Sexta-feira, 22 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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CIRCO DA NOTíCIA > OLIMPÍADA 2008

Os diferentes mitos por trás do esporte e da imprensa

Por Bruno Mourão em 26/08/2008 na edição 500

‘O mito Phelps’. Essa foi a frase que o narrador disse quando o nadador Michael Phelps acabara de ganhar sua última medalha nos Jogos Olímpicos de Pequim. Embora não tenha me soado estranho a conquista do norte-americano, o termo ‘mito’ bateu em meus ouvidos com a força das braçadas do campeão.

Ora, se a professora da escola não estava errada, ‘mito’, para mim, era palavra que indica atos simbólicos, imaginários, idealizados. Para ter certeza, ao consultar o dicionário, melhorei meu vocabulário ao descobrir que o termo também se refere a feitos heróicos, fabulosos, enfim, o nadador-sensação do momento pode ser, sim, um mito. Mas será realmente que ele deve ser considerado tudo isso que vem sendo considerado em alguns noticiários esportivos? A questão bateu com mais força em minha mente do que a dúvida com relação ao termo mito.

Mais atenção na escola

Parte da mídia – e trato de mídia em todos os sentidos: publicidade, relações públicas e imprensa –, por vezes aproveita fatos grandiosos e os eleva a patamares ainda mais altos, às vezes extrapolando até a ética. Pode ser o feliz caso de Phelps, como pode ser a tragédia da menina Isabella, já esquecida pela maioria da imprensa. Ora, e por que essa atitude? Não poderíamos – como jornalista, me incluo neste grupo – tratar de algo tão grandioso quanto os Jogos de Pequim através de fatos ‘em tese’ menos chamativos? Sim, poderíamos e deveríamos.

Pensemos, como exemplo, a candidatura do Rio de Janeiro para sediar os Jogos de 2016 e a realidade do esporte no país. Como o Brasil pretende preparar uma de suas principais capitais para receber toda a ideologia do espírito olímpico se, nas escolas, a disciplina Educação Física é vista com desleixo?

Atletas como Michael Phelps não surgem depois de seus 20 anos, numa piscina de clube! E, além dos atletas que vão aos jogos, há também os para-atletas e os jogos para-olímpicos. Uma criança com alguma deficiência não deveria receber mais atenção na prática esportiva na escola (novamente, a educação)? Creio que sim.

Sem idealismos e utopias

Esses são pontos que mostram que Estado, mídia, algumas confederações e comitês esportivos e parte da sociedade não olham para o esporte como um fato heróico e fabuloso, e sim, o vêem como um patriotismo torto baseado na vitória em cima de outro.

É preciso lembrar que, por trás dos Jogos Olímpicos, há muito mais do que as grandes conquistas de grandes ‘mitos’. Sem idealismos e utopias, é fundamental encarar as atividades esportivas como fator de integração social, lembrar de sua importância para a saúde pública e talvez seja necessário repensarmos nossos conceitos de mito, de vitória e derrota. Principalmente quem tem como trabalho o esporte, seja para divulgá-lo, seja para incentivá-lo.

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Jornalista, Juiz de Fora, MG

Todos os comentários

  1. Comentou em 27/08/2008 Carlos N Mendes

    O segredo de Phelps são as orelhas, que ele aprendeu a usar como motor auxiliar. E a semelhança desse rapaz com o Tevez é incrível…

  2. Comentou em 27/08/2008 Carlos N Mendes

    O segredo de Phelps são as orelhas, que ele aprendeu a usar como motor auxiliar. E a semelhança desse rapaz com o Tevez é incrível…

  3. Comentou em 27/08/2008 felipe Matos

    CONTINUAÇÃO…

    Isso tudo se não bastasse, com se dar aulas, ou mesmo se sobreviver com uma hora aula do professor de Educação Física, segundo o sindicato dos profissional de educação física e a Associação das Academias Brasileira de R$ 2,42 ?????Já pararam para fazer as contas e ver quantas horas se tem de trabalhar por mês para se ganhar 1 salário mínimo??
    Infelizmente não podemos culpar apenas a mídia expeculativa pelos problemas sociais de nosso país e do mundo! Eles fornecem a informação que muitos de nós queremos! E todo esse espetáculo que encobre os problema que gostamos de ver… ou alguem ai gosta de ficar assistindo denúncia de político safado no jornal?
    Muitos de nossos políticos são reflexo de um povo que apenas olha para o próprio umbigo!
    Com todo esse povo no comando do país, o que será que vai acontecer com o dinheiro destinado às obras e benfeitorias por parte de organizações internacionais como o COI para uma olimpiada no Brasil? O mesmo que aconteceu com boa parte da verba do PAN Americano?

    É, vamos pensar… ‘´SERÁ QUE ESTAMOS PREPARADOS PARA SEDIAR UMA OLIMPIADA COM TODO O IDEAL HISTÓRICO QUE NESSE EVENTO RESIDE?’

  4. Comentou em 27/08/2008 felipe Matos

    CONTINUAÇÃO…

    Esses seres humanos ‘fantásticos’ que surgem de tempos em tempos na terra para a realização de atos extraordinários… De quanto em quanto tempo temos um desses? O quanto esses homens e mulheres se esforçam para chegar lá? Essas são perguntas que devem ser feita ao se perguntar ‘seriam eles mitos?’
    Pois bem, a outra parte do texto que acho que merece comentários é a questão do esporte no Brasil.
    Como pode o Brasil, uma das maiores nações emergentes, com uma população de mais de 188.298.099 habitantes (em 2006), pode ter um desempenho olimpico pior que a Jamaica e a Etiópia??
    Isso é resultado de um descaso com o esporte nacional e principalmente com a Educação, já que na maioria dos países desenvolvidos a Educação Física é parte Obrigatória da educação escolar!
    Mas como educar nossas crianças com valores esportivos, ética, moral, competitividade, honestidade, companheirismo, inclusão social, onde todos interagem (deficiêntes, diferentes etinias)mostrando a eles toda a riquesa de uma das culturas vivas mais antigas do mundo (o esporte) e de maior abrangência em todo planeta, se hoje como por exemplo no estado de MG a educação física nem mesmo é obrigatória no segundo grau e temos apenas 1 aula semanal de 1° à 4° série? É possível ensinar Matemática com 1 aula na semana? e Português? E todas as outras Disciplinas? Educação Física deve ser possível…rsrsr

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