Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

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A importância da transparência na informação sobre a imprensa

Por Carlos Castilho em 11/01/2007 | comentários


Alguns leitores me perguntam porque publico com tanta frequência notícias sobre a crise nos jornais e acho que eles tem todo o direito a uma resposta mais ampla. Estou convencido de que a informação sobre o que acontece na imprensa não é mais um privilégio dos profissionais mas sim um tema que interessa ao público em geral, porque é através dela que recebemos as informações que condicionam nossas decisões pessoais.


Assim, quanto melhor conhecermos a situação dos jornais, revistas, televisões, rádios e agora também dos páginas informativas na Web, mais capacitados estaremos para exercer nosso papel de cidadão.


Tudo isto parece óbvio ou tirado de uma apostila de aulas de Moral e Cívica mas a internet tornou a informação uma matéria prima tão importante que ela não é mais uma exclusividade dos jornalistas. Saber o que acontece dentro das redações e nas salas da diretoria de um jornal é hoje tão importante para a informação pública como o que sai impresso. Porque é nestes ambientes que se decide sobre o que vamos discutir, pesquisar, batalhar ou refletir.


Esta introdução serve para irmos outra vez o tema crise na imprensa agora com duas informações vindas dos Estados Unidos e que seguramente provocarão mudanças também aqui no Brasil, dentro de algum tempo.


A primeira é a reportagem do jornal The Washington Post (Newspaper-TV Marriage Shows Signs of Strain) que revela uma corrida dos grandes grupos da imprensa escrita norte-americana para livrar-se de investimentos na televisão, contrariando a histórica tendência a associar conteúdos impressos com audio-visuais.


O The New York Times, há semanas, torrou nove emissoras de TV depois de ter vendido sua participação no Discovery Channel, em novembro passado. O grupo Tribune , controlador do Chicago Tribune, quer se desfazer de 24 estações de televisão mas está encontrando muita dificuldade para achar compradores generosos. E o grupo E.W. Scripps, que tem 19 jornais e 10 TVs, quer desmembrar suas operações para ficar só com os impressos.


Quatro anos depois de ser apontada como uma aliança estratégica, o casamento entre jornais e TV entrou em fase de separação amigável e a razão é uma só: a internet. O modelo de negócios da imprensa escrita está sendo revisto em todo o mundo por conta da emergência de novos atores na arena informativa como as páginas noticiosas em tempo real, os weblogs e a distribuição viral de informações por meio do correio eletrônico, listas de discussão e chats online.


O modelo da TV também está em crise por conta da popularização da troca de vídeos pela internet, do barateamento dos equipamentos de gravação de imagens e dos softwares de edição e publicação de vídeos. Resultado, a televisão que já foi um negócio capaz de produzir fabulosos lucros líquidos de 40% ao ano nos EUA, luta hoje para ficar na faixa dos 10%.


Para quem olha um pouco mais adiante, deixou de ser um bom negócio ter jornais e redes de televisão, ainda mais quando os dois estão juntos. Para se ter uma idéia do clima que está tomando conta das salas de diretoria dos grandes jornais norte-americanos, o grupo McClatchy, na virada do ano, passou adiante pela metade do preço o jornal The Minneapolis Star Tribune, comprado há menos de seis anos.


A pressa na venda tem um motivo claro. A indústria dos jornais costumava ter lucros líquidos anuais em torno dos 20% até o ano 2000. Depois eles cairam para 10%. No ano passado foram de 8% e a previsão para 2007 é de magros 7%, confirmada por uma nova queda de 0,9% no faturamento publicitário dos jornais americanos no ano que está começando agora.


O The New York Times está com um pepino na mão. Em 1993, o Times comprou o The Boston Globe por 1,2 bilhão de dólares. Hoje, o jornal perdeu 2/3 de sua circulação e vale apenas 500 milhões de dólares.


Assustados com a queda constante da rentabilidade dos jornais, preocupados com o futuro da televisão comercial quando a era da imagem digital estiver a pleno vapor daqui a dois anos, os acionistas de grupos da mídia estão buscando socorro nos meios financeiros, na vã esperança de que eles podem recuperar a lucratividade perdida.


O Star Tribune foi comprado pela Avista Capital Partners, enquanto o grupo financeiro Private Capital Managers, depois de ter forçado a venda de 33 jornais da rede Knight Ridder, reduziu agora no inicio de janeiro, seus investimentos no The New York Times, nos jornais da rede Gannett e no conglomerado Belo, de radio e televisão.


O panorama não é menos sombrio na Europa, onde os deficitários jornais franceses namoram uma possível ajuda governamental para compensar quedas médias de 1 a 2% ao ano nas vendas em bancas e assinaturas.O ministro da Cultura, Renaud Donnedieu de Vabres, chegou a admitir que investidores em jornais gratuitos de opinião poderiam ter isenção fiscal, a ‘bolsa família’ da imprensa francesa.


Os empresários, jornalistas e investidores travam uma corrida contra o tempo tentando salvar ativos, biografias e investimentos ameçados por mudanças estruturais provocadas por inovações tecnologicas que estão gerando novas rotinas informativas e novos valores sociais. Não é também apenas um fenômeno europeu ou norte-americano. Aqui no Brasil a situação dos jornais, editoras de revistas e televisões também está mudando, só que há uma escassez generalizada de informações por conta da pouca transparência dos grupos nacionais de mídia.


Está cada vez mais claro que a mudança não se limita à produção de novas engenhocas e gadgets eletrônicos. É uma nova cultura em surgimento e o leitor é um protagonista chave nela. Quanto mais cedo ele tomar consciência deste novo papel através da informação, melhor ele poderá exercê-lo e usufrui-lo.

Todos os comentários

  1. Comentou em 16/01/2007 Thiago Rivero

    Caro José Carlos Lima, é importe salientar que no caso Raul Jugman, a denúnnica feita pelo MP não indica nenhum tipo de crime. Como todos sabemos a família de Ricardo Noblat, incluindo sua esposa, faz parte de uma rarissíma ética encontrada em Brasília. Noblat foi o único a ter coragem de ir contra o coronelismo que percistia em Brasília, e por isso foi mandado embora do Correio Braziliense. Agora, as pessoas do mesmo tipo de laia de Joquim Roiz, estão querendo enfraquecer a bancada da ética na câmara. Então, antes de falar de alguém como Noblat, pense pelo menos na liberedade de expressão, coisa que aqui em Brasília não encontramos mais e começo a ver que está se expandindo por todo Brasil. Outra, Ricardo foi um dos primeiros a noticiar em seu blog a denuncia do MP, porque ele faria isso se tem o rabo preso?!

  2. Comentou em 16/01/2007 Cecilio Ricardo

    Perceber o que acontece nas redações é imprecindível para se ter a noção de como as informações são passadas para nós espectadores. Essa teoria não é de hoje, mas desde seus primeiros estudos, poucas vezes foi tão executada na história como nos dias atuais.

  3. Comentou em 16/01/2007 Chico Lacerda

    Interessante como os primeiros vinte anos de cada século são fundamentais para varrer os conceitos arraigados do século anterior.
    Basta olhar o século 19 que só acabou de fato em 1918 com o fim da Primeira Grande Guerra. Portanto, o século 21 só vai começar em 2020, onde grandes mudanças vão ocorrer (as relações de trabalho vão começar a sofrer grandes e irreverssíveis mudanças). Na área da informação então, nem se fala. Ninguem mais confia no Governo e na Imprensa. Está claro que o acesso será ilimitado, sem controle, quase anárquico. Com certeza o Poder vai agir e tentar por em prática o Grande Irmão, que tudo controla e tudo vê. Mas o ser humano vai dar um jeito. A Pirataria vai deixar de ser crime, porque incontrolável é o seu combate. Qualquer aluninho de qualquer buraco educacional de Jornalismo aprende que o Virtual e o Real são indivisíveis. O karaokê, Videokê… Nossos avós e pais se contentavam com Rodolfo Valentino e John Wayne. A garatoda não quer só ver. Quer fazer. O que o público quer hoje é o Reality Show, não só esse famigerado BBB, mas a Supernani, Troca de Esposas, The Contender, e aí vai. A molecada quer o KillZone, Resident Evil, onde você mata virtualmente. Todo mundo será John Wayne, Paulo Francis, nem que seja por algumas horas. Hoje, qualquer um, com o mínimo de talento compoe música, escreve livro.. A imprensa ou muda ou será mudada pelo mercado.

  4. Comentou em 15/01/2007 Cairo Cananéa

    TALVEZ ISSO EXPLIQUE A APELAÇÃO EXISTENTE POR PARTE DA MÍDIA ATUALMENTE.
    ESTÃO ATIRANDO PRA TODO LADO.

    LOGO DIREMOS ADEUS AOS QUE MANIPULARAM ESTA NAÇÃO POR ANOS.

  5. Comentou em 15/01/2007 Antonio Valadão

    Será que a Globo sobreviveria se ficasse um mês sem o seu Bolsa Família, ou seja, os anúncios de publicidade da PETROBRÁS, do BANCO DO BRASIL e da CAIXA E. FEDERAL?

  6. Comentou em 15/01/2007 Marnei Fernando

    E quanto à denúncia do Ministério Público contra o ‘Chefe de quadrilha Raul Jungmann? ninguém mais fala nada? E quanto às implicações da esposa do Noblat em serviços publicitários superfaturados no esquema de desvio público de dinheiro montado pelo deputado inquisitor oposicionista? Ninguém da mídia tem nada a cobrar ou a dizer a respeito? O chefe de quadrilha deles é melhor que o chefe de quadrilha dos outros? Como sempre… a mída unida não sei a quem… acha que sim.

  7. Comentou em 15/01/2007 Wilkner Anderson da Silva

    Olá Carlos, é de grande uso para mim essas informações do mercado editorial, televisivo e, principalmente, jornalístico americano. Como sempre existe um delay para esses moldes começarem a vigorar no país. A importância deste tema, na minha concepção, está nas universidades, nos cursos de jornalismo do país. Essas informações têm de ser direcionadas para alunos do curso que buscam seu espaço na profissão. Se o webjornalismo é uma tendência, esse assunto tem que ser comentado em aula, é um dever do aluno se manter atualizado sobre o universo de sua profissão desejada, contudo é uma missão dos professores divulgarem o que se passa no ambiente ´extra classe´. O futuro é a internet, em muitas profissões, e o jornalismo segue essa tendência. Vejo o mercado exigirá profissionais capacitados, principalmente, neste segmento -webjornalismo. Bom dia.

  8. Comentou em 15/01/2007 Marnei Fernando

    Como é que é essa história da esposa do Noblat Jose Carlos Lima? Essa eu não fiquei sabendo ainda… Você é de Goiânia e eu de Anapolis… Trabalhamos ambos em arte multimidia… talvez seria interessante nos conhecermos… meu email é … marnei_fernando@hotmail.com … abraço

  9. Comentou em 15/01/2007 Marnei Fernando

    O jornalista Eduardo Guimarães faz um importante, esclarecedor e intrigante artigo sobre a manipulação da informação nas midias educativas… Escandalosamente infestada de tucanos e seus lambe botas… mas esse post você jamais verá na capa do Observatório da imprensa… pois esse veículo também faz parte dessa mesma organização paulista subservientes ao PSDB…
    http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?msg=ok&cod=415JDB004&

  10. Comentou em 15/01/2007 Ana Maria Lima

    A audiência da Record superior à da Globo nesta tarde domingo. A Globo só passou na frente na hora do programa de Ivete Sangalo que apresentou artistas de peso, como por exemplo Ney Matogrosso. Fora isso a surra foi tremenda. Motivo da derrota da Globo: a Record deu espaço para cobertura da cratera no metrô de SP.

  11. Comentou em 15/01/2007 jose carlos lima

    As Organizações Globo, esta intransingente defensora da ética…será que ela ( Globo )não vai demitir o Noblat? Como se sabe, acerca do caso Jugman no qual a esposa dele está metida, ele ( Noblat ) não sabia de nada. Hahahahahaha

  12. Comentou em 14/01/2007 JOSE ORAIR Silva

    Estranho, muito estranho. Temos mais informações sobre a situação financeira da mídia norte-americana do que da mídia nativa… Ninguém gosta de falar no assunto. É como um desagradável segredo de família que deve ser guardado a sete chaves…

  13. Comentou em 14/01/2007 Fabio de Oliveira Ribeiro

    Pô meu do jeito que as coisas estão a extinção dos jornais, revistas e tvs tradicionais será mais rápido do que havia imaginado. Com base no pouco que tenho lido sobre o assunto havia chegado à conclusão de que as mídias tradicionais ainda teriam pelo menos uma década. Deste jeito não terão nem dez meses. Se a velocidade na erosão das bases financeiras das mídias tradicionais se comunicar às estruturas político-institucionais que elas ajudaram a construir e manter ocorrerá um verdadeiro caos. Um santificado caos que colocará até os mais empedernidos, raivosos e belicosos Estados ocidentais (inclusive e principalmente os EUA e China) de ponta-cabeças. Uma nova onda civilizatória pode estar prestes a quebrar na praia. O mundo que desconheciamos já não existe mais. O mundo como irá ser conhecido é uma adorável incognita. Caso os senhores da guerra queiram interferir neste processo de desagregaçãoconstrução do mundo descobrirão que até as lealdades nas casernas, que no passado possibilitaram a movimentação de vastos exércitos, serão redefinidas. A era dos adestramentos em massa e da cega submissão dos soldados chegou ao fim.

  14. Comentou em 14/01/2007 francisco jose alves pinto alves pinto

    ADORO OUVIR NOTÍCIAS SOBRE O FIM DA MÍDIA GRANDE, E SAFADA. AINDA BEM QUE NO BRASIL ELA COMEÇA TAMBÉM A DEFINHAR. É MASSACRANTE TER QUE OUVIR MIRIAM LEITÃO, ALEXANDRE GARCIA, E OUTROS EX-GLOBO, TODOS ‘ESPECIALISTAS’ NO ASSUNTO, QUANDO SE SABE QUE EXISTE TANTA GENTE BOA, COMPETENTE E HONESTA QUE NÃO TÊEM OPORTUNIDADE DE APARECER ALI NA TELINHA, NOS BRINDANDO COM SUA INTELIGÊNCIA JUSTAMENTE POR SEREM COMPETENTES E HONESTAS.

  15. Comentou em 11/01/2007 Ivan Moraes

    Nao ha a menor razao pra panico: projeto 50 centavos agora e ja, ou colapso nos estoques. O que nao se esperava eh que a de-centralizacao fosse acontecer tao rapidamente.

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