Quinta-feira, 21 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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CIRCO DA NOTíCIA > DASLU, A CARMELITA

Pânico na elite!

Por Marinilda Carvalho em 18/07/2005 na edição 338

Uma equipe do Pânico na TV, da Rede TV!, exibiu no domingo 17/7 esquete em que tentava oferecer sua ‘cesta de luxo da solidariedade’ aos donos da loja Daslu, ‘coitadinhos…’. Enxotados pelos seguranças, a equipe distribuiu caviar e água mineral Perrier ‘aos pobres que passam’.

‘Diretamente’ de Campos do Jordão (a ‘Aspen da elite paulistana’, segundo o ícone do colunismo social desta elite, Amaury Jr.), o antenado programa exibiu também paródia de O aprendiz, reality show apresentado por Roberto Justus, que escolhe um executivo para sua empresa entre vários candidatos – cópia do original da Fox em que Donald Trump comanda o processo de seleção. Na paródia do Pânico, o apresentador era o personagem Roberto Jefersus. Nervos de aço no fundo musical, olho roxo e vareta na mão para espancar malas de dinheiro, ele selecionaria como merecedor do mensalão o deputado que lavasse melhor o ‘dinheiro sujo’. Não houve vencedor: uma equipe ‘lavou’, mas não ‘secou’ o dinheiro; a outra ‘secou’, mas não ‘passou’. Apanhou muito o anão Lulinha, pela postura do ‘não sei de nada’.

O esquete em frente à Daslu combinava com a engraçadíssima reação paulistana à intrusão da Polícia Federal nas contas da loja Daslu – como se a loja Daslu fosse um mosteiro carmelita acima de fraudes. (Entende-se um pouco melhor a furibunda reação dos ricos & famosos paulistanos às incursões em suas festas do Pânico na TV. Ricos & famosos cariocas, por exemplo, entram na brincadeira: já descobriram há tempos que quanto mais se reage mais a dupla Repórter Vesgo & Silvio Santos pega no pé.)

Mas, convenhamos, nada engraçada foi a reação da imprensa. Jornais se comportando em 2005 como nos tempos das fortunas do café… merecem um Pânico na porta, não?

Todos os comentários

  1. Comentou em 23/07/2005 Horácio de Souza

    A edição de VEJA de número 1914 – ano 38, de 20 de julho de 2005, trouxe uma reportagem em suas páginas 70 a 73 intitulada ‘O humor é a melhor vingança’. No fim do primeiro parágrafo, o jornalista Sérgio Martins comenta com certo estranhamento o súbito interesse da turma do Pânico na TV pelo cenário político atual, já que a pauta do programa humorístico sempre se baseou na troça com artistas ou postulantes a celebridade. 
    Desde que a palavra ‘mensalão’ passou a fazer parte do cotidiano nacional, piadas protagonizadas pelo Presidente Lula e deputados vêm aparecendo com freqüência no programa dominical da Rede TV. Também Blairo Maggi, Governador do Mato Grosso, grande produtor de soja que tem seu nome ligado ao desmatamento da Floresta Amazônica, já foi alvo da trupe.
    Contudo, um certo cidadão que já exerceu vários cargos na política brasileira e sobre o qual pesam graves acusações nunca padeceu diante da dupla Vesgo e Silvio Santos. Nem mesmo quando toda a imprensa noticiava que tal cidadão estava bambeando na tênue linha do cargo mais recente ocupado por ele o Pânico na TV sequer fez menção chistosa a frangos do Norte (ou será Frangonorte?) ou ao Ministério da Previdência. Tal cidadão, como agora já está clara sua identidade, é o Sr. Romero Jucá, atualmente senador pelo estado de Roraima e ex-ministro da Previdência.
    Será que o fato de ter sido sistematimente poupado tem alguma ligação com o fato de ele, Sr. Romero Jucá, ser cunhado do apresentador Emílio Surita? Sim, a esposa do Sr. Romero Jucá e prefeita da capital roraimense de Boa Vista, Sra. Maria Teresa Saenz SURITA Jucá, é irmã do líder e cérebro do Pânico na TV.
    Pelo exposto, a proteção oferecida por parentes à autoridades corruptas não é restrita ao meio político. E esse tipo de omissão de humor é a forma mais vingativa de abafar a sensibilidade pública perante as averiguações da imprensa.

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