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Sexta-feira, 17 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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A corajosa cobrança da colunista

Por Luiz Weis em 25/05/2008 | comentários

Na sua coluna deste domingo no Globo, Míriam Leitão acusa os órgãos de comunicação de fazer uma cobertura enviesada do debate sobre a adoção das chamadas cotas raciais para ingresso nas universidades federais brasileiras.


 


‘Melhor faria o jornalismo se deixasse fluir a discussão, sem tanta ansiedade para, em cada reportagem, firmar a posição que já está explícita nos editoriais’, escreve ela no artigo ‘Ora, direis!’ [íntegra abaixo]. ‘A mensagem implícita em certas coberturas só engana os que não têm olhos treinados.’


 


Com um mínimo de treino, o olho do leitor decerto enxergará que, ao falar em ‘os órgãos de comunicação’, Míriam mira o próprio Globo. Pelo menos em nenhum outro dos grandes jornais se vê o mesmo nível de ‘ansiedade’ em infundir em cada matéria sobre o polêmico assunto a posição – em geral contra as cotas – exposta nos respectivos editoriais.


 


Na Folha e no Estado, os principais concorrentes do Globo, a discussão a respeito, embora longe do ideal, flui mais do que no jornal carioca. Neste, como até os cegos sabem, o combate às cotas é uma bandeira, uma causa.


 


Essa, em si, é uma decisão editorial evidentemente legítima, qualquer que seja a questão em jogo. O que é imperativo cobrar, como faz corajosamente a colunista, é a não contaminação da cobertura pela ‘posição da casa’ – um dos pecados capitais do jornalismo.


 


Isso é ainda mais prejudicial para o leitor quando o tema, vá lá o jogo de palavras, contém uma infinidade de matizes cinzentos entre o branco e o preto, como é o caso das políticas de ação afirmativa. Quanto mais fluente o debate, mais chances terá o público de tomar conhecimento dessas tonalidades, percebendo a partir daí que as respostas ao dilema das cotas não são meros ‘sim’ ou ‘não’, porém, ‘sim, mas’, ou ‘não, mas’.


 


O artigo de Míriam Leitão:


 


‘A luta contra a escravidão foi um movimento cívico de envergadura. Misturou povo e intelectuais, negros e brancos, republicanos e monarquistas. Foi uma resistência que durou anos. Houve passeatas de estudantes e lutas nos quilombos. Houve batalhas parlamentares memoráveis e disputas judiciais inesperadas. Os contra a abolição reagiram nos clubes da lavoura, na chantagem econômica e nos sofismas.


 


O país se dividiu e lutou. Venceu a melhor tese. Pena o país ter feito o reducionismo que fixou na memória coletiva apenas o instante da assinatura da lei pela Princesa. Tudo foi varrido. Do povo em frente ao Paço à persistência para se aprovar a lei que tornou extinta a escravidão no Brasil.


 


Foram seis anos de lutas parlamentares para libertar os não-nascidos, após quedas de gabinetes, avanços e retrocessos. Mais luta de vários anos para libertar os idosos. Por fim, a maior das batalhas: a libertação de todos.


 


Lutou-se com a poesia e o jornalismo. Com a política e o Direito. Lutou-se na Justiça com as Ações de Liberdade, incríveis processos que escravos moviam contra seus donos. Os negros lutaram de forma variada: com a greve negra em Salvador, com rebeliões e quilombos. Os escravocratas adiaram o inevitável, ameaçaram com a derrota econômica, assombraram com todos os fantasmas nacionais. Pareciam vencer, até que perderam.


 


Fica em quem revisita a história a constatação de um erro: os abolicionistas se dispersaram cedo demais. Era a hora de reduzir a imensa distância que a centenária ordem escravagista havia criado no país. Venceu a idéia de que, deixado ao seu ritmo, o país faria naturalmente a transição da escravidão negra para um outro país, sem divisões raciais. Idéia poderosa esta da inércia salvacionista. Ela construiu o imaginário de um país sem racismo por natureza, que teria eliminado o preconceito naturalmente, como se as marcas deixadas por 350 anos de escravidão fossem varridas por um ato, uma lei de duas linhas. Ainda há quem negue, hoje, que haja algo estranho numa sociedade de tantas diferenças.


