A hipótese Haddad e o desavisado leitor | Observatório da Imprensa - Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito
Sexta-feira, 17 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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A hipótese Haddad e o desavisado leitor

Por Luiz Weis em 06/05/2008 | comentários

Salvo engano, a primeira vez que o sobrenome Haddad e o substantivo candidato apareceram juntos na grande imprensa foi em 26 de março, na matéria da Folha sobre a sabatina a que o jornal submetera, na véspera, o ministro da Educação, prenome Fernando.

Perguntado se poderia vir a ser candidato a prefeito de São Paulo na eleição deste ano, respondeu, singelamente: “Ninguém falou comigo sobre essa possibilidade”.

Desde então, a possibilidade de Haddad vir a ser candidato – à sucessão do presidente Lula – tem aparecido com crescente freqüência nas colunas políticas.

Se os colunistas, ou os petistas, falaram com ele sobre isso, ao leitor não é dado saber. Mas se dá como que de barato que o plano B de Lula, se a protocandidatura da ministra da Casa Civil não emplacar, seria ir de Haddad, quem sabe promovido a “pai da Educação”.

Da ministra, Lula disse numa entrevista recente: “A Dilma é de uma capacidade de gerenciamento impecável. Agora, entre ser uma figura extraordinária para gerenciar e ser candidata à Presidência é uma outra conversa, porque aí entra um ingrediente chamado política, que exige outras credenciais.”

Do ministro, Lula nada disse, nem insinuou.

Mas os comentaristas já falam da alternativa Haddad com uma naturalidade perturbadora. Ainda hoje, a colunista Dora Kramer, especulando sobre o desempenho da ministra, no depoimento marcado para amanhã na comissão de Infra-Estrutura do Senado, arrematou – ou, talvez fosse o caso de dizer, arremeteu:

”Se for boa [a performance], [Dilma] continua cotada no ensaio de candidaturas. Se for ruim, sai de cena e cede a cadeira de pista no palanque para o ministro da Educação, Fernando Haddad.”

Isso não pode continuar assim. A esta altura, a imprensa deve ao perplexo leitor a cortesia elementar de lhe transmitir as informações de cocheira em que presumivelmente se baseiam os colunistas para escrever o que têm escrito sobre os(as) candidatos(as) dos planos de Lula.

Como é que começou essa conversa? De que área do governo partiu a hipótese Haddad? Quantos – pedir quais seria pedir demais – são os palacianos, os proverbiais “interlocutores próximos do presidente”, que estimulam o colunato a ficar mencionando o nome do ministro? Ou será que tudo – ou quase – é chute?

Se a eventualidade é considerada, como é que os que a admitem, ou defendem, imaginam que será a substituição daquela que foi sem ter sido por aquele que ainda não é, mas “pode estar sendo”?

O presidente Lula deixa a ministra em casa e sai pelo país afora de braços dados com o outro?

Candidaturas presidenciais não se constróem com tamanha simplicidade, ainda mais quando o presidenciável nunca antes foi candidato a qualquer coisa – e mesmo que não se ouça uma voz criticando o seu trabalho na Educação e se ouçam muitas cobrindo-o de elogios.

Aliás, outro dia deu numa coluna, meio a sério, meio a brinca, que é só Fernando Henrique parar de falar bem do ministro que Lula põe o seu nome na praça.

É, pode ser. Mas, se depender do descaso da mídia, o leitor será o último a saber.

Todos os comentários

  1. Comentou em 08/05/2008 Nilton José Dantas Wanderley

    Gosto tanto de Dilma quanto de Haddad.Votaria sem nenhum problema em qualquer um destes.Como no Ciro também.Mas depois da ‘surra’ que a ministra deu ontem na oposição as tais credenciais políticas a que Lula se refere parece que ela já tem.Pudera.Convivendo com o mito Lula não teria como não aprender.Minha chapa´presidencial é : Dilma presidente,Haddad vice.Se Ciro concordar,pode ser o vice.Em tempo: deu pena ver a cara da oposição desnorteada na audiência públicia de ontem. A raposa José Serra tem razão: com este tratamento dado pela oposição Dilma não só vai subir cada vez mais nas pesquisas como pode acabar se elegendo.De minha parte creio que pelo andar da carruagem quem Lula abençoar se elege.Desde que não sejam ‘postes’. E graças a DEUS e ao PT, nem Dilma,nem Haddad e nem Ciro são postes.

  2. Comentou em 08/05/2008 Mario Abramo

    Caro Weiss,
    Depois da surra da Dilma na oposição, será que ainda resta alguma dúvida? Com inimigos como esses, quem precisa de aliados….

    Abraços

  3. Comentou em 08/05/2008 Carlos Afonso Razzeti

    Eu não sei porque no Brasil já está se discutindo sucessão presidencial com tanto tempo de antecedência. Quais os interesses dos jornais lançarem um candidato? Temos ainda dois anos para a próxima eleição presidencial, é tempo demais em política. Em dezembro de 2005, após o furacão do escândalo do mensalão, muita gente já achava que Lula estava fora do páreo. Me lembro de uma velha raposa da política brasileira uma vez dizer: ‘política é como nuvem, você olha agora está de um jeito, olha pouco tempo depois e já está diferente’.

  4. Comentou em 07/05/2008 antonio nunes

    Será que o José Agripino quer ser vice da Dilma ? pois sua pergunta inicial, sobre mentira na ditatura, só pode ter sido combinado com ela. Efetivamente, o Senador impulsionou, deu destaque à suposta candidatura da Ministra, tipo assim, levanta que chego chutando. Santo amadorismo. Depois a oposição ainda quer enfrentar Lula. Desse jeito pode desistir. Como eles não conseguem sozinhos, mais uma vez vão ter que pedir uma ajudinha para aqueles velhos e conhecidos meios de comunicação.

  5. Comentou em 07/05/2008 José Orair Silva

    ‘Candidaturas presidenciais não se constróem com tamanha simplicidade, ainda mais quando o presidenciável nunca antes foi candidato a qualquer coisa – e mesmo que não se ouça uma voz criticando o seu trabalho na Educação e se ouçam muitas cobrindo-o de elogios’. Depende da artilharia midiática disponível. Em passado não muito remoto a mídia, temerosa da ascensão de um certo ‘sapo barbudo’, conseguiu em poucos meses construir a candidatura de um cidadão, obscuro governador de um pequeno estado do nordeste, cuja principal credencial era apresentar-se como um suposto ‘caçador de marajás’. Passado o período eleitoral e afastado o perigo então representado pelo ‘sapo barbudo’, a mídia mudou de lado e passou a execrar, impiedosamente, aquele que antes enaltecera, furando o balão mídiático que ela mesma inflara…

  6. Comentou em 07/05/2008 Gersier Lima

    Falando em Dilma, nesse momento ela está dando uma ‘aula’ sobre o PAC aos senadores. Pra variar os ‘urubus’ estão apostos para enfatizar qualquer deslize ou dar destaque as babaquices que certos senadores que tem apoio irrestrito do PIG, falarem. Para quem possui parabólica ou tv a cabo, a NBR é uma ótima opção.

  7. Comentou em 07/05/2008 Fernando Meiras

    O PT parece não ter pressa, ou então, estrategicamente, não deseja jogar ninguém na fogueira muito cedo, nesse circo das eleições presidenciais. Sabe que a oposição, por estar na berlinda de muita coisa, só aguarda a chance de um ataque para desestabilizar qualquer candidato com potencial para segundo turno.

  8. Comentou em 06/05/2008 marina chaves

    pois entao temos tres alternativas para a sucessao presidencial , que ainda está distante 2010 apenas:: muda-se a constituiçao e pronto, lula pode se reeleger….. mas lula nao aceita isso de jeito nenhum… e lá vai a ministra dilma em inauguraçoes de obras do pac, tendo a tiracolo lula………. bom, mas nao é bem assim, se a ministra nao souber responder questoes aos nobres congressistas, pode emplacar a educaçao….. ai, fernando hentrique diz , numa conferencia internacional, que terceiro mandato para lula já é demais…. ora, tá na hora de a imprensa abrir as fontes…. isso parece o samba do criiolo doido! tanta coisa urgente pra se resolver no pais…………………… parabens pelo o aniversario do observatorio! viva esse espaço democratico no qual os leitores podem participar, com versos rimados ou nao!.

  9. Comentou em 06/05/2008 marcelo nonato

    A 1ª vez que vi referência à candidatura do ministro foi em matéria no Valor, no ano passado (05/09/2007). Veja só:

    ‘Prestígio de Haddad perturba o PT

    Primeiro ministro da Educação a visitar em décadas locais como o Estado do Amapá e a Ilha de Marajó, Fernando Haddad será, no fim de 2007, o integrante do alto escalão do governo federal que mais terá rodado o país. A previsão é de que todos os 26 Estados sejam percorridos para o lançamento do Plano de Desenvolvimento da Educação, cuja principal meta é que os alunos atinjam a nota média 6 até 2022, saindo dos parcos 3,5 atuais.

    Por onde passa, sua agenda assemelha-se à de um candidato: reuniões com prefeitos e governadores, almoços com empresários, encontros com jornalistas e tietagem de professoras.

    Aos 44 anos, esse paulistano que só disputou eleições de diretório acadêmico caiu nas graças do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem virou uma espécie de consultor econômico informal. A intimidade com Lula começou a criar especulações sobre seu potencial eleitoral e já desperta reações de parte do PT paulistano ligado à ministra do Turismo, Marta Suplicy.’

    Leia mais em (só apra assinantes) –
    http://www.valoronline.com.br/valoreconomico/285/primeirocaderno/especial/Haddad+cai+nas+gracas+de+Lula+e+ja+incomoda+,,,59,4519057.html

  10. Comentou em 06/05/2008 Nina Lofrese

    É incrível como as especulações da mídia acabam influenciando nas próprias candidaturas do governo. Especulam pra lá, especulam pra cá. É tudo puro chute, na base do ‘se’.

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