Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CÓDIGO ABERTO > Desativado

A crise na USP a descoberto

Por Luiz Weis em 23/05/2007 | comentários

Dá vontade de ocupar as redações da Folha e do Estado em protesto contra a lastimável cobertura da crise aberta nas universidades públicas paulistas, em especial na USP, pelo decreto do governador José Serra de 1º de janeiro, que ‘organiza a secretaria de Ensino Superior e dá providências correlatas’.

Noticia-se o ostensivo – a ocupação da reitoria da USP, a decisão judicial de reintegração de posse do imóvel, as fracassadas negociações entre a reitora Suely Vilela e os ocupantes, os preparativos da PM para a eventual retomada das instalações invadidas.

Às vezes, ainda no departamento do visível e tangível, aparecem matérias de qualidade, como a da repórter Laura Capriglione, na Folha de hoje, sobre a vida na reitoria ocupada e os protagonistas do fato.

O título e o sub são um irresistível convite à leitura. ’25 anos depois, estudante leva a mãe para a invasão’ e ‘Novo movimento estudantil é bem diferente daquele da invasão da reitoria da USP em 82’.

O texto contém uma preciosidade sobre a invasão propriamente dita. Principais trechos:

‘Esse novo movimento estudantil apareceu há 20 dias, quando 120 alunos dirigiram-se à reitoria para entregar um documento com reivindicações. Como não encontraram a reitora, que estava viajando, resolveram invadir o local – assim, meio na louca. E a coisa começou a crescer, sem controle e sem interlocutores.’

Muito bem, palmas. Mas algum jornalista foi checar se é verdade que o governador Serra teria dito aos reitores da USP, Unesp e Unicamp que assinou ‘sem ler’ o decreto da discórdia?

Algum jornalista foi checar se é verdade que, numa reunião com os diretores das faculdades da USP, a reitora levou um sabão por sua atitude tida como complacente diante da situação que ali se criou?

Algum jornalista teve a pachorra de esmiuçar o decreto serrista, chamado nos bastidores de ‘Frankenstein’, para contar ao desinformado leitor quais são as tais ‘providências correlatas’ nele embutidas?

Algum jornalista foi apurar no governo se é verdadeiro o rumor de que a saída do titular da desastrada secretaria de Ensino Superior, José Aristodemo Pinotti, é uma questão de tempo? Ou se é verdadeiro que a própria secretaria poderá ser extinta, depois de um período necessário para o governador salvar a face?

Algum jornalista se dignou ouvir quem de direito para explicar por que se achava que o decreto – atenção, decreto, no singular, e não ‘decretos’, como se ouve e lê por aí – feria a autonomia universitária e por que os três reitores concluíram que ela está ilesa?

Algum jornalista tentou tomar o pulso do professorado uspiano para ‘sentir o clima’ e dar ao público pagante uma visão mais matizada do que se pensa na instituição?

Paro por aqui para abrir espaço a um texto que me parece o mais judicioso sobre a encrenca no câmpus. É longo, academicoso, mas pega no nervo da crise. O seu autor é o professor de sociologia Sérgio Adorno. Chama-se ‘A USP e a desobediência civil’. Lá vai:

‘Venho, como cada um de nós, acompanhando com enorme apreensão os rumos dos acontecimentos desde a ocupação do prédio da Reitoria da USP. Não quero entrar na discussão a respeito do mérito das reivindicações estudantis. Como todos nós, persisto acreditando na autonomia universitária, antes de tudo da pesquisa e do ensino, com apoio na autonomia administrativa e orçamentária.

Igualmente, reconheço princípios de justiça em movimentos que cuidam defender a pertinência do ensino público assim como lutam pela melhoria das condições que permitam a realização das atividades-fim (ensino, pesquisa e extensão) e das atividades-meio (gestão administrativa) com vistas à formação de profissionais e pesquisadores capazes de responder aos desafios postos por uma sociedade cada vez mais sequiosa por justiça social.

O que me parece estar em discussão não são os fins do movimento, mas seus meios. Pessoalmente, como pesquisador que venho há anos estudando violência e a violação de direitos humanos, não posso, sob qualquer hipótese, deixar de reconhecer que o ato de ocupação fez apelo à violência. Mesmo que a atitude das autoridades universitárias tenha sido arbitrária e violenta em não atender prontamente os alunos – não as estou julgado, até porque não disponho de informações suficientes para fazê-lo –, um ato violento não justifica outro. Por que entendo que a ocupação valeu-se de meios violentos?

Porque impõe, pelo uso ou ameaça arbitrários do uso da força, barreiras ao livre acesso daqueles(as) aos quais a comunidade universitária, pelo sim ou pelo não, confiou o governo de nossas atividades. Impedi-los de assumir seus postos, é impedi-los não apenas de responder por seus atos, inclusive o de zelar pelo cumprimento das leis e regulamentos que nos regem, como também o de poder negociar conflitos.

Nunca é demais lembrar, o uso arbitrário da violência impõe o silêncio, o mais insidioso dos arbítrios porque impossibilita o outro de expressar-se, vale dizer de pensar criticamente e agir com sabedoria política.

Não é de se esperar que, em um espaço social e institucional onde viceja, por excelência, a ciência – como é a universidade – a violência seja recurso de pressão e imposição da vontade de uns contra a vontade de outros, contra o recurso à persuasão e ao convencimento pela palavra, atributos da razão.

No decorrer dos acontecimentos, sei que foram feitos esforços para uma saída do impasse. Até onde tenho acompanhado, as autoridades universitárias estão tendentes a negociar e a atender parte das reivindicações, desde que o prédio seja desocupado.

Por sua vez, os alunos – cuja representatividade política não me parece claramente definida haja visto o documento apócrifo publicizando as reivindicações logo no início do movimento (afinal, o DCE assumiu a liderança do movimento?) –, não parecem dispostos a aceitar a exigência da Reitoria, pretendendo inclusive explicitação de sua posição face aos decretos governamentais, o que parece ter sido atendido com o documento subscrito pelos três reitores das universidades estaduais, divulgado pela mídia impressa e eletrônica no final da semana passada e inserido no site da USP.

Diante do prosseguimento do impasse, à Reitoria pareceu não restar outra solução que não fosse recorrer à justiça para recuperar a posse do prédio. Se não o fizesse, poderia ser judicialmente interpelada, inclusive pelo Ministério Público, por improbidade administrativa.

Decisão judicial determinou a reintegração. Cabe, portanto, o cumprimento da decisão, como se espera no estado democrático de direito.

Não sejamos ingênuos, porém: a execução da decisão judicial implica recurso ao poder coercitivo, cuja atribuição é da competência legal da Polícia Militar. Sabemos que, se houver resistência dos alunos – e tudo indica que possa haver – as conseqüências poderão ser imprevisíveis, sobretudo para a integridade física de quem quer que seja e, no mínimo, para a preservação do patrimônio público e tudo o mais que esteja sob a guarda e tutela das autoridades universitárias, como documentos e registros oficiais.

Não sem razão, a comunidade uspiana guarda em sua memória as intervenções violentas da polícia (civil e militar) durante a ditadura. Tem motivos para desconfiar do apelo ao poder coercitivo mediante o uso – ainda que legítimo porque regulamentado no estado democrático de direito – da violência, mesmo que seja para o cumprimento de decisão judicial. Essa a razão pela qual foi produzida a moção, por iniciativa de docentes da FFLCH, que refuta “qualquer ação violenta de desocupação do prédio”.

Refleti sobre o documento e decidi não subscrevê-lo, porque creio que ele é insatisfatório. Ele silencia sobre questão fundamental. Ao silenciar, hesita sobre o papel das leis e do direito em sociedades democráticas.

De fato, também guardo profundas desconfianças quanto ao recurso à polícia militar. Igualmente receio que seu emprego possa produzir resultados indesejados, mormente porque – os estudos que venho desenvolvendo assim o indicam – não estou convencido de que a polícia militar possa exercer seu papel – neste caso, o de cumprir decisão judicial – sem apelo ao uso abusivo da força física.

E, se compararmos a experiência internacional, por mais preparadas que as forças policiais sejam não é raro que intervenções em movimentos de protesto coletivo resultem em feridos, quando não em mortos. Inclino-me também à solução negociada.

O que a moção não diz é como a decisão judicial vai ser cumprida sem o recurso ao poder coercitivo, enquanto a resistência à desocupação se mantiver.
Esse silêncio pode ser interpretado de vários modos.

Chamo a atenção para apenas três: primeiramente, a moção não aceita a decisão judicial. Bem, em tese, isso é legítimo. Se é assim, por que não propôs, como seria esperado no estado democrático de direito, o recurso à instância judicial superior para barrar os efeitos da decisão? Assim, seria suspenso o cumprimento da decisão e as negociações correriam por conta do livre jogo político.

Poder-se-ia argumentar que a intermediação judicial é morosa. Todavia, não tem sido assim em casos de extrema urgência política, que envolvem decisões que não podem ser postergadas, tanto assim que o pedido de reintegração de posse mereceu resposta imediata. Eu confesso que me sentiria mais confortável se poucas palavras tivessem sido ditas a respeito.

Alternativamente, a moção reconhece a decisão judicial e indica por que meios o poder coercitivo vai ser exercido já que negociação e entendimento, por sua própria natureza, estão excluídos dessa modalidade de poder. Certamente, é preciso certa dose de imaginação política para anunciá-los, mas nunca é demais tentar essa sorte de “poder coercitivo alternativo”.

Mais preocupante, no entanto, é que o silêncio – seja quais forem suas razões – pode sugerir que a moção não reconhece legitimidade à intermediação judicial. Neste caso, pode-se estar sugerindo que a Reitoria não deveria ter ido bater à porta do poder judiciário. Mas, se ela não fosse, estaria deixando de cumprir leis que reclamam deveres e responsabilidades no trato da coisa pública.

Em outras palavras, poder-se-ia estar dizendo que a negociação, em uma sociedade democrática, prescinde de leis, de pactos, da resolução de conflitos pelas vias institucionalmente reconhecidas como imperativas porque legítimas já que legitimadas pelo processo político que as assim constituiu.

Se eu, em um exercício algo arbitrário de aproximação, transpuser esse raciocínio para o domínio da violência urbana – com todo o cenário que os(as) colegas bem conhecem e acompanham, se não através de estudos que alcançam os mais variados objetos ao menos através do noticiário cotidiano – serei levado a descrer nas leis, nas agências encarregadas de controle da ordem pública e deslegitimar a justiça criminal como o lugar onde – a despeito de todas as críticas que vimos acumulando nas duas últimas décadas – é possível enfrentar os problemas e lutar por resolvê-los, ou seja encontrar saídas no interior da ordem constituída e não en dehors.

Caso contrário, paradoxalmente, eu serei levado a atribuir a uma certa ordem natural – o jogo de forças que inclusive apelo para as armamentos cada vez mais poderosos, a “guerra de todos contra todos” etc. – o lugar onde o consenso pode ser conquistado (já que estamos em guerra).

Não há solução para o problema da violência e do crime urbano que não passe pela polícia e pela justiça criminal; não há solução, neste domínio, que possa prescindir do uso da força e do poder coercitivo legitimamente constituído, emprego esse utilizado por quem legalmente investido para tanto e exercido de modo responsável, com respeito aos limites legais, com prestação de contas à sociedade civil e com a mais resoluta recusa às formas abusivas e excessivas de seu emprego.

Não é o poder coercitivo que é ilegítimo ou moralmente reprovável por sua própria natureza; o que o torna ilegítimo é ou a ilegitimidade de quem o emprega por não estar legalmente investido, ou a forma arbitrária ou violenta de que se reveste.

Em suma, entendo que há sim violência nos acontecimentos envolvendo a ocupação do prédio da Reitoria porque os atores não estão legalmente investidos do direito de recurso à violência para solução de conflitos nas relações sociais e institucionais.

Mais preocupante é constatar que o apelo à violência coloca a comunidade universitária no mesmo espaço jornalístico destinado à violência urbana cotidiana. Ao invés de comparecer ao caderno de cultura, destinado à produção da obra de arte e da ciência e tecnologia, passássemos agora a fazer figuração no noticiário policial.

Espero que este não seja o prenúncio final de um projeto grandioso que começou com uma elite política de vanguarda, visionária e capaz de pensar um projeto de universidade décadas à frente – como foi o projeto de criação da USP – e culmine tristemente numa grande repartição pública tocada por “especialistas sem espírito, gozadores sem coração” (Weber).

No impasse da USP, não há solução que não passe pela recusa à violência, parta de onde vier. Mas, igualmente, não há solução que passe pela suspensão das leis e das decisões judiciais. Não há meia-democracia, senão seremos levados a dizer que há meia-ditadura.

Espero que a multiplicação de atores, para além da universidade – classe política, OAB e Ministério Público – possa ajudar a desfazer o nó. Está nas mãos dos alunos demonstrarem maturidade política neste delicado momento. A desocupação do prédio é o melhor sinal na disposição para negociar.

Não se trata aqui de contabilizar vitórias e derrotas. Para os alunos, a mobilização da sociedade e sua encenação no espaço público, inclusive mediático, colocam em evidência suas reivindicações para além dos muros da USP. Pressionam pela discussão de temas candentes como o das relações entre o governo de estado e as universidades.

Contribuem, ainda que de modo torto, para a composição da agenda política. Para as autoridades universitárias, a dura lição das ruas – a da urgência política, a do diálogo permanente, constante e mediado com todas as lideranças da universidade, sem o que episódios e acontecimentos como este tenderão a se repetir com mais e maior freqüência.

Por fim, espero que:

1 – as negociações desta segunda-feira (21/05) cheguem a bom termo, o que inclui a desocupação do prédio;

2 – seja restabelecida a liderança legítima do movimento estudantil;

3 – seja constituída uma comissão de alunos, professores e funcionários para encaminhamento das demandas, mais propriamente relacionadas com as condições de trabalho, de ensino e de pesquisa;

4 – seja constituída uma comissão, igualmente tripartite, para estudar com maior densidade as iniciativas do governo estadual para que se possa compreender seu alcance e extensão, inclusive eventuais motivações latentes, não manifestas;

5 – que se possa, mais à frente, mobilizar, ao menos a comunidade da USP, para refletir sobre um projeto universitário para as próximas décadas.’

Em tempo: o decreto de Serra pode ser lido em http://info.fazenda.sp.gov.br/NXT/gateway.dll
/legislacao_financeira/financ_estadual/Decreto%2051.461.htm

P.S. Para aliviar o clima:

Os jornais de ontem noticiaram que se descobriu que o ultra-respeitado jornalista e escritor polonês Riszard Kapuscinski, recentemente falecido aos 75 anos, foi informante dos serviços secretos da ditadura em seu país entre 1967 e 1972. A informação apareceu primeiro na revista Newsweek. Sabem como o redator da Folha chamou a publicação? ‘Notícias da Semana’. Seria como se a Newsweek, ao citar a Folha de S.Paulo, desse ao jornal o nome ‘The sheet of S.Paulo’.

***

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Todos os comentários

  1. Comentou em 28/05/2007 Henrique Galvão da Silva

    A crise não é só da USP. Todas as Universidades estaduais estão envolvidas. Aliás a crise não é só da universidade, há também um decreto inconstitucional dirigido á educação fundamental que até levou alguns professores a apanharem da polícia. Ao ver uma reportagem televiziva sobre esse decreto acabava com a declaração de um político de que o ensino básico tinha dinheiro sobrando. A crise é da Educação como um todo e não se vê uma política séria para democratizar o ensino, quem sabe daqui a quatro anos, ou talvez a gente possa exigir isso AGORA!

  2. Comentou em 24/05/2007 Leda Demboscki

    Parece que o prof. Adorno espera convencer com sua escrita intrincada. Acontece que o exercício de leitura deve levar também em conta (e principalmente) o contexto em que o texto foi escrito. Aí fica fácil ver de que lado está o autor e quais ‘princípios’ ele defende.

    A sugestão para quem está perdido é dar um pulo nos sites do ‘outro lado’, quem sabe assim fica mais fácil escolher sua própria posição ao invés de esperar que a mídia providencie uma, assim, pret-a-porter…
    http://www.adusp.org.br
    http://ocupacaousp.blog.terra.com.br/

  3. Comentou em 24/05/2007 silvio cesar

    Essa ação criminosa é mero recurso de politica rasteira praticada por ‘estudantes profissionais’ e sindicalistas , essas pessoas NÃO REPRESENTAM A MAIORIA dos alunos e funcionários ,como podemos ler em diversos blogs e no proprio site da USP.
    A cobertura de maneira geral é equivocada, trata com leniencia e tolerancia os invasores e depredadores da propriedade pública.Os mesmos , colocando em pratica seus ensinamentos comuno-fascistas CONSTRANGEM a todos que não concordam com suas tresloucadas ideias , seja barrando o acesso as salas , tumultuando e perturbando aqueles que tentam ministrar suas aulas ou agredindo fisicamente como ja foi divulgado em telejornal.Para eles , ‘O direito de ir e vir é um mero direito burguês’…Quais outros ‘direitos burgueses’ estes valentes estão dispostos a abolir_contando com o apoio da ‘midia progressista e isenta’ …

  4. Comentou em 24/05/2007 Marco Costa Costa

    O pedido de reintegração de posse do imóvel da USP, democraticamente não tem validade, isto porque quem determina para a Justiça providenciar o documento de tomada da reitoria é o senhor Governador Serra. Nesse impasse, a Justiça, mais ainda a polícia não deveriam participar de jeito algum. Quem deve resolver essa pendenga são os mandatário da USP e os estudantes de comum acordo, ou seja, bom senso tem que imperar nessas horas e o acordo entre as partes tem que prevalecer, cada qual abrindo mão de 50% de suas necessidades.

