Sábado, 19 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

CÓDIGO ABERTO > Código Aberto

A ‘caixa de pandora’ da relação leitor/jornalista

Por Carlos Castilho em 19/11/2006 | comentários


Depois de quase um ano e meio editando este blog estou chegando à conclusão de que está na hora de começarmos a enfrentar alguns dilemas surgidos na relação entre jornalistas profissionais e leitores. Não se trata de um tema fácil e suspeito que vou provocar mais polêmica do que espero, mas começo a perceber os riscos da postergação da abertura desta verdadeira caixa de pandora.


Esta semana comecei a ler o rascunho do livro Media Work que o professor da Universidade de Indiana (EUA), Mark Deuze , está escrevendo sobre o novo ambiente de trabalho nas redações jornalísticas na era da participação dos leitores. Já nas primeiras linhas dá para sacar que Deuze acertou na mosca ao discutir as mudanças provocadas pela internet no exercício do jornalismo.


O professor distribuiu antecipadamente capítulos de seu livro para uma série de pessoas procurando comentários, críticas, correções e sugestões. É uma prática iniciada em 2004 pelo colunista de tecnologia Dan Gillmor que contou com a colaboração de quase cinco mil ‘críticos’ na redação do livro We The Media. Hoje, a participação antecipada do público na produção um livro já se tornou um processo comum nos Estados Unidos.


Na imprensa, os comentários de leitores deixaram de ser um penduricalho modernoso e começam a tirar o sono de alguns profissionais, diante dos dilemas e desafios surgidos por conta do novo tipo de relacionamento com os consumidores de notícias.


Para quem observa rotineiramente o teor e os autores de comentários postados em weblogs e páginas noticiosas na Web brasileira fica claro que a esmagadora maioria deles contém críticas à imprensa, em graus variáveis desde a argumentação séria até o xingamento grosseiro.


Não há nada de surpreendente neste comportamento, pois a participação dos leitores está ainda na primeira infância e a maioria deles está fortemente marcada por frustrações acumuladas ao longo de anos. É normal uma reação inicial do tipo catarse que geralmente é seguida pela busca da racionalidade, caso a parte atacada consiga manter a serenidade.


Acontece que nem todos os jornalistas estão conseguindo assimilar este inédito protagonismo do público, porque nunca antes haviam se defrontado com um fenômeno desta natureza. No regime militar de 1964 a 1985, a imprensa contou com a tolerância dos leitores, mesmo sendo dócil aos militares. As pessoas sentiam-se de alguma forma solidárias com os jornalistas, por conta da censura imposta pelo autoritarismo.


Na redemocratização, o público se embriagou com a liberdade de opinião num processo que chegou ao climax no impeachment do presidente Collor, mas depois perdeu intensidade. As simpatias da época da ditadura começaram a ser substituidas pela desconfiança de que a imprensa, na verdade, possuía seus próprios interesses corporativos, que nada tinham a ver com os dos leitores.


Na virada do milênio, a internet deu ao público as ferramentas necessarias para ‘botar a boca no trombone‘ e o quadro mudou completamente. A crise do mensalão foi o pretexto para que setores do público expressassem com veemência ainda maior a desilusão com os políticos e a imprensa. Em pouco tempo, as redações e os comentaristas começarm a sentir-se patrulhados e não raro hostilizados.


O impacto está sendo grande, pode danificar currículos e deixar cicatrizes profundas, caso o problema não seja analisado de forma aberta e transparente, tanto pelos leitores como pelos jornalistas profissionais. E duas questões já estão colocadas para a reflexão e discussão:


1) A função dos jornalistas está mudando e a sua grande responsabilidade hoje já não é mais apenas contar histórias e investigar denúncias mas, também, pensar como deve ser a nova ecologia informativa da sociedade atual e oferecer aos leitores os instrumentos necessários para que eles participem da produção de notícias. A era do jornalismo vertical acabou e a agora os profissionais terão que aprender a conviver com uma nova realidade.


2) O público vai passar por um complexo aprendizado para poder assumir suas responsabilidades no novo contexto informativo criado pela internet. Os leitores dispõem hoje de ferramentas incríveis de participação informativa mas isto não pode ocultar o fato de que este protagonismo tem um custo: a aceitação de responsabilidades.


O quadro é muito mais complexo, mas estes dois enfoques podem ser um ponto de partida para discutir uma possível nova parceria entre jornalistas e leitores.


Conversa com os leitores
Este post está mais longo do que o desejável, mas é que o tema é complexo. Há muitas outras idéias para debate, mas temos que começar despretenciosamente. É a minha colaboração e talvez depois de ler o trabalho do professor Deuze eu possa dar opiniões mais consistentes. A partir do próximo post volto a tratar de mudanças na imprensa, especialmente a decisão de grupos tradicionais na imprensa mundial de vender seus ativos para fugir da pressão de acionistas e investidores.

Todos os comentários

  1. Comentou em 28/11/2006 Ivo Aldo Auerbach

    Morei por uns tempos em Curitiba-Pr, e naquela época ainda não existia internet, mas no centro da cidade, tinha (e ainda tem) um espaço público, chamado de “Boca Maldita” onde qualquer pessoa pode conversar sobre os mais variados assuntos, indo desde política até a mais famosa paixão nacional (o futebol), desde que encontrasse o devido interlocutor para interagir. Fazendo uma analogia com os tempos atuais, noto que aquilo fazia o que a internet faz hoje com os seus “blogs” e “bate-papos”. O lugar é freqüentado até por políticos em tempos de eleições que para lá se dirigem para sentir a “temperatura política” e saber o que pensa o eleitor em relação à sua campanha política. Se você quer saber de alguma novidade, é só se dirigir a famosa “Boca-Maldita” e se inteirar dos fatos, enquanto saboreia um delicioso cafezinho. Confio mais na opinião do “povão” do que nos tablóides atuais. Mão seria de bom tom que a mídia seguisse o mesmo caminho?

  2. Comentou em 27/11/2006 JOSE ORAIR Silva

    Nos Estados Unidos e outros países desenvolvidos é procedimento comum a opção explicita de grandes órgãos de impresa por determinadas posições partidárias. No Brasil a imprensa escrita insiste em desprezar a inteligência de seus leitores, ocultando seus reais interesses e preferências sob. um manto falso de imparcialidade e neutralidade que absolutamente não possue. Esse posicionamento, carregado de hipocrisia, contribue para criar um clima generelizado de desconfiança entre os leitores. Sou assinante de Carta Capital e da Folha de São Paulo. Não tenho dúvidas do posicionamento de ambas. Entretanto a Carta Capital, ao afirmar explicitamente seu posicionamento, merece certamente maior respeito do que a posição da Folha de São Paulo que não tem a coragem de explicitar as preferências que praticamente todos os seus leitores identificam. Penso que se a imprensa escrita conseguir avançar nesse processo de transparência, sinceridade e respeito nas suas relações com o seu público consumidor, ela poderá colher, junto ao seus leitores, maior consideração, compreensão e respeito.

  3. Comentou em 27/11/2006 José nogueira

    Caro Castilho. Sua análise foi perfeita. Com relação à frustração
    acumulada, é perfeitamente compreensível pois uma imprensa que
    mantém Mainardis e outros meliantes da informação é muito
    frustrante.

  4. Comentou em 27/11/2006 Aarao Guimaraes

    Nao vi nenhuma nota no OI sobre a prisao do jornalista colombiano Freddy Muñoz Altamiranda. Alguem pode me explicar o porque da omissao?

  5. Comentou em 27/11/2006 Danilo Prociuk

    Ácho que a ‘aceitação de responsabilidades’ tem a ver mais com o jornalista do que com o leitor….

