Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

CÓDIGO ABERTO > Desativado

A pior ofensa do cartum do profeta-bomba

Por Luiz Weis em 11/02/2006 | comentários

Os jornais de hoje me estimulam a trazer para o Verbo Solto a questão das charges saídas em setembro em um jornal dinamarquês, cuja republicação na Noruega há poucas semanas incendiou o mundo árabe-muçulmano.

O que penso essencialmente a respeito está no artigo “Mensagem infame: todo muçulmano é terrorista”, no Observatório da Imprensa [http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=366IMQ007].

Mas um artigo transcrito na Folha, “Agora somos todos dinamarqueses”, do colunista americano Jeff Jacoby, do Boston Globe; a crônica “Quando se podia rir de Maomé”, de Zuenir Ventura no Globo; a republicação, também no Globo, do famoso cartum de Jaguar, em que Cristo, na cruz, diz “Hoje, não, Madalena. Estou pregado”; e, por fim, no Estado, a entrevista com o escritor dinamarquês Kare Bluitgen, sob o título “Toda ideologia pode ser criticada”, me fazem pensar que devo insistir num ponto e acrescentar outro.

Artigos, cartum e entrevista têm todos o mesmo argumento: os ferozes protestos islâmicos contra as charges ofensivas revelam uma profunda intolerância em relação ao princípio supremo da democracia: o direito humano à livre expressão, de que são frutos a liberdade de imprensa e a inadmissibilidade da censura prévia.

E tanto esse princípio está integrado ao modo de vida ocidental que mesmo uma piada com o deus dos cristãos (a charge de Jaguar) não levou nenhum membro da maior nação católica do mundo a sair em passeatas violentas ou a ameaçar de morte o seu autor.

Há como que um consenso segundo o qual só podem ser acusados de hereges, sacrílegos ou blasfemos os que de alguma forma ofendem a própria religião. O Estado secular e as leis não têm nada com isso.

De fato, na França, a palavra blasfêmia não aparece nem no código penal, nem na lei de imprensa, ambos do século 19.

Por isso, os democratas do mundo inteiro deveriam se solidarizar com o jornal que publicou originalmente as charges com o profeta Maomé e com todos os que o imitaram (Jeff Jacoby).

Os muçulmanos, por sua vez, deveriam aprender o be-a-bá da tolerância civilizada com o Brasil, onde árabes e judeus “convivem harmoniosamente” e onde até o nome Alá já apareceu em marchinha de carnaval (Zuenir).


Em suma, a livre expressão está para a democracia como o ar para os que não sobreviveriam sem ele. E inseparável da liberdade de imprensa está a lei não escrita segundo a qual “não deve haver pessoa, ideologia ou religião que não sejam passíveis de crítica” (Kare Bluitgen).


Mas, ou muito me engano, ou o problema não é esse.


Claro que tudo e todos são passíveis de crítica. Insisto, no entanto, no que escrevi no Observatório, citando um editorial do jornal londrino The Guardian, cujo ponto-chave também foi ressaltado numa pá de artigos publicados em muitos países: ter a liberdade de manifestar o pensamento não é sinônimo de ter a obrigação de fazê-lo.


Não é porque posso, devo.


E por que não deveria, se posso?


Por uma infinidade de razões – entre elas o respeito pela sensibilidade alheia e pela dignidade de todos.


Posso – e devo – criticar uma autoridade religiosa ou um credo religioso; uma figura política ou uma doutrina política; ou qualquer pessoa que a meu juízo merece ser criticada.


Posso – mas não devo – escarnecer das crenças ou convicções de outros se isso, do modo como foi feito, instigar o preconceito e o ódio contra os adeptos de crenças, convicções e preferências de vida, indistintamente. Portanto, contra determinada parcela da humanidade


Se o fizer, estarei açulando a intolerância, a xenofobia, o racismo – prelúdio para a discriminação, a perseguição, a remoção e, no limite, o extermínio do grupo humano em questão.


