Sexta-feira, 20 de Julho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº996
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A inflação do pão ainda não é tudo

Por Luiz Weis em 11/04/2008 | comentários

A crise alimentar mundial – com os preços disparando 83% nos últimos três anos e reduzindo os estoques globais ao menor nível em mais de duas décadas e meia – recebe da Folha de hoje tratamento à altura da extrema gravidade do problema, incluíndo a manchete do dia.


Uma das suas quatro matérias a respeito cita o presidente em Lula, falando de Haia, Holanda.


Para ele, a inflação alimentar é motivo de alegria. Primeiro, porque é sinal de que o povo está comendo mais. Segundo, porque no Brasil o problema é fácil de resolver – “dos 851 milhões de hectares [do território], 400 milhões são agricultáveis”. E terceiro, é que “se todo mundo voltar a produzir mais, a gente vai ter mais riqueza, mais emprego e menos inflação”.


Quando se fala em potencial agrícola e em expectativa de aumento de produção não há propriamente realidades a comemorar – são apostas para o futuro. Da terceira, aliás, não há nem semente a ver: em áreas imensas nos Estados Unidos, a produção de comida está sendo substituída pela produção de biomassa para fins energéticos – etanol de milho, com subsídios pornográficos.


E tem mais. Tem aquilo que talvez o maior demógrafo vivo, o americano Paul H. Erlich, escreve hoje na seção de cartas do New York Times:



“Neste século, a humanidade ‘planeja’ acrescentar cerca de 2,5 bilhões de pessoas à Terra, muito mais do que era a população mundial inteira quando nascemos [1932]. Pior ainda, essa nova gente terá um impacto desproporcional nos sistemas ambientais que sustentam a agricultura.


Naturalmente, os seres humanos utilizarão primeiro os recursos mais ricos e prósperos. Em média, cada nova pessoa precisará ser provida de alimentos cultivados em terras menos produtivas, usando água transportada mais longe, requerendo mais fertilizante por unidade de produção, com necessidades energéticas supridas principalmente por petróleo extraído de poços mais fundos. E tudo isso enquanto se estiver lidando com a mudança climática que ameaça a agricultura de muitos lados diferentes.


Nenhum economista, a rigor, nenhum ser humano, deveria ignorar esses fatores.”


Nenhum jornalista, tampouco, portanto.

Todos os comentários

  1. Comentou em 13/04/2008 Paulo Hase

    Nada é mais caro ao ser humano que a ilusão. E a ilusão corrente é que alimentaremos mais alguns bilhões de habitantes nos próximos anos preservando o meio ambiente. Como? Onde será produzida a comida para alimentar essas pessoas? Para não se cair nessa esparrela é necessário encarar a realidade e é hora de se começar um drástico planejamento familiar pra valer, queiram ou não os reacionários da Igreja Católica. Está em jogo a sobrevivência da humanidade com qualidade de vida. Não se esqueçam que existe um limite para a produção de alimentos
    Paulo Hase

  2. Comentou em 11/04/2008 Marco Antônio Leite

    O homem LAVRAS a terra para plantar aquilo que a elite consome, para nós, os pobres, sobram somente à prosperidade das migalhas que caem da mesa dos insensíveis. Senhor com todo o respeito que tu mereces, esse governo, para calar o pobre distribuí cesta básica que falta tudo, ou seja, falta emprego, salários decentes, terra para a reformar agrária, casas populares para eliminar às milhares de favelas espalhadas por todo território nacional. Não se deixa levar por falatório, eles tem os microfones a disposição e nos damos os orelhões, só acredita aquele que não a-corda, ou abre os olhos para ver a verdade ou morrerá enforcado na a-corda? Não sou PSDB-sta, muito menos DEMO, bem como excluo o petismo porque o Lulla capitulou e se juntou aos banqueiros, empresários, especuladores e os chupins de plantão.

  3. Comentou em 11/04/2008 Ulisses Simon da Silveira

    Para variar, a culpa é do lula! Acorda você, não admitir uma prosperidade nunca vista no Brasil! Quanto a este comentarista, seus textos já são conhecidos como sucursal do PSDB/DEMO. O desejo de vocês era continuar como estava antes, os ricos consumindo toda a prosperidade e os pobres servindo de mula para a produção! Já se sabia que serão necessários 5 planetas terras para suprir a demanda se o consumo for igual para todos e comparavel ao do primeiro mundo. Das duas uma, ou os ricos diminuem sua voracidade de consumir e distribua com os pobres ou não haverá nova geração!

  4. Comentou em 11/04/2008 Tiago de Jesus

    No Brasil a conversa promete descambar pro malthusianismo desavergonhado: ‘A man who is born into a world already possessed, if he cannot get subsistence from his parents on whom he has a just demand, and if the society do not want his labour, has no claim of right to the smallest portion of food, and, in fact, has no business to be where he is. At nature´s mighty feast there is no vacant cover for him. She tells him to be gone, and will quickly execute her own orders, if he does not work upon the compassion of some of her guests. If these guests get up and make room for him, other intruders immediately appear demanding the same favour. The report of a provision for all that come, fills the hall with numerous claimants. The order and harmony of the feast is disturbed, the plenty that before reigned is changed into scarcity; and the happiness of the guests is destroyed by the spectacle of misery and dependence in every part of the hall, and by the clamorous importunity of those, who are justly enraged at not finding the provision which they had been taught to expect. The guests learn too late their error, in counter-acting those strict orders to all intruders, issued by the great mistress of the feast, who, wishing that all guests should have plenty, and knowing she could not provide for unlimited numbers, humanely refused to admit fresh comers when her table was already full.’

  5. Comentou em 11/04/2008 Marco Antônio Leite

    O Lulla divaga quando pensa que o povo esta comendo mais. A-corda presidente será que é vantagem comprar alimentos de terceira ou de quinta qualidade para se alimentar, visto que nesse caso pode estar ocorrendo que o comilão esta consumindo mais, mas sem qualidade necessária. Isso porque o real não acompanha a inflação que tem pesado nos alimentos, bem como os melhores produtos são exportados para países mais ricos, ficando aqui somente produtos de baixa qualidade. Será que o Lulla fez uma pesquisa IN-LOCO ou foi informado aleatoriamente por um de seus milhares de assistentes A-corda senhor ou você abre os olhos para o que vem ocorrendo, ou tu morrerá enforcado pela corda.

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