Sábado, 26 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
Menu

CIRCO DA NOTíCIA > FOGO DE BARRAGEM

Os limites da denúncia

Por Carlos Brickmann em 10/08/2004 na edição 289

No festival de denúncias da imprensa contra os presidentes do Banco Central e do Banco do Brasil, alguns limites foram ultrapassados. A questão aqui não é questão de saber se são culpados ou não: é verificar se os direitos individuais, garantidos pela Constituição, estão sendo respeitados.

1. Qualquer cidadão, seja ou não membro do governo, tem direito a sigilo fiscal. Mas há declarações de Imposto de Renda rolando no noticiário. Como foram obtidas? Os encarregados de manter o sigilo continuarão em silêncio, sem que ninguém da imprensa lhes cobre alguma ação?

2. Henrique Meirelles é acusado de enviar 50 mil dólares a uma conta mantida por doleiros. A quantia é pequena, para seu patrimônio; a explicação é que pagou um compromisso, depositando a quantia na conta que lhe foi designada. A explicação pode ser verdadeira ou falsa, mas é possível. Não seria melhor averiguar se a informação é válida antes de publicá-la?

3. Mais uma vez, o endereço pessoal do acusado é publicado na imprensa. Isso não se faz: atinge a família, abre campo para ações criminosas, não é necessário. Leia a mesma matéria, sem o endereço: não muda nada.

Neste clima de acusações em que vive o país, é importante lembrar que, numa democracia, é melhor ter culpados livres em vez de inocentes presos. E os direitos individuais, se não falha a memória deste colunista, foram um dos principais motores da volta do Brasil à democracia.



Reagir, e logo

Diante do infeliz e autoritário projeto do Governo, de criar um Conselho Federal de Jornalismo com poderes até para punir quem sair da linha (por ele determinada), a Matrix Editora protestou rapidamente: ‘O governo quer fiscalizar os jornalistas? A gente prefere ver os jornalistas fiscalizando o governo’. Este colunista gostaria de assinar junto.



Pois, pois

A história de Tiago Verdial, o espião português, está a cada dia melhor. Mas este colunista não consegue acreditar nas histórias que vem lendo: é verdade mesmo que o referido cavalheiro revelava suas atividades de espionagem pela internet, onde era muito popular? É mesmo verdade que participava, na qualidade de espião, de discussões na lista da Associação Brasileira dos Jornalistas Investigativos? Finalmente, teria efetivamente usado o codinome de ‘Portuga’? Parece mesmo inacreditável!



Título impecável

‘Técnico usa meia para ter Vampeta’. Terá o técnico, qual redivivo Amador Aguiar, o hábito de andar sem meias? E, na ânsia de contratar o volante do Vitória, terá feito uma promessa e colocado a meia no pé? Não! O que o título quer dizer, e que a leitura atenta da reportagem mostra, é que o técnico Vanderlei Luxemburgo usou o exemplo da contratação do meia Marcelinho Carioca para demonstrar que Vampeta também poderia ser contratado sem reação da torcida. Tudo beeeeeeeeem explicadinho.



Título impecável – a explicação

Não, não é mentira: o título a seguir saiu numa publicação especializada em medicina. Vai lá: ‘Lindos de morrer – dismorfia corporal e outros transtornos obsessivos’.



O toque da touca

Saiu numa publicação importante que a moça usava uma ‘toquinha’. Moraria ela numa pequena toca? Não, não dava sentido. Seria o feminino de ‘toquinho’, um pequeno toco – ou talvez até um festejado artista? Não: a moça usava uma ‘touquinha’. Uma pequena touca. Apenas, ao escrever, esqueceu-se de verificar a grafia.



Menos, menos

Nos jornais eletrônicos, a informação circulou rapidamente: um caminhão tinha despencado nos jardins do Palácio do Planalto. Nos jornais impressos, a informação já estava corrigida: o caminhão não era um Ford Cargo, um Scania, um velho Fenemê. Era uma caminhonete F-1000. A Internet continua rápida e imprecisa. Um perigo!



Novidade

Uma publicação especializada informou que Reiner Evers, ‘fundador do conceito’ de Trendwatching, faria uma palestra. Dúvida: conceito se funda? Ou é simplesmente formulado?



Crescendo!

O primeiro anúncio saiu no sábado: Paulo Henrique Amorim parecia mais baixo que sua companheira de telejornal, Janaína Borba, e que a modelo Ana Hickman. Nada mais justo: Paulo Henrique é mesmo mais baixo que elas. Mas no domingo e na segunda, o anúncio foi remanejado. E Paulo Henrique aparece mais alto que Ana Hickman e Janaína Borba. Bobagem: alguém trabalhou à toa. Paulo Henrique, com sua inteligência aguçada, sempre consciente de sua capacidade, jamais se preocupou com a estatura física. Basta-lhe a profissional – altíssima.

******

Jornalista, diretor da Brickmann&Associados Comunicação; e-mail (carlos@brickmann.com.br)

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem