Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

CÓDIGO ABERTO > Desativado

A ditadura não começou em 1968

Por Luiz Weis em 08/12/2008 | comentários

Boa sacada, a do Globo, de marcar os 40 anos do AI-5 com uma série de matérias sobre “o traje civil da ditadura militar”. Como diz a chamada da primeira delas, do repórter Chico Otavio, “a ditadura não estava sozinha quando iniciou os anos de chumbo no Brasil. Seja com apoio aberto ou indiferença, a sociedade civil fez sua parte”.


Fez a sua parte, antes de mais nada, para a consumação do golpe de 1964, de que o AI-5 foi o paroxismo – mas não uma excrescência, ou um desvio aberrante da lógica do regime.


O Estado de S.Paulo, a propósito, deu ao caderno especial sobre a infâmia de 13 de dezembro de 1968 o título “A liberdade assassinada”. Na realidade, o trucidamento começou no 1º de abril de quatro anos antes, com a derrubada do presidente João Goulart. Presidente “constitucional”, assinala em boa hora o texto de abertura de Carlos Marchi, no jornal que nunca se arrependeu de sua participação no golpe a que chamaria de “revolução”.


A rememoração desta semana, portanto, requer não só que se respeite o calendário da história, mas também, quando se destaca a pressurosa colaboração civil para a plenitude da ditadura, como faz o Globo, que não se omita a inestimável contribuição da mídia para o seu advento.


Se a recusa do Estado a se autocensurar, e a encobrir a censura que lhe foi imposta na sequência do Ato 5, foi o melhor momento de sua história, o pior momento da história da imprensa brasileira foi a sua cumplicidade ativa, em nome da democracia, na construção do seu oposto.


À época, é bem verdade, forças sociais antagônicas entre si compartilhavam no Brasil do pouco-caso pela democracia como valor universal.


Para a direita com que a imprensa se alinhara, a supressão das liberdades democráticas era um preço até módico a se pagar contra os projetos progressistas – as “reformas de base” – do governo Goulart. Para ampla parcela da esquerda, a democracia dita burguesa era uma barreira ao progresso social. “Liberdade sem comida/ é mentira/ não é verdade”, ensinava, antes do golpe, uma canção [“Zé da Silva é um homem livre”, música de Geni Marcondes e letra de Augusto Boal, gravada no disco “O povo canta”, de 1964].


Mas os ares dos tempos idos não podem servir para justificar o injustificável. Também houve época em que o trabalho escravo era aceito por muitos como parte da ordem natural das coisas. Nem por isso é menos abominável. Golpes de Estado, também.


A chamada grande imprensa, com uma única exceção, aceitou as violências do novo regime, os seus “excessos”, conforme o abjeto eufemismo em voga. Os jornais não se indignaram com a mais brutal manifestação a céu aberto do golpe recém-vitorioso: o desfile pelas ruas do Recife do sexagenário comunista Gregório Bezerra, amarrado a um veículo militar.


Estamos falando, repita-se, de 1964 – não de 1968.


A exceção foi o Correio da Manhã, do Rio de Janeiro. Golpista, tinha publicado na primeira página os editoriais “Chega”, “Basta”, “Fora”, clamando pela cabeça de Goulart. Mas, já na edição de 3 de abril de 1964, o editorial era “Terrorismo, não”, denunciando a truculência da polícia do governador carioca e arquigolpista Carlos Lacerda.


O Correio, em que escreviam jornalistas da estatura de Antonio Callado, Carlos Heitor Cony, Hermano Alves, Márcio Moreira Alves, Otto Maria Carpeaux e Paulo Francis, se transfigurou em porta-voz da oposição. Asfixiado pelo governo, morreu de inanição em junho de 1974.


Do que se publicou nestes dias sobre o AI-5, mantenha-se diante dos olhos, para que se conte a história como a história foi, o irrepreensível comentário do professor Daniel Aarão Reis, da Universidade Federal Fluminense, no Globo de domingo (7/12):




”A dimensão militar da ditadura está bem estudada. Mas ainda falta, e muito, estudar e refletir sobre a dimensão civil da ditadura. Pois a ditadura brasileira, sem nenhuma dúvida, em todos os seus momentos, foi uma ditadura militar e civil. Sem os civis, ela não teria começado, nem durado, como durou. Em uma palavra: sem os civis ela simplesmente não teria existido.”



Sem a imprensa, tampouco.

Todos os comentários

  1. Comentou em 13/12/2008 Pedro Pereira Pereira

    O revisionismo histórico está chegando tarde no Brasil.
    Não sei realmente qual o objetivo de sómente agora, apos 45 anos, divulgar o que já se sabia, que o povo apoiava os militares no contra golpe .
    Substima-se o povo brasileiro na sua firmeza em valorizar elementos que sustentem uma sociedade plural e miscigenada desde sempre.
    Cinge -a em cores em classes sociais, em genero, e de outras mil maneiras possiveis, e ela sempre dá a volta por cima e mostra o seu verdadeiro carater.
    Para os baderneiros isso é hipocrisia, para os historiadores forças econonico-socias, para o bom brasileiro, ordeiro e pagador de impostos, rico ou pobre ,é carater mesmo.
    VIvi esses 40 anos e já ouvi todas as sandices possiveis declaradas de boa ou má fé, e quanto mais afasto minhas lentes, vejo gente desmascarada se envergonhando todinha e mudando o foco do assunto para não se evaporar no éter.
    Os jornalistas devem ter a coragem de um cidadão honesto e aceitar que pontos de vista e posiçoes assumidas no passado podem ter sido erradas , de ambos os lados, e não ficar destilando ódio e rancores, pois o advento da internet foi o maior inimigo de suas proprias mentiras.

  2. Comentou em 12/12/2008 Cyro Baptista Leone Leone

    Será possivel fazer uma ditadura somente com militares?
    Os civis ficam fora! Já viram isto em algum lugar? Me parece que
    Stalin liquidou 18 milhoes de russos, e acabaram os civis. O que
    restou eram membros do partido e nao cidadaos civis? Fidel Castro
    implantou seu regime sem civis? Ou só eram civis os que foram para
    o paredon! O grupo dos onze (o do Arraes e cia), eram civis? A lista dos propiretarios de terras a serem assassinados pela milicia deste grupo dos onze eram militares? Os sem terra são militares? O Stedile
    é militar? O governo americano financiou a derrubada do presidente
    Goulart e ficou segurando a vaca para os civis brasileiros mamarem e estatizarem o pais? O sistema politico brasilieiro se tornou esquerdista de direita (como na China de hoje?). Morreram
    muitos civis durante o golpe de 64? A revolucao constitucionalista
    de 1932 nao fez mais vitimas? Regime democratico indeniza terroristas assassinos e nao indeniza seus militares?O tenente assasinado pelo Lamarca nao faz juz á indenização para sua familia? Fosse o resultado do jogo invertido, teriamos muito mais mortos? TODO MUNDO ESCREVE O QUE QUER, MAS SÓ O TEMPO É O SENHOR DA RAZAO!!! A America viveu a guerra fria, e agora desco
    bre que era feliz e nao sabia, pois a democracia economica que vem
    sendo implantada no leste europeu e na Asia está perturbando sua
    economia. Notaram???

  3. Comentou em 12/12/2008 Edilson Luiz da Silva

    A imprensa, infelizmente, continua ajudando certas ditaduras existentes no país. Veja a Tv Globo e a ligação hedionda com a CBF! A farra ocorrida no Pan quando milhões do nosso dinheiro foram gastos inexplicavelmente.

    Jamais ousaria fazer um paralelo entre as duas épocas. Porém vivemos tempos onde a informação é vital, e se ela é deturpada, mal reproduzida ou omitida, também considero uma forma dos meios de comunicação imporem sua ditadura. Quem convive com o típico brasileiro comum sabe o quanto ele desconhece das cadeias que o prendem em seu dia-a-dia.

    Lhe aguardo em meu quintal.

    QUINTALDOPROFETA.BLIG.IG.COM.BR

  4. Comentou em 12/12/2008 Lilian Teixeira

    Dica de leitura…Textos ácidos e sarcásticos, pra quem quer ficar por dentro dos assuntos políticos e dos últimos acontecimentos de forma leve.

    http://www.mosaicodelama.blogspot.com

    Boa leitura!

    * This blog can be translated to any language*

  5. Comentou em 11/12/2008 Rogério Ferraz Alencar

    ‘Sem os civis, ela não teria começado, nem durado, como durou. Em uma palavra: sem os civis ela simplesmente não teria existido.” Sem a imprensa, tampouco’. Correto. Ou seja: sem os civis, principalmente os da imprensa grande, dificilmente a ditadura se instalaria, e dificilmente se manteria por tanto tempo. A imprensa grande insuflou o golpe e manipulou notícias e opiniões para ser um dos sutentáculos dele. E tentou reviver isso com Lula. A imprensa grande simplesmente se recusa a aceitar, na presidência da República, alguém que não seja do agrado dela, que não defenda os interesses sociais e comerciais dela ou que não seja da classe dos donos dela. É bom ver a imprensa grande na berlinda. Ela mantém a desfaçatez de se colocar como neutra, revisora da história, mas a desfaçatez está mais difícil de ser sustentada.

  6. Comentou em 11/12/2008 Andre Martins

    O golpe de 64 foi antes de tudo um movimento elitista. A grande maioria do povo mal se deu conta do que estava ancontecendo. A ‘anarquia’ em que o país estava mergulhado existia apenas nas páginas dos jornais. Assim como o ‘perigo comunista’. O que de fato aconteceu é que gente como Carlos Lacerda e Magalhães Pinto, não vislumbrando a ascensão ao poder por meios democráticos, partiram para o golpe. Depois, vendo que o que eles não iriam participar do butim, se tornaram oposição.

  7. Comentou em 10/12/2008 Carlos Fochesatto

    O que mais me espanta é o cinismo da dita grande imprensa, principalmente os meios da Globo, golpista de primeira hora e grande beneficiada por por essa infame ditadura. Se hoje é a maior da midia nacional deve-se a ‘sociedade’ que fez com o regime militar.
    Não se faz história com a condicional se, mas tenho uma convicção firme de que se não tivesse havido essa interrupção democrática, hoje estaríamos numa situação muito melhor.
    Quanto aqueles viam a possibilidade do Brasir tornar-se comunista sugiro a leitura das memórias do intelectual do golpe o Gal. Golbery do Couto e Silva onde ele diz não existir nenhuma possibilidade do Brasil tornar-se comunista. Isso sem falar de que o Presidente constitucional João Goulard era um dos maiores fazendeiro do Rio Grande do Sul. É claro também não esquecendo do mando da embaixada americana ainda na época sediada no Rio de Janeiro.

  8. Comentou em 10/12/2008 Waldemar Canalli

    O comentario do professor Daniel é óbvio.O movimento de 1964 só existiu e tomou tais dimenões por vontade da ampla maioria da sociedade civil.Um dos mebros mais violentos do governo militar está até hoje dando ‘consultoria’ para o governo Lula: o civil Antonio Delfim Netto.A grande novidade neste comentario é o fato de um civil de alto nível admitir tal fato.

  9. Comentou em 10/12/2008 Vanderlei Lázaro Crepaldi

    Creio que a única exceção não tenha sido o Correio da Manhã, pois aqui em São Paulo tinhamos a Última Hora de Samuel Wainer que, juntamente com o Correio da Manhã eu conseguia ler sem vomitar.

    Lázaro

  10. Comentou em 10/12/2008 Gregório Guerra

    “… Sem os civis, ela não teria começado, nem durado, como durou. Em uma palavra: sem os civis ela simplesmente não teria existido.”
    Então eu complemento: e, também, sem a Igreja católica (com medo do comunismo e pensando somente nela), provavelmente, a ditadura teria mais dificuldade para se instalar: foi um apoio e tanto! Só depois que o chumbo começou queimar os ingênuos que partiram para a resistência é que a “Santa Igreja” mudou de lado. Eu penso que ninguém precisa ter bola de cristal para saber que desfeche as coisas tomarão. Mas quando se trata de derrubar um presidente eleito de forma constitucional é bom se inteirar bem sobre os fatos. E isto era perfeitamente possível naquela época, tanto para a Igreja quanto para os civis.

  11. Comentou em 10/12/2008 Ney José Pereira

    Havia rumo ‘democrático’ ante 64?. Nem há ainda!. Os militares brasileiros dificilmente ‘salvarão’ (tentarão, né) este país!. Aliás, nem os militares nem os civis salvarão este país!. Mesmo porque o Brasil é insalvável. Os militares preferiram ficar numa boa nos seus quartéis esperando a reforma (aposentadoria) chegar. A Escola Superior de Guerra que formava ‘militares políticos’ já era. Na prática foi proscrita. Ainda bem que foi, pois, militares não devem mesmo se imiscuirem na política. Mas, as funções ‘estritas’ dos tais militares também já eram. Na prática foram também proscritas. Não servem nem para ‘patrulhar’ zonas de conflagração civil. Nem urbana e muito menos ‘rural’ ou ‘selvagem’. Os militares americanos não estão nos Estados Unidos da América. Eles estão em outros países. Aliás, parece-me que eles estão no Brasil com a tal 4ª (Quarta) Frota Naval. Também, né, um país que tem uma frota marinha de quinta merece mesmo ser patrulhado pela 4ª (Quarta) Frota Naval dos milicos ianques. Os milicos ianques são meros turistas. Inclusive turistas de guerra!.

  12. Comentou em 10/12/2008 Ivan Moraes

    ‘Nunca saberemos de fato que rumo o Brasil teria tomado se o rumo democrático tivesse sido mantido, até porque em todo o período de 46 a 64 se dizia que ‘só os militares consertariam esse país’; de tal forma que o golpe, num primeiro instante, foi apenas a consolidação dos desejos de uma parcela conservadora da sociedade brasileira, que desejava (e ainda deseja) a ordem como base para o progresso brasileiro’: entao fala pra eles que em 29 anos eu posso contar nos 10 dedos de uma mao quantas vezes eu vi militares em qualquer lugar nos EUA. Eles nao se misturam aa populacao aqui porque ninguem quer Sao Paulo se mudando pra ca. Sap Paulo pode ir ficando por ai mesmo.

  13. Comentou em 10/12/2008 ademar gandra

    luiz weis !!! verdade que! os civis ainda estão todos na ativa,na luta pelo golpe,globo ,estadão,folha veja e cia como diz pha o ‘pig’hoje estão associados aos tucanos e demos,até ja escolheram o genaral jose serra como comandante,e existe muito desses civis,infiltrado no governo lula,todos em defesa da tortura

  14. Comentou em 10/12/2008 Fábio Peres

    Nunca saberemos de fato que rumo o Brasil teria tomado se o rumo democrático tivesse sido mantido, até porque em todo o período de 46 a 64 se dizia que ‘só os militares consertariam esse país’; de tal forma que o golpe, num primeiro instante, foi apenas a consolidação dos desejos de uma parcela conservadora da sociedade brasileira, que desejava (e ainda deseja) a ordem como base para o progresso brasileiro.

    Esses ‘neo-positivistas’, no entanto, perderiam toda sua base ideológica quando do AI-5, que revelou a face cruel de um regime que perdia sua ideologia para tornar-se, apenas, mais uma ditadurazinha medíocre como todas as que se instalaram na América Latina no período – incluindo-se aí a Cuba de Fidel Castro, que tornou-se comunista para trocar os donos do quintal (saindo os EUA, entrando a URSS).

    O mais interessante, no entanto, não se fala: os militares não ganharam nada com o golpe, já que a sua tentativa de modernizar o país pelas armas e pelo nacionalismo deu em nada; aliás, até perderam o seu papel de mantenedores da instituição democrática.

    Na verade os verdadeiros vencedores do AI-5 foram os corruptos e safados que por 20 anos bajularam os detentores do poder e se aproveitaram muito bem da situação para manter os defeitos da política brasileira bem vivos, como ocorre até hoje.

    Triste sina, triste história, triste Brasil que não aprende …

  15. Comentou em 10/12/2008 Max Suel

    Em Dezembro 1968 houve o fechamento do regime com a edição do AI-5. De 1964 a 1968 o clima político era bem diferente daquele pós AI-5. A imprensa continuava sem censura naquele período. Sem dúvida que em 1964 houve a participação civil naquele movimento, como também a participação popular no apoio ao golpe. Naquela época os inimigos eram ‘inflação e corrupção’. O apoio civil ao movimento pressupunha uma intervenção rápida dos militares e a devolução do poder aos civis, tal como sempre acontecia desde o fim da República Velha em 1930. De 1930 a 1964 por diversas vezes os militares haviam intercedido para a manutenção da Constituição, e os civis entendiam que em 1964 ocorreria a mesma coisa. Quando houve a percepção que os militares daquela vez não entregariam o poder como sempre, os civis aliados do golpe passaram a se opor ao movimento, caso de Lacerda entre outros. Aproveito para dizer que concordo com o médico Roberto Monteiro e com o jornalista Lotar Kaestner. (Max Engº SP SP)

  16. Comentou em 10/12/2008 Ivan Moraes

    ‘A DITADURA ESTAVA ERRADA? Pergunto isto sem preconceitos’: Eh? Tem certeza? Ja checou pra ver? Pois entre outras burradas suas, adoraria ver alguma evidencia pra essa afirmacao: ‘Vocês sabiam que a ´esquerda brasileira´ gosta de almoçar e jantar nos restaurantes mais caros?’ pois a ultima vez que ouvi falar quem gastava toneladas de dinheiro a mais em Brasilia eram os tucanos, e no cartao corporativo eram os tucanos tambem, especificamente os de Sao Paulo, mas ninguem seguiu mais o assunto. Documentacao, por favor.

  17. Comentou em 10/12/2008 Ney José Pereira

    Então antes do tal golpe Augusto Boal estava perdido com idéia na cabeça e caneta na mão?. Pois, ‘liberdade’ hav ia (e muita)!. O que não havia era comida (alimento, né)!. A execração de um ‘inimigo’ -comunista ou não- publicamente ou ‘privadamente’ é mesmo abominável. Mas, se o ‘inimigo’ -comunista ou não- fosse o ‘vencedor’ não execraria?. Haveria a ‘exceção histórica’?. Relativamente ao atraso ‘político e econômico e social (e educacional e industrial e tecnológico e tal e tal e tal) não se daria no governo ‘civil e democrático’ ou ‘popular do proletariado’?. Já estamos com 23 anos de ‘democracia’. Dois a mais do que durou a ditadura. Sem contar que os seis anos luláticos equivalem a sessenta (vide o plágio sobre JK-). Jamais façamos uma (ou mais) leitura ‘fria’ sobre ‘1964’. Essa leitura deve ser ‘quente’. Caso contrário seremos ‘cooptados’ por um dos dois lados. E aqui no Brasil é assim: A política e as ‘instituições’ e a imprensa não têm competência para lidarem com os tais ‘impasses’ políticos ou institucionais. Nem mesmo o ‘conflito’ resolve as ‘questões’. Aí optam ou pela força ou pela demagogia. E o povo é quem paga. inclusive pelo ‘atraso’. E os tais ‘políticos’, principalmente,os tais líderes’, continuam célebres e passam à história, geralmente como heróis (in)devidamente indenizados. Conclamo ao povo: ‘Não nos vinguemos contra o próprio povo’. Civilidade Já!.

  18. Comentou em 10/12/2008 Ney José Pereira

    Também não há ditaduras ‘civis’ sem os militares. A mais recente ditadura teve mesmo seu início em 1964. A primeira ditadura neste país ocorreu em 1889 (15 de novembro?). Não houve ‘revolução’ em 1930. Houve um ‘golpe’. Aliás, sucedido por uma ditadura ‘civil’. Getúlio Dorneles Vargas e João Pessoa perderam a eleição. Mas, deram um golpe ‘civil’. No Brasil havia presidente e presidente eleito. Todos sabemos que João Pessoa era o ‘vice’ de Getúlio. Ninguém sabemos quem era o ‘vice’ de Júlio Prestes. O AI 5 realmente desencadeou a tal ‘exceção’. Aliás, nem era para haver Atos Institucionais tanto que o primeiro AI nem número tinha. Ou o Correio da Manhã era ingênuo ou era volúvel. Mas, virou a casaca por motivos concorrenciais. Pediram a cabeça de Jango, mas, não aceitaram a do Lacerda. E era necessário concorrer com a Tribuna da Imprensa. Aliás, essa excrescência de político ser proprietário de jornal já vem de longe, hein!. Ter dois poderes dá nisso,. Ou se prejudica a política ou se prejudica a imprensa. Ou ambas. Mas, o tal Carlos Heitor Cony faturou uma milionária Bolsa Ditadura. Antonio Callado morreu sem receber a sua devida indenização. Hélio Fernandes peleja até hoje para reaver seus direitos materiais. Não tiveram o mesmo ‘êxito’ da chicana conyana. Atualmente só Ruy Mesquita chama 1964 de ‘revolução’. Os demais ‘publishers’ ou seu herdeiros chamam-no de ‘golpe’.

  19. Comentou em 10/12/2008 Paulo Bandarra

    Assim, no dia 10 de dezembro de 1948, durante a realização da Assembléia Geral das Nações Unidas, em Paris, foi proclamada a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ao todo foram 48 votos a favor da Declaração, nenhum contra e oito abstenções – Rússia, Tchecoslováquia, Polônia, Arábia Saudita, Ucrânia, URSS, África do Sul e Iugoslávia. Até hoje em Cuba, onde nossos terroristas foram treinados, eles são permitidos. Novidade? Não, isto já era dito pelo sacrossanto Manifesto do Partido Comunista em 1848. O fim dos ideais burgueses e iluministas. Sabe o que nos era indicado para ler? Mao Tse Tung, Ho Chi Min, Nguyen Vo Giap, Lenin, Che, Fidel e, como não podia faltar um francês, Régis Debray, o tal da ‘Revolução na Revolução’. Trabalho escravo existe hoje em Cuba, não acabou. Quem trabalha apenas pela ração que come é escravo! Os últimos terroristas foram liquidados em 78, e a abertura foi feita em 83. Só durou tanto justamente pelos terroristas. Metralhadora cala o povo como em Cuba. Não o fracasso econômico. Qual a produção de açúcar hoje em Cuba, e a de 58 no regime de Batista, passado 49 anos? Isto sim é fracasso econômico!!!

  20. Comentou em 10/12/2008 Lotar Kaestner

    A DITADURA ESTAVA ERRADA?
    Pergunto isto sem preconceitos. Claro que defendo a liberdade…mas os ´perseguidos´ pela ditadura exigiram indenização (dinheiro dos contribuintes brasileiros, da sociedade). O dinheiro pagou a morte. Mas a ´esquerda´ que inclui comunistas (vergonha ter hoje partido comunista, mostra uma sociedade primitiva)no poder no Brasil seguiu e segue os ensinamentos da antiga União Soviética:corrupção enlouquecida, propinas, dólares e euros nas cuecas e nas meais. Os três poderes somente atendem a sociedade se receberem ´gorjetas´, ´comissões´. Então, se a ´esquerda´ quis um país melhor…blá..blá…apenas quiseram o poder. Hoje se vê que comunistas no governo faturam milhões, incluindo vantagens inconfessáveis. Tudo apenas pelo dinheiro e as favelas e a miséria e o analfabetismo cultural continuam. Os ´progressistas, os da ´esquerda´ isso e aquilo´ querem ser adorados e reverenciados por todos vocês leitores e jornalistas. Eles ´os dolaresdutos´ passam bem. Vocês sabiam que a ´esquerda brasileira´ gosta de almoçar e jantar nos restaurantes mais caros? Eles são humanos também. Mais honesto é dizer: ´usamos a miséria do povo´, a dialética, para chegar ao poder e curtir a vida. Lá de dentro dos gabinetes luxuosos discursamos para os miseráveis que ficaram do lado de fora, no plano inferior do ´paraíso´.

  21. Comentou em 10/12/2008 Vanderlei Lázaro Crepaldi

    Creio que o Correio da Manhã não foi a única excessão, pois me lembro muito bem que aqui em São Paulo tinhamos támbém a Última Hora de Samuel Wainer. Eram os dois jornais que eu conseguia ler sem ter náuseas.

  22. Comentou em 10/12/2008 Paulo Pereira

    Excelente texto. Vai ficar no meu arquivo.

    Quero ressaltar a observação, muito apropriada:
    “Também houve época em que o trabalho escravo era aceito por muitos como parte da ordem natural das coisas.”

    Parabéns, Weis!

  23. Comentou em 09/12/2008 Marcelo Igor

    Leia um texto interessante em:
    http://www.brasilwiki.com.br/noticia.php?id_noticia=8021

  24. Comentou em 09/12/2008 Lucia Abreu

    A pretexto de justificar um regime que tirou todas as liberdades, matou, torturou, perseguiu, dizendo defender a liberdade, concentra-se apenas nos opositores radicais de esquerda à ditadura.
    Como se, ao constatar a que se propunha a aliança entre militares e civis de extrema direita, opôs-se a ela a imensa maioria dos cidadãos, mesmo camadas da população que cairam na conversa anti-comunista.
    O AI-5 foi editado não para combater guerrilheiros, mas para calar toda a sociedade civil que se manifestava contra o regime de 64.
    É de uma covardia imensa atribuir a algumas dezenas de guerrilheiros a necessidade de tanta barbárie, por um regime capitaneado pela força dos militares.
    Isso foi necessário por ter sido feito contra os interesses nacionais.
    Aja visto que, tendo recebido milhares de dólares que geraram o falso ‘milagre’ que multiplicou exponencialmente a dívida externa, sem Congresso, com oposição consentida, cassações, a ditadura foi obrigada a entregar o poder aos civis devido à falência da economia.
    Ou abriam o regime, ou ele seria arrombado. E não por comunistas, mas pela sociedade que já não podia tolerar o regime de força q calou, arrochou, com apoio sim de parte da sociedade civil beneficiada por ele. Benefício significativo, que até hoje os faz ignorar as quase 3 décadas de atraso tecnológico, financeiro, cultural e humano, cujas consequências ainda vivemos.

  25. Comentou em 09/12/2008 Marco Antônio Leite

    Caro Bandarra, continua o mesmo de sempre, ou seja, não mudou um milímetro sua forma de ver o socialismo, e bajular o capitalista. O qual nos tira as calças, camisas e cuecas, deixando-nos nus fazendo uma chupeta no dedo indicador. Este sistema chamado de ‘democracia’ apenas a burguesia e a imprensa menina de recado dos tubarões tem liberdade de pensamento e liberdade de falar e escrever as maiores barbaridades contra o indefeso povo. Abraços socialistas?

  26. Comentou em 09/12/2008 Ivan Berger

    Pois é, nada como poder reescrever a história ao sabor das conveniências,como fazem os acólitos das letras. Bem que o Elio Gaspari poderia ter incluido em sua mastodônica obra referências sobre o colossal equívoco em que incorreu tanta gente ilibada, apoiando o golpe a pretexto de excomungar um presidente supostamente comunista. Mas o mea culpa não é exatamente um dom do jornalismo.

  27. Comentou em 09/12/2008 Oda Nobunaga

    O pior disso tudo é que na essência a mídia continua a mesma. Se puder
    derruba o atual governo ou outro que não lhe agrade.

  28. Comentou em 09/12/2008 Paulo Bandarra

    A preparação do Golpe de 64 começou em 1848: “É tempo de os comunistas exporem, à face do mundo inteiro, seu modo de ver, seus fins e suas tendências, opondo um manifesto do próprio partido à lenda do espectro do comunismo.” Esclarecesse em 1917 na Rússia, por 80 anos de ditadura. No ataque da democrática República de Weimar (1919–1933) pelas ações dos comunistas (Otto Braun, Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht). Na qual Olga Benário tem um papel, antes de vir em 35 com o comunista Prestes, o da coluna, tentar um golpe comunista no Brasil. Está em 1954 na Guatemala, em 1959 em Cuba. “’El odio como factor de lucha; el odio intransigente al enemigo, que impulsa más allá de las limitaciones naturales del ser humano y lo convierte en una efectiva, violenta, selectiva y fría máquina de matar. Nuestros soldados tienen que ser así; un pueblo sin odio no puede triunfar sobre un enemigo brutal. Hay que llevar la guerra hasta donde el enemigo la lleve: a su casa, a sus lugares de diversión; hacerla total.’
    (Ernesto Guevara de la Serna)” No paredom. Com a traição das formças democráticas que lutaram para derrubar Batista e forma atraiçoadas por Fidel e Che em 59. Com o homem da Vassoura, Jânio Quadros dando medalha para o Che! Com Jango visitando a Rússia nesta época em que se colocava mísseis em Cuba! Em que o país estava uma anarquia total. Gozem de uma liberdade que lá não existe!

  29. Comentou em 09/12/2008 Paulo Bandarra

    Na Conferência da Organização Latino-americana de Solidariedade (OLAS), em agosto de 1967, o Comandante Fidel Castro criticou abertamente os planos da esquerda chilena. Mais do que isso, Castro chamou de ‘mentirosos’ aqueles que se mostravam favoráveis à estratégia da via pacífica no continente. No discurso de encerramento da conferência, Fidel lançou um ataque fulminante: ‘os que afirmam, em qualquer lugar da América Latina, que vão chegar pacificamente ao poder, estão enganando as massas’. E hoje mentem descaradamente para abocanhar o dinheirinho do povo que visavam subjugar, escravizar, como até hoje padece o povo cubano! Quando os nossos esquerdistas disfarçados de democratas vão criticar a ditadura a que está submetido o povo cubano desde 59, Senhor Luiz Weiss?

  30. Comentou em 09/12/2008 Jose de Almeida Bispo

    Preâmbulo: Tem um comentário antes deste meu de alguém – ou que se faz passar por – que se encaixa perfeitamente numa definição do Luiz Nassif: Cabeça de planilha. O tempo passou na janela e so o Carolino não viu.
    BEM, mas quanto à matéria remissiva de O Globo é louvável que um dos veículos civis de maior porte do país levante a questão da importância da participação da cabeça do Golpe: a ‘sociedade civil organizada’, a ‘opinião pública’. O interessante é o quanto se joga lixo pra baixo do tapete ao por a culpa pelos demandos nos milicos, meros cumpridores de ordens de quem realmente manda: quem tem o dinheiro. Eu aconselharia, pra começar, uma leitura fria, porém profunda num livro maçante, porém bem feito, de Renè Dreyffus: 1984 – A conquista do Estado. Tá todo mundo lá. Civita, Marinho, Frias, Mesquita, Ermírio de Morais, Diniz, Pinto (Magalhães), Setúbal… a grafinagem toda. De grandes armadores, banqueiros, donos de jornais e/ou editoras a senhores de engenho nordestinos e empresários menores do sul maravilha, falidos ou em falência, arrimando-se todos em cargos públicos de tribunais ou dos legislativos conseguidos a punho de corrupção eleitoral. Os milicos alugaram a pistola. E como com todo pistoleiro, foram descartados assim que a chacina acabou. Ditadura Militar… Ora essa!

  31. Comentou em 09/12/2008 Fábio de Oliveira Ribeiro

    Segundo a documentação liberada pelo Departamento de Estado, a campanha para derrubar Jango começou a ser financiada pelos EUA em 1962. Desde esta época já havia contatos frequentes entre o embaixador Lincon Gordon, o adito militar da embaixada Vernon Whaters e o ajudante de ordens de Castelo Branco. Em 1964 os ditadores apenas TOMARAM POSSE. Os conspiradores não foram eleitos para derrubar Jango, na verdade alguns deles nunca se candidatariam a um cargo eletivo ou poderiam se candidatar a um.

  32. Comentou em 09/12/2008 VALMIR ANDRADE

    1968 O ANO QUE NAO TERMINOU. O Brasil é um país onde golpe é chamado de revolucao, midia livre é sinonimo de midia golpista.

  33. Comentou em 09/12/2008 Aureni Ribeiro

    Realmente os 40 anos do AI-5 e uma efeméride que precisa ser relembrada e questionada será que as sequelas deste período não permanecem até os dias de hoje? A imprensa é um bom exemplo o discurso continua sendo controlado, selecionado e redistribuído ao bem querer de quem os detém.

  34. Comentou em 09/12/2008 Marco Antônio Leite

    O AI-5 ainda não foi totalmente extinto. Essa aberração criada na ditadura militar continua a limitar a liberdade de pensamente e ação do proletariado. Visto que, quem dita às normas são os representantes da elite dominante, os quais circulam pelos porões dos conluios nos palácios lá em Brasília. O trabalhador continua sem-emprego, sem-terra, sem-casa, sem-escola, sem-educação, sem-salário, ou seja, sem-nada. Para calar a voz rouca das ruas, o bom pai Lula instituiu a Bolsa-Esmola e a Cesta-Básica bichada para o povão se deliciar. Quando será que o povo estará livre desse indecente AI-5, já estamos cansados de não ter voz e vez?

  35. Comentou em 09/12/2008 Roberto Monteiro

    E o que acha o articulista do fato de que Dilma Roussef, Zé Dirceu e outros notáveis, que hoje são vistos como se lutassem pela ‘democracia’, quando na verdade lutavam para implantar ditadura comunista? E com a colaboração da imprensa atual… Burrice ou má-fé?

  36. Comentou em 09/12/2008 Paulo de Almeida

    O texto vai de encontro com ‘minha’ idéia, que vai contra o recituário político da mídia, de o Estado é supervalorizado em detrimento do cidada, já que o Estado só anda sobre as pernas do cidadao. As coisas comecam bem cedo: vêm do berco, do primário, das escolas que nao têm a menor idéia de como desenvolver um cidadao livre.

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