Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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A Google quer a nossa informação

Por Carlos Castilho em 17/12/2007 | comentários

Depois de revolucionar o mundo com o seu mecanismo de localização de informações publicadas na Web, o mega site de buscas quer agora capturar o conhecimento individual que não está disponível na Web.


 


Os laboratórios da Google estão encubando um novo projeto chamado Google Knol (abreviação de Knowledge – conhecimento em inglês) por meio do qual a mais valorizada empresa do mundo cibernético pretende digitalizar dados, informações e conhecimentos que estão em poder de pessoas comuns, como você e eu.


 


Reprodução de uma página do Knol


 


O projeto, que ainda não tem data para ser lançado, oferecerá páginas pré-diagramadas para pessoas que desejarem publicar ensaios, pesquisas, obras de ficção e não ficção.  O Google Knol pretende ser uma espécie de enciclopédia de autores, onde eles, além de ganhar visibilidade poderão faturar alguns trocados.


 


A nova iniciativa da empresa de MountainVille, na Califórnia, não tem nada de revolucionária em si, mas está sendo levada muito a sério pelos especialistas em Web porque marca mais um passo da Google no sentido de apoderar-se da maior parcela possível do conhecimento humano.


 


A mesma empresa já tem várias outras iniciativas como o Blogger (serviço de hospedagem grátis de weblogs), o Orkut (comunidades online de discussão) e o Google Page Creator ( serviço também gratuito de páginas web customizadas).


 


Por isto o anúncio do Knol deixou muita gente confusa porque aparentemente há uma superposição de projetos, todos eles voltados para a captura de dados e informações em poder do público. Mas o objetivo da empresa Google parece ser justamente este, ganhar pela saturação.


 


Também surgiram especulações de que o Knol é uma tentativa da Google de concorrer com a enciclopédia virtual Wikipedia. Mas são dois projetos bem diferentes. O Knol é uma plataforma de publicação, onde o autor é quem decide o que e como será publicado, enquanto a Wikipédia baseia-se na produção coletiva de textos.


 


O que parece mais provável é a confirmação da hipótese de que o Google, seguindo o exemplo da maioria dos demais sistemas de buscas na Web, está deixando de ser prioritariamente um serviço para se transformar num processador de dados e informações recolhidos de usuários da Web, para gerar conhecimentos, que valem milhões.


 


Esta preocupação ganha uma dimensão ainda maior quando se sabe que a Google está trabalhando a pleno vapor no desenvolvimento das chamadas buscas universais, por meio das quais a recuperação de documentos não se limitará aos textos, mas incluirá também áudio e imagens, tanto estáticas (fotos e gráficos) como dinâmicas (vídeo e animações).


 


O conhecimento começa a deixar de ser uma possibilidade futura para se transformar num grande negócio no presente. Um negócio onde quem tem mais conhecimento digitalizado tem mais chances de lucrar com ele.


 


Conhecimento, informação e dados não são a mesma coisa. Dados são situações, números, figuras e fatos. A informação é o resultado da contextualização de dados enquanto o conhecimento é a informação processada de forma a permitir escolhas. Uma seqüência de sinais curtos e longos é um dado, que só ganha algum significado quando representa a sigla SOS, o que configura uma informação, que por sua vez ao ser combinada com outras informações leva ao conhecimento de que existe alguém em perigo, que necessita ser socorrida.


 


Neste negócio milionário, a informação ocupa um papel estratégico porque, quanto mais ela circular entre as pessoas, mais ela se multiplica e gera mais conhecimento. Por aí dá para perceber o quanto a mídia e a Google são importantes conformar a sociedade dos próximos anos.


 


Conversa com o leitor


Os interessados em jornalismo online, podem baixar gratuitamente a versão em português do livro Jornalismo 2.0, escrito pelo jornalista norte-americano Mark Briggs e produzido pelo Centro Knight para o Jornalismo, da Universidade do Texas. Eu fiz a tradução e a apresentação da edição em português. O endereço para download é  http://knightcenter.utexas.edu/ccount/click.php?id=3

Todos os comentários

  1. Comentou em 19/12/2007 luciara silveira

    Excelente trabalho:útil, inteligente e prático. Deverá ter excelente repercussão em todos os meios,
    Pretendo comentar no site:
    http://www.nehscfortaleza.com vinculado ao NHESC PUC/SP.
    Cordialmente,
    Profa. Luciara.

  2. Comentou em 19/12/2007 ibsen Marques

    A internet é, sem dúvida, um grande portal para o conhecimento humano, mas é também grande fonte para o des-conhecimento. Tenho visto em vários trabalhos universitários e dos níveis inferiores da educação a internet como uma fonte ímpar de cópia de trabalhos, monografias e teses. Exatamente, não fonte de consulta, mas pura e simples cópia. Para esses casos o google é uma importante ferramenta para os mestres e os defensores da propriedade intelectual. Seu site de busca é praticamente infalível se quisermos pesquisar sobre a originalidade desses trabalhos.

  3. Comentou em 19/12/2007 Fabricio Kc

    com tal iniciativa, a Google tende a reduzir o infinito universo da internet a uma sala de espelhos, na qual a vastidão seria apenas labirinticamente ilusória. A empresa começou com o buscador, passou a oferecer diversos serviços, adquirir sites de sucesso, flertou com o investimento em infra-estrutura da rede mundial e agora quer Produzir conteúdo (aumentando o trafego em seus dominios = mais receita). Pra que incentivar o interneuta a sair de seus dominios?

  4. Comentou em 18/12/2007 patricia mariani

    Muito obrigada por disponibilizar o link!
    abs
    Patricia

  5. Comentou em 18/12/2007 Francisco Ernesto Guerra

    Apenas isso: O grande irmão zela por ti. Cuidado com as teletelas!

  6. Comentou em 18/12/2007 Claudio Janowitzer

    Prezado Carlos Castilho, Acho que esse seu artigo é metido a sensacionalista e primo das teses conspiratórias, ao utilizar expressões bombásticas como: ‘apoderar-se da maior parcela possível do conhecimento humano.’ Deve ser uma ponta de inveja do maravilhoso serviço que o Google tem prestado à difusão do conhecimento.

  7. Comentou em 18/12/2007 Juciano Lacerda

    Castilho, quando este livro estará disponível em livro impresso no Brasil? Quero colocar ele na bibliografia de nossa disciplina, mas para o ementário seria necessário livro impresso. Esse link do Knight Center é permanente? Abraços, Juciano Lacerda PS: podes responder para juciano@ielusc.br

  8. Comentou em 18/12/2007 Jose de Almeida Bispo

    O que preocupa é esta disponibilidade de espaço virtual “gratuito”, que, inicialmente parece a fronteira final para a democracia. A democracia total. Entretanto, quem tem o controle não sou eu ou ninguém, das centenas de milhões de usuários comuns que acessam o sistema. É do Google, o controle. E de vez em quando alguns sinais preocupantes aparecem. Por exemplo, ao publicar um estudo em que tratava certa região do país com a realidade histórica dos fatos ocorreu um fato intrigante. O material foi postado no blogger por etapas e, enquanto não havia tocado no dito assunto meu blog chegou a figurar em quinto lugar na lista de busca do verbete principal. Quando toquei no dito assunto sua cotação despencou a ponto de aparecer em trigésimo oitavo lugar. Descobri depois que o google montou um birô de atendimento no Brasil exatamente no local citado. É muita coincidência. Fora outros bugs do Google durante a crise que atingiu o governo Lula.
    Não existe liberdade sem pluralidade. O Google é a ditadura do Grande Irmão disfarçada de liberdade.

  9. Comentou em 17/12/2007 Gustavo Timm de Oliveira

    Castilho,

    Excelente leitura sobre o novo projeto do Google. E, em especial, a diferenciação de dados, informação e conhecimento.

    Nunca havia visto definição tão didática como esta. Parabéns!

    A propósito: estou salvando neste momento o livro indicado.

    Grande abraço!

  10. Comentou em 17/12/2007 Rogério Kreidlow

    Talvez nem seja isso tudo. Talvez seja só uma tentativa de criar aquilo que o Orkut era para ser e nunca foi. Sem monitoramento, edição e etc., vai virar mais uma dessas febres pops em que volta e meia uma multidão de gente deslumbrada cai, como Second Life e que tais. Não entendo como dizer que uma ferramenta dessa pode ser um meio de lucrar, se boa parte dos usuários esconde (ou resume) seus dados e outra boa parte é feita de fakes bizarros e sem nexo. O valor do Google é mais fruto de especulação do que valor real, a gente sabe. Abraços

  11. Comentou em 17/12/2007 Fabricio Kc

    Procurando participar da discussão sobre este assunto, comentei em meu blog as consequencias da Knol em relação a informação na rede e a wikipedia. Olhando por esse ângulo, mesmo que a chegada da Knol resulte numa diminuição de acessos ao site da Wikipedia, a questão não se resumirá a concorrência entre dois sites, mas sim entre dois modelos de estrutura funcional. Eu aposto na Wikipedia.

    Quem quiser discutir dá uma olhada lá: http://fabriciokc.wordpress.com/

  12. Comentou em 17/12/2007 Odracir Silva

    Caro Castilho, jaa leu aquele conto do Jorge Luiz Borges, ‘La bibioteca de Babel’? Pois ee, ee uma boa definicao da web… Para os q nao leram, eu o aconselho.

  13. Comentou em 17/12/2007 Lair Martes

    Um trabalho de graduação que mereceu nota DEZ em uma universidade brasileira tem chance ZERO de ser reconhecido no mundo por melhor e mais relevante que seja o trabalho. Qual é a chance de um texto brasileiro relevante vir a público que não seja por meio de um site como esse? Outra coisa, olhando a história do desenvolvimento das ciências naturais nos séculos XVII a XX parece que somente ingleses, franceses, alemães (e de vez em quando um ou outro gato pingado de outra nação) foram os que tiveram trabalhos publicados. Será que somente eles eram brilhantes ou será que muitos trabalhos portugueses ou espanhóis foram simplesmente jogados na lata de lixo?

  14. Comentou em 17/12/2007 Fábio de Oliveira Ribeiro

    Há algum tempo participei de uma pesquisa universitária com o seguinte título ‘O fantástico na Literatura Brasileira’. Em razão disto, lí, resenhei e avaliei mais de uma dezena de romances e contos. Ao final do trabalho fui informado pela orientadora da Pesquisa, que a instituição de ensino (UNIFIEO) iria solenemente arquivá-la. Publiquei meus trabalhos na Internet (www.revistacriacao.net) e enviei mensagem ao Reitor da instituição desautorizando a utilização futura do material que produzi (e que no futuro pretendo transformar em livro). Meus textos sobre a literatura fantástica no Brasil já foram utilizados em teses de mestrado e até republicados pela União dos Escritores de Angola. Quando o novo serviço do google estiver funcionando, publicarei lá a referida pesquisa. Às vezes me perguntando quanto conhecimento apodrece nos aquivos universitários brasileiros? Taí um bom tema para um conto tantástico, não acha?

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