Ao caso concreto: das 12 caricaturas de Maomé, uma associa inequivocamente, inextricavelmente, o fundador do islamismo, portanto o Islã, portanto os islâmicos em geral, ao terrorismo.


Como interpretar, de outro modo, a imagem do profeta com um turbante que na verdade é uma bomba, com pavio e tudo?


“As charges não insultam o Islã?”, perguntou a repórter Leda Balbino, do Estado, ao mencionado escritor dinamarquês Kare Bluitgen. A sua resposta:


“Alguns acharam que a charge com Maomé usando um turbante-bomba foi ofensiva ao sugerir que todos os muçulmanos seriam terroristas. Mas o objetivo foi mostrar que há muçulmanos usando Maomé para justificar o terrorismo. Não é uma charge engraçada, mas ela estimula o questionamento.”


Vamos dar de barato, apenas para raciocinar, que o objetivo tenha sido aquele mesmo.


Abre parênteses. E vamos esquecer, por um momento, que o jornal onde a charge saiu pela primeira vez tem a mesma linha do partido dinamarquês de direita que quer proibir aos imigrantes, muitos deles muçulmanos, o acesso ao sistema de seguridade social do país. Daí para mais.


Esse partido, com os 12% de votos recebidos na última eleição dinamarquesa, integra a coligação política no poder em Copenhage.


Então, aquando o colunista americano transcrito na Folha diz que “agora somos todos dinamarqueses”, me pergunto: “Somos quem, cara-pálida?”


Devíamos ser todos dinamarqueses quando os nazistas que ocuparam o país em 1940 ordenaram ao governo local que obrigasse os judeus a usar nas roupas a estrela de Davi que os identificaria como “raça maldita”, e o rei Christian X lhes disse que, nesse caso, ele seria o primeiro a usá-la. Fecha parênteses.


Ora, se o objetivo da charge era mostrar que “há muçulmanos usando Maomé para justificar o terrorismo”, então ela pode entrar para a história do cartunismo como a mais enviesada mensagem que um bico de pena pode produzir.


Basta ver, sem parti pris, para entender.


De modo que, desejando ou não, o autor fez uma caricatura que se ajusta como uma luva à islamofobia compartilhada por um número depressivamente alto de europeus. Estes querem se ver livres dos imigrantes que se dispõem a fazer trabalhos que os outros, os nativos, consideram abaixo do seu nível.


Estando claro assim, penso eu, que não estão jogo nem a liberdade de imprensa, nem o direito de criticar, ou caricaturar, religiões, vamos às manifestações dos ofendidos.


As suas violências, na maioria dos casos, parecem ter sido estimuladas ou toleradas pelo que há de pior no mundo muçulmano – o chamado islamofascismo dos regimes e movimentos fundamentalistas que abominam o Ocidente e querem se vingar dos horrores que os ocidentais lhe infligiram ao longo da história, a começar das cruzadas.


Mas a condenação imitigada que a chamada “rua árabe” faz por merecer não serve para absolver o editor do jornal que teve a infame idéia de autorizar a publicação da charge com o profeta-bomba. Muito menos os editores dos outros jornais europeus que a publicaram de caso pensado, como uma bravata em nome da liberdade de imprensa. Essa enormidade, aliás, a mídia inglesa não cometeu.


E aqui, pedindo desculpas ao eventual leitor que teve a paciência de me acompanhar, chego enfim ao ponto que gostaria de acrescentar ao meu artigo no OI:


A charge que os jornais tinham o direito, mas não o dever, de publicar é antes de tudo um ultraje não aos valores religiosos muçulmanos – mesmo que disso se tratasse, em vez de ser uma expressão de racismo – mas aos valores seculares herdados do Iluminismo, da Revolução Francesa e dos movimentos de emancipação social do século 19, que representam o que o Ocidente tem de melhor e que sobreviveram a todos os fascismos que o ensanguentaram.


Por razões mais históricas do que culturais ou “de civilização”, esses valores são muito menos frequentes no mundo árabe-muçulmano do que seria bom para as suas populações e para a sua coexistência com as outras. A começar da democracia, do respeito aos direitos humanos e da erradicação do fanatismo étnico-religioso homicida.


Publicar na democrática Europa uma charge racista é um crime contra os mesmíssimos valores que os democratas e libertários de toda parte aspiram ver instituídos nos países de maioria muçulmana – a vastidão de opulência e miséria e despotismo que se estende do Norte da África aos confins da Ásia.


***

Serão desconsideradas as mensagens ofensivas, anônimas e aquelas cujos autores não possam ser contatados por terem fornecido e-mails falsos.

Todos os comentários

  1. Comentou em 21/02/2006 marco antonio guimarães

    Enfim, um artigo equilibrado a respeito das charges, abordando outras faces da questão. A pessoa atéia que sou, defenderia qualquer outra que desejasse expressar seu credo. É sempre bem vinda a exposição de idéias que mostre ‘claramente’:
    quem não é cristão também será salvo;
    os judeus não são uma raça maldita, mas também não são a escolhida;
    e que islamitas não são mais fundamentalista que os pentecostais. Interessante frizar, que neste Brasil de imensas contradições, a maioria maciça de nosso povo convive harmoniosamente no tocante à tolerância reliogiosa. É algo a se mostrar ao mundo e não é pouca coisa…

  2. Comentou em 17/02/2006 fernando mallmann

    ainda nao li nenhum comentário passando pela alegoria da gota dágua explodindo o tonel levantino. Ou sobre o prisioneiro a quem coube delicadeza de ganhar também uma gota dágua caindo ritmadamente na sua cabeça para enlouquecê-lo?

  3. Comentou em 17/02/2006 fernando mallmann

    ainda nao li nenhum comentário passando pela alegoria da gota dágua explodindo o tonel levantino. Ou sobre o prisioneiro a quem coube delicadeza de ganhar também uma gota dágua caindo ritmadamente na sua cabeça para enlouquecê-lo?

  4. Comentou em 15/02/2006 José Renato Almeida

    Luiz Weis fez uma lúcida análise em um texto primoroso.
    Parabéns!
    José Renato

  5. Comentou em 15/02/2006 Tiago de Jesus

    Caro Sr. Weis, brilhante conclusão. Quando li o que escreveu, consegui dar uma feição ao incômodo que eu sentia com o papo da liberdade de expressão X opressão propagado na imprensa. Perspectiva histórica é palavrão em análises políticas do nosso tempo, e o iluminismo virou um cabedal de dogmas pinçados aqui e ali para defender barbaridades como expressão da individualidade: isto se aplica à argumentação iluminista contrária às cotas nas universidades brasileiras também.

  6. Comentou em 14/02/2006 Gilberto da Silva

    Gostaria de saber se os seguidores de Maomé ficam indignados ou furiosos quando inocentes são mortos e trucidados, em nome de Alá, se alguma vez houve alguma manifestação popular muçulmana de repúdio a atentados terroristas? Eu não me lembro e não sei de nenhuma manifestação. Então como podemos entender que uma charge pode ser mais insultuosa ao islã do que o assassinatos de milhares de inocentes ao longo dos últimos anos? Que religião é essa? São todos malucos? Do que me diz de massacres de centenas de cristãos decapitados à luiz do dia na Indonésia e nas ilhas vizinhas? as charges, deixaram ofendidos? Os muçulmanos, coitados estão a serviço de satã e não sabem, nem ao menos procuram ponderar a respeito. Em quanto isto a mídia brasileiro senta o pau nos cristãos, principalmente os cristão evangélicos, pois os jornalistas sabem que não estarão pondo em risco a suas vidas, pois os evangélicos só tem em suas mãos uma arma “inofensiva” feita de papel chamada Bíblia, e que Jesus manda oferecer a outra face a quem o esbofetear, os nossos jornalista estão solidários com o islã pois não passam de covardes, estão fiados e “seguros” na cortina da covardia.

  7. Comentou em 14/02/2006 carlos orsi

    Desculpe, mas essa argumentação simplesmente não cola. Primeiro, porque se todo mundo andasse por aí ‘respeitando a sensibilidade alheia’ antes de escrever ou desenhar, a arte e a literatura ou não existiriam ou seriam amontoados de platitudes intragáveis. A liberdade de expressão não pode ser refém das dores de cotovelo de ninguém.

    Segundo, o que torna o jornal dinaraquês — e os veículos europeus que republicaram as charges — dignos e merecedores de solidariedade não são as charges em si, mas a reação dos governos islâmicos, que reagiram com pedidos de censura e exigências de desculpas.

    A mídia européia simplesmente traçou uma linha: recusou-se a virar refém de supostas ‘sensibilidades’ que se prestam a manipulação política.

  8. Comentou em 14/02/2006 Geraldo Moura da Silveira

    Caro Weis, este foi o melhor artigo que eu li sobre o tema. Irrespondível.

    A civilização ocidental sabe que a politização da religião é um campo fértil para o acirramento do ódio entre os povos. A história está repleta de exemplos disso.

    O Ocidente prega a tolerância e inadmite a criminalização da convicção religiosa.

    Se o Ocidente não consegue respeitar um simples símbolo religioso – e cria uma charge criminalizando essa religião -, como pode querer pregar a tolerância e a não-criminalização da convicção religiosa?

    Abraços e parabéns!

  9. Comentou em 14/02/2006 R V

    A esposa de um amigo chamou a atenção para estrela de 6 pontas estilizada na logo do jornal Jyllands-Posten.

    http://vvvvvv.dk/v/jp.jpg

    http://www.jp.dk/

  10. Comentou em 14/02/2006 Fernando Barreto

    Quanta baboseira… Como são poltrões. Tsc, tsc, quanta covardia, quanto medo de enfrentar o X da questão. Será que é medo de serem bombeados por extremistas islâmicos ou fobia esquerdista de alinhar-se a forças conservadoras? Justo numa questão em que o interesse de todos deveria ser a própria sobrevivência de seu pão-de-cada-dia da matéria prima dos jornalistas que é a democracia… Pois julgam então os Srs. que os muçulmanos ficam tão ofendidos com a figura de seu líder espiritual publicada numa charge que podem impor limites a toda a imprensa ocidental. Respondam-me então os Srs.: quando terroristas explodiram uma festa de casamento na Jordânia, em 9 de Novembro de 2005, assassinando covardemente uma família inteira em um total de 57 inocentes, em nome de Alá, houve alguma manifestação popular muçulmana de repúdio a tal atentado? Eu não me lembro de nenhuma, da menor, da mais mísera manifestação neste sentido. Será então que esta charge é mais insultosa ao islã do que um assassinato de 57 inocentes? Que religião é essa então? São todos loucos? Aonde estão as manifestações de repúdio ao assassinato sistemático de inocentes? Mas as charges, oh, as charges deixaram os sensibilíssimos muçulmanos hor-ro-ri-za-dos! Ah, tenham dó… Aonde está a atitude, o questionamento pela coerência? Vocês jornalistas de inspirações esquerdistas estão vendidos e acovardados. Aliás sempre foram.

  11. Comentou em 13/02/2006 Girliane Costa

    Creio que o humor não foi o objetivo dessas charges. Não há humor quando não se respeita o outro lado.

  12. Comentou em 13/02/2006 maria rapoport

    Por Alá! Não são os próprios homens-bomba que associam seus atos de terrorismo a Maomé, dizendo que se imolam e matam em seu nome? Não foi nehum jornal que criou essa associação! A charge só diz o mesmo, fazendo humor. Que bom! Se todas as manifestações ou reações humanas fossem pelo humor já teríamos a paz há muito tempo.

