Quarta-feira, 24 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1034
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Resposta ao crítico Alberto Dines

Por Sindicato dos Jornalistas do DF em 17/08/2006 na edição 272

Na coluna ‘Militâncias & Militâncias’, do Observatório da Imprensa, Alberto Dines atacou a iniciativa do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal de protestar contra o massacre de palestinos e libaneses pelas forças armadas de Israel.

 

Afável como o comandante de um tanque Merkava nas quebradas de Golan, Dines disse que o nosso sindicato ‘não está preocupado com isenção e imparcialidade’, que queremos ‘ação política’, que nos comportamos como ‘entidade dos assessores de imprensa, portanto livre dos compromissos jornalísticos elementares’.

 

Disse mais: que, ao propormos um ato em defesa dos povos libanês e palestino, teríamos esquecido que ‘o povo israelense (inclusive os árabes israelenses do norte de Israel) está sendo atacado diariamente pelos Katiushas do Hezbollah’. Que não lemos os pronunciamentos de Kofi Annan, o secretário geral da ONU, ‘onde sempre são mencionadas vítimas dos bombardeios dos dois lados. Que estamos ‘claramente entrincheirados numa única posição’.

 

E ainda pior: que ‘jornalista brasiliense não está interessado na paz’. Que ‘não quer discutir, esclarecer’. Que ‘sequer finge que é jornalista’.

 

Por fim, a acusação de que ‘não é por acaso que o Sindicato de Brasília tem sido um dos principais sustentáculos de desastrosas iniciativas que recentemente colocaram os profissionais do jornalismo em situações muito desconfortáveis perante a sociedade’.

 

Diante de petardos tão numerosos, que chegam a cobrir a luz do sol, o que podemos responder ao decano dos críticos de nossa imprensa marrom, agora noviço na crítica da militância sindical?

 

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Primeiro – Vamos fingir acreditar que Dines sempre foi e é ‘isento’ e ‘imparcial’ no conflito entre Israel e a Palestina.

 

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Segundo – Assumimos que somos, sim, uma entidade de representação dos ‘assessores de imprensa’, e protestamos contra a falsa acusação de que os assessores (e nós) não têm ‘compromissos jornalísticos elementares’. Repudiamos a idéia discriminatória, inclusive anti-republicana, no caso dos órgãos públicos, de que assessor de imprensa não é jornalista.

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Terceiro – Não nos esquecemos que o povo israelense e os palestinos residentes em Israel (impropriamente chamados por Dines de ‘árabes israelenses’) também foram atingidos por Katiushas do Hezbollah. A questão é outra, infelizmente escamoteada nas declarações do inerme secretário geral da ONU. O problema tem a ver com escolha. As pessoas podem optar pela neutralidade, é claro. Nós, porém, preferimos a posição mais honesta de tomar partido. Na história e no presente, ficamos com as tropas do marechal Júkov e não com as do general Von Paulus; temos simpatia pela guerrilha argelina e não pelo exército francês; torcemos pelos vietcongues e não pelas forças dos Estados Unidos; apoiamos a intifada palestina e não o Tsahal; expressamos nossa solidariedade à resistência libanesa e não aos invasores israelenses.

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Quarto – Desconfiamos de quem fica em mais de uma trincheira ou, supostamente, acima de todas as trincheiras!

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Quinto – De fato, não nos interessamos pela paz… dos cemitério ou pela paz que Israel quer impor pelas armas (incluindo as químicas, biológicas e atômicas). Não nos interessamos pela paz do muro da vergonha que cerca os palestinos da Cisjordânia, ou a suposta paz do Gueto de Gaza.

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Sexto – Queremos, sim, discutir e esclarecer. Convidamos o mestre Alberto Dines para vir discutir conosco em Brasília, imediatamente, a questão Israel-Palestina. Ele escolhe o cenário, que deve ser público e neutro.

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Sétimo – Ao nos ofender gratuitamente sobre ‘fingir ser jornalista’, nosso crítico confunde papéis. Uma coisa é atuar no sindicato, outra trabalhar como jornalista. Um repórter negociando salários com os patrões seria engraçado, como neste hipotético diálogo: ‘Agora vamos ouvir a opinião do Doutor Pan & Mídia sobre as nossas reivindicações. O senhor acha que estamos exagerando? Ou será que estamos sendo pelegos?’ A situação inversa também seria hilariante: ‘Ministro Amorim, a nota do Itamaraty está amena demais. Vamos acrescentar esta frase aqui ao segundo parágrafo e cortar o terceiro’.

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Oitavo – A última acusação de nosso crítico – de que temos ‘sido um dos principais sustentáculos de desastrosas iniciativas que recentemente colocaram os profissionais de jornalismo em situações muito desconfortáveis perante a sociedade’) – apenas nos deixa perplexos, por ser uma afirmação sem conteúdo. Que iniciativas teriam sido essas?

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Nono – Sempre reconhecemos o direito do povo israelense de construir seu Estado democrático em paz, nos limites definidos pela ONU em 1947. No entanto, esse direito não significa passe livre para a invasão de territórios dos vizinhos. Nunca assumiremos posição ‘isenta’ ou ‘imparcial’ diante dos problemas do Oriente Médio enquanto o povo palestino não recuperar seus territórios ocupados por Israel, fundar seu Estado e exercer plenamente a sua soberania.

Brasília, 17 de agosto de 2006

 

A Diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF

 

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