 


O manifesto contra as cotas tem alguns intelectuais respeitáveis. Mais os respeitaria se estivessem pedindo avaliações e estudos sobre o desempenho de política tão recente; primeira e única tentativa em 120 anos de fazer algo mais vigoroso que deixar tudo como está para ver como é que fica. O status quo nos trouxe até aqui: a uma sociedade de desigualdades raciais tão vergonhosas de ruborizar qualquer um que não tenha se deixado anestesiar pela cena e pelas estatísticas brasileiras.

Ora, direis: o que tem o glorioso abolicionismo com uma política tópica — para tantos, equivocada — de se reservar vagas a pretos e pardos nas universidades públicas?


Ora, a cota não é a questão. Ela é apenas o momento revelador, em que reaparece com força o maior dos erros nacionais: negar o problema para fugir dele. Os “negacionistas” — expressão da professora Maria Luiza Tucci Carneiro, da USP — sustentam que o país não é racista, mas que se tornará caso alguns estudantes pretos e pardos tenham desobstruído seu ingresso na universidade.


 


Erros surgiram na aplicação das cotas. Os gêmeos de Brasília, por exemplo. Episódios isolados foram tratados como o todo. Tiveram mais destaque do que a análise dos resultados da política. Os cotistas subver teram mesmo o princípio do mérito acadêmico? Reduziram a qualidade do ensino universitário? Produziram o ódio racial? Não vi até agora nenhum estudo robusto que comprovasse a tese manifesta de que uma única política pública, uma breve experiência, pudesse produzir tão devastadoras conseqüências. Os órgãos de comunicação têm feito uma enviesada cobertura do debate. Melhor faria o jornalismo se deixasse fluir a discussão, sem tanta ansiedade para, em cada reportagem, firmar a posição que já está explícita nos editoriais. A mensagem implícita em certas coberturas só engana os que não têm olhos treinados.

Ora, direis, que vantagens podem ter políticas que atuam apenas no topo da escala educacional? Ter mais pretos e pardos junto aos brancos, nas universidades públicas, permite a saudável convivência no mesmo nível social. Na minha UnB, não havia negros; na atual, há mais de dois mil. Isso é um começo num país com o histórico do Brasil.

Melhorar a educação pública sempre será fundamental para construir o país futuro, mas isso não conflita com outras políticas desenhadas diretamente para derrubar as barreiras artificiais e dissimuladas que impedem a ascensão de pretos e pardos. O vestibular não mede a real capacidade do aluno de estar numa universidade, mas, sim, quem aprendeu melhor os truques dos cursinhos. Há muito a fazer pelo muito não feito neste longo tempo em que se esperou que, deixando tudo como está, tudo se resolveria. Ajudaria se intelectuais, ou não, quisessem avaliar as políticas de ação afirmativa, em vez de ter medo delas.


 


O racismo brasileiro é ardiloso e dissimulado. A luta contra ele será longa e difícil. Será mais eficiente se unir brancos e negros. Será mais rápida se o país não acreditar nas falsas ameaças de que tocar no assunto nos trará o inferno da divisão por raças. Ora, a divisão já existe; sempre existiu. O que precisa ser construído são os caminhos do reencontro.’

Todos os comentários

  1. Comentou em 28/05/2008 Ivan Moraes

    A politica de quotas so virou ‘debate’ nos EUA porque era um movimento social no comeco e os EUA teem longa historia de perseguicao a todos eles. Foi estatizado exatamente por essa razao. Agora ou eh movimento social ou eh movimento estatal, nao ha meio termo. A pilantragem no Brasil consiste em simultaneamente tentar a terceirizacao -diga se a privatizacao- das quotas enquanto se nega oficialmente seu beneficio. Ou seja, so serve pra direita brasileira fazer dinheiro, mas so porque eh assim nos EUA: se nao eh pra lucro concentrado nas maos de pouquissimos, todo movimento social, toda aspiracao social, enfim tudo que nao eh privatizado deve ser destruido.

