Sábado, 17 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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A notícia como um vírus

Por Carlos Castilho em 09/01/2009 | comentários

O último número da publicação acadêmica Nieman Reports sugere que, na era virtual, a notícia deve ser tratada como se fosse um vírus em vez de uma mercadoria ou produto acabado. A proposta está no artigo de Melissa Ludtke, a editora do número especial da Nieman Reports dedicado às perspectivas do jornalismo na internet, no qual ela insiste na necessidade de procurar uma redefinição do conceito de notícia, dando ênfase a um enfoque dinâmico baseado na remixagem, recombinação ou mash-up de conteúdos.


Melissa Ludtke afirma que, no ambiente virtual, os jornalistas terão que se acostumar com a idéia de que a notícia inevitavelmente escapará do seu controle. Que uma vez publicada, ela será comentada, complementada e refeita num circuito formado por weblogs, listas de discussão, comunidades online, chats e páginas wiki, sem que o autor original possa interferir no processo.


A metáfora viral da notícia pode não ser perfeita, mas nos ajuda a entender melhor como a recombinação, remixagem ou mash up funcionam na prática. Um vírus, uma vez instalado num organismo, multiplica-se segundo parâmetros que muitas vezes resultam imcompreensiveis até para médicos e pesquisadores. Há vírus mutantes como o da cárie e o da Aids, que mudam de forma tornando o seu combate quase impossível. Eles modificam os ambientes onde se instalam e se recombinam constantemente.


Até agora os jornalistas eram o canal privilegiado de comunicação entre os políticos e o público, mas esta situação está mudando rapidamente. O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, por exemplo, prefere divulgar as suas decisões na sua página web em vez da televisão e jornais. Seus pronunciamentos ao país saem primeiro no site YouTube e a troca de opiniões com o público acontece no site Change.gov.


A comparação aos virus é mais uma tentativa de procurar redefinir a notícia. Trata-se de um processo em andamento e sem prazo para terminar. Como Melissa Ludtke assinala, temos hoje mais perguntas do que respostas e mais dúvidas do que certezas. Quem tem mais urgência na busca de uma nova definição de notícia são os executivos da mídia, porque está em jogo a materia prima de uma indústria em crise.


É nesta nervosa busca por uma definição de notícia que jornais como o Miami Herald resolveram ouvir os leitores num polêmico projeto chamado ‘Why We Do What We Do’ (Por que fazemos o que fazemos). O jornal submete coberturas importantes ao crivo dos leitores em eventos nos quais os participantes podem questionar correspondentes, fotógrafos e editores. Nancy San Martin, editora assistente da seção internacional do Herald e autora de um dos textos do Nieman Report, admite que ainda é cedo para avaliar os resultados da experiência, mas uma coisa já é quase certa, segundo ela: “O que os leitores consideram notícia tem pouco a ver com o que a redação acha que é”.

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