Segunda-feira, 19 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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Piada sem graça

Por Alberto Dines em 14/11/2008 na edição 511

A Folha de S. Paulo raramente destaca na primeira página os melancólicos textos do seu veterano colaborador da página 2, o senador, ex-presidente da República e acadêmico ‘imortal’ José Sarney.


Na edição de sexta-feira (14/11), a Folha resolveu endossar a ferroada do seu colunista, aparentemente alinhado com a postura de alguns políticos latino-americanos interessados em reverter o entusiasmo mundial em torno do presidente eleito dos EUA.


‘Discurso de Obama decepciona quem espera dele um líder’ foi o título da chamada de primeira página que o jornalão usou para consagrar as idéias de Sarney, que em seu texto considerou como piada a carinhosa menção de Obama, no discurso da vitória, ao cachorrinho que suas filhas ganharão quando a família mudar-se para a Casa Branca.


Não tem nada de piada: as meninas foram mencionadas em seguida à emocionada e apaixonada referência à sua mãe, Michelle Obama. E o assunto do cachorrinho virou amenidade na entrevista coletiva quando os repórteres perguntaram ao presidente-eleito qual seria a raça do ‘pet’ que ganhariam Malia e Sasha.


Considerar demagógica a manifestação de um pai amoroso só pode sair da alma ressequida de um coronel desumanizado, de um escritor impermeável aos sentimentos e de um político devorado pelo despeito. Piada é considerar isso piada. Humor negro.

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