Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

CÓDIGO ABERTO > Desativado

A Folha tem uma ótima notícia

Por Luiz Weis em 28/05/2006 | comentários

Uma pesquisa feita em 10 países mostra que os brasileiros são os que mais criticam a imprensa por ela dar notícias ruins em excesso – 80% dos entrevistados pensam assim, ante 68% dos americanos, por exemplo. [E olhem que os Estados Unidos estão atolados numa guerra infernal, mas essa é outra história.]


Só que hoje, no meio do de sempre, eis uma notícia ótima para ninguém criticar.


Está na Folha, numa matéria além do mais bem feita, assinada pelo repórter Antônio Gois, da sucursal carioca do jornal.


Em três páginas, descontados os anúncios, informa que, comparando o funcionamento dos programas nacionais de transferência de renda em sete países latino-americanos, o Banco Mundial verificou que o Bolsa-Família é o que mais acerta no alvo em matéria de combate à pobreza.


Como dizem os técnicos, é o mais bem focalizado.


Em números: 73% dos reais gastos com o programa chegam mesmo aos brasileiros mais pobres – os 20% da base da chamada pirâmide social.


Para se ter idéia, o índice de focalização é de 58% no Chile, o segundo no ranking. Mas o Bolsa-Família alcança 8,7 milhões de famílias. O Chile Solidário, como se chama o deles, beneficia 230 mil.


O menos bem sucedido, quem diria, é o argentino Chefes de Familia: apenas 1 em cada 3 pesos que consome para atender a 1,5 milhão de famílias chega ao fundo do poço da pobreza.


Querem saber de uma coisa, por falar em Argentina? Para mim, o desempenho de campeão do Bolsa Família devia encher os brasileiros de orgulho, mais até do que a eventual conquista do hexa.


Feliz domingo!


***


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Todos os comentários

  1. Comentou em 01/06/2006 Gilson Raslan

    Interessante é que, mesmo com tamanho alcance da bolsa-família, o PSDB/PFL dizia que este programa não passa de propaganda enganosa, que fome-zero é uma balela do governo Lula. Logo constataram que o povo não é bobo e passaram a dizer em seus programas de TV que a bolsa-família vai continuar num improvável governo PSDB/PFL. A postura desses partidos é nojenta: quando a mentira não cola, ficam a favor daquilo que combateram. O povão pode acreditar nesses irresponsáveis?

  2. Comentou em 30/05/2006 GILMARA VICENTE DE OLIVEIRA OLIVEIRA

    As boas notícias, quem diria, ainda sobrevivem em meio àquelas de cunho sensacionalistas, que de tão trágicas incutem nos brasileiros um sentimento de perda e de perspectiva por dias melhores. Em ano eleitoral bem que se pode achar que o programa bolsa-família está em evidência para enaltecer os seus idealizadores, idealizadores estes que também estão em disputa pelo voto a voto das urnas. Mas, o programa deu certo. Se o país é tachado de absorver em seu cotidiano um dos piores índices de corrupção e desvio de verbas, também pode ser rotulado (com orgulho) como um dos pioneros no combate à miséria. Esta assola milhares de lares. Pesquisas recentes apontam para a favelização de milhões de pessoas em todo o mundo nos próximos anos, um índice difícil de ser combatido, a pertubar e tirar o sono dos governantes mais céticos e que atuam com a impessoalidade característica. É fato que indíviduos vitimados pelos mais terríveis processos de exclusão social perdem a crença em si mesmos e no país onde vivem. Todavia, os incentivos por parte dos governos, além de um trabalho de base, pode reverter por completo este quadro. Se somente com programas sociais o Brasil configura na lista dos que mais prioriza o bem-estar social, então que sejam criados mais programas. O que não se pode é desvalorizar uma atitude governamental, tão propícia em momentos de descrença no país.

  3. Comentou em 30/05/2006 Célio Mendes

    O Sr. Celso Scodiero identifica um fenômeno muito comum na nossa mídia nestes tempos bicudos, lembro do caso do Bispo que foi pego com malas cheias de dinheiro no aeroporto e até hoje muitas pessoas associam este episódio com o PT quando na verdade o bispo era filiado ao PFL.

  4. Comentou em 30/05/2006 francisco latorre

    ê brasilzão!
    tem mais: essa renda-mínima ou bolsa-família combate o subemprego
    e os salários de fome.
    quem tem mínima renda não será explorado com facilidade.
    parabéns e obrigado pela alegria, luis weis.
    valeu, antonio gois.

  5. Comentou em 29/05/2006 Jose de Almeida Bispo

    Essa qualidade de eterno desconfiado do brasileiro parece vir de nossos ancestrais cristão-novos, e isso é uma boa notícia. Em primeiro por que o clima de ‘admirável gado novo’ se dilui para em seu lugar surgir uma sociedade cética, logo, crítica; em segundo por que das civilizações que mais tempo demoraram no mundo, a judaica é a campeã e, justamente é ela a que mais se autocritica. É só ver a Bíblia. Em terceiro por que mostra que só quando dispõe de tanques à sua disposição, a turma do triênio (*) consegue dar golpes nos governos populares.
    (*) UM TRIÊNIO era o tempo em que passavam os oficiais portugueses em seus cargos no Brasil, sempre de olho no calendário – loucos para retornarem a Portugal, de preferência cheios de saques feitos ao Brasil. De vez em quando havia algum azarado como Mem de Sá que acabou por morrer no Rio de Janeiro. A referência aqui se ajusta ao imaginário de grande parte da alta classe média brasileira: ser tabaréu nas praias de Miami.

  6. Comentou em 29/05/2006 josé Nogueira

    Não foi fácil para a nossa imprensa tornar-se a mais desacreditada do mundo, isso só foi possível com muito esforço. Na ânsia de sensacionalismo nossa mídia destruiu a reputação e a vida dos donos da Escola de Base. A manipulação do debate entre os candidatos Collor e Lula rendeu à Rede Globo um documentário na BBC de Londres, que comparou Roberto Marinho ao personagem Cidadão Kane. Mais recentemente, as tentativas de derrubar um governo democraticamente eleito, como confessou o expoente do anti-jornalismo Diogo Mainardi, foram fundamentais para este título. Parabéns, mídia brasileira, você é campeã do mundo.

  7. Comentou em 29/05/2006 Robert Moura

    Não sei se posso dizer que me enche de orgulho mais que supera qualquer hexa, hepta ou coisa do tipo, supera…

  8. Comentou em 29/05/2006 Marco Antônio Leite Costa

    Não a imprensa quem da notícia ruím, é o Estado e a Elite que não se interessam em proporcionar notícias boas para o povo. Ademais, notícia boa não trás retorno para os donos do poder.
    Marco

  9. Comentou em 29/05/2006 Celso Scodiero

    A Sra. Dulce Felisbina evoca a privatização da Petrobrás na Bolívia de forma a considerá-la como sendo obra do atual governo do nosso país.
    Embora tenha sido com outro intento, nossa cara colega leitora trouxe um exemplo vivo das distorções causadas pela grande imprensa latino-americana, principalmente aqui no Brasil, que nitidamente procurou ‘vender’ o caso da Petrobrás na Bolívia como uma medida desastrosa do governo Lula.
    Daí em diante tenho observado que muita gente passou a acreditar que isso é a mais pura verdade.
    Para quem não sabe, os investimentos da Petrobrás na Bolívia tanto começaram, quanto atingiram o pico, durante o governo anterior. Antes, inclusive, a aprovação desses investimentos se deu em 1992.
    Já desde 2003 o atual governo vem reduzido drasticamente os investimentos da Petrobrás na Bolívia.
    Tudo o que se pode fazer agora é negociar sobre as melhores soluções possíveis, diante das medidas tomadas pelo governo boliviano.
    Evidetemente que a boa diplomacia seja a melhor opção, embora o grosso da nossa mídia jornalística parecia pregar o bombardeio de La Paz.

  10. Comentou em 29/05/2006 Iorgeon Haenkel

    Eu já sabia disso há muito tempo. Só não enxergaram isso aqueles que estavam empenhados em ostilizar o Lula e seu governo. A The Economit, já havia publicado uma matéria extensa sobre o assunto, que foi ignorada pela maioria dos grandes jornalões deste país. A matéria do The Economist aponta outra face do Bolsa Família, a de fazer girar pequenas economias nos grotões do país.

  11. Comentou em 29/05/2006 Luiz Seixas

    Como nem a folha nem o blogueiro e tampouco os comentaristas deram o devido crédito ao ministro que reestruturou e organizou o programa no último ano, permito-me agradecer sua dedicação e competência: o Bolsa Família deve muito a Patrus Ananias.

  12. Comentou em 29/05/2006 Antonio Prado da Silva Prado da Silva

    Parabéns sr. Jean François, principalmente quando o sr. se refere a essa gente cínica que deveria ir para Miami.É essa mesma gente que renega o Brasil, essa mesma gente que parece ter a mesma mentalidade dos que saquevam o PAÍS na época da colonização mesmo já tendo nascido aquí. É bom que vá mesmo para Miami, ficar por lá desfilando com cara de traficante granfino ou corrupto latino.

  13. Comentou em 28/05/2006 MCostaSantos Santos

    Como em todo lugar existe a imprensa responsável e a factóide que algumas pessoas gostam. Entretanto, mal ou bem a imprensa tem exercido um bom papel neste país. É evidente que o projeto Bolsa-Família é muito válido na situação que grande parte da população atravessa, mas não podemos conviver com essa situção. Os grandes culpados dessa situação são os PODERES CONSTITUIDOS deste país que há décadas usurpam os direitos civis da população. Cabe a ABI, OAB, CRM, CRA, CRO, CRM, CRC etc com o povo pressionar e resgatar nossos direitos civis. Chega de tanta IMPUNIDADE, CORPORATIVISMO, PROTECIONISMO E FOROS PRIVILEGIADOS COVARDES. Há muitas legislaturas que não convivemos com um congresso de imensa corrupção.

  14. Comentou em 28/05/2006 Helio Zampronho

    Epero que sirva como puxão de orelhas… Folha, jornal da Jovem Pan e a revista Veja são campeões em publicar desgraças, falar mal do governo, corrupção, etc. Pô….. a situação não esta tão ruim assim os números pelo menos mostram avanços que nunca conseguimos no passado.
    Dá um tempo por favor… publiquem notícias que incentivem o brasileiro, desgraças tem demais isso nós já sabemos, publiquem novidades, sejam criativos por favor!!!
    Grato.

  15. Comentou em 28/05/2006 José de Souza Castro

    Dona Taciana, provavelmente, o economista americano a quem a senhora se refere chama-se Jeffrey D. Sachs, que publicou no ano passado o livro ‘O fim da pobreza – Possibilidades econômicas para o nosso tempo’. Ele defende o programa da ONU para acabar com a pobreza no mundo até 2025, e mostra que isso é possível, se os países ricos destinarem apenas 0,7% de seu Produto Interno Bruto (PIB) ao programa. Atualmente, eles destinam menos de 0,1%. Programas como o Bolsa-Escola, o Renda Mínima e outros, já adotados em vários países, são essenciais para desarmar a armadilha da pobreza e levar as pessoas a alcançarem o primeiro degrau na escada do desenvolvimento. Sachs verificou que grande parte do dinheiro doado pelos países ricos para ajudar os países pobres são gastos nos próprios países ricos. Um percentual mínimo chega de fato a quem necessita. Daí a importância desse percentual apontado aqui para o Bolsa-Família. A revista Veja desta semana mostra como esses programas estão levando mais comida à mesa dos pobres no Brasil. É um fato tão evidente, que nem a Veja pôde deixar de percebê-lo.

  16. Comentou em 28/05/2006 Dulce Helena Felisbina

    A crítica que se faz com relação ao Bolsa-família é que não passa de uma estratégia para conquistar a confiança da população mais pobre do país para vencer as eleições. É claro que se o indivíduo não tem o que comer vai votar em quem lhe dá. No entanto há medidas que precisam ser tomadas paralelamente a isso e que, por não serem imediatamente visualizadas pela população são abandonadas pelo governo. É o caso da melhoria das rodovias, da construção de ferrovias ( que aliás estava no plano de governo de Lula) para baixar os preços da alimentação e investimento forte em educação.
    A propósito, a nacionalização da Petrobrás pela Bolívia contribuirá para levar à mesa dos brasileiros alimentos mais baratos?

  17. Comentou em 28/05/2006 Jean François Martel

    Quem deveria comentar este artigo são alguns jornalistas da Rede Globo e da Veja… Gostaria de ver e ouvir o que eles tem a dizer agora! Não me conformo com a leveza com que uma pessoa como aquele Diogo Mainardi diz que : ‘ acaba sendo bom quando os Estados Unidos atacam esses países porque isso ajuda a acabar com a pobreza’… Me lembra o Justo Veríssimo, do Chico Anísio: ‘ quero que pobre se exploda’! Literalmente…
    É por essas e outras que o povo apóia o Lula. E tem que apoiar mesmo! Porque à parte ‘globetes’ e ‘Vejetes’ ( o neologismo é perfeito) cruéis da elite , quem ganha salário mínimo e está comendo mais, não está nem aí para a conversa fiada golpista de certos elementos. Como agora é ‘politicamente incorreto ‘ derrubar governos com tanques nas ruas tentam fazer isso através de jornalistas de caráter para lá de duvidoso.
    Viva o povo brasileiro! Que Deus o abençõe para sempre ! E saiba Lula , que cada criança que não morre de fome é uma benção para todo o universo! Para todos nós!
    Hoje durmo um pouco mais orgulhoso em ser brasileiro. Apesar de todos os abusos verbais de um número considerável de pessoas cínicas e sem coração … Por que não vão logo para Miami ? E boa viagem!

  18. Comentou em 28/05/2006 José Antônio da silva Antônio da silva

    Fiquei muito feliz quando li esta notícia, em que o fome zero esta dando certo, e fico triste quando vejo nos noticiarios, que existem pessoas inescrupulosas sem conciencia , ambiciosas e individualistas , que fazem uso deste beneficio do governo sem a devida necessidade. gostaria de ver estes números juntamente com os beneficiados do programa, sendo mostrado o quanto tem ajudado estas pessoas que ainda continuam precisando . Assim ficaria mais facil acompanhar a evolução do programa do governo.
    Parabéns pela matéria.

  19. Comentou em 28/05/2006 Celso Scodiero

    Faz pouco menos de um ano que a mais confiável (mundialmente) publicação periódica sobre economia, uma revista britânica, divulgou resultados de avaliação sobre o Bolsa-família. Segundo a avaliação, o programa Bolsa-família atende, na verdade, quase 12 milhões de famílias (cerca de 42 milhões de pessoas). Ainda chama a atenção dos analistas que esse programa envolve o cumprimento de obrigações, por parte das famílias beneficidas, com educação e saúde das crianças, o que o distingue do mero assistencialismo de que acusam frequentemente os principais veículos nacionais de comunicação. Conforme a matéria da revista britânica, o Banco Mundial, reconhecendo os surpreendentes resultados do Bolsa-família, passou a coordenar implantação de programa similar no México, ao mesmo tempo em que propõe esse tipo de alternativa para os países pobres da África.
    Um pouco mais recente, estudo realizado pelo IPEA mostrou que o Bolsa-família já conseguiu reduzir 1/4 da desigualdade social no Brasil, enfatizando que a redução das desigualdades sociais em países latino-americanos são fundamentais para o crescimento ecônomico.
    No entanto, parece missão impossível à grande maioria do jornalismo brasileiro admitir o total sucesso de uma das mais importantes promessas do governo Lula. Nitidamente, destruir a política do governo é mais importante que sanar a fome e a miséria de mihões de brasileiros.

  20. Comentou em 28/05/2006 Messias rocha

    Chamem como quiserem: assistencialista, populista… o fato é que o programa de assistência a fome do governo Lula tem levado comida aos pratos dos que mais nessicitam, colaborando para diminuir a fome no Brasil e diminuindo a evasão escolar. As crianças que hoje comem melhor e estudam, com certeza terão um futuro melhor do que seus pais e com estudo não precisarão do auxílio do governo, mais para isso acontecer, é necessário muito mais investimentos em educação saúde e na agricultura familiar por um longo período. Amo o Brasil e estou super feliz com esta notícia, nós brasileiros precisamos de mais e mais notícias que aumentem nossa fé para alcançarmos mais e mais desenvolvimento cultural, social e de cidadania.

  21. Comentou em 28/05/2006 Jorge Washington Astigarraga

    Aos críticos ferrenhos destes programas sociais,que desconhecem ou,fingem desconhecer esta realidade,um bom artigo para se ler e,refletir que ,é preciso um mínimo de conhecimento de causa,para realizar suas críticas.Valeu sr. Weis.

  22. Comentou em 28/05/2006 Taciana Oliveira

    Eu era contra as bolsa-tudo que existem, com medo de se tornarem permanentes, por considerá-los assistencialismo puro e é claro, populismo clientelístico deslavado. Mas,após ver a análise de um economista americano que não lembro o nome, a tese – mais do que a opinião- me convenceu que é importante para proporcionar um patamar mínimo de renda que permita a essas pessoas, além de escaparem da fome absoluta, passar para um conjunto social com possibilidade de mudar de nível de consumo e adquirir vida econômica própria. Ou seja, serve para ajudar a escapar da miséria absoluta que imobiliza os indivíduos, social e conomicamente. Nada revolucionário, a não ser que assim se considerem os efeitos da inclusão social , a médio e longo prazo. O diferencial na efetividade do programa brasileiro, talvez seja o reconhecimento da dispersão das famílias pobres no Brasil, principalmente no Nordeste, onde a mulher assume cada vez mais o papel de chefe, mantenedora e esteio organizacional. Outra virtude do programa brasileiro é também, é claro,o atrelamento a exigências relativas à saúde e à educação das crianças, coisas geralmente administradas pelas mães. Os demais programas de atenção à juventude e à profissionalização complementam as bolsa-tudo. Vamos torcer para dar certo!

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