  5. Comentou em 24/05/2007 Daniel Stolf

    Jose Santiago, apenas para complementar:

    Reinaldo Azevedo não é um jornalista. É um blogueiro, no real sentido da palavra, que criar factóides para gerar polêmicas e ganhar cliques. Da mesma maneira que os blogueiros adolescentes fazem.

  6. Comentou em 24/05/2007 Daniel Stolf

    Caro Professor Jose Santiago,

    Reinaldo Azevedo vem apresentando uma cobertura BEM enviezada, inventando inclusive mentiras.

    A tempos venho cobrando dele, através do sistema de comentários de se blogue, uma cobertura do campus de São Carlos, onde mais de mil alunos (sabe o que isso representa lá?) decidiram pela greve estudantil em favor da ocupação. Lá os institutos estão parando um a um, sala por sala.

    Lá também ele não pode usar o estereótipo do aluno hipponga de curso de humanas, Não temos curso de humanas lá, apenas ciências e engenharia. Inclusive a maioria votou no Serra, veja só. Gostaria de ver o que ele faria de lá, sem apelar para ataques infantis como Mafaldinhas e Remelentos.

    Heis que ele comenta, sim, a situação em São Carlos, citando uma ordem judicial que é uma resposta a uma ocupação feita no bloco 5 da Engenharia, ocupação feitas meses atrás, devidos à super-lotação dos alojamentos. Sabia que São Carlos agora tem um SEGUNDO campus da USP, sem que se tenha construído sequer um prédio de alojamento a mais?

    De qualquer maneira, a ordem judicial é uma resposta a um ato que occoreu meses atrás. Mas ele faz a relação com a invasão da reitoria.

    Nem sequer cita a greve espontânea que lá se forma, de sala em sala. Cada sala se reúne e decide pela greve, ou não.

    Como lideranças de esquerdas se infiltrariam nas reuniões que acontecem entre as salas?

  7. Comentou em 24/05/2007 fabricio britto goyannes

    Ontem, tive a oportunidade de assistir aos telejornais da Rede Bandeirantes, Record e Globo acerca das manifestações em todo país. Infelizmente, a mídia em sua totalidade assume um papel covarde contra os movimentos de lutas das classes trabalhadoras contra certas decisões de governos insanos. No caso da USP, uma decisão do governador José Serra. Ao culpar sindicalistas, as emissoras estão ajudando a acabar com o movimento sindical, cada vez mais suprimido. Em nenhuma cobertura houve uma entrevista sequer com as pessoas envolvidas no movimento. Absurdo. Uma imprensa totalmente contra o povo. A Bandeirantes em seu telejornal chegou a sugerir que os alunos ‘que estudam de graça’. Querendo jogar na cara, como se fosse um favor a gratuidade do ensino. Resumindo, a culpa da precariedade da educação é dos alunos? Isto que a mídia quer empurrar goela abaixo. Ou então dos movimentos sindicais. Aqueles que comem criancinhas. No Rio de Janeiro, a prefeitura quer acabar com a reprovação no ensino fundamental. Em um movimento que estavam presentes professores, pais e alunos indo contra esta mudança insana, a imprensa não mostrou, em nenhum momento, um depoimento sequer das pessoas envolvidas na luta. Para a imprensa brasileira, temos que continuar sendo massa de manobra das elites. Triste demais.

  8. Comentou em 24/05/2007 Márcio Tragglia

    Estou impressionando com os recursos retóricos utilizados pelo professor Sérgio Adorno para justificar e nos persuadir da correção de sua atitude visivelmente conservadora. Os antigos advogados romanos chamavam esse tipo de recurso discursivo de ‘subtilitas’, e acredito que o professor Adorno foi realmente sutil ao querer enredar o leitor e persuadi-lo acerca da ilegitimidade da ocupação estudantil da reitoria. O grande estudioso da violência urbana, assim como considera que a vida na favela não é infeliz e livre de alegrias pequenas, passa agora a estender o seu elogio ao Estado Democrático de Direito, o qual, sabemos todos, está longe de existir no Brasil. Certamente em outras ocasiões o mesmo professor defenderia o uso da violência por aqueles que nele não estão investidos. Para encerrar, gostaria de parabenizar o professor Adorno pela oratória invulgar e sugeriria que ele não desperdiçasse seu tempo com as Ciências Sociais, mas que lecionasse Retórica Pragmática Jurídica em alguma universidade de elite. Ele poderia inclusive usar como bode expiatório o livro Guerra Civil, cujo conteúdo é o oposto do que pensa o professor Adorno, defensor do estado Democrático Direito que gera a violência urbana por ele estudada, e que lhe dá o pão de cada dia. Se as instituições democráticas caíssem, professor, como viveríeis, sem o seu objeto de estudo por elas criado?

  9. Comentou em 24/05/2007 FELIPE GUERRA

    Muito bem lembrado pelo amigo abaixo, sou estudante da FATEC-SP e desque que lá entrei, em Janeiro de 2004, sinto na pele o sucateamento do ensino público, claramente o governo do estado expande descontroladamente as vagas nas FATEC´s (por isso que o amigo aí embaixo diz que ela representa 30 das vagas no ensino público do estado de SP), porém, sem aumentar as verbas na mesma proporção… só para ilustrar, LÁ FALTA PAPEL HIGIÊNICO, PROFESSOR, EQUIPAMENTOS, COMPUTADORES, UM RU – RESTAURANTE UNIVERSITÁRIO, UM PROGRAMA DE AUXÍLIO MORADIA, enfim, falta tudo. Mas para esse governo que aí está (e para a direção do Centro Paula Souza, autarquia responsável pelas FATECs), nada disso importa, pois, como eles fazem questão de lembrar, ‘MAIS DE 90 DOS ALUNOS ESTÃO EMPREGADOS’ e eu complemento, ‘DANE-SE O RESTO’!! É uma grande piada esse desgoverno SERRA, aliás, em termos de educação, seus antecessores também…

  10. Comentou em 24/05/2007 Jose Santiago

    Bom texto. Houve apenas um jornalista que deu cobertura detalhada e analítica ao caso, seguindo todos os procedimentos por você cobrados. Foi Reinaldo Azevedo, no blog http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/

    Obrigado pela atenção.

  11. Comentou em 24/05/2007 Fernando Monteiro

    Concordo com sua análise da cobertura da imprensa. Só gostaria de retificar que são sim decretoS, três decretos mais especificamente: nº51.460, o nº 51.461 e nº 51.471. Consulte http://ocupacaousp.blog.terra.com.br/entenda_a_gravidade_dos_ataques_de_serra . Sobre o texto do prof. Adorno, lamento que sua análise sobre violência se reduza ao que é ou não aceito do ponto de vista do Estado Democrático de Direito. Lamento que considere uma eventual ação violenta da polícia como legítima, por ser o Estado o detentor do monopólio do exercício da violência; e a ação dos estudantes ilegítima por não estarem legalmente investidos do direito à violência. Lamento principalmente que considere o Estado Democrático de Direito, tal como está posto, como paradigma de uma plena democracia, que seu pleno exercício implicaria numa plena sociedade democrática. Lamento que um notável sociólogo uspiano acredite que esta concepção do Estado como uma pura instrumentalidade, como uma pura racionalidade, totalmente cindida dos processos sociais, não seja ideológica e parcial.

  12. Comentou em 24/05/2007 Thomaz Foz

    Creio que nos resta um debate a fazer tendo em vista a situação da
    USP, onde nota-se o limiar entre o legal e o moral.

    Hesita-se sobre o papel das leis e do direito em sociedades
    democráticas. O pedido de reintegração de posse se mostrou necessário e a decisão judicial ‘indica por que meios o poder coercitivo vai ser exercido já que negociação e entendimento, por sua própria natureza, estão excluídos dessa modalidade de poder.’

    ‘A negociação, em uma sociedade democrática,’ realmente, ‘prescinde de leis, de pactos, da resolução de conflitos pelas vias institucionalmente reconhecidas como imperativas porque legítimas já
    que legitimadas pelo processo político que as assim constituiu.’ Porém, isto não atesta a moralidade.

    ‘Em suma, entendo que há sim violência nos acontecimentos envolvendo aocupação do prédio da Reitoria porque os atores não estão legalmente investidos do direito de recurso à violência para solução de conflitos nas relações sociais e institucionais.’ Não querendo justificar meios pelos fins, mas sim reforçando que diante de medidas tão autoritárias e truculentas – se não violentas! – que são tais decretos, e reforço INCONSTITUCIONAIS, impingidos pelo Gov. Serra, não seria este instrumento – a ocupação – um meio legítimo e moral de protesto, ou seja, um momento em que se para a universidade e se abre para o debate e a discussão?

  13. Comentou em 23/05/2007 Sean Purdy

    O professor Sergio decidiu não assinar o abaixo-assinado de professores da USP apoiando os alunos. Tudo bem. Ele tem todo direito. Mas apesar do seu discurso sobre as reinvindicações dos alunos, autonomia universitária, etc. não devemos ter nenhuma ilusão que ele está neutro nessa questão, De fato, assinou um outro abaixo-assinado de professores que está circulando na Internet que condena a ocupação e pede seu fim e, eu argumentaria, dá legitimidade não só para o governo de Serra e seus apoiadores na USP, mas também para uma invasão da polícia no campus. Em realidade, escolheu ficar no lado de reacionários da USP que não ligam nada sobre as demandas legítimas dos alunos, funcionários e uma boa parte dos professores.

  14. Comentou em 23/05/2007 Thomaz Foz

    Tenho dois ponto a expor:

    Primeiro sobre o seguinte trecho da reportagem ’25 anos depois, estudante leva a mãe para a invasão’ da Folha de São Paulo:

    ‘Esse novo movimento estudantil apareceu há 20 dias, quando 120 alunos dirigiram-se à reitoria da universidade para entregar um documento com reivindicações. Como não encontraram a reitora Suely Vilela, que estava viajando, resolveram invadir o local –assim, meio na louca. E a coisa começou a crescer, sem controle, e sem interlocutores.’

    Na realidade os estudantes haviam convidado a reitora Suely Vilela para discutir os decretos e a autonomia em audiência pública, abertamente. No entanto, ela avisou que não compareceria, pois estaria fora do Brasil, então a reitoria confirmou presença de um representante. Na data marcada (16h do dia 3) ele não compareceu.

    Os estudantes decidiram caminhar à reitoria para apresentar ao vice-reitor sua pauta de reivindicações. A segurança do prédio tentou impedir a entrada dos estudantes, que decidiram ocupar o prédio para se fazer ouvir após meses de tentativa.

