Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

CÓDIGO ABERTO > Código Aberto

A informação socialmente responsável e a gripe H1N1

Por Carlos Castilho em 01/05/2009 | comentários

A qualificação socialmente responsável bem que poderia ser uma preocupação onipresente na cobertura da epidemia de gripe suína, mais conhecida agora pelo cabalístico nome oficial de Influenza H1N1 (desenho esquematizado do virus, aqui ao lado).


 


Estamos diante de uma situação potencialmente muito grave e que no estágio atual está sendo decidida basicamente no âmbito das políticas de informação. É agora que a responsabilidade social de governos e da mídia pode evitar duas situações extremas e igualmente catastróficas.


 


Minimizar a situação por conta de preocupações comerciais, políticas ou religiosas pode deixar a população despreparada para o evento de a gripe H1N1 tornar-se uma pandemia (epidemia de alcance mundial). Pelo outro extremo, o pânico e a histeria desnecessários podem acelerar a proliferação da doença e torná-la incontrolável.


 


É claro que os governos e organismos internacionais devem pesquisar vacinas, mas o que realmente está configurando uma emergência informativa é a multiplicação de dados, notícias e informações desencontradas que deixam a população insegura e consequentemente vulnerável a decisões não refletidas.


 


Boa parte da luta contra a propagação da doença está sendo travada agora no campo da informação, mais do que nos laboratórios farmacêuticos e gabinetes ministeriais. É talvez a primeira vez que um fenômeno como esse acontece num ambiente de avalancha noticiosa e de interatividade direta entre cidadãos, pela internet.


 


Por dever de ofício e por experiência própria, os jornalistas e a imprensa enfrentam uma conjuntura complexa porque estão na obrigação de corrigir erros governamentais em matéria de fluxos noticiosos e, ao mesmo tempo, resistir ao apelo fácil do sensacionalismo como forma de aumentar o faturamento comercial.


 


Um passeio pelas páginas dos jornais e pelos noticiário da rádio e televisão mostra uma dupla percepção da crise gerada pela H1N1:


1)     A Organização Mundial da Saúde traça um panorama sombrio com advertências cada vez mais carregadas de pessimismo. No México, o governo adota medidas de guerra enquanto nos Estados Unidos começam a surgir sinais de histeria, especialmente na Califórnia, onde os mexicanos passaram a ser vistos como uma ameaça social.


2)     Por um lado, os dados estatísticos mostram um quadro bem diferente. Nos Estados Unidos e no México, a incidência atual de casos de gripe é considerada moderada e com uma freqüência 50% menor do que em janeiro e fevereiro, os meses de inverno em que os casos de gripe são mais comuns, sem no entanto serem considerados endêmicos.


 


Mais do que em qualquer outra situação, cabe aos jornalistas uma reflexão profunda sobre as implicações de sua responsabilidade informativa. Não basta agir convencionalmente seguindo as rotinas habituais, como mandar um correspondente para o México para mostrar o medo e a insegurança da população local.


 


Numa situação como esta, a missão principal de um correspondente é procurar no México elementos para que os brasileiros possam decidir o que fazer aqui para evitar a propagação da doença. Semear o medo, mesmo que de forma sutil, é uma atitude inadequada porque pode acabar gerando uma situação artificial, pelo menos por enquanto.


 


A divulgação de dados e notícias não confirmadas, como vem acontecendo em vários países e que são reproduzidas ad nauseam pela imprensa e por weblogs, amplia a epidemia de insegurança informativa que torna as pessoas ainda mais vulneráveis aos efeitos da gripe.


 


O objetivo deste post não é cair de pau na imprensa e nem apontar a metralhadora denuncista em direção ao governo. A preocupação é mostrar a necessidade de pensar antes de publicar. É quase redundante dizer isto, mas a rotina das redações tornou quase automática a produção de notícias. A tentação do furo jornalístico está associada à pressa e ao aumento do risco de erros.


 


Os jornais, revistas, emissoras de televisão e rádio, bem como as páginas informativas na Web deveria instalar grupos especializados no monitoramento do material publicado tendo como função especifica verificar a responsabilidade social de cada informação publicada. Trata-se de um procedimento que não está incluído na maioria dos manuais de redação, mas que provavelmente se tornará compulsório face a complexidade da nova conjuntura informativa criada pela internet.

Todos os comentários

  1. Comentou em 04/05/2009 Jorge Lander

    Não consigo imaginar que apenas um erro de avaliação tenha levado
    tantos jornalistas experientes a focar num assunto que, já faz, tempo,
    não ia longe. Sensacionalismo puro nas maiores redações de
    telejornal do país. O problema é quando a ‘impressa torce’. Torce
    pra que seja uma epidemia, torce para que morra um monte de gente.
    Aposta errada. Será que o Jornal Nacional, da Band ou da Record tem
    alguém pra questionar….’opa, fizemos m* besteira’?

  2. Comentou em 04/05/2009 rafael balducci

    A ultima pandemia, a gripe do frango, ocupou todos os formatos da mídia diariamente, todos os jornais e sites de noticia davam cobertura excessiva, mas a cura da gripe do frango veio com o inicio da copa do mundo, e a copa do mundo acabou e nunca mais se falou de gripe do frango.
    Pode ir la e pesquisar a cobertura e as datas.
    A minha dúvida é qual novo assunto será a cura da gripe suína, ou vamos ter que esperar até a copa de 2010?

  3. Comentou em 04/05/2009 Lau Mendes

    Pena que o norte no seu texto não é seguido por “produtivos” jornalistas que infestam a mídia com parte de informações como se fosse o todo e concluindo ou induzindo a “certezas” por vezes mais estapafúrdias que a mentira. Mas como de tudo se tira alguma lição, a Influenza H1N1 esta aí para provar a imbecilidade humana quando nos deparamos, como alguém já disse, com “a doença democrática”, aquela que não escolhe classe social. Este “pânico” com a morte repentina logo passa e não lembraremos, como agora, das “epidemias eternas” da fome no mundo e tantas outras que matam sempre os desvalidos só são lembrados quando é preciso diminuir custos orçamentários que possam vir a reduzir lucros privados.

  4. Comentou em 01/05/2009 Flávia Souza

    Como sempre vemos uma preocupação com o furo da notícia e não com a qualidade do que é publicado. Em uma situação em que os meios de propagação de uma informação estão cada vez mais diversos, a mídia não quer perder nada. A análise fica por conta daqueles que ainda querem se aprofundar em alguma coisa ou buscam um conteúdo com mais qualidade; como o que lemos agora.

  5. Comentou em 01/05/2009 palmerio carvalho

    Febre suína
    Depois de tanto bicho no Brasil, fica a refletir, quem consegue tomar uma atitude de gente decente, em verifica que o problema, não estar em encontra culpados e sim evitar.
    Chega de discursos vazios é gafanhotos no MS – GO, andorinha SP – MG, é isso é aquilo nas nossas barbas.
    A quem interessa, não ter solução, sei lá , o que sei é que nós aqui na ralé, enche-se sopinha de explicação: globo, folha, estado e outros que manobram e desvirtuam a forma de pensar e manobram a forma de viver os brasileiros, na próxima semana vai ser o que?? Pois, no entanto, um problema mal resolvido vai pra gaveta não sei de quem.
    http://inteligente.palmerio.adm.br

Código Aberto

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem