Domingo, 23 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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A notícia não é o mais importante no revolucionário projeto Newsvine (Aos leitores, estarei de férias até dia 28/1)

Por Carlos Castilho em 18/01/2006 | comentários


Os criadores do site Newsvine definem o projeto que pretende criar uma nova modalidade de jornalismo como uma mistura em partes iguais de investigação, opinião e criação coletiva.


O site, baseado na cidade norte-americana de Seattle, está sendo considerado pelos especialistas como a mais inovadora tentativa de conciliar o jornalismo tradicional com a tendência opinativa dos blogs e experiências participativas como o jornalismo praticado por amadores no jornal online sul-coreano OhmyNews .


Newsvine (cuja tradução livre é vinhas da notícia) completa seu primeiro mês de funcionamento aberto agora no final de janeiro, depois de um período experimental, onde o acesso foi limitado à sete mil convidados em todo o mundo.


O site publica notícias extraídas de fontes convencionais como as agências Reuters e Associated Press, bem como jornais tradicionais da Europa e Estados Unidos. Elas são selecionadas pelo staff do Newsvine apenas como um ponto de partida. O que os criadores, em sua maioria ex-funcionários da Disney, ESPN e jornalistas independentes, pretendem é criar um ambiente virtual onde os leitores, além de comentar as informações publicadas, acrescentem notícias próprias ou extraídas de outros veículos de comunicação.


A partir daí inicia-se um processo de interação entre os leitores que passam a comentar notícias uns dos outros. Os que se revelarem mais ativos e mais respeitados pela comunidade de leitores receberão honorários, havendo a previsão de que os autores mais assíduos e mais lidos possam chegar a faturar até cinco mil dólares mensais.


Por enquanto o projeto está engatinhando e seus autores acreditam que ele só decolará depois de junho ou julho quando o número de visitantes diários ultrapassar os 150 mil.


Ele difere do OhmyNews no sentido de que este trabalha só com notícias produzidas por colaboradores enquanto o Newsvine usa também o material de meios convencionais. Ele é mais amplo que projetos como a revista participativa Slashdot porque sua pauta não se limita à tecnologia de ponta e não concorre com a enciclopédia online Wikipedia porque não usa o sistema wiki de autoria coletiva.


O Newsvine parte do princípio de que existe uma super-oferta de informação na Web, o que acaba fazendo com que a notícia deixe de ser o elemento primordial para atrair público. O lugar nobre começa a ser ocupado pela conversa ou interação entre os usuários, que passam a ter o controle do conteúdo publicado, na medida em que são eles quem acrescentam detalhes, trocam informações, criticam e sugerem.


Até agora o jornal, tanto impresso como online, tinha como principal atração além da notícia, o fato dela ser agrupada num pacote organizado pelos editores que tinham uma identificação qualquer com o seu público. O pacote era o diferencial, mas agora isto tende também a perder importância porque as pessoas passam a escolher por conta própria o que, como e quando querem se informar.


A velha sintonia muda entre editor e leitor está desaparecendo porque os leitores se deram conta que os jornais tem seus próprios interesses e sua própria agenda. O projeto do jornalismo interativo do Newsvine, se funcionar, vai criar uma nova agenda que é o reflexo das opiniões dos leitores e não mais a expressão da vontade dos donos.


Aos nossos leitores: Serão desconsiderados os comentários ofensivos, anônimos e os que contiverem endereços eletrônicos falsos.

Todos os comentários

  1. Comentou em 29/01/2006 Juliana Resende

    Este modelo de jornalismo interativo e independente é uma revolução e aproveito a convidar colegas freelas a oferecer pautas à BR Press, agência pioneira na internet, que começa a implantar modus operandi semelhante.


    Juliana Resende
    editora-executiva / executive-editor
    BR Press Agência Jornalística / BR Press International
    São Paulo + 55 (11) 3862-2405 / London + 44 (0) 20 7863-2414
    http://www.brpress.net

  2. Comentou em 20/01/2006 Isabel Fernandes

    Interessantíssimo. É tudo o que a Internet tem de bom pra oferecer. Sempre vejo o espaço para a participação do leitor restrito pela publicação do editor. Nos blogs, isso acontece mais livremente, mas não chega a gerar grandes interações, ou porque o blogueiro não tem paciência para ler e responder ou porque os leitores não têm paciência para ler ou porque a enorme lista não favorece a interação visualmente. O formato proposto pelo Newsvine só não parece ser livre porque o dinheiro pode se tornar um fator de desvio. Vamos ver no que dá. Prefereria que não houvesse a tal remuneração, apenas pontos.

  3. Comentou em 19/01/2006 Sergio Denicoli

    O resultado desse ‘novo jornalismo’ ainda é uma ingógnita. Estamos saindo da teoria para a prática agora. Será que a mídia tradicional perderá mesmo o poder de mediação do agendamento de notícias? Quais serão os critérios de seleção dos leitores que serão remunerados? E quem vai fazer as análises dos complexos processos jurídicos, dos complicados balanços econômicos, e de tantas outras coisas que exigem o conhecimento e perspicácia de um profissional do jornalismo, e que geram furos?

  4. Comentou em 19/01/2006 Fabio de Oliveira Ribeiro

    Excelente. Já temos condições técnicas de fazer o mesmo. Quem é que vai introduzir a novidade entre nós, o OI ou o IG?

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