Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

CÓDIGO ABERTO > Código Aberto

A burocratização dos debates na TV gera apatia e distanciamento do eleitor

Por Carlos Castilho em 20/10/2010 | comentários

Se há uma coisa que a atual campanha eleitoral deixou bem claro, esta coisa é o desgaste dos debates pela televisão entre candidatos a presidente e a governador.  A monotonia, burocratização e o excesso de regras transformaram os encontros numa espécie de performance pessoal em que o ganhador não é quem mostra mais idéias, mas quem erra menos no vídeo.


A fórmula está desgastada por culpa das emissoras de televisão  e dos especialistas em marketing político que impuseram aos candidatos tantos condicionamentos que eles acabaram virando atores quase que telecomandados.


As emissoras de televisão transformaram os debates num espetáculo em que a grande preocupação é audiência.  Cada uma monta o seu show e o promove como se fosse um programa de auditório. Os apresentadores parecem marionetes obrigados a seguir um script cujo conteúdo rendeu horas de reuniões entre os assessores políticos de cada candidato.


Os debates pela TV cairam na mesma armadilha criada pela Justiça Eleitoral para a propaganda eleitoral.  Para resolver protestos de partidos e candidatos foram criadas tantas leis, regras e normas que a campanha eleitoral tornou-se quase invisível.  O mesmo acontece agora com os debates ao vivo, nos quais as regras estão se tornando cada vez mais meticulosas e cada detalhe, inclusive os técnicos,  discutidos durante horas ao longo de negociações que duram semanas.


O acúmulo de regulamentações  reduz ao mínimo a espontaneidade tanto dos candidatos como dos cabos eleitorais e todos acaba parecendo funcionários burocráticos.  Estamos vivendo um paradoxo: se deixamos a propaganda correr solta e eliminamos as regras no debates,  a campanha torna-se imprevisível e provavelmente violenta, transmitindo insegurança, desconforto e incerteza.


A busca de ordem gerou a avalancha de regras e com isso as manifestações espontâneas acabaram se tornando cada vez mais raras. A campanha perdeu vivacidade, autenticidade e principalmente participação popular.  É a conseqüência do dilema clássico entre o caos e ordem.


O caos incomoda, transmite incerteza e insegurança, mas está associado à mudança, renovação e criação. A ordem gera tranquilidade, certeza e segurança, mas tende a provocar imobilismo, rotina e burocratização pela multiplicação de normas para preservá-la .


Pelo andar da carruagem, provavelmente teremos que fazer em breve outra escolha, além de selecionar governantes: como é que desejamos viver.  A regulamentação é causa e conseqüência do desenvolvimento de uma casta burocrática que sobrevive pela administração das regras, leis e normas.  Ela (a casta)  não tomará a iniciativa de mudar este estado de coisas porque se nutre dele. Assim, caberá  aos cidadãos propor algo diferente.

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  1. Comentou em 21/10/2010 Rodrigo O. Fonseca

    Algo a se destacar é que o desastre destes debates NADA tem a ver com a quantidade de candidatos presentes. O argumento (e a brecha legal) para não se efetivar a presença de todos os candidatos é uma piada, sobretudo quando lembramos que as emissoras são concessões públicas. Em 1989 havia quantos candidatos mesmo à presidência da república? Os debates foram ruins??

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