Domingo, 23 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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CIRCO DA NOTíCIA > LEITURAS DO ESTADÃO

Um jornal perdido no espaço

Por Gilson Caroni Filho em 25/07/2008 na edição 495

Está certo que a publicidade brasileira é uma das melhores do mundo. A qualidade e criatividade dos seus jingles são por demais conhecidas, aqui e alhures, agindo com eficácia na imaginação do consumidor, fixando marcas, produtos e pessoas.


Fundamental como estratégia comunicativa, a função primordial deles é grudar na cabeça do público-alvo. Para fixar no subconsciente, a melodia tem que ser de fácil aceitação. Nada de rebuscamento; acordes fáceis e campo harmônico simples são o suficiente para o êxito da tática. O importante é que a mensagem seja memorizada, levando à compra do produto anunciado.


Estamos tratando de um gênero textual publicitário, mas que pode pregar peças em jornalistas distraídos, criando uma intertextualidade inusitada. Foi o que ocorreu na versão online da editoria de ‘Ciência’ do Estado de S. Paulo (23/7/2008).


Ao reproduzir matéria da BBC sobre a divulgação, por um artista gráfico, da imagem de uma nave russa capaz de fazer viagens tripuladas à Lua, o jornalista responsável pelo título talvez tenha sido vítima de associação involuntária, provocada pelo jingle ‘Vai lá e vê’, composto para a campanha presidencial de 1989, do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva.


Sem se dar conta da poderosa estratégia de convencimento do verso ‘Lula, lá, brilha uma estrela’, o profissional do conservador diário paulista não titubeou: como planetas, estrelas, cometas são corpos celestes, sem qualquer hesitação, tascou: ‘Artista revela nave russa para viagem tripulada à Lula’.



Será que é preciso tanto para se descobrir as razões da popularidade do presidente? Será que o carisma do primeiro mandatário terminou por dar força gravitacional ao satélite? Jornalismo, publicidade e astronomia, definitivamente, não dão uma boa mixagem.


Quando a linha editorial de um veículo estabelece no seu corpo redacional idéias fixas em relação a algo ou alguém, qualquer desatenção leva tudo para o espaço. Gravidade zero.

******

Professor titular de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), Rio de Janeiro, RJ

Todos os comentários

  1. Comentou em 27/07/2008 Renato Morgado

    A imprensa vive no mundo da Lula! KKKKKKKK!

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