Quarta-feira, 22 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1038
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Será que ainda vamos redescobrir o rádio?

Por Eduardo Ribeiro em 17/02/2009 na edição 525

O rádio, como todos reconhecem, dos mais doutos aos mais humildes cidadãos, foi e continua sendo um dos mais importantes veículos de comunicação criados pelo homem. E por incrível que pareça, como já abordei neste mesmo espaço do Comunique-se anos atrás, trata-se, além de tudo, de uma invenção de um brasileiro pouco reconhecido em seu próprio país, o padre gaúcho Landell de Moura, que transmitiu a voz humana pelo éter, em experimentos documentados, antes do italiano Guglielmo Marconi.

Se nem no Brasil ele é reconhecido, que dirá no estrangeiro.

Mas essa não é a tônica deste artigo que, na verdade, foi produzido com a colaboração de Álvaro Buffarah, que é professor e coordenador do curso de pós-graduação em Produção e Gestão Executiva em Rádio e Áudio Digital da FAAP, com comentários e reflexões sobre o meio a partir de uma pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos Marplan com publicitários e produtores e que dá uma boa idéia da força do veículo e do grande potencial que para ele se abre com a digitalização.

Se é rico em aceitação, o rádio continua uma das mídias mais pobres como destino de mensagens publicitárias, possivelmente por preconceito, de um lado, e desinteresse na busca de projetos que contemplem o que o rádio tem de melhor – a imaginação dos ouvintes –, de outro. O texto a seguir é de Buffarah.

O rádio e a plataforma multimídia

‘Diante do processo de transformação tecnológica no qual os meios de comunicação estão inseridos, o rádio será potencializado pela digitalização de sua programação em diferentes plataformas. A afirmação tem como base os resultados da pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos Marplan com produtores e publicitários brasileiros por meio de uma parceria com o Grupo de Profissionais de Rádio.

O cenário considera a popularização da internet, a revolução digital dos meios, o processo de convergência das mídias, as diversas plataformas de transmissão (celulares, MP3, TV, internet móvel, notes, iphone, podcasts e emissoras de rádio na internet). Diante disso, os profissionais criativos pesquisados consideram que o meio rádio deve se pautar por sete mandamentos.

O primeiro é o chamado sentido de audição, em que devemos valorizar a imaginação dos ouvintes diante das situações transmitidas. Ou seja, devemos aproveitar todas as possibilidades de experiências auditivas para transformar as mensagens radiofônicas em produtos mais interessantes e ricos. Em seguida vem a imaginação. Por ser um meio que se relaciona diretamente com a imaginação dos receptores, o rádio cria uma ligação emocional. Este pode ser um recurso importante para atingir o ouvinte com a mensagem veiculada.

Segmentação, o sétimo ponto

Outro item é o aspecto multidimensional. O rádio é um veículo que acompanha o ouvinte em praticamente todos os locais e, por isso, oferece mobilidade e liberdade para a realização de outras tarefas. É ainda um agente social importante para as comunidades e cidades onde atua em prol das causas coletivas potencializando a mensagem diante dos receptores, o que caracteriza o quarto mandamento: valores utilitários e comunitários.

A retenção é outra marca do rádio, que prende a atenção do ouvinte por sua preferência à determinada emissora, ao locutor e aos programas. Isso o torna um companheiro no dia-a-dia dos ouvintes e permite fidelizar cada um dos receptores. É ainda um veículo de grande alcance geográfico, que possibilita até que as comunidades mais longínquas sejam atingidas por sua programação.

Com as novas tecnologias, ficou ainda mais fácil ter para cada perfil uma emissora.

Para cada emissora, um público. Para cada público, um horário de preferência. Para cada preferência, um programa. Dessa forma, temos para cada radialista uma voz e para cada voz um ouvinte (uma imaginação, uma emoção). É a segmentação, o sétimo e último mandamento.

Mais atraente e democrático

Por isso, acredito que as perspectivas para o meio rádio são positivas diante do processo de digitalização, pois permitirá explorar suas características com criatividade, seja nas programações seja nas peças publicitárias. Poderá, além disso, assumir um espaço de interação com o ouvinte, exercendo uma participação ativa como agente da comunidade.

O grande desafio está em aprender com os novos formatos da plataforma digital e utilizá-los na valorização do ato de ouvir. O rádio pode segmentar suas campanhas e propiciar um grande diferencial para os anunciantes e ouvintes, valendo-se dos avanços tecnológicos para dar um salto de qualidade em sua programação. É certamente o meio que melhor se adequará à plataforma multimídia possibilitando importantes diferenciais, tanto do ponto de vista da emissora quando do ouvinte.

Aproveito para reafirmar que é prematuro e reducionista indicar que o rádio, como meio de expressão humana, será extinto pelo uso de tecnologias mais novas ou pela internet. Ele é um canal de transmissão que passa, como todos os outros, por importantes alterações, mas são alterações que o tornam ainda mais atraente e democrático, sob os auspícios do processo de digitalização.

A forma e o conteúdo

Não é demais lembrar que o rádio por ondas tem fôlego para muitos anos de vida, especialmente em áreas marcadas pela ausência ou pouco desenvolvimento tecnológico, sendo que, entre os veículos de comunicação de massa convencionais, é o que tem a maior tradição na interação entre o receptor (ouvinte) e o emissor (empresa de rádio).

Outro aspecto importante é que se abre uma possibilidade de troca de conteúdos entre emissoras, correspondentes e usuários em diferentes partes do mundo, seja em real time ou não.

O mais importante nesse processo é ser criativo na geração desses conteúdos, pois os ouvintes passarão a opinar no que querem ouvir e em que momento. Nesse universo, uma emissora da web feita por jovens de uma escola na periferia de São Paulo terá o mesmo espaço que uma grande empresa de comunicação. O diferencial estará na forma e no conteúdo colocados à disposição. Diante desse cenário surge um importante questionamento: quem está preparado para estas alterações? Essa é outra discussão…’

Álvaro Buffarah é professor e coordenador do curso de pós-graduação em Produção e Gestão Executiva em Rádio e Áudio Digital da FAAP. Atuou por muitos anos em emissoras como CBN e Radiobrás.

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Jornalista

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