Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

CÓDIGO ABERTO > Código Aberto

A metamorfose de um jornal em crise

Por Carlos Castilho em 04/04/2009 | comentários

Eu acesso diariamente a edição online do The New York Times há cinco anos e ao longo deste período foi possível perceber a transformação do jornal numa comunidade de informação que também publica notícias.


 


A “Gray Lady” (dama grisalha) como o jornal é chamado pelos seus assinantes novaiorquinos foi mudando aos poucos, para não assustar os seus usuários mais conservadores mas ultimamente acelerou o ritmo com a introdução de algumas novidades informativas que mudam radicalmente a cara de uma página apoiada em 148 anos de jornalismo convencional. 


 


O Times acaba de lançar uma página onde seus leitores podem publicar fotos pessoais sobre como estão vendo a recessão norte-americana. É um mural que nos permite ver a crise pelos olhos de milhares de norte-americanos sem passar pelos filtros dos editores da seção de economia e política.


 


Outra inovação é a página, na seção de Economia,  onde os visitantes podem eleger as palavras que melhor expressam o seu estado de espírito em relação às dificuldades econômicas porque passa o país. Outra oportunidade dos visitantes manifestarem seus sentimentos e percepções de forma direta. As palavras mais freqüentes aparecem em tamanho maior.


 


Mais antiga é a seção Times People onde os leitores mais constantes podem criar comunidades de usuários para trocar informações. A seção faz muito sucesso entre homens de negócio e intelectuai s nova-iorquinos, que sugerem a leitura de artigos e documentos. Times People


 


O jornal investiu também na seção de palavras cruzadas , hoje um das grandes atrações online, com cerca de 300 mil visitantes diários e que cobra 40 dólares anuais por acesso.


 


Tudo isto não tem nada a ver com a filosofia tradicional dos jornais impressos e nem com a cultura das redações convencionais porque a noticia deixou de ser o prato único da versão online. Hoje é bem provável os acessos à pagina do NYT já se dividam entre os que buscam noticias e os que preferem interatividade.


 


É uma nova forma de ver a informação fora do formato rígido da pirâmide invertida ou dos manuais de redação. A edição online da Dama Grisalha está quebrando paradigmas em matéria de jornalismo, num momento em que a empresa que controla o Times passa por agudas dificuldades financeiras que a levaram a vender parte de seu recém inaugurado novo edifício-sede.


 


As experiências com um formato mais visual da informação, que no caso das fotos e palavras chaves selecionadas por usuários comprovam a tendência em direção a um jornalismo menos preso ao texto e mais baseado nas percepções, não filtradas, dos leitores.


 


Claro que o jornal perde boa parte do controle que tinha sobre o conteúdo informativo, coisa que ainda assusta muitos profissionais do jornalismo. Mas , ao que tudo indica, é o preço a ser pago pela sobrevivência.

Todos os comentários

  1. Comentou em 06/04/2009 Ibsen Marques

    Acho que essa perda do controle sobre o conteúdo é arriscada. Primeiro porque coloca o nome NYT como co-responsável pelo que em suas páginas é encontrado, segundo porque uma avalanche de informações ganharão espaço rapidamente sem nenhum questionamento e verificação sobre sua veracidade. A isso teremos que chamar pseudo-informação. O que vejo é que a irreversibilidade dessas mudanças tendem a dificultar muito mais o entendimento do que é informação e, se identificada como tal, qual tendência político-filosófica está seguindo já que não acredito em isenção.
    Não posso me esquecer dos exercícios de comunicação em sala de aula, nos idos da década de 70: o chamado telefone. Alguém plantava uma notícia e via como ela chegava ao passar por uns 40 alunos. Em nenhuma das vezes em que praticamos o exercício a notícia chegou inteira e, na maior parte das vezes a notícia recebida e transmitida pelo último aluno estava completamente descaracterizada. Tenho muito temor que isso esteja acontecendo e venha a se aprofundar com essa nova forma de informação, ou seria desinformação?

  2. Comentou em 05/04/2009 Felipe Izar Xavier

    As adaptações do New York Times são adequadas para o jornalismo na internet. Nesse caso, o antigo centro disseminador de notícias passa a compartilhar a produção de mensagens com os leitores. E estes podem, de fato, colaborar de forma positiva com o jornal. Basta que os ‘jornalistas desçam do salto alto’. Caro Castilho, este texto, apesar do foco no New York Times, poderia ser mais bem explorado. Com explicação mais contundente sobre o porquê das mudanças do jornal, usando uma linguagem mais especifica para dissecar sobre o jornalismo na internet. A expressão ‘preço a ser pago pela sobrevivência’ é inadequada. Enquanto os grandes jornais tratarem o webjornalismo dessa forma eles continuarão decadentes. Essa nova forma de fazer jornalismo é visivelmente promissora. O ideal é buscar idéias para qualificá-la, em vez de tratá-la como obstáculo.

Código Aberto

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem