Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

CÓDIGO ABERTO > Código Aberto

A internet como direito humano essencial

Por Carlos Castilho em 09/03/2010 | comentários

Quatro em cada cinco pessoas entrevistadas pela rede britânica de televisão BBC afirmaram que o livre acesso à internet e à Web deve ser considerado um direito fundamental dos cidadãos porque a informação tornou-se hoje um componente obrigatório da vida social.


 


A pesquisa foi feita em 31 países (incluindo o Brasil) onde foram entrevistadas 27.973 pessoas tanto por telefone como por questionário presencial. A coleta de dados aconteceu entre dezembro de 2009 e janeiro de 2010. Os resultados foram divulgados no final de fevereiro e podem ser examinados num informe executivo publicado pela BBC.


 


A investigação indica que as pessoas estão valorizando cada vez mais a informação como um direito humano quase no mesmo pé da liberdade de expressão. É claro que este tipo de percepção é compartilhado majoritariamente por indivíduos que já tem atendidas necessidades elementares como cãs, comida e emprego.


 


O que impressiona é a alta incidência de pessoas que consideram o acesso à internet como essencial na sociedade contemporânea. Os índices mais altos foram registrados na Coréia do Sul (96% dos consultados) e México (94%). Nada menos que 91% dos brasileiros entrevistados também se colocaram do lado dos que defendem a universalização da internet gratuita.


 


A maioria esmagadora (96%) dos brasileiros ouvidos pela BBC, em nove cidades do país, está convencida de que a Web é essencial para o aprendizado. Mas ao mesmo tempo, os brasileiros mostraram uma considerável resistência a usar a rede para expressar opiniões (56% contra a média mundial de 49%) bem como uma clara tendência a não considerar a internet como parte obrigatória no quotidiano (71% contra 55% na média mundial).


 


As maiores preocupações dos internautas em todo o mundo são:


1)     Fraude em transações eletrônicas (32% dos entrevistados);


2)     Violência e sexo explícitos (27%);


3)     Ameaças a privacidade (20%).


 


Em compensação, é muito baixo o índice das pessoas preocupadas com a censura governamental (6%) e com a interferência corporativa (3%). O Brasil está entre os países com menor preocupação com a censura (2% dos entrevistados), três vezes menos que nos Estados Unidos (6%) e na França (7%).


 


Como era de esperar a principal atividade desenvolvida pelos usuários da internet é a busca de informações (47% dos entrevistados), seguida pelo correio eletrônico/mensagens curtas/ chats ( com 32%) e entretenimento (12%). Os percentuais de comércio via Web e participação em redes sociais ainda são muito baixos , respectivamente 5 e 3%.

Todos os comentários

  1. Comentou em 10/03/2010 Ibsen Marques

    Acho que no momento há uma coisa mais fundamental que o acesso à informação na Web. É mais importante preparar crianças e jovens para saber utilizxar a Internet como ferramenta a seu favor. Saber fazer pesquisa, testar a confiabilidade da informação, saber utilizar o que foi pesquisado etc. Digo isso porque tenho um filho em idade escolar e para ele (e provavelmente a maioria de seus colegas) pesquisa na internet é sinônimo de copy / paste. Parece que os professores não têm se importado muito em como são feitas as transcrições das pesquisas para os cadernos e nem mesmo se a informação obtida é ou não pertinente, coerente etc. Digita-se uma palavra ou frase no google, procura-se na lista o site mais bem diagramado e com texto mais suscinto e pronto, está feita a pesquisa. Desse jeito a qualidade da informação na web despenca.

  2. Comentou em 10/03/2010 André von Kugland

    De que adianta dar Internet a todos os estudantes, se a escola não os alfabetiza direito? Nem no português, nem muito menos no inglês, que é a língua predominante na Internet (não por racismo anglocentrista, como talvez queiram as viúvas de Brezhnev, mas pelo mero facto de que foi inventada nos EE.UU.).

  3. Comentou em 10/03/2010 Fábio de Oliveira Ribeiro

    Do ponto de vista penso que não há qualquer controvérsia.
    A CF/88 garante a todos cidadãos os direitos à liberdade de
    expressão e de acesso à informação. Estes direitos também são
    garantidos pela Convenção Americana de Direitos Humanos e pela
    Declaração Universal dos Direitos do Homem.
    As revoluções tecnológicas, que modificam os meios pelos quais os
    cidadãos se expressam e tem acesso a informação, NÃO PODEM
    ACARRETAR A SUPRESSÃO OU LIMITAÇÃO DOS DIREITOS
    HUMANOS CONSAGRADOS NA LEGISLAÇÃO.

    Aplica-se neste caso o mesmo raciocínio que os juristas usam para
    aplicar as normas de Direito Penal. A Lei diz que é crime ´matar
    alguém´. Portanto, não importa o meio pelo qual este resultado é
    obtido.

Código Aberto

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem