Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

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A conta, por favor

Por Luiz Weis em 21/05/2009 | comentários

Está nas páginas políticas:

1. A adoção do voto em listas fechadas para deputados e vereadores subiu ao telhado. O assunto divide os partidos da base governista – e tudo que ali não se quer são temas que os desunam neste ano pré-eleitoral.

2. O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) está passando o chapéu atrás de assinaturas ao seu projeto de lei que reduz de um ano para seis meses o prazo mínimo de filiação partidária de candidatos às eleições de 2010 – ou seja, de setembro deste ano a março do ano que vem.

3. O deputado Sandro Mabel (PR-GO) tem um projeto para prorrogar por dois anos o mandato do presidente Lula, para as eleições nacionais coincidirem com as municipais em 2012.

4. O deputado Jackson Barreto (PMDB-SE) diz que “tem um monte de gente” querendo assinar o seu projeto de emenda constitucional que autoriza o presidente Lula a disputar um terceiro mandato.

Não está nas páginas políticas nenhuma matéria que tenha apurado o que move os autores dessas iniciativas e os seus apoiadores. Políticos são homens que calculam. Jornalismo político que não dê conta das contas que eles fazem a cada passo que dão priva o leitor de uma informação sem a qual o registro de tais atos parece ininteligível.

Curiosamente, saiu nas páginas econômicas da Folha desta quinta-feira, 21 – na coluna do jornalista Vinicius Torres Freire – uma tentativa de dar sentido ao que ele chama “a nova política da crise econômica”, incluindo “Lula 3, referendo, extensão de mandatos, mudança de prazos de filiação partidária, recomposição de alianças e raras candidaturas alternativas”.

Outro esforço de interpretação está no artigo “Manobra do terceiro mandato cerca o bicho pelos sete lados”, do jornalista Milton Coelho da Graça, no Diário da Manhã, de Goiânia.

Ambos sustentam que o empresariado vê a re-reeleição com bons olhos – outro tema que o jornalismo político não aborda.

Torres Freire:

“Lula prossegue a reorganização da propriedade do grande capital iniciada sob FHC. FHC desatou o nó caquético da organização e da posse do capital, privatizando com o auxílio do Estado. Lula, o pós-moderno, financia com o Estado a reorganização da grande propriedade depois do período algo caótico da ‘abertura’ dos anos 90, formatando as empresas brasileiras para a era dos grandes oligopólios globais, fase 2, a dos países ditos emergentes. Não há, pois, oposição do ‘capital’.”

Milton Coelho:

“Os fortes setores empresariais empenhados no esquema político-econômico ‘Estado forte mas ao nosso lado e com paz social’, explicita ou implicitamente formulado pelo sr. Emílio Odebrecht e outros líderes industriais e financeiros, certamente apoiarão a proposta de Mabel [a da unificação das eleições em 2012]”.

Candidata de quem?

A propósito do que a coluna Painel da Folha chama “a equação de 2010”, mais de um jornal informa que, segundo pesquisas encomendadas tanto pelo PT como pela oposição, a eventual candidata presidencial, Dilma Rousseff, teria já alcançado a marca de 20% de intenções de voto.

Mas do ângulo da informação jornalística, chama a atenção que menos da metade dos entrevistados, de acordo com resultados preliminares, sabem que a ministra é a preferida pelo presidente Lula para ocupar a sua cadeira.

Depois que os seus problemas de saúde a fizeram aparecer ainda mais do que antes nos telejornais, acompanhada de declarações de Lula que isso em nada afetaria a sua possível candidatura, era de esperar que se contassem nos dedos os brasileiros que ainda ignoram quem o presidente Lula gostaria que o sucedesse. Foi o que este blogueiro escreveu quando o país ficou sabendo que ela havia extraído um tumor.

Pelo visto, está longe de ser assim. Vá saber por que.

