e parte da sociedade não olham para o esporte como um fato heróico e fabuloso, e sim, o vêem como um patriotismo torto baseado na vitória em cima de outro.

É preciso lembrar que, por trás dos Jogos Olímpicos, há muito mais do que as grandes conquistas de grandes ‘mitos’. Sem idealismos e utopias, é fundamental encarar as atividades esportivas como fator de integração social, lembrar de sua importância para a saúde pública e talvez seja necessário repensarmos nossos conceitos de mito, de vitória e derrota. Principalmente quem tem como trabalho o esporte, seja para divulgá-lo, seja para incentivá-lo.

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Jornalista, Juiz de Fora, MG

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