Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

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A crise das charges e a negação do Holocausto

Por Luiz Weis em 21/02/2006 | comentários

Vejam como são as coisas. O Estadão acertou em cheio, transcrevendo hoje do Washington Post o artigo “Por que publiquei as charges”, de Flemming Rose, o editor de Cultura do jornal dinamarquês cuja decisão inflamou o mundo muçulmano.


Acertou em cheio porque o artigo é um prato de primeira para continuar a necessária discussão sobre liberdade de imprensa, responsabilidade da imprensa e sensibilidade da imprensa. [Mais sobre isso em outro texto que tentarei escrever ainda hoje].


Em compensação, o Estado errou feio ao reduzir a uma noteta de 11 linhas, com uma foteca, na seção vala-comum NoMundo, a condenação do historiador inglês David Irving a 3 anos de prisão por um tribunal austríaco por ter ele negado em livro, artigos, conferências e entrevistas, também na Áustria, que o Holocausto existiu. Em 10 países europeus, como a Áustria, isso é crime.


Já a Folha abriu a seção Mundo com o assunto, em duas matérias e uma fotona que ocupam mais de meia página. O jornal teve a sensibilidade de sacar que o julgamento de Irving ganhou importância extra por causa do furor causado pelas charges dinamarquesas. Uma coisa e outra envolvem o pantanoso problema dos limites à liberdade de expressão.


Problema brilhantemente abordado em um punhado de linhas pelo jornal britânico The Independent – que a Folha, em outra bola dentro, transcreveu no corpo de sua reportagem:


“O princípio da liberdade de expressão não pode se aplicar apenas àqueles com posições com as quais concordamos. Mas tampouco, como temos visto com as charges dinamarquesas, pode ser um escudo atrás do qual podem se esconder aqueles que, deliberadamente ou não, ofendem gratuitamente os outros.”


“Apesar disso todos deveriam ter o direito de crer no que quiserem e dizerem isso, até o ponto em que suas palavras não incitem o ódio, a violência ou o assassinato. Negar o Holocausto, por si só, não está nessa categoria, embora errado e repulsivo. [Trechos sublinhados por mim.]


Enquanto isso, o Globo nem tchuns para o momentoso caso.


***

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Todos os comentários

  1. Comentou em 28/02/2006 MANOEL PINTO

    Não me causa espécie o fato do holocausto nazista ter sido imposto aos judeus; me repugna o fato de se impor esse tipo de castigo aos seres humanos quaisquer que sejam os impugnadores e os impugnados. É verdadeiramente um crime imperdoável barbáries deste tipo. Mas, que fazer quando sabemos que desde que o homem se conscientizou de sua existência vivemos em guerras, alguma fratricidas inclusive? Com certeza, brincar com religiões não será o caminho mais correto.

  2. Comentou em 26/02/2006 MANOEL PINTO

    como teatrólogo sempre defendi a liberdade de imprensa e de expressão como um princípio inatacável; desde é claro, que usados com bom senso, ética e verdade. fazer desses princípios armas para agredir seja a quem for ou ao que for considero incensatez e fora de propósitos.

  3. Comentou em 21/02/2006 fabio marcio oliveira

    bom eu acho que liberdade de expressao nao ten nada haver com religião de outras pessoas eu nao tenho religião mais nem por isso eu brinco com as religioes dos outros
    ( eu nao sou ateu acredito em deus e pra min basta)
    o brigados

  4. Comentou em 21/02/2006 Fernando

    “Enquanto nos recusarmos a admitir o caráter intercambiável das idéias, o sangue corre…” já dizia Cioran; vale lembra que o sagrado (assim como o absurdo) não está livre de críticas, brincadeiras e chacotas (estúpidas ou não), todo fanático detém uma verdade indubitável, o seu maior erro é julgar que seu delírio deve ser necessariamente compartilhado, a fé aliada a um descabido espírito messiânico conduz a uma sensação de estar sendo constantemente injustiçado.

