Sábado, 24 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1051
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Por que fazem isso com o rádio?

Por Francisco Djacyr Silva de Souza em 07/07/2009 na edição 545

Simplesmente não dá para entender por que há tanta indisposição dos grupos políticos, de trabalhadores e da sociedade em geral de lutar pelo rádio, de buscar uma melhor programação e de tomar nas mãos o que lhe pertence por direito, já que este meio de comunicação é uma concessão pública. Temos notado, infelizmente, a infertilidade de nossa luta pelo rádio no momento em que criamos e tentamos manter a duras penas a Associação de Ouvintes que representa uma união inédita de usuários de comunicação para lutar por um meio de comunicação que, apesar de combalido, ainda faz parte do cotidiano de milhões de brasileiros. Nossa luta é conhecida pelo poder público, pelos sindicatos, pelas representações políticas, pelo povo em geral, pelos que fazem o rádio, pelos seus proprietários e o que sentimos é que somos inimigos e censores que estão aí para cassar o direito de comunicação do rádio.

Nossa mensagem é mandada para os vários recantos deste país e do mundo através da internet com nosso blog e nosso site,) mas infelizmente não notamos uma interação maior e necessária em prol do amigo rádio que precisa de muita luta para se soerguer e melhorar em termos de mensagem, efetividade e respeito ao ouvinte. Lançamos uma cartilha que procurava educar o ouvinte, mas não obtivemos nenhum tipo de apoio para publicação da mesma no sentido de garantir que esta chegue às mãos de todos. Criamos e mantemos a duras penas duas exposições temáticas sobre o rádio e o apoio foi mínimo e praticamente nulo, porém a participação popular foi enorme e vitoriosa.

Sem espaço para divulgação e discussão

Não dá para entender que a mensagem que fazemos em prol do rádio seja tão pequena no momento em que visitamos faculdades e cursos de Comunicação e não encontramos guarida para nossas idéias, o que faz com que sejamos tratados como animais exóticos ou em extinção. É triste ver que os alunos de Jornalismo não têm interesse algum pelo rádio e não são sequer estimulados pelos professores da disciplina de radiojornalismo ou prática de radialismo, que procuram uma ação meramente teórica sem se preocuparem com a luta pela melhoria dos programas e pelo processo de respeito em termos de mensagem e garantia de participação.

Os espaços para discussão do rádio são mínimos e vemos que movimentos como o da democratização da comunicação imprimidos por vários organismos criados no Brasil em pouco procuram colocar a comunicação via rádio no processo, pois não há democracia na comunicação eficiente se o rádio, que é comum em quase todos os lares, não for mudado em sua essência e ação. No momento em que se propõe uma Conferência de Comunicação, o espaço para a discussão do rádio é muito limitado e parece não interessar aos grupos de trabalho e organização da mesma. É triste ver que o rádio é desprezado pelos membros de grupos da sociedade que infelizmente não mergulharam na essência do rádio e sua importância.

A cobertura da mídia em relação aos problemas do rádio cearense também é ínfima em nossos jornais e revistas, que ignoram a crise, desprezam ações em prol do rádio e fecham os espaços para divulgação e discussão dos problemas que hoje rondam o mundo do rádio, como a questão dos arrendamentos, a nacionalização das emissões e a falta de profissionalismo de alguns locutores que estão aí a agredir a população com emissões desrespeitosas e preconceituosas.

Momento de reflexão

Por outro lado, o poder de organização dos radialistas é muito fraco, criticam seu sindicato, mas não se organizam para mudá-lo, nem participam ativamente de suas ações (caso do Ceará). É, no mínimo, desconfortável ver alguns radialistas serem desempregados e perderem posição no rádio em nome de uma suposta crise e nada ser feito como em episódios já ocorrido em nosso estado, com a venda de emissoras a grupos religiosos – que causaram grande repercussão no momento, mas a partir do momento em que os que se acharam prejudicados conseguiram espaço em outras rádios tudo foi esquecido e a luta foi praticamente encerrada.

O momento atual é de muita reflexão e a empreitada em busca do rádio-cidadão precisa ser fortalecida, pois somente o rádio tem o poder de chegar a todos os lugares com comunicação eficaz e imediata, com oportunidade de discussões, com mensagens eficazes e, sobretudo, com oportunidade de desenvolvimento de uma prática que pode envolver comunidades, chegar a todos momentaneamente e fazer sempre uma comunicação segura e eficiente para o bem de todos e para o florescer da cidadania.

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Vice-presidente da Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará, Fortaleza, CE

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