  6. Comentou em 27/11/2006 Marcelo Seráfico

    Castilho, precisa a sua análise. Queira-se ou não, mudou a ‘ecologia informativa’ ou, quem sabe, a ‘estrutura técnico-social’ de produção e difusão da informação. Num certo sentido, a resistência em reconhcer essa mudança é também uma resistência em modificar a estrutura vertical, hierárquica, predominante; é uma resistência em abdicar de posições nessa hierarquia e, portanto, tem muito a ver com certas visões sobre com quem DEVE estar o poder de informar.
    Isso é experimentado de modo dramático pelos jornalistas que, ao fim e ao cabo, são os que põem a cara à tapa e não os proprietários dos meios de comunicação. Mas os leitores também são desafiados, como bem salientas. Se cobramos menos adjetivação e mais substância nas informações, é necessário que também nos esforcemos para sustentar nossas críticas em critérios outros que não apenas ideológicos.
    Enfim, tua atitude continua sendo exemplar para quem tem efetivo interesse em observar a imprensa com o fim de torná-la mais democrática, plural e objetiva. Parabéns.

  7. Comentou em 27/11/2006 José Quase Alguém

    Digo, como falar isto para o patrão?

  8. Comentou em 27/11/2006 José Quase Alguém

    Meu Caro Castilho, pelos comentários anteriores percebe-se que seu temor de provocar muita polêmica não foi comprovado, pois a maioria concorda com uma nova lógica na construção do conteúdo informacional, no qual a participação do leitor será mais contudente, tanto na construção quanto na análise das notícias e fatos. Só não sei como isto para o patrão….rs

  9. Comentou em 27/11/2006 Gilson Raslan

    Meu caro Carlos Castilho, você tem inteira razão. Contudo, não vejo como os jornalistas podem rever a sua posição perante os leitores, se os proprietários dos grandes meios de comunicação social não são sensíveis a isto. Sabemos que a grande mídia está sob o controle de poucos grupos financeiros e de grande parte de políticos, que parecem não ter nenhum compromisso com os leitores.

    Os primeiros são comprometidos com os interesses dos grandes grupos empresariais, que não estão nem aí para a sociedade; os segundos não enxergam além de seus umbigos e só pensam em sua próxima eleição.

    Desta fora, não vislumbro, pelo menos a médio prazo, nenhum possibilidade de mudança na mídia, ainda que os jornalistas queiram, mas não podem, sob pena de perder seus empregos.

  10. Comentou em 27/11/2006 Clovis Segundo

    Claro que existem ‘frustrações acumuladas’, a Mídia sempre estabeleceu um monólogo com o leitor/telespctador/ouvinte, e quando permite uma interação, o faz com muitas restrições e edições. Até aqui mesmo no OI, exsite uma censura prévia dos comentários. O leitor, no caso da Mídia impressa, tem que ‘assumir suas responsabilidades’, concordo.
    Por outra lado, vejo a Mídia muito reativa as mudanças.
    O único Observador, aqui no OI, que trata o leitor com respeito é o Senhor Castilho, o restante substima a nossa inteligencia.

  11. Comentou em 27/11/2006 álvaro marins

    Depois da derrota acachapante que a coligação que a mídia defendia sofreu nas urnas, acredito que a grande mídia agora só tenha duas opções. Uma é revisar sua linha editorial e tentar ser um pouco mais respeitosa com a verdadeira opinião pública (não a publicada). Acho difícil que adote essa opção. Isso implicaria numa revisão ideológica de grandes proporções e setores expressivos da nossa sociedade (banqueiros, grandes latifundiários, multinacionais e grandes industriais) não admitiriam isso. A cumplicidade da mídia é fundamental para a defesa diária de seus interesses. A segunda opção é a que me parece mais provável: continuar a afirmar esses interesses de forma dissimulada, sempre demonizando o PT ou qualquer um que perceba o jogo da grande mídia e o desmascare. Esperar que ela assuma publicamente a sua parcialidade ideológica é ingenuidade, pois a máscara dissimulada da imparcialidade é que lhe garante a eficácia manipuladora sobre sua audiência. Se ela assume sua parcialidade, essa mesma audiência desconfia da seletividade de suas informações e o uso de dois pesos e duas medidas em suas abordagens. O problema atual da grande mídia é justamente esse. Durante as eleições, por ter se desesperado e apostado no tudo ou nada, a máscara da imparcialidade caiu e deixou a grande mídia nua em praça pública. E essa nudez, sempre oculta, foi vista fartamente.

  12. Comentou em 26/11/2006 Maria José Trindade

    Sr. Castilho, realmente acho que a era do jornalismo vertical acabou. E já vai tarde! Quando você acena para a aceitação de responsabilidades por parte dos leitores como conseqüência do seu protagonismo/autoria na produção de informação, fico me perguntando se os profissionais da imprensa também estão cientes da sua contrapartida na produção de um jornalismo responsável.
    No meu entendimento, ainda estamos longe disso. Há profissionais atuando na imprensa que não merecem ser chamados de jornalistas. Sua prática envergonha a categoria. Em agosto/2006, por exemplo, o Sr. Diogo Mainardi confessou descaradamente nas páginas da revista VEJA ter feito uma ‘pegadinha’ com várias pessoas (‘Confie em mim’, Veja, 10/08). A atitude do Sr. Mainardi é característica de pessoas muito inescrupulosas e de um tipo de mau-caratismo inaceitável em qualquer profissional.
    Entretanto, quase ninguém se manifestou sobre o assunto. O único jornalista a fazer isso, Luis Nassif, foi prontamente rechaçado pelo mesmo histérico Mainardi na semana seguinte com o grito de ‘Chega de ética, Nassif’.
    Realmente é lamentável o silêncio da imprensa sobre esse tipo de atitude perniciosa como a do Sr. Mainardi. Será que no país do ‘vale-tudo’ temos também de engolir jornalistas desse tipo?

  13. Comentou em 26/11/2006 Jussanã Marques

    Sr. Castilho
    Penso que o senhor abriu uma discussão que ha muito incomoda os leitores!Sabe-se que existem profissionais que são pagos para dar informações ‘tendenciosas’.De um tempo para cá tenho enviado meus comentários a um jornalista de um Jornal de grande circulação no estado. Duvidava da importância do meu ato mas vejo agora que faço parte de um ‘grupo incomodado’ com coisas que estão acontecendo na imprensa .Penso que a função do jornalismo é de informar de forma imparcial os fatos importantes para todos.

  14. Comentou em 26/11/2006 Tania Machado

    O Sr. tem razão de fazer estes questionamentos. Aliás, eu acredito que deveria haver alguma lei dentro dos direitos do consumidor que nos permitisse ir ao procon mais próximo quando encontramos uma informação enganosa dada por um jornalista, pois considero o leitor um consumidor de notícias. Como encontro inverdades por falta de conhecimento em muitas notícias sobre saúde… A aceitação da responsabilidade talvez faça com que os jornalistas comecem a estudar o tema antes de dar falsas notícias, ou provocar omissões que transformam a notícia. Mas infelizmente, seus colegas jornalista, em sua grande maioria, têm uma postura diferente da sua (me refiro as grandes mídias). No tema saúde então… Como profissional de saúde posso lhe afirmar que chega a ser mais grave a ambiguidade que colocam nos fatos em relação ao que hoje está ocorrendo no caso das notícias políticas. E quando as duas estão associadas em determinado fato… O Sr. tem razão, nós leitores não somos bois mandados, temos opinião própria e lemos a opinião dos demais nos blogs, elogiamos e criticamos os que tem credibilidade e deletamos certos jornalistas de nossa leitura diária por falta de credibilidade. Aliás eles já deveriam haver percebido este fato.

  15. Comentou em 26/11/2006 Saulo Barbosa

    Carlos,
    Acredito que você abriu uma boa conversa. O jornalistas não podem ignorar seus leitores. Os blogs e similares abrem a oportunidades para qualquer pessoa escrever. Além de uma interação com os leitores. Quem escreve bem sobre assuntos de interesse, mesmo sem diploma de jornalismo, cultivará seus leitores, e também, seus críticos. Eu mesmo tenho dedicado mais tempo à leitora em ambientes em que tenho a possibilidade de questionar e argumentar, e assim enriquecer artigos.

  16. Comentou em 25/11/2006 Samuel Lima

    Bravíssimo, Castilho! Torço para que seu texto se transforme num objeto de reflexão entre os principais articulistas deste OI e os leitores/as interessados em construir esta nova relação. As ferramentas da era web permitem um tipo de “interação” mais intensa, não obstante seja necessário apontar que informação jornalística é produto da atividade de jornalistas profissionais. O número de produtores de informação aumentou significativamente, contudo esta distinção é fundamental para que as responsabilidades e papéis não se diluam na “blogosfera”, protagonismos à parte.
    Estou inteiramente de acordo contigo: “é normal uma reação inicial do tipo catarse que geralmente é seguida pela busca da racionalidade, caso a parte atacada consiga manter a serenidade”. Aqui mesmo no OI temos o privilégio de ler comentários brilhantes, ao lado de xingamentos e provocações perfeitamente dispensáveis.
    Só uma coisa me preocupa: que os defensores da “parte atacada”, especialmente o nobre jornalista Alberto Dines, encontre logo a serenidade e a razão a que você alude. O debate envolve os elementos de democratização da mídia, discutidos à luz do dia, sem demônios nem “boi-da-cara-preta”. No fundo, o que está em jogo é o interesse público e o avanço da caminhada democrática. Aguardo com extremo interesse os próximos posts.

  17. Comentou em 25/11/2006 Mario Cesar Monteiro de Oliveira

    Me parece que o Sr. Reis quer jogar o bebe junto com a agua da bacia. Lendo certos
    blogs dou um pouco de razão a êle. O nível, às vezes, é mesmo muito baixo. Mas
    também já li excelentes comentários escritos por leitores. Aqui mesmo no OI, por
    exemplo.

  18. Comentou em 25/11/2006 zaidem tufaile

    Creio que o que está acontecendo é que os jornalistas estavam acostumados com o monólogo, pois devíamos só consumir a notícia, pois comentá-la dava muito trabalho (escrever, enviar pelo correio etc). Hoje com o advento da Internet temos condições de discutir o artigo quase que instantaneamente. E muitas vezes discordamos da opinião do jornalista.
    Por outro lado, como citado aqui em um comentário, nessas eleições de 2006, toda a imprensa impressa e televisada foi de uma parcialidade incrível.
    O atual governo cometeu vários erros, porém procura acertar sem jogar os problemas para baixo do tapete. Nunca vi tanta investigação como nesse governo, e mesmo assim a imprensa insiste em culpar o presidente e seu partido, o PT.
    Há comentários muito justos e sensatos sobre a atuação da imprensa, bem como alguns desairosos sobre a opinião dos jornalistas. Acho isso saudável e democrático.
    Os ditos formadores de opinião não podem acusar, julgar e condenar como veem fazendo desde 2005, quando estourou essa crise política.

  19. Comentou em 25/11/2006 Maria José Rêgo

    Sr. Carlos Castilho,
    Muito me encanta os seus artigos e a forma serena e racional como o Sr. escreve sobre a relação imprensa e leitor. Que bom seria se a maioria dos jornalistas pensassem e agissem assim, pois dessa forma teriam maior credibilidade, pois é exatamente isso que o Sr. me passa.
    Há algum tempo não leio jornais, não ouço noticiário na TV, nem no rádio. Prefiro a internet. Visito o Observatório da Imprensa e outros sites quase que diariamente e fico por dentro do que acontece no Brasil e no mundo de uma forma imparcial, pois leio artigos prós e outros contra e tiro a minha própria conclusão. Sinto que a minha conciência não está sendo comprada. Já recomendei este site para vários colegas. Parabens!

  20. Comentou em 24/11/2006 Marco Stipp

    Prezado Sr. Dr. Prof. e ‘Empresário’ Jorge Alberto Reis, uma dúvida me atormentou ao ler o seu ‘comentário’…. Se o digno cidadão é tão radicalmente contra a existência de comentários, o que diabos fez o Sr. perder o seu precioso tempo lendo e comentando algo neste espaço?? Nós em nossa imensa ignorância não somos merecedores de sua ilustre presença aqui.
    Dito isso, vá por favor trocar o pijama e assistir a novela de hoje.
    Perdoe-nos por incomodar! E NÃO COMENTE MAIS NADA!! POSITIVO E OPERANTE??

  21. Comentou em 24/11/2006 Lindberg Dias

    Prezado Castilho suas colocações são oportunas, haja visto seu acurado senso de sensibilidade ante uma realidade, talves, não perceptível à todos, mas patente ante tão aberto e laureado reporter.
    Os tempos realmente mudaram, assim sendo faz-se necessário uma constante reflexão, não só em fatos históricos, bem como em ideologicos, sociais e economicos. Creio que, à medida que a interatividade, jornalista/leitor, leitor/jornalista, não por simples difusão da pratica, mas por constância absoluta, se fizer de fato, há sem duvidas em resultar em aprendizado para ambos so lados. Só resta no entanto o triste lamento, para com uma parcela que, imersa no lodaçal da ignorancia e falta de tino, não consegue avistar nem mesmo ao longe, que o retrógrado fica para traz. Lastimo pois que este espaço, aberto à discussão, corra na mente de alguns, que ate dele faz uso, o risco de extinção. O cego não é aquele que não ver, mas aquele que não quer enxergar. Sendo assim, sugiro à quem, na penumbra do passado, ocupa este espaço para vomitar arrogância e intolerância, no afâ de se fazer notar, que, o que de fato se torna perceptível é que a travessura predileta de suposto empresário, é ser feitor de engenho…, lastimável.

  22. Comentou em 24/11/2006 Lica Cintra

    Concordo total. Creio que a interatividade exige jogo de cintura de jornalistas e leitores. Cada vez mais somos todos jornalistas, os profissionais estão perdendo seu ‘trono’, seu espaço. Horizontalizar essa relação certamente traz conflitos e mexe com frustações dos dois lados.

  23. Comentou em 24/11/2006 Jorge Alberto Reis

    Ora, é muito simples: acabe com o espaço para os leitores comentarem. É uma idéia antipática mas necessária. Os comentários da maioria dos leitores são descartáveis, mal escritos, rançosos, chatos e prepotentes, bem típico do brasileiro que pensa com o fígado. Gente que não é nada e não tem onde cair morto agora quer dar lição de moral nos outros. Cortem os comentários. Depois que as patrulhas ideológicas tomaram conta, nada mais presta aqui. Cortando os comentários, não vai fazer falta nenhuma. Aí essa gente vai ter de arrumar outro passatempo.

  24. Comentou em 24/11/2006 virgilio tamberlini

    Prezado Castilho:
    Até que enfim alguém começou colocar a discussão sobre a mídia nos trilhos da racionalidade. Esta ferramenta que estamos nos utilizando no momento, com todos os seus problemas, não deixa de ser a coisa mais democrática que existe!
    As corporações midiáticas não esperavam a tamanha eficiência da internet em tirar-lhes a condição única de formadores de opinião e de verdades particulares, donde, vem a imensa chiadeira destes ex profetas absolutos.
    Por isso é que um senador num surto de imbecilidade procurou criar uma lei para o controle da internet, como se isto fosse possível, a China tentou por mais de 10 anos e disistiu. Quiseram controlar o incontrolável. Porém não acho que este instrumento deva se tornar um palco de irresponsabilidades, nos leitores só devemos dar importância aos comentários assinados, haja vista que a principal norma sobre o assunto está na Constituição: É assegurado o direito de livre opinião, sendo vedado o anonimato.
    Parabenizo pelo artigo

  25. Comentou em 24/11/2006 Djalma Prado Filho

    Falou! Objetivo, sensato e sincero. Com outros, a lenga-lenga, o nhem- nhem- nhem e o bla-bla-blá não conseguem convencer, não explicam e não justificam. Gostei de ver, ou melhor, de ler.

  26. Comentou em 24/11/2006 maria santos

    Pois então. Assim dá para dialogar, numa boa. Um jornalista cavalheiro, buscando informação segura. É muito mais simples do que se possa supor. O que não é possível é vc. ler matérias enganosas, parciais ou com intuito de desviar o foco. Parabéns, Carlos Castilho, vc. é 10.

  27. Comentou em 24/11/2006 Mário De Luca

    Numa apresentação para a imprensa sobre um acidente ocorrido com um duto, foi apresentado um filme feito por computação gráfica que simulava o acidente e após isto foi apresentada uma explicação técnica bem detalhada sobre todo o processo que levou ao acidente , do elemento por fadiga (deformação elástica , plástica e ruptura) ; após a apresentação os engenheiros presentes estavam muitos satisfeitos com a apresentação e as conclusões apresentadas. Levanta a braço o Reporter e manda a pergunta fatídica ‘Porque foi mesmo que o cano explodiu?’ , não sabíamos se ríamos ou se chorávamos. A imprensa deveria conhecer o mínimo sobre o que planeja escrever.