  2. Comentou em 27/05/2008 André Martins

    Será que o Ali Kamel vai aceitar isso numa boa? Ou a Míriam irá fazer companhia a Franklin Martins, Rodrigo Viana, Ricardo Boechat, etc.

  3. Comentou em 27/05/2008 André Martins

    Será que o Ali Kamel vai aceitar isso numa boa? Ou a Míriam irá fazer companhia a Franklin Martins, Rodrigo Viana, Ricardo Boechat, etc.

  4. Comentou em 27/05/2008 Alexandre Carlos Aguiar

    Os senhores Luiz Henrique e Marco Antonio abaixo foram perfeitos em suas análises. Se foram começadas as lutas contra o segregacionismo há 2 séculos, se há 120 anos foi assinada uma lei para dizer: ‘Basta! Chega de separações por cor de pele’, se pretendemos viver todos sobre o mesmo solo da tal brava gente brasileira, admitindo as diferenças e coexistindo com isso, por que retornar a um sistema que, exatamente, realça cores de pele? A falácia de ‘reparação histórica’ é cruel com os atuais habitantes, que não são nem senhores e nem escravos. E são de todas as cores. Não quero ter que olhar para o meu vizinho, que é mais negro que eu e meu amigo, de soslaio, por ele ‘agora’ ter vantagens que eu não tive, quando fiz a minha faculdade. O país está enveredando por um caminho perigoso e irreversível. Será que daqui há 100 anos os ‘brancos’ de agora vão pedir reparação histórica?

  5. Comentou em 27/05/2008 Alexandre Carlos Aguiar

    Os senhores Luiz Henrique e Marco Antonio abaixo foram perfeitos em suas análises. Se foram começadas as lutas contra o segregacionismo há 2 séculos, se há 120 anos foi assinada uma lei para dizer: ‘Basta! Chega de separações por cor de pele’, se pretendemos viver todos sobre o mesmo solo da tal brava gente brasileira, admitindo as diferenças e coexistindo com isso, por que retornar a um sistema que, exatamente, realça cores de pele? A falácia de ‘reparação histórica’ é cruel com os atuais habitantes, que não são nem senhores e nem escravos. E são de todas as cores. Não quero ter que olhar para o meu vizinho, que é mais negro que eu e meu amigo, de soslaio, por ele ‘agora’ ter vantagens que eu não tive, quando fiz a minha faculdade. O país está enveredando por um caminho perigoso e irreversível. Será que daqui há 100 anos os ‘brancos’ de agora vão pedir reparação histórica?

  6. Comentou em 27/05/2008 Socorro santos

    Sou negra e já sofri e sofro muito com isso,mas meu caratér não está na minha cor de pele,incrível em um pais como o nosso ainda passarmos por isso.
    Fico indignada…na minha faculdade ainda tem pessoas de mente fechada…
    É uma luta que precisa ser vencida.

  7. Comentou em 26/05/2008 maristela farias

    Mesmo sendo do Globo, a jornalista Miriam Leitão é de uma lucidez inconteste. Realmente, ‘o que precisa ser construído são os caminhos do reencontro’. O sistema de cota não é o ideal nem os negros querem que assim o seja. Hoje, aos 64 anos, volto à juventude quando era a única negra, e pobre, num colégio de freiras alemãs!!!!!!. Fiz jornalismo e era a única negra e pobre,numa universidade católica e, podem crer, este caminho não foi fácil, mas a construção foi sólida. Só espero que nossos jovens negros consigam perceber a importância de cada passo dado, de cabeça erguida, certos de que nada lhes está sendo dado gratuitamente e que num futuro próximo abominem essas cotas, necessárias hoje, e provocadas pela insensatez de uma educação sem compromisso com a sociedade como um todo.