    Ao iniciar a ocupação do prédio da reitoria da Universidade de São Paulo (USP) (em 3/5, às 17h30), os estudantes-ocupantes organizaram-se em comissões: Alimentação, Comunicação, Limpeza e Segurança. Uma das primeiras a se constituir foi a de Comunicação, formada para o atendimento à imprensa no local.

  15. Comentou em 23/05/2007 Luis Neubern

    Gostaria de convidar o professor Haroldo Arruda, do post abaixo, a dar umas voltinhas pelo campus da USP e verificar que a esmagadora maioria dos professores e alunos são contrários a greve e a tomada da reitoria. Querem trabalhar e estudar. Estranho, não professor?

  16. Comentou em 23/05/2007 Anatalia Fontes

    Movimento político se resolve com política e não com polícia. Onde estão os nobres deputados, que sequer foram ao campus para conhecer dos fatos?

  17. Comentou em 23/05/2007 Gilberto lopes da silveira lopes da silveira

    Caro Sr. Adorno, seu rebuscado raciocinío apenas se projetou no mundo real como sombra. Não expressa qualquer sentimento de educação social real. Quando um motorista nos fecha, e somos obrigados a uma manobra brusca para evitar um acidente, o instinto, o reflexo nos orientou , nos salvou. Se tivessemos que exercitar um raciocínio equilibrante de tons e palavras para então termos um ‘insight reflexivo ‘provavelmente nos acidentaríamos. O inconciente coletivo , no caso movimento estudantil é que gira este motor de indignação que se aflora nesta forma de depredação. Sim o jogo não são as leis por que estas são contraditórias e visam a quem ás le e estuda. As leis são de mão única. Quem pode tem, Quem edita os jornais mente . e quem escreve não fala a verdade. O homem é predador. destrói, mata em nome da democracia de mercado. Cria guerras em nome de mentiras lá no outro lado do mundo, e aqui deste lado a mídia perfuma a depredação. Depreda o inconsciente coletivo, incentivando o predadorismo. A corrupção sobrevive, porque a ganancia é a predadora dos que nada tem. Eu predo e sou o Sr. fulano de tal… olha o meu poder. Ministro de justiça, Desembargadores predam as leis, vedem liminares predando a justiça . Os marqueteiros de políticos, e de produtos predam os eleitores vestindo com pele de cordeiro o lobo. A isto chamam de democracia. Te assustei ! Pensa .

  18. Comentou em 23/05/2007 Ivan Moraes

    ‘. O que parece é que há uma tentativa, de todas as maneiras, de se atingir Serra.’: !!!!! Como eh que eh?! Entao os jornais comecam a preprogramar a populacao pro espancamento nos estudantes que se opoem aa PPP pela policia militar e a culpa nao eh de Serra??????????? Ah, sim, deve ser do sargento, so pode ser do sargento. Ele ja foi garcon tambem?

  19. Comentou em 23/05/2007 Daniel Stolf

    Cinthia,

    A reitora poderia não ter cedido e nenhum dos pontos que cedeu, bastava dar uma declaração pública afirmando se concordava ou não com cada um dos decretos do governador. Não, discordar, apenas afirmar publicamente sua opinião.

    Ao que parece, ela não quer mentir, mas também não quer afrontar o chefe. Por isso não se pronuncia.

  20. Comentou em 23/05/2007 Othon Abrahao

    Luiz, mais interessante ainda, dentro do clima de folhetim em que as notícias são vendidas, é observarmos as manifestações nos comentários contidos na Internet. Cheguei a ler pessoas desafiando a polícia a ‘baixar o cacetete nos estudantes, como fariam se fossem pobres ou do MST’, ou repudiando a depredação(?) do patrimônio público. Tem gente que acha que a violência contra os ocupantes seria justificável! Alguns colegas, informados por coisas como a Veja e Folha, chegaram a chamar os estudantes de geração toddynho, pois nem saberiam o que fazem lá. A imprensa merece um bom puxão de orelha, mais uma vez.

  21. Comentou em 23/05/2007 Cinthia Gonçalves Pereira

    Primeiramente, gostaria de parabenizar o excelente artigo do Professor Sérgio Adorno que tratou da questão com a lucidez necessária, diferentemente do que vem fazendo a mídia em geral.
    A principal questão sobre a ocupação da reitoria da USP é a forma que foi realizada e as reivindicações dos estudantes. Quanto ao decreto do governador José Serra, a questão é abrangente e sem dúvida restringe a autonomia universitária. Entretanto, juntamente com a exigência dos ocupantes para um posicionamento da reitoria, estão outras reivindicações, tais como aumento das vagas em moradia estudantil, circulação de ônibus e ‘bandejão’ durante os finais de semana, dentre outras, ampliando o rol de requerimentos.
    Realmente violência não se reage com violência e não acredito que essa seja a posição da reitoria. Não se trata aqui de defender um ou outro lado, mas de salientar as tentativas de negociação feitas tanto pela reitoria como até mesmo pela Polícia Militar (pasmem!).
    Há que se questionar todos os aspectos da situação delicada que atinge a USP : o decreto do governador, a obediência à lei, que prevê em casos como este a possibilidade de adoção de medidas coercitivas e o respeito a um Estado Democrático de Direito.
    É lamentável que a situação tenha chegado a tal ponto, desvirtuando o debate sobre tais questões.

  22. Comentou em 23/05/2007 Pablo Vilarnovo

    Há um equívoco nos comentários. Não foi Serra que determinou o uso da polícia – nem o autor do texto fala isso. Serra não pode fazer isso, não possui essa competência restrita da Reitora da USP.
    Reitora essa que foi eleita em votação na Universidade e empossada por Alkimim.
    Portanto não é ‘gente do Serra’ na USP. Aliás, há a bronca de muitos professores da USP em relação a atuação por demais ‘frouxa’ da Reitora no caso da ocupação.

    O pedido de reintegração de posse partiu da Reitoria dentro de suas atribuições e observando os princípios de Autonomia.

    O que parece é que há uma tentativa, de todas as maneiras, de se atingir Serra. Até agora não se conseguiu, por isso o movimento continua. As demandas crescem exponencialmente. Já há uma, até, que pede que os alunos não possam ser mais jubilados. Querem ter alunos profissionais.

    Infelizmente esses jovens foram cooptados por partidos políticos como PSTU e PSOL. São os novos Homens-massa.

  23. Comentou em 23/05/2007 Paula Milkevicz

    Checar a verdade dos fatos, está passando longe das redações dos jornais e revistas. É muito mais fácil inventar, mesmo criando esteriótipos e alimentando o preconceito. Fiquei chocada com a ‘reportagem’ feita pela Folha no sábado na reitoria da USP: o tal repórter chamou os alunos de chineludos e outros termos preconceituosos, mas se ‘esqueceu’ de perguntar quais eram as reivindicações. Agora, com o espantoso crescimento da popularidade dos alunos que invadiram a reitoria, são obrigados a noticiar os fatos que assumiram uma proporção inesperada, inclusive conquistando a simpatia de uma parcela da população. Já o governador, deu o maior tiro no pé jamais visto nesse estado e vai ter que consertar ou melhor, limpar o que sujou

  24. Comentou em 23/05/2007 Avelino de Oliveira

    Que tal uma Lei que obrigue ambos a negociarem, e não lado a um ficar aguardando que ela se estenda para vencer pelo esgotamento da demora?

  25. Comentou em 23/05/2007 ciro araujo

    E só para complementar, quando as leis são ilegítimas, quando privilegiam uma parcela conhecida da sociedade, a ponto de ser moeda corrente a frase ‘não está contente, vá procurar seus direitos’, ou ‘para os amigos tudo, para os inimigos a lei’, não passa a ser legítima a desobediência civil, que é onde melhor se encaixa a ocupação da reitoria, e não uma manifestação de violência como quer nosso respeitável professor de sociologia?

  26. Comentou em 23/05/2007 Almir Costa

    Parabéns, grande ‘Luiz Weis’ pelo seu esclarecimento… que acende uma luz no fim do túnel nesse mundo ‘globalizado’ onde as ´informações´ dos nossos ´meios´ de comunicação tradicionais trazem as vezes – não informação mas, ângulo de um fato que melhor convier aos interesses dos patrocinadores desse ‘meio’- … Vou divulgar seu importante comentário.
    Parabéns!

  27. Comentou em 23/05/2007 ciro araujo

    Quer dizer que o ilustre sr. prof. dr. Sérgio Adorno vem agora, por tergiversantes e hiperbólicas linhas ressuscitar que a questão social é caso de polícia? Os estudantes que são destratados há anos pelos reitores, agora que chegaram ao limite são comparados a criminosos comuns? É realmente necessário escrever em ‘academiquês’ para tentar disfarçar sua posição, vamos dizer, conservadora.

  28. Comentou em 23/05/2007 Daniel Stolf

    Vejo que o jornalista autor desse artigo tem ligações com várias das redações dos periódicos que insistem em atacar um movimento estudantil legítimo.

    Fica o pedido por um artigo comentando seus contatos com os jornalistas da Veja, Folha e Estado. O que se houve dessas pessoas? Elas realmente mantém essa opinião?

    É possível criar um debate aberto com esses jornalistas que criticam o movimento estudantil e protegem Serra? É fácil apresentar absurdos quando se tem a opção de não responder as críticas… quero ver se virar em um debate.

  29. Comentou em 23/05/2007 Haroldo Arruda

    Quanto ao texto do professor Sérgio Adorno, acho que ele deveria ir ao local. Lá estão ou estiveram outros colegas professores. Alfredo Bosi, Paulo Arantes, Yudith Rosenbaum, Cilaine Alves Cunha, Otília Arantes, José Miguel Wisnik. Não sei se o professor Adorno sabe, mas há aulas dentro da reitoria ocupada. Muitos professores que, como consta no site da ADUSP de hoje 23/05/07, aderiram à greve por tempo indeterminado estão lá fazendo debates e ministrando aulas para todos aqueles que querem ouvir. Não raro, funcionários estão interessadíssimos em saber sobre História da Arte e Arquitetura pela suave voz da professora Vera Pallamin da FAU. Hoje à noite haverá aula ‘Tempo e história: em torno da Revolução Francesa’ com a professora titular de Filosofia Política Maria das Graças de Souza. Sérgio Adorno, em minha opinião, deveria fazer o mesmo: usar sua extrema lucidez para ver o quão inconstitucionais são os decretos do governador e legitimar o movimento grevista dos colegas que defendem a autonomia universitária, essa sim, prova cabal de uma sociedade realmente democrática contrária à força unilateral do Governado do Estado de São Paulo. Parabéns ao Luiz Weis por servir de orientador de nossos jornais, tão pífios em suas coberturas.

