Segunda-feira, 23 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº963

CIRCO DA NOTíCIA > MAIS CHINA

Repórter morre por espancamento em mina

18/01/2007 na edição 416

O repórter Lan Chengzhang, que trabalhava para o jornal China Trade News, morreu em 10/1 em conseqüência de uma aparente hemorragia cerebral depois de ser espancado quando visitava uma mina de carvão no condado de Hunyuan, na província chinesa de Shanxi. ‘Isso é o que ouvimos falar; as autoridades locais ainda não nos deram nenhuma explicação’, afirma o editor Wang Jianfeng.


A polícia investiga a morte do jornalista, que começou a ser questionada pela imprensa do país. Ainda que censores do Partido Comunista controlem com mão de ferro os veículos de comunicação chineses, profissionais de imprensa se revoltaram tanto com o caso de Chengzhang que passaram a questionar a conduta do governo local, os motivos para a morte e os direitos dos repórteres que, de alguma maneira, tentam abordar questões que incomodam o governo.


‘Um jornalista ser espancado até a morte é sem dúvida um grande acontecimento em um mundo que venera a democracia e a liberdade de informação’, afirmava um comentário no sítio do Southern Daily. ‘Qualquer país que valorize pelo menos um pouco do direito dos cidadãos de acesso à informação e a liberdade de imprensa investigaria apropriadamente e com empenho este caso’.


Chantagem


Autoridades de Shanxi declararam que Chengzhang não possui credencial para trabalhar como repórter e sugeriram que ele estaria na mina para conseguir dinheiro em troca de não publicar os problemas do local. O editor-chefe do Trade News alega que ele era ‘certamente um repórter real’. Jornais chineses rebatem que a suposta falta de permissão oficial para trabalhar como jornalista não pode ser usada como desculpa para espancá-lo.


Segundo um funcionário do Trade News em Shanxi, editores do jornal e membros da associação oficial de jornalistas estão investigando a morte de Chengzhang. ‘Nós levamos a questão a sério, e depois que recebemos a informação mandamos pessoas para investigar’, afirmou Li Cunhou, da associação. Jornalistas chineses que tentaram apurar o caso foram impedidos pela polícia de entrar no hospital onde ele morreu.


As minas de carvão chinesas concentram um grande número de acidentes e mortes. Shanxi, região que possui significativo número de minas, é foco principal do esforço do governo para reduzir as fatalidades. No ano passado, 4.746 mineiros foram mortos em cerca de três mil explosões, inundações e outros acidentes. Apenas em 2006, 135 pessoas foram investigadas na região por negligência em procedimentos de segurança ligada a acidentes em minas; 66 delas foram condenadas, segundo informe da agência estatal Xinhua. Informações de Chris Buckley [Reuters, 17/1/07].


 


Governo proíbe exibição de Os Infiltrados


O filme Os Infiltrados, de Martin Scorsese, não poderá ser exibido nos cinemas chineses. O governo não aprovará o longa por causa de uma menção feita na trama a um plano chinês para comprar equipamento militar. Scorsese ganhou o prêmio de melhor diretor no Globo de Ouro, no início desta semana, e muitos críticos acreditam que o longa possa lhe valer seu primeiro Oscar por melhor filme ou melhor diretor.


Os Infiltrados (The Departed, no original), que mostra a guerra entre policiais e mafiosos em Boston, é uma refilmagem hollywoodiana do policial de Hong Kong Conflitos Internos (Wu jian dao), co-dirigido por Alan Mak e Andrew Lau Wai Keung.


‘Não há chance de Os Infiltrados ser exibido nos cinemas da China continental porque os EUA se negaram a mudar uma parte do filme que descrevia como Pequim queria comprar hardwares militares’, afirmou uma fonte à Reuters [17/1/07]. ‘Esta parte da trama é completamente desnecessária. Os reguladores [chineses] não conseguem entender por que o filme queria envolver a China’, completou.


Um executivo da Media Asia, empresa que tem os direitos de distribuição de Os Infiltrados na China, confirmou que o filme não foi aprovado pelo censor chinês, mas não entrou em detalhes. A decisão, entretanto, deverá ter pouco impacto no que diz respeito ao público do país: versões piratas em DVD já estão disponíveis.

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