  8. Comentou em 26/05/2008 ubirajara sousa

    ‘Enquanto seu lobo não vem…’ Essa é a razão das cotas. É claro que o correto será a escola pública (e privada também) de alto nível. Mas, isso vai demorar anos. Assim, as cotas são uma espécie de reparação dos danos causados. Não penso que devemos lutar contra o sistema de cotas, mas lutar contra a sua longa existência. É preciso cobrar mais dos governos municipal, estadual e federal para que mecanismos mais agéis sejam adotados no sentido da melhoria do ensino. E o primeiro passo, no meu ponto de vista, seria uma profunda reciclagem dos senhores e senhoras professores/as, pois o negócia vai ruim nessa banda da educação. Cobrear é preciso, mais com seriedade, sem partidarismo e sem sofismas. O Brasil é nosso. Lutar por ele é o nosso dever. E a educação é a maior riqueza de uma nação.

  9. Comentou em 26/05/2008 Hélio Amaral

    Poderia acrescentar, Weis: ‘o combate às terras contínuas dos indigenas também é uma bandeira da Globo e da Bandeirantes. Precisamos de outra Miriam Leitão aí para pedir um debate imparcial.

  10. Comentou em 26/05/2008 Geraldo Magela da Silva Xavier

    Qer dizer que ‘o vestibular não mede a real capacidade do aluno de estar numa universidade, mas, sim, quem aprendeu melhor os truques dos cursinhos.’ Será que só os negros que têm dificuldades de aprender esses truques? Já que o vestibular não mede conhecimentos, não seria o caso de instituir um vestibular às avessas? Por que não instituir essas cotas também no Enem?

  11. Comentou em 26/05/2008 Ângelo Lima

    Concordo em número, gênero e grau com o artigo da Miriam Leitão. Uma análise corretíssima de uma questão crucial para o avanço da sociedade brasileira.
    Pensar que o problema do acesso dos negros à universidade seria completamente resolvido com a melhoria da qualidade de ensino da educação básica é, no mínimo, ilusão.

  12. Comentou em 26/05/2008 J Batista

    A Nação necessita de EDUCAÇÃO DE QUALIDADE.Na humanidade ocorreu escravidão pelos mais variados motivos:dividas, derrotas militares, vaidades de reis e governos e atualmente por salarios irrisórios.Leis imorais,discriminatórias e de distribuição de privilegios e impunidades acentuará os conflitos sociais a medio e longo prazo, enfraquecendo a formação de uma Nação.Todos que nasceram no Brasil ou o adotaram como Pátria, são brasileiros, devem ser respeitados e lhes dado oportunidades de igualdades de condições de estudos, trabalho, saúde, segurança, possibilitando que cada um dê melhor de si para progresso pessoal e da Nação Brasileira.

  13. Comentou em 26/05/2008 Fábio Galvão

    Imprensa é contra cota racial em universidade, diz pesquisadora

    Leia a tese de mestrado da doutoranda em Lingüística da Universidade de Brasília (UnB) Theresa Frazão, na url

    http://www.unicap.br/tede//tde_busca/arquivo.php?codArquivo=129

  14. Comentou em 26/05/2008 Marcelo Thompson

    Poético pensar que a abolição no Brasil teve alguma coisa a ver com a luta dos escravos e das reinvidicações dos abolicionistas. A abolição de nossa escravatura inaugurou a célebre frase ‘pra inglês ver’. É o mesmo que pensar que os cara-pintada derrubaram o Collor.
    Acho que é senso comum que essa política de cotas não vai melhorar o ensino superior, mas vai nivela-lo por baixo. A solução é custosa tanto em termos políticos como em verba: investir pesado na educação pública no nível fundamental e médio, garantindo o acesso do POBRE a esse tipo de ensino com qualidade, para que possa disputar vagas sem precisar de nenhuma vantagem extra.
    E mais: pode até ser que no Brasil ainda não tenha nenhum estudo feito sobre um intolerência gerada pelas cotas, mas o resto do MUNDO mostra exatamente o contrário (principalmente os EUA).

  15. Comentou em 26/05/2008 Bernardo Gariglio

    O que eu não entendo é porque ninguém da imprensa fala em cotas para pessoas carentes ou alunos de escola públicas. Me parece um sistema mais justo e até mais fácil de se realizar uma vez que num país tão miscigenado como o nosso é mais difícil classificar raças do que classe social.

  16. Comentou em 26/05/2008 Leonardo Pavez

    Os ardis e dissimulações do racismo brasileiro me chamam muito a atenção, porque tanto a parte favorável à política de cotas como seus antagonistas denunciam sua existência, aqueles nas relações sociais e estes no regime de cotas. Ou seja, o ardil e a dissimulação encontram-se onde sempre no lado oposto, tornando-se uma questão que nos insere no mundo da retórica parlamentar, no âmbito da deliberação fundamentada na prudência, do conhecimento histórico e axiológico do país. Logo, se falo em retórica deliberativa, quero com isso dizer que estamos no campo da discussão democrática, em que as partes devem mesmo combater com seriedade para mover a sociedade e chegar ao melhor consenso possível. O que é inadmissível, e nisto concordo com Weiss, é a contaminação da própria cobertura pela opinião que deveria permanecer, no máximo, nos editoriais. Falo isso como leitor do Estadão: como eu gostaria de ver a máquina fantástica do Estado trabalhar com isenção, sem dar tanto lugar para os leitores que, no fórum, afinam com a posição do jornal!

  17. Comentou em 26/05/2008 Geraldo Basilio Sobrinho

    O problema, como se ver, pelas inúmeras opiniões é mais embaixo e, para não deixar o que penso de fora, incluo aí mais uma que é o fato da questão ser vista só para universidade. Não podemos impedir a quem quer que seja de um dia chegar lá, porém creio que muita gente anseia apenas adquirir um conhecimento técnico para poder trabalhar e viver dignamente. Neste caso, precisa-se também investir mais na educação de base, ensino médio e técnico, melhorando-os e universalizando o acesso para formar técnicos que o Brasil precisa, segundo as necessidades do mercado. Na minha opinião, qualquer política educacional que vise somente o topo da pirâmide (as universidades) não resolverá o problema de forma definitiva.

  18. Comentou em 26/05/2008 Marco Antônio Leite

    Quem disse que a escravidão no país foi abolida. Essa falácia não passa de demagogia para ludibriar aqueles cidadãos pobres de conhecimento das táticas utilizadas pela elite para manter a calmaria entre os negros e os pobres brancos, amarelos e similares. Essa história de porção determinada é mais um truque utilizado pela elite para mostrar o quanto o sistema capitalista é bonzinho com os diferentes. Faz-se necessário implantar escolas de qualidade onde todos, sem distinção de cor, raça, posição social, etc., possam estudar e competir de igual por igual. Na medida em que todos tenham as mesmas oportunidades não é necessário o sistema de cotas para esse ou aquele individuo, mas sim uma competição saudável.

  19. Comentou em 26/05/2008 Luis Henrique M Paulo

    Seguindo a própria linha de raciocínio da autora, que diz que o vestibular mede a capacidade de quem fez cursinho, ora, então porque negros não o fazem? Porque são pobres, ora diria ela.
    Senhores, essa é a REAL questão e não a cor da pele. A dificuldade do acesso ao ensino superior é problema do POBRE brasileiro, aquela pessoa ou famílias prejudicadas economicamente. E isso inclui uma infinidade de matizes de cor de pele, não apenas negra.
    Ao meu ver, esse é o pior enviesamento da questão das cotas. Elas deveriam ser para pobres de qualquer cor, não exclusivamente negros.

  20. Comentou em 26/05/2008 ubirajara sousa

    ‘Na minha UnB, não havia negros; na atual, há mais de dois mil. Isso é um começo num país com o histórico do Brasil.’ Eu sempre pensei que a Miriam Leitão fosse uma ‘descentente afro’, pelas suas características físicas. Mas, se ela própria nega isso, quem sou eu pra contestar.

  21. Comentou em 26/05/2008 Paulo de almeida

    A Míriam Leitäo tem toda razäo ao afirmar que há ‘ desigualdade racial’. E ainda mais quando escreve bem: ‘Há muito há fazer pelo muito näo feito (…)’. Porém, me parece que ‘os cotistas subvertem mesmo o princípio do mérito acadêmico’, e sem medo algum, penso honestamente que seria uma alternativa mais construtiva, se negros e pardos fossem mesmo ajudados para terem as mesmas chances de aprender os ‘truques dos cursinhos’. Aí seria o justo.

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