Todos os comentários

  1. Comentou em 24/05/2009 Sidnei Brito

    Conjeturas: tese de terceiro mandato ou esticar o atual somente enfraquecem a candidatura de Dilma. Deve haver DNA tucano nessas propostas, sobretudo agora que a ministra parece estar conseguindo dar uma pequena deslanchada.

  2. Comentou em 23/05/2009 José Guedes

    Na velha Albion – Inglaterra – o primeiro-ministro, q disputa eleição distrital, pode ser reconduzido ao cargo qtas vezes seu partido ou coligação política fizer maioria na Casa dos Comuns. Margareth Thatcher ocupou o cargo por três legislaturas – na ultima pediu demissão após perder o apoio de seu partido – sem q se dissesse q na Inglaterra havia uma ditadura ou governo de excessão ou anti-democrático. Uribe, o colombiano de direita, com ligações no narcotráfico, acaba de obter no Senado a aprovação para um eventual terceiro mandato, q deverá ser conquistado através do voto popular.
    No Brasil, onde a mídia é falsamente isenta, Lula já afirmou por várias vezes q não quer e não disputará um terceiro mandato – a ser conquistado pelo voto popular, q só vale se for concorde com o das ‘elites’ midiáticas – a eventualidade, no momento de tal, é encarada como ruptura da ordem politica ou golpe. Qdo FHC propos sua reeleição, lançando mão de expedientes altamente condenáveis, essa mesma mídia não alertou o país para uma ruptura do estado de direito, risco à democracia ou golpe. Ou seja, são todos, sem excessão um bando de fariseus hipócritas.

  3. Comentou em 22/05/2009 Ivan Moraes

    1-‘Jackson Barreto (PMDB-SE) diz que “tem um monte de gente” querendo assinar o seu projeto de emenda constitucional que autoriza o presidente Lula a disputar um terceiro mandato’: sai dai, tucanada. Lei nao eh casa da sogra pra voces oferecerem seu beneficio pros amiguinhos da direita. Vai sumindo. Adeus, Lula. Passe bem. 2-‘Ambos sustentam que o empresariado vê a re-reeleição com bons olhos’: sai dai, tucanada. Lei nao eh casa da sogra. E porque a tucanada esta dos dois lados da questao do terceiro mandato, sendo simultaneamente contra e a favor? Eh porque a CPI da Petrobras eh distracao tao grande assim? No final das contas, como o funcionario de gilmar dantas nos explica tao didaticamente (http://www.youtube.com/watch?v=s1zL5uwtB0Q&feature=rec-HM-fresh+div), eh ***o governo*** que esta em cheque na CPI dos tucanos. Ou nao eh?

  4. Comentou em 22/05/2009 Max Suel

    Este é o momento de decidirmos o nosso futuro, o que queremos ser. De duas uma: uma (reles) república bananeira ou um País sério, digno de seu tamanho, verdadeiramente democrático, mundialmente respeitado pela sua obediência a um ordenamento jurídico sólido. Fico abismado e sinto raiva de ver que após tantos anos de luta por um estado democrático de direito, onde o respeito aos valores mais sagrados da verdadeira democracia nos movia a todos que nos opúnhamos ao regime fechado em vigor até a eleição de Tancredo ainda tenhamos que passar por estas situações. Um absurdo, um ataque às instituições, uma afronta à Nação, estas iniciativas de prorrogações de mandatos (uma violência à vontade popular), de 3ºs , 4ºs e 5ºs mandatos seguidos nos vários níveis executivos. Só um povo medíocre, governado por medíocres, analisados por jornalistas medíocres, a aceitar estas medidas anti-democráticas. E não venham a falar em’consulta popular’ … sabemos bem que Hitler, Mussoline, Sadam Hussein, Fidel entre outros tiranos, também se valeram de ‘consultas’ à população’ que nada tinham da verdadeira democracia. Prorrogação é golpe. Reeleição ilimitada é golpe, e já passado dos 50 anos grito: CHEGA DE GOLPISMO. MAIS DEMOCRACIA (verdadeira). Mais vergonha na cara; mais cobrança por parte dos jornalistas idôneos.

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