  5. Comentou em 21/02/2006 Barbara SANTOS

    Acredito que tudo o que esta acontecendo é Biblico as pessoas queiram acreditar ou nãso, a palavra de Deus diz que todas as nações se virariam contra ISRAEL que é o povo escolhido de Deus, desde o velho testamento, os Mulçumanos por sua vez tende a destruir os povos por se julgarem melhores do que todo mundo, so que acontece que so existe um unico DEUS, e não haverá nenhum outro, a palavra também nos diz que: ANTES DA VOLTA DE JESUS CRISTO ACONTECERAM GUERRAS, DOENÇAS (AIDS, ETC…) nações contra nações,pai contra filhose filhos contra pais, que é o que vemos hoje em dia etc…
    JESUS É O UNICO SENHOR QUEIRAM ACEITAR OU NÃO ELE ESTA VOLTANDO, E TODA LINGUA NAÇÕES SE PROSTARAM DIANTE DELE.Mulçumanos, Indios, Africanos, Brasileiros, Americanos, seje quem for se dobraram diante do REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES: JESUS CRISTO

  6. Comentou em 21/02/2006 Grillo Neanderthal

    O que melhor distingue os casos das charges sobre Maomé e da condenação do cidadão que negou o holocausto judeu é justamente a diferença entre a liberdade de pensamento, de opinião, e também da expressão (desde que não incite a violência) e a agressão gratuita, seja a um único indivíduo ou a um grupo numeroso.

    A imprensa, assim como qualquer cidadão, tem o direito de se expressar livremente, no que diz respeito a opiniões. Mas isto é completamente diferente de uma agressão. Eu não gostar alguém é uma coisa, mas humilhá-la em público é outra. Injúria pode ser considerada um direito?

    Todos nós deveríamos ter o direito de questionar qualquer fato histórico, para com isso buscar embasamento para as nossas próprias crenças e opiniões. Independentemente da ocorrência ou não do holocausto, ou de qualquer outro evento, defender uma história diferente não poderia nunca ser considerado crime. Afinal, se um fato não pode ser questionado, não pode ser efetivamente comprovado. A proibição do estudo sobre um fato o coloca em dúvida.

    Enfim, acima da lei e da moral existe a ética e o bom senso. Bastaria usá-los.
    Abraços

  7. Comentou em 21/02/2006 Marcus xa

    …já ouvi um grande astronomo,cientista e professor dizer certa vez que uma das causas prováveis do auto exterminio da humanidade seria por motivos religiosos, guerra, achei engraçado e ao mesmo tempo triste mas hoje em dia tenho muito medo.
    Será que o homem precisa de religião, não existe só um Deus? Ou não.

  8. Comentou em 21/02/2006 Alberto Guzmán Garcia

    Vemos aqui, diversos comentários, geralmente de repúdio as charges de ambas as partes e discutindo a liberdade de imprensa, entendo que vivemos episódio semelhante aqui em nosso país, com muito alarde. Lembram-se do fato da “santa chutada”, grupos religiosos católicos consideraram a cena como ofensa imperdoável, passível de prisão (que se não estou enganado foi por onde caminhou o processo), os evangélicos por não reconhecerem a santidade representada pela imagem não viram como crime e defenderam-se com o argumento que o fato nada mais era que uma retaliação da Rede Globo contra a Record, envolvendo ai a liberdade de culto e expressão. Não podemos criticar o ocorrido, de proporções muito maiores, se em um fato menor em nossa própria casa, tivemos as mesmas atitudes. A verdade é que política e religião sempre caminharam juntas, com a primeira usando a segunda como argumento para suas atitudes nem sempre corretas.

  9. Comentou em 21/02/2006 Agenor Martins Neto martins

    Maomé faz parte de um passado de luta dos povos islâmicos.
    O Holoscauto faz parte do passado, digamos sofrido, recente na vida dos Judeus.
    Seria pelos menos possível, a tolerância, todos nós precisamos de nós mesmo, ou estão eles pensando no dominio de alguns no mundo globalizado, pode até haver um guerra santa, uma nova cruzada, difícil é ingnorantes para acreditar nessa nova igreja. Pensemos na melhora não na piora.

  10. Comentou em 21/02/2006 Arilson Ferreira Silva

    É um tema muito polêmico realmente, mas não podemos deixar de questionar: até onde vai o poder da mídia?
    Além de informar pode desinformar, pode criar mas também destruir, pode mostrar a paz e pode criar uma guerra!
    Será que vale tudo pelo dinheiro, pelas vendas, pelo ‘ibope’, pelo poder?!
    A cultura e história podem ser alteradas pela maneira como são transmitidas!
    Depois não vai sobrar ningúem pra contar a história…

  11. Comentou em 21/02/2006 Mayume Higa

    A liberdade de expressão por si só é linda, mas infelizmente temos que depender do bom senso do ser humano, coisa que normalmente não existe.

  12. Comentou em 21/02/2006 James Torres

    É muita hipocrisia dos Europeus condenarem a prisão, uma pessoa que afirmou não ter o Holocausto, e depois se redimindo e assumindo sim que houve, e defenderem aqueles que ofenderam uma religião que muito provavelmente não conhecem, que caráter tem esses que fazem esse tipo de julgamento. Será que vale tudo pela liberdade de expressão, ou somente quando não lhes interessam?

  13. Comentou em 21/02/2006 Gilberto Abreu

    Como é interessante observarmos que, enquanto estamos ofendendo a outro, não sentimos dor, nem qualquer desaprovação, más quando a coisa se torna por menor que seja ofensiva ou mesmo hilária, más contra nós essas mesmas coisas tomam proporções infinitamente maiores e desproporcionais com a realidade.
    Vemos se não me engano que um jornal em Israel publicou novamente as charges com relação ao Profeta Maomé, intitulando que deveria haver liberdade de expressão, então outro veio e publicou charge referente ao holocausto, ou seja, tanto um quanto outro perdeu o tino, e assim simplesmente ofenden-se mutuamente, embora cristão sei do papel do profeta Maomé, que foi um homem que buscou a perfeição e bondade, más como sempre os homens desejam somente aquilo que esta de acordo com o seus ditames. É vergonhoso vermos brigas e guerras que se intitulam santas, que Deus é esse que deseja que seus filhos maten-se uns aos outros simplesmente pelo fato de um escolher ir à direita e outro a esquerda.
    Sinto que meus filhos e meus futuros netos estão herdando um mundo cada vez mais egoísta e falso, onde valores humanos são substituídos por até simples pares de tênis importados ou até mesmo falsificados.

  14. Comentou em 21/02/2006 Jacob Salzstein

    Não consigo entender até agora, o que tem o Holocausto a ver com as malsinadas caricaturas de Maomé: será que os muçulmanos acham que o jornal dinamarquês e seus jornalistas são todos judeus – ou sionistas, como gostam de dizer? Isso prova, mais uma vez, que a História tende a se repetir: quaiquer males, locais ou mundiais, serão sempre atribuídos aos sionistas, ou melhor, aos judeus, os eternos bodes-expiatórios!

  15. Comentou em 21/02/2006 Thadeu Sartori

    Prezados Srs.;
    Creio que a questão religiosa está ultrapassando os limites até do lógico.
    Quem rege nosso território não são os Clérigos Mulçumanos, mas sim nossa constituição, quem define o que deve ou não ser publicado aqui são os brasileiros, assim como na França os franceses e assim por diante. Se o povo iraniano acha coerente publicar chages sobre o holocausto, que sua soberania seja respeitada, mas esses doentes religiosos tem que respeitar a soberania dos outros países.

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