Sábado, 20 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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A cobertura comunitária desafia imobilismo nas redações e abre perspectivas para jornalistas online

Por Carlos Castilho em 14/05/2008 | comentários

Várias experiências em diversos países do mundo estão convergindo para um único ponto: o jornalismo comunitário pode ser a nova estratégia editorial capaz de garantir o sustento de free lancers bem como o aumento de circulação de grandes jornais.


 


Dito assim pode parecer uma fórmula mágica, mas na verdade é uma opção que ainda enfrenta fortes resistências, porque contraria rotinas, valores e comportamentos muito entranhados no dia dia dos jornalistas.


 


No início de abril, na Califórnia, os 180 participantes do encontro New Tools 2008 , quase todos novos empreendedores do jornalismo pela internet, protagonizaram um raro momento de otimismo num ambiente profissional marcado pelo pessimismo nas redações dos grandes jornais norte-americanos e pela incerteza reinante entre os  free lancers online.


 


Aqui no Brasil, o jornal O Globo começa a investir firme na cobertura regional e comunitária a partir de um projeto que prevê um monitoramento das câmaras de vereadores nos 92 municípios do estado do Rio de Janeiro, a partir de denúncias de moradores e fatos levantados por repórteres especiais.


 


O editor do projeto, o repórter Chico Otávio, está recebendo uma avalancha de denúncias que materializa a colaboração dos leitores e alimenta um banco de dados, a partir do qual já dá para fazer uma devastadora radiografia da política municipal no estado.


 


Este sopro de otimismo surge de experiências que desafiam a rotina predominante na maioria das redações, transformadas em verdadeiras linhas de montagem de notícias, onde a resistência às mudanças é tão forte a ponto de transformar iniciativas quase óbvias em verdadeiras odisséias.


 


Na Califórnia, foram apresentadas algumas iniciativas surpreendentes tanto pela inovação tecnológica como pela recuperação de velhos princípios como o trabalho solidário e a redistribuição de lucros.


 


Foi possível, por exemplo, descobrir que existe uma experiência (Representative Journalism) onde os moradores de uma comunidade financiam jornalistas para que eles produzam noticiário local; outra chamada Reel Changes, que paga a produção de documentários sobre temas regionais, e ainda o site Reporterist, que se especializou em conectar free lancers com financiadores.


 


A opção pela cobertura comunitária é uma unanimidade em qualquer conversa nas redações, mas quando alguém decide torna-la uma política editoria, as resistências crescem porque ela contraria a agenda predominante nas primeiras páginas dos jornais, marcada pela preocupação com a política nacional e os interesses econômicos das grandes corporações.


 


No caso brasileiro, o fato dos jornais estarem enfrentado um período de vacas gordas por conta do aumento do poder de compra da população, a filosofia predominante é a de que “não se mexe em time que está ganhando”. Os departamentos financeiros podem ter razão, mas os estrategistas da mídia sabem que o momento de mudar é quando tudo vai bem.


 


Quando este momento passa e a situação piora, todos passam imediatamente a propor novas estratégias. Mas aí as condições são outras. Mudanças sob pressão geralmente dão errado. A experiência do O Globo ainda merece ser estudada porque é uma rara iniciativa anti-rotina.


 


Nos Estados Unidos, a opção pelo noticiário local já é majoritária entre os jornalistas free lancers, especialmente os que apostaram na internet. O problema é que eles vivem lá uma situação inversa. A grande imprensa passa por um momento muito difícil, sem opções a vista e com uma forte contribuição ao desemprego entre os jornalistas.


 


Pressionados pela necessidade de sobreviver, eles estão experimentando tudo o que podem e neste afã começam a surgir resultados que podem não pagar as contas no fim do mês, mas servem de embrião de projetos futuros.

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