  28. Comentou em 24/11/2006 Lúcio Costi Ribeiro

    Agora somos todos iguais! O novo mundo nos abriga a descer do pedestal. Toda pessoa pode, por exemplo, ter um blog. A quem ler, caberá selecionar o que melhor lhe convier. Acabou a verticalidade.
    Mas, como você ressaltou, caberá uma parcela de responsabiidade aos leitores.
    O curioso é que parece que o público acordou de repente e agora acusa a imprensa de golpismo. Sendo que a imprensa sempre trabalhou do mesmo jeito, com os méritos e desvios que lhe cabem. O que salta aos olhos é que foi o processo eleitoral que despertou as feras e gerou a crise de credibilidade!

  29. Comentou em 21/11/2006 Fábio de Oliveira Ribeiro

    É realmente um prazer retornar ao seu blog e descobrir que você continua avançando corajosamente na ‘terra de ninguém’. Não morro de amores por milicos, mas usei a metáfora militar propositalmente. Em razão de sua arquitetura, a Internet transforma o leitor em protagonista e o jornalista em leitor. O resultado disto é a guerra a que você se refere: de um lado leitores irados, cheios de impeto querendo ganhar espaço a qualquer custo; de outro os jornalistas temerosos, na defensiva, procurando ceder o mínimo de terremo. Como nas guerras de trincheira, entre uns e outros se estende a terrade ninguém. A devastação domina o campo entre os dois exércitos (no caso específico a que você se refere a’terra de ninguém’ equivale a ausência de uma teoria da comunicação que atenda uns e outros). A medida da teoria da comunicação vertical pré-internet era o PODER (os jornalistas podiam escrever e os leitores somente consumir o produto jornalistico). Esta medida não se ajusta a internet, pois ela coloca todos em condições de igualdade. Ao invez de PODER, a medida da nova comunicação será outra: qual será, não sei. Mas acredito que a COEXISTÊNCIA provocada pela confusão dos papéis protagonistaleitor não vai retirar do jornalista a obrigação de servir como um filtro e agente do diálogo público. Sua tarefa será mais delicada, menos hierarquica e talvez mais prazeirosa.

  30. Comentou em 21/11/2006 Ruy Acquaviva

    Parabéns por abordar o tema Sr. Castilho. Como contribuição vou dar um depoimento pessoal. Sempre me considerei uma pessoa pbem informada, ou pelo menos o tipo de pessoa que procura ficar bem informada. Lia jornais todos os dias e muitas vezes mais de um jornal por dia. Assistia noticiários pela televisão e os ouvia no rádio para então partia para opinar em discussões com amigos e colegas. Isso além de ler uma ou dias revistas semanais todo fim de semana. Hoje já não busco informações em jornais (parei de ler e portanto de comprar), não assisto noticiários pela TV e desconfio muito do pouco que escuto no rádio, esperando apenas para ouvir as informações do trânsito. Das revistas semanais não passo nem perto. No entanto sinto-me melhor informado que nunca. A principal fonte de informação é a internet, em sites e blogs que NÂO SÃO feitos nem escritos por jornalistas profissionais. Sim, a Internet tornou-se uma rede capilar onde a informação trafega e repercute com velocidade, agilidade, interatividade. Mas principalmente sem o vício de impor uma opinião através de omissão de algumas informações, distorções de outras e um martelamento contínuio de um discurso de redação que o leitor percebe ter sido criado para influenciar, muito (mas MUITO mesmo) masi do que para informar. A imprensa deve se ater muito sobre esse fenômeno sob pena de ser atropelada por ele.

  31. Comentou em 20/11/2006 Sharon Caleffi

    Bravos!!!

    Assim surgirá uma nova mídia, preocupada com os interesses e as necessidades de todos os clientes, e não apenas dos anunciantes e donos das empresas!

    Estamos aqui, leitores entusiasmados para que isso comece logo!

Código Aberto

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem