Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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A mídia sempre aposta na tragédia

Por Bruno Blecher em 28/05/2007 | comentários

Imprensa gosta mesmo é de sangue, não tem jeito. Entre a tragédia e uma notícia positiva, a primeira é que ganha a manchete. Na entrevista que fiz para a revista Agroanalysis (maio) com o cientista Roberto Schaeffer, um dos três brasileiros que participaram do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), pedi-lhe uma avaliação sobre o comportamento da imprensa na cobertura dos impactos do aquecimento global.


Especialista em energia, Schaeffer é professor associado da COPPE/UFRJ e doutor em Política Energética pela Universidade da Pensilvânia (EUA). Suas pesquisas atualmente estão voltadas à elaboração de cenários de matriz energética, com ênfase em fontes alternativas e no uso eficiente de energia.


Como explicar que o aquecimento global, um tema que vez por outra era tratado pela mídia nas páginas internas, sem muito alarde, de repente tenha provocado um grande barulho? O mundo finalmente se deu conta das graves ameaças ao Planeta representadas pelas mudanças climáticas?


‘O relatório divulgado em fevereiro é o quarto relatório do IPCC. Vale lembrar que o IPCC é um órgão de cientistas das Nações Unidas que à cada cinco anos apresenta um relatório de avaliação sobre mudanças climáticas da Terra. O primeiro saiu em 1990, o segundo em 1995, o terceiro em 2001 e, o quarto, em fevereiro de 2007. Desde o primeiro relatório de 90 que as evidências eram crescentes sobre mudanças climáticas e o aquecimento global. Mais ainda: já se sabia que o principal causador desse problema era o homem. Mas só a partir do relatório de 2001, e mais cabalmente em 2007, é que se conseguiu separar claramente o que é provocado pela mão humana e o que não é. Neste relatório de 2007 ficou muito claro que a temperatura do Planeta está aumentando. Ela já aumentou cerca de 0,7°C nos últimos 100 anos´´, disse o cientista.


Mas só agora se a sociedade percebeu a gravidade do problema?


‘Até então, não se tinha esta certeza, e era difícil separar quais as mudanças que estão sendo provocadas pelo homem. Agora já é possível mapear alguns impactos sobre os diferentes ecossistemas do mundo. Então é possível afirmar hoje que a Terra está se aquecendo, que o homem é o principal responsável pelas mudanças climáticas e que há impactos sérios a alguns ecossistemas, alguns até irreversíveis. Por tudo isso, os relatórios do IPPC ganharam muita força, e o mundo finalmente percebeu a gravidade do problema ambiental.´´


Qual é a sua avaliação sobre a cobertura da mídia?


‘Como a mídia tem pouco espaço, pouco tempo e tem que pular de um assunto para outro, é óbvio que ela em certos momentos se apega a fatos mais sensacionalistas ou de maior impacto. Veja bem, a mídia nesta questão das mudanças climáticas deu destaque muito maior aos dois primeiros relatórios, que descrevem as ameaças e os impactos, do que ao terceiro relatório, que aborda a mitigação. O relatório sobre mitigação é o mais positivo e otimista. Mostra que o problema tem solução. Mas aparentemente uma mensagem positiva tem menos interesse e impacto na mídia. A cobertura dos dois primeiros relatórios foi muita boa, mas fraca no relatório 3, que apresenta soluções e dá uma visão otimista.´`


 

Todos os comentários

  1. Comentou em 01/06/2007 Marco Costa Costa

    No seu textinho medíocre você mostra o quanto não sabe interpretar algumas linhas. Caro jornaleiro, não sou favorável a violência, muito menos há uma imprensa editando somente notícias ruins, porém no Brasil não tem nada que preste. Começando pôr ‘jornalista’ de conhecimento duvidoso. Acorda pião??????

  2. Comentou em 01/06/2007 Luiz Geremias

    A mídia é carniceira. Vive disso. Mas, tem quem goste, vide o comentário esdrúxulo logo abaixo. Aliás, muitos comentários aqui do OI são emblemáticos do FEBEAPÁ. Mas é bom saber que tem gente que ‘pensa’ desse jeito…

  3. Comentou em 01/06/2007 Marco Costa Costa

    Primeiro que no Brasil não existe notícia boa, segundo que a quantidade de tragédias aqui existente dá para fazer muitos jornais de papel e preencher a programação televisiva somente com notícias ruins. Não fique triste, este é o Brasil e não podemos esperar nada que preste.

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