Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

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1:10:89

Por Carlos Castilho em 02/02/2009 | comentários

Esta seqüência cabalística de números é a representação da lei de Horowitz, um engenheiro e executivo da Google, especialista em comportamentos dos usuários da Web.


 


Segundo Bradley Horowitz, de cada 100 internautas, um cria alguma coisa nova, mesmo que seja postar um comentário num blog; 10 recomendam a leitura para amigos ou votam em sondagens online; e 89 têm uma atitude passiva, limitado à leitura.


 


O comportamento das pessoas que freqüentam as páginas da Web é hoje uma das mais valorizadas áreas de estudo, porque ela está intimamente ligada à produção coletiva de informações e conhecimentos, a chamada crowdsourcing.


 


Assim, se uma página tem em média seis mil visitantes únicos por mês, isto significa que ele terá, em tese, 60 leitores que postam comentários, 600 usuários que opinam em enquetes ou sugerem leituras para amigos e 5.340 que apenas lêem.


 


Isto equivale a aproximadamente duas sugestões diárias de leitores envolvidos no processo de produção colaborativa de conteúdos. Parece pouco mas não é, levando-se em conta a produção colaborativa tende a propagar-se numa proporção variável entre 5 a 10% ao ano, dependendo do tema, conforme dados do livro Crowdsourcing[1].


 


O índice de participação desenvolvido por Horowitz está por sua vez subordinado à outra das leis criadas por pesquisadores da internet: a lei de Sturgeon, segundo a qual 90% do conteúdo da internet é lixo puro. Sturgeon era um escritor de ficção científica que desenvolveu o seu enunciado para ironizar a produção de livros de baixa qualidade.


 


Depois da morte de Theodore Sturgeon, a lei dos 90% foi transplantada para a internet onde encontrou a sua principal comprovação no site de vídeos You Tube.


 


Números como estes poderiam induzir a uma rejeição pura e simples do conteúdo publicado na Web se não levarmos em conta que o que é lixo para uma pessoa pode não ser para outra.


 


E se expandirmos esta ressalva para os quase 30 bilhões[2] de páginas existentes na Web, veremos que cada usuário tem a seu dispor cerca de 300 milhões de documentos (10% do total) que podem interessá-lo pela sua qualidade e utilidade. É material que o internauta pode recombinar e remixar na produção de conhecimento próprio.


 


A combinação das duas leis mostra que, mesmo levando em conta os reduzidos percentuais de 1% de leitores proativos e de 10% de material de qualidade, estamos diante de números absolutos consideráveis que podem garantir a sustentabilidade de projetos online.


 


Uma página que tenha um total de 30 mil visitantes únicos por mês, poderia contar com 300 produtores de conteúdos e três mil avaliadores permanentes do material produzido. Trata-se de um potencial muito importante e que só não é transformado em realidade porque a maioria dos sites ainda não despertou para a necessidade de envolver os seus leitores tanto na co-produção de conteúdos, como na avaliação dos mesmos.





[1] Crowdsourcing, escrito por Jeff Howe, editora Crown Business, 2008.



[2] Cálculo estimativo desenvolvido pelo site Askville, da livraria Amazon.

Todos os comentários

  1. Comentou em 05/02/2009 Claudiomar Santos

    Um jornalista aqui do sul, Diego Casagrande, escreveu um livro em cuja capa colocou alguem amordaçado… Tem ele uma homepage e um BLOG, que sabemos possuir a função comentário, como este, bastando habilitar… Me espantou pois NOS DOIS SITES não havia como comentar… Interroguei-o sobre o fato várias vêzes até ter uma resposta… Disse ele que tinha muitos comentários NEGATIVOS, principalmente de petistas revoltados com a maneira como ele criticava o partido… PODE???… Daí passei a observar que a imprensa CENSURA TUDO. Não não aceita QUALQUER censura contra si… Parabeens aos, como vcs, não desabilitam a função comentário… A gente se sente muito bem podendo comentar, trocar idéias com outros que tambem comentam… O importante é ser COERENTE. Se comentam desfavorável… FAZ PARTE. Deve ser usado para aperfeiçoamento própio. Temos autocrítica… Sabemos o que é útil e o que deve ser descartado. Pontos para vcs do Observatório!!!

  2. Comentou em 04/02/2009 Maria Laura Pereira

    Um exemplo do comportamento de usuários são os próprios leitores deste site, um exemplo pessimista de interatividade: em média 5 pessoas comentam.

  3. Comentou em 04/02/2009 Ivan Moraes

    ‘se uma página tem em média seis mil visitantes únicos por mês, isto significa que ele terá, em tese, 60 leitores que postam comentários, 600 usuários que opinam em enquetes ou sugerem leituras para amigos e 5.340 que apenas lêem’: tem a ver com o golden ratio, mas nem sei o que ele se chama em portugues. O que fica implicito eh que estruturalmente a ‘sociedade de informacoes’ nao eh tao aleatoria como se pensa.

  4. Comentou em 04/02/2009 Ibsen Marques

    Essas estatísticas (???) demonstram também que é bem mais difícil separar o joio do trigo na Internet diante de um volume avassalador de informações e, principalmente, lixo do que o da mídia convencional onde a história pregressa e as tendências político-econômicas do analisado são bem mais conhecidas. Por outro lado, apesar do relativismo do lixo, há certamente um senso comum que indica o que pode ser considerado leitura produtiva, pelo menos para a maioria. Eu sou muito cético diante dessas leis criadas por não sei quem, baseadas não sei em que tipo de informações e com interesses que ultrapassam minha capacidade de avaliar os verdadeiros interesses do propositor da mesma. Não vejo como generalizar esse tipo de levantamento já que, apesar de um mundo globalizado, as tendências regionais e culturais exercem enorme influência nas pessoas. Além do mais se muitos institutos de tradição, fama e conceito realizam pesquisas que minam água como confiar numa lei da qual sabemos apenas o resultado e pouco ou quase nada de seu enunciado e desenvolvimento, menos ainda suas intenções.

  5. Comentou em 03/02/2009 Thiago Araújo

    Interessantíssimas as proporções aqui apresentadas, mesmo que
    elas representem apenas teorias, que claro tem na realidade alguns
    exemplos. Mas, o que deve nos intrigar mais é a qualidade desses
    conteúdos. Como medir isso?

    De qualquer forma, é um bom indício para entusiastas do
    crowdsourcing.

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