  13. Comentou em 13/02/2006 Swamoro Songhay

    O humor é necessário. Contudo, não entendo que deva chegar ao ponto de provocar iras. Parabéns pelo artigo e pelas esclarecedoras análises.

  14. Comentou em 13/02/2006 Marcelo Monteiro

    Se gays e lésbicas declararem-se tão intocáveis como todas as religiões monoteístas e seus adeptos fervorosos se sentem, fundarem uma religião com um Deus chamado ‘Veado de Sapato Grande’, quem fizer gracinhas homofóbicas na TV, e as 3 maiores regiões monote´pistas, cristã, muçulmana e judaica insistirerem com insultos e assédios morais em seus livros ‘sagrados’ aos gays e lésbicas, deveriam estes, queimar a sede da Globo? Deveriam os gays queimarem torás, corões, bíblias, igrejas , sinagogas e mesquitas ?

    Cai a ficha para as religiões que elas todas pedem para si o respeito que tiram dos gays e lésbicas, e atribuem isso a esta entidade que nunca se materializa, nem jamais se materializará, ‘deus’ ?

    Obrigado monoteísmo! Viva a discriminação ‘sagrada’ que gays e lésbicas sofrem no mundo inteiro. Só em alguns países seculares, Dinamarca inclusive, os gays são cidadãos plenos, no Brasil, quantos gays morrem diariamente e ninguém investiga, ninguém testmunha, ninguém quer saber? Valeu Torá, Bíblia e Corão, vocês são uns livros de ‘amor’ …os gays sabem disso tão bem, contem outra, religiões, vocês vão acabar um dia! A razão e ciência prevalecerão, falta muito pro ser humano se civilizar, a maioria ainda acredita em deus, que esperar de um mundo assim?

  15. Comentou em 12/02/2006 Thiago Carvalho

    Venho, apenas deixar meus agradecimenos pelo texto que tanto me escalareceu pontos desta questão tão delicada que explode nas zonas de interseção entre a Europa e o Oriente Médio. Muito obrigado.

  16. Comentou em 12/02/2006 Anderson Santos Santos

    Se bem entendi as razões que o autor usou para dizer que as charges não deviam ter sido feitas: racismo.

    Estão equivocadas. Não é racismo pois se trata de uma asociação de um vulto religioso a belicosidade de seus profitentes, aliás justificada nos escritos deste.

    O medo do ocidente é que nos surpreende. Agora então cessemos toda ou qualquer crítica ao absurdo das manipulações políticas feitas pelos líderes das religiões por que o povo manipulado se insulta.
    Cessem as charges ao Papa, ao Bispo macedo, A Jim Jones, ao francês que apregoa a religião ufológica, pois ao criticar com charges, ironia e bom humor estaremos sendo ‘racistas’ ??????

    Os muçulmanos não são terroristas, mas há facções que usam sim das rivalidades ancestrais para manipular o ódio do povo contra os não muçulmanos.

    O entendimento ou a busca pelo entendimento das categorias religioa de um grupo social, não devem impedir que tenhamos nós mesmos opiniões críticas as sua posturas. O chargista utilizou desse princípio em sua arte. Ele não nega os princípios ilumunistas, ele o confirma.
    na minha humilde opinião, silenciar perante sua própria consciência a belicosidade manipulada, isto sim parece-me negar Voltaire, Diderot e montesquieu.

  17. Comentou em 12/02/2006 José Edi Nunes da Silva

    Beleza! Matou a cobra e mostrou o pau. Veleu!

  18. Comentou em 12/02/2006 Carlos Marcos

    Corretíssimo sua analise porem íria um pouco mais longe em afirmar que aqui não está em jogo a liberdade de imprensa mas uma clara tentativa,mais que preconceituosa,politica de estigmatizar um mundo no caso o islã.Desde as cruzadas eles eram os ínfieis,precisavam ser convertidos!!!,queriamos era a polvora,a pimenta, suas iguarias enfim.Sensibilidade é inerente e peculiar a cada povo,o crito que faltou ao encontro por estar na cruz é o mesmo que tem uma bomba no turbante.Respeitemos ambos

  19. Comentou em 12/02/2006 Marcelo Monteiro

    O problema não é o islamismo. O problema maior são as religiões, todas iguais. O problema é a fé neurótica obssessiva e compulsiva, quase que universal da humanidade. As transcrições abaixo da Torá e da Bíblia explicam por si só. Diariamente, no Brasil e no mundo, gays são assassinados por serem gays. Tudo começou com o Livro de Gênesis e o mítico pilar de sal. Xô religiôes. Todas iguais em sua neurose. Todas igualmente psicóticas, incitadoras ao genocídio. Os gays do Brasil e do mundo sabem bem o que são as religiões. E a origem religiosa de toda a discriminação, assédio moral e ofensas que recebem delas durante todas as suas vidas. Xô Torá, Xõ Biblia, Xô Corão! Xô religiões monoteístas! Xô neurose obssessiva!

  20. Comentou em 12/02/2006 Marcelo Monteiro

    Levítico 20:13 Se também um homem se deitar com outro homem, como se fosse mulher, ambos praticaram coisa abominável; serão mortos; o seu sangue cairá sobre eles
    Deuteronômio 23:1 Aquele a quem forem trilhados os testículos ou cortado o membro viril não entrará na assembléia do SENHOR
    Deuteronômio 23:18 Não trarás salário de prostituição nem preço de sodomita à Casa do SENHOR, teu Deus, por qualquer voto; porque uma e outra coisa são igualmente abomináveis ao SENHOR, teu Deus.
    Romanos 1:26 Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza
    Romanos 1:27 semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro.
    I Coríntios 6:9 Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas,
    Timóteo 1:9 tendo em vista que não se promulga lei para quem é justo, mas para transgressores e rebeldes, irreverentes e pecadores, ímpios e profanos, parricidas e matricidas, homicidas,
    I Timóteo 1:10 impuros, sodomitas,

  21. Comentou em 12/02/2006 Marcelo Monteiro

    Levítico 18:22 Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; é abominação.

  22. Comentou em 12/02/2006 Marcelo Monteiro

    Gênesis 18:20 Disse mais o SENHOR: Com efeito, o clamor de Sodoma e Gomorra tem-se multiplicado, e o seu pecado se tem agravado muito

  23. Comentou em 12/02/2006 Calypso Escobar Velloso

    Mesmo que ‘humor negro’ as pessoas se cobrem com véus para não enxergar ou ouvir que outros países,mesmo o nosso roubam o dinheiro do povo,extraem como o mandatário americano achincalhando a população com mestria esquísito,doentio ,fazendo querras com seus e não seus soldadinhos.Está faltando humor para verem charges,caricaturas de profissionais talentosos,p mundo e seus habitantes concebem os prazeres mundanos…lembremos as mortes em nome do EUA,os roubos acontecidos aquí,as turbulações do O.M.,escandinavos desejando brincar e a mídia no aprisionamento neurótico.Alah,Buda,Cristo e este Maomé e mais alguns vivem na cabeça dos fanáticos e isto não é bom…nós que cuidemos dos milhares CULTOS que surgem cada dia e com péssimas intenções.Abrindo as mentes é que chegaremos a negociar a paz. Grata Calypso

  24. Comentou em 12/02/2006 jose claudio assale

    A comparação com a charge do Jaguar sobre Jesus não deve, penso eu, ser muito válida pois tem-se maior tolerância quando se fala de si próprio. Imagino que um jornal de uma sociedade muçulmana publicasse uma charge idêntica, o que não aconteceria, sendo também Jesus sagrado para eles, se não haveria reações identicas no mundo cristão.

  25. Comentou em 12/02/2006 Johnny Marcus

    Talvez este tenha sido o artigo mais lúcido que li a respeito do episódio envolvendo as famigeradas charges. Dei-me ao trabalho de pesquisá-las na internet e ficam nítidos o humor pobre e o proconceito que elas trazem. Debatendo esse tema na universidade dia desses, fui informado de que um jornal no Irã está promovendo um concurso com os melhores cartoons com o tema ‘Holocausto’. Será que os defensores da tal ‘liberdade de expressão’ também acharão engraçado?

  26. Comentou em 12/02/2006 Alexandre Bizzotto

    Quando era criança aprendi com os meus pais de não fazer brincadeiras com quem não gosta. Levo esse ensinamento a risca até hoje e, graças a Deus (santa blasfêmia), nunca criei desafetos por causa de um brincadeira mau colocada.
    O mesmo pode ser falado dessas charges. Porque brincar com quem não gosta de brincar? E pior. Fizeram um brincadeira de muito mau gosto, principalmente para os islâmicos.

  27. Comentou em 11/02/2006 Joao Carlos

    O que ocorreu na verdade é que os muçulmanos não entenderam a piada. E ninguém precisa justificar uma reação tão desmedida, pois não há justificativa para isso. Houve sim uma subsestimação do poder de alguns governantes e líderes religiosos árabes em encitar seus adeptos à violência e a protestos. Rituais que reafirmam o poder destes líderes árabes, a quem interessa que seus riquíssimos países permaneçam ricos para si e seu povo veja a outros como seus inimigos e não os que oprimem e se enriquecem com tais manipulações.

  28. Comentou em 11/02/2006 Ed Pereira

    Eu ainda acho que, embora a charge realmente seja de mau gosto, nós não devemos, a priori, nos (auto)censurar dizendo que ‘este tipo de charge não se publica’. Quem decide o que é adequado ou não? O clamor público? Os que se sentirão ofendidos? O Conselho Nacional de Jornalismo? A democracia e o exercício da tolerância dão trabalho realmente e os supostos atalhos para promover a tolerância acabam, muitas vezes, promovendo a intolerância de alguém.

    O que ninguém comenta é que a Folha publicou a charge do turbante-bomba logo no primeiro dia da confusão e depois ‘esqueceu’ copmpletamente a sua façanha, apesar de todo dia dizer que tal ou qual jornal no mundo replubicou a famigerada.

  29. Comentou em 11/02/2006 Fabio de Oliveira Ribeiro

    Caro blogista

    É evidente que as charges foram apenas um estopim. Na verdade os mulçumanos estão fartos de sofrer interferências coloniais européias desde o século XIX e resolveram aproveitar a oportunidade criadas pelas charges para se manifestar. Qualquer povo que se sinta invadido territorialmente e ofendido religiosamente se comporta da mesma maneira. A revolta judaica de 70 dc, que acabou causando uma das maiores carnificinas da história e a destruição do Templo, foi desencadeada por um peido que um soldado romano soltou durante uma celebração religiosa em Jerusalém. Mas é evidente que o peido foi apenas a espoleta, na verdade a revolta era contra a dominação romana. As charges estão para os mulçumanos como o peido para os judeus. Se vasculhar a história do cristianismo, do budismo, do hinduismo e do protestantismo, certamente você encontrará situações semelhantes.

  30. Comentou em 11/02/2006 Vladimir Nunes de Oliveira

    Parabéns, Weis! Você tocou no ponto certo da questão: a liberdade de expressão é um bem inalienável. Não se pode, no entanto, em nome dessa liberdade, produzir eventos tais que, dentro de um determinado contexto, possam insuflar ações violentas. O mundo atualmente é um barril de pólvora. A função de todos nós é, dentro de nossas possibilidades, evitar que o