Terça-feira, 16 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1045
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Um dia para uma grande mulher

Por Renata Noiar em 24/03/2009 na edição 530

Em 8 de março passado, junto às comemorações do Dia Internacional da Mulher, foram celebrados os 80 anos de vida da maior apresentadora de televisão do país. Hebe Camargo festejou a nova idade em uma festa grandiosa que monopolizou a atenção dos mais diversos seguimentos da mídia, especializados na cobertura das celebridades.

Referencial absoluto para a maior parte das novas apresentadoras, Hebe foi a primeira apresentadora de programas femininos na televisão brasileira e apresenta há mais de vinte anos o programa Hebe (SBT). Contudo, o maior feito de Hebe é sua extraordinária capacidade de se sobrepor ao tempo com um vigor que muitas ‘novidades’ ao longo de quase sessenta anos de televisão brasileira não conseguiram ter. Sem a necessidade de se reinventar, correndo o risco de se perder no caminho e deixar de ser ela mesma. A fórmula de Hebe está centralizada na empatia eficaz que tem com seu público.

Rumores circularam, ao longo do ano passado, dando conta da não renovação de contrato de Hebe pelo SBT. A emissora deixou para última hora a renovação e impôs uma redução de quase 50% no salário da apresentadora, que optou por continuar na ativa a reivindicar rendimentos. Ponto para a televisão brasileira. A televisão brasileira, que cada vez mais supervaloriza a juventude, é obrigada a se contradizer toda vez que uma emissora demonstra interesse no passe da veterana.

Hebe carrega consigo uma credibilidade inabalável junto a seu público, anunciantes e a classe artística. Ainda que seu programa não tenha mais o desempenho de outras épocas, Hebe Camargo durante muito tempo figurou como líder absoluta de audiência. A apresentadora está no ar desde quando os programas de televisão eram sinônimos de luxo, feitos para entreter, tendo como base o glamour de uma época. Época em que apenas uns poucos privilegiados tinham acesso à televisão.

Título que só cabe a ela mesma

A televisão foi se democratizando graças a investimentos econômicos e, sobretudo, a seu poder atrativo. Tornou-se o veículo de comunicação mais popular e consumido no país. A única opção de diversão para a grande maioria da população. O tom formal e elitizado que caracterizava grande parte de seu conteúdo – durante as décadas de 1950, 60 e 70 – perdeu gradativamente espaço. Os muitos que não conseguiram se adaptar foram obrigados a sair de cena e, hoje, sobrevivem na curta memória do povo brasileiro.

A partir dos anos 1980, a televisão brasileira começa a experimentar uma fase de ‘informalidade’. Programa mais ágeis, leves e descontraídos começam a ter expressiva ascensão. Mas o programa da Hebe seguia, em síntese, com poucas mudanças, uma vez que a tônica das mudanças ocorridas na década de 1980 acabava por se centrar no que de melhor Hebe possui: a espontaneidade, que dá leveza à maneira pela qual conduz semanalmente seu programa desde que estreou em televisão em 1955. O certo é que poucas apresentadoras, atualmente, possuem o mesmo carisma. Talvez, seja esta a razão de muitas ainda insistirem em ser a nova Hebe, sem perceber que a cada semana Hebe dá provas de que a nova Hebe é um título que só cabe a ela mesma.

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Crítica de televisão, Brasília, DF

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