  30. Comentou em 23/05/2007 Haroldo Arruda

    As reflexões do jornalista Luiz Weis acertam em cheio um problema enfrentado pela mídia no caso da ocupação da USP: as reportagens estão mais preocupadas em polemizar. Lembro-me de uma reportagem da Folha de São Paulo que falava em bando ‘chineludos’, ‘maria-mijonas’ e filhinhos com ‘paletós do papai’ – o jornalista comparava a ocupação da Reitoria à fantática fábrica de chocolates Wonka. Sem contar o editorial do Estado de São Paulo que, fazendo jus a sua prática positivista, queria ordem e punição contra os ‘invasores’ e ‘vandalos’. Os decretos 51.460, 51.461, 51.471, 51.636 e 51.660 pouco e nada apareceram. Fala-se mais sobre o impasse sem jamais buscar o entendimento das causas do mesmo. Os decretos do governador Serra implicam numa trama de conceitos que fragmenta a antiga Secretaria de Educação em Secretaria de Desenvolvimento e a Secretaria de Ensino Superior. Vale à pena observar que o Centro Paula Souza, as FATEC´s, passa para a Secretaria de Desenvolvimento como num passe de mágica. Por que as FATEC´s, que representam 30% das vagas de ensino superior públicas, deixam de fazer parte da pasta de Ensino Superior ?
    A leitura atenta dos decretos é imprescindível, lá ficamos sabendo que o Governo do Estado de São Paulo quer privilegiar a ‘área operacional’ das universidades em detrimento da pesquisa básica. Ora, alguém consegue imaginar uma universidade sem pesquisa?

  31. Comentou em 23/05/2007 Gisele Toassa

    Estive ontem na ocupação. a idéia de que os alunos pretendem resistir à força bruta é simplesmente ridícula. O clima é de resistência pacífica, e há muitas mulheres presentes. Nenhuma arma nem nada que a imprensa histericamente noticia. Isso seria subestimar um movimento estudantil que dá provas de uma excelente organização.

  32. Comentou em 23/05/2007 Edward Wilson Martins

    Péssima a idéia e mais ainda a ação de invasão da Reitoria para o ato de reivindicar e chamar a atenção da opinião pública para um debate sobre a propalada e mal esclarecida ‘perda da autonomia’. Os artigos são excelentes e foram os que de mais lúcidos li a respeito dos assuntos enfocados e mostram mais uma vez o despreparo de muitos jornalistas na cobertura de questões mais complexas e que exigem cultura, informação, pesquisa e investigação. É fácil cobrir uma ‘invasão’, depois uma ‘reintegração mediante força policial’. Simplório, até. Continuo desinformado sobre se houve mesmo perda da autonomia (alguém pode escrever contando tudo???). Da mesma forma continuo desinformado daquela propalada e ridícula ‘Emenda Três’, sobre o Fiscal/Juiz, tento obter esclarecimentos e não consigo, nem mesmo de colegas técnicos e do ramo. É isso aí, é o que temos hoje em matéria de informação mais minuciosa e técnica, que o OI mais uma vez desnuda e toca com propriedade e lucidez.

  33. Comentou em 23/05/2007 Ivan Moraes

    Porque eh que Serra nao da uma mancada pesada (como a que certas publicacoes estao sugerindo) DEPOIS de tirar Aecio do caminho? Pelo menos assim nos livramos dos dois. Enquanto isso, os estudantes estao protestando, entre outras coisas que de maneira alguma ficaram claras para o publico, as ‘parcerias’ publico-privadas. Eh evidente que eles estao protestando a futura privatizacao de escolas publica. Escolas brasileiras ja ‘fichavam’ alunos inadimplentes e destruiam seus creditos no Brasil inteiro ha anos atraz porque os alunos nao tinham condicoes de pagar. (tou com a lngua cocando pra falar mais)

  34. Comentou em 23/05/2007 Daniel Stolf

    Impressionante o péssimo jornalismo que a Folha e a Veja vêm fazendo…. Ando enviando links desse sítio para a redação de ambas as publicações… quem sabe se tocam…

    Confesso que tinha em minha mente ma boa imagem de ambos os periódicos citados, mas depois das recentes reportagens depredando a imagem da USP, universidade em que estudei, confesso que comecei a sentir uma grande decepcção com o jornalismo nacional.

  35. Comentou em 23/05/2007 Dante Caleffi

    Folha e Estadão,agem, protegendo o ‘presidente stand-bay’,José Serra.
    Estão certos:preservar os investimentos.Obtidos , é bem verdade, a preço módico,R$1,7milhões,se não falha o cálculo do delegado Bruno,fora , a mão de obra, claro. Uma administração,sem riscos de ‘perseguição’jornalística. Lembram da ‘cratera do metrô’? Tão remota a lembrança…Não terá ocorrido no govêrno….sei,lá! Essa é a ‘eficiência’ da informaçãoAí ,se encontra ,a integridade dos ‘publixeiros’Nela, esvai a coragem do repórter

  36. Comentou em 23/05/2007 Marco Costa Costa

    Deixaram a situação na USP chegar a esse ponto de descredito dos estudantes sobre a falta de dialogo com a Reitoria, demostra o quanto essa gente de comando é autoritária e negligente com os problemas que afetam a todos naquele templo do saber. Ninguém em Sá consciência poria em risco a integridade moral e física de terceiros usando barricadas para se protegerem da truculenta polícia paulista, pôr sinal uma das mais violentas do mundo. No decorrer do artigo um dos colaboradores coloca os estudantes como agentes de um ato de ocupação o qual provoca um apelo a violência, não se pode esquecer que os violentos nessa história são os comandantes Serra, Secretário de Educação e seus auxiliares que estão no comando da USP, caso de antemão houvesse ocorrido um dialogo com os discentes e os docentes, com certeza, não haveria necessidade desse impasse chegar ao ponto de uma desocupação forçada, quem sabe a base do cacete. Estou solidário às reivindicações dos alunos, professores e funcionário e repudio a interferência nada correta do senhor Serra, que pôr sinal um dia foi representante mor dos estudantes da época. Se ocorrer um ato violento aí saberemos definir qual o tipo de sistema estamos vivendo.

  37. Comentou em 23/05/2007 Paulo Bandarra

    O mais pitoresco é o Serra, lider estudantil do passado, pode mandar invadir a universidade com os gorilas da segurança! Nada como um dia depois do outro! Como FHC, professor universitária, maltratou o ensino universitário! Como Lula, promotor de greves, agora ser contra a greve!

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