Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1016
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A missão ‘quase’ impossível dos jornais

Por Carlos Castilho em 27/02/2006 | comentários


A Associação Mundial de Jornais (World Association of Newspapers ) criou em janeiro um grupo de trabalho para tentar achar uma solução para o problema provocado pelos mecanismos de buscas na internet, especialmente o Google, que disponibilizam grátis na Web notícias que os jornais cobram de seus leitores.


Mas não está sendo fácil achar uma saída, segundo admitiram membros do grupo de trabalho que deve apresentar o seu relatório nos próximos dois meses. Ao que tudo indica, a WAN embarcou no que se poderia classificar de missão impossível, porque o que está em discussão não é uma questão financeira ou de direitos autorais, mas o novo conceito de informação.


A crise vivida pela maioria dos jornais no mundo inteiro os está obrigando a tirar ‘leite de pedra‘ no esforço para revisar planos de negócio e recuperar receitas perdidas para a internet. A opulência financeira de mecanismos de busca como Google, Yahoo e MSN atraiu a atenção dos sócios da WAN que procuram pegar uma fatia do faturamento milionário de sites cujo negócio depende, em boa parte, da indexação de notícias de jornais.


A Agência de Notícias France Press (AFP ) já entrou na justiça norte-americana exigindo o pagamento de direitos autorais por fotos indexadas pelo Google e disponibilizadas gratuitamente para quem consultar o banco de imagens do mega sita de buscas.


Mas o argumento da AFP e a preocupação da WAN esbarram numa nova realidade informativa que está cada dia mais entranhada no nosso quotidiano. É impossivel ignorar que a internet é movida à base de informação, boa parte da qual é de livre acesso. A internet e a web deixariam de ser o que são caso os internautas tivessem que pagar para entrar em qualquer site. E não dá mais para voltar atrás na história e nem no processo econômico no qual a rede é hoje um componente insubstituível.


O Google alega que ele apenas mostra onde estão as informações, cabendo ao usuário ir até o endereço para obtê-las. Certo, mas o site de buscas não menciona o fato de que todas as páginas indexadas pelos seus robôs automáticos são cacheadas, um jargão tecnológico para indicar que uma cópia fica guardada nos servidores do Google, mesmo que o autor do material decida retirá-la da rede.


O que, por enquanto, é uma disputa jurídica, deve se transformar em breve numa batalha político-ideológica em que estarão em jogo duas visões opostas do que é informação: a dos mecanismos de busca na Web cujo negócio apoia-se no livre fluxo da informação e a dos jornais, editores de livros, emissoras de rádio e TV, que adotam o sistema tradicional de direitos autorais.


A questão central não está na gratuidade da informação mas na liberdade de fluxo, embora muita gente ache que, na verdade, está se falando da mesma coisa. A liberdade de fluxo é um valor porque ela se refere à uma questão essencial no novo modelo econômico que está se consolidando a partir da generalização da internet e não apenas numa conjuntura de negócios.


Já o preço da informação é uma questão comercial. Na economia analógica era necessário cobrar para viabilizar um jornal, por exemplo, mas na era digital multiplicam-se os casos de empresas que cresceram dando de graça informação aos seus usuários. O Google é talvez o exemplo mais conhecido.


A liberdade de fluxo de informação é essencial para a sobrevivência da economia mundial porque ela é indispensável para a aceleração do processo de geração de novos conhecimentos sem os quais o sistema industrial global entra em colapso. A espantosa velocidade com que as máquinas fotográficas digitais substituiram as que usam filme é uma prova, entre muitas, do valor econômico da circulação livre e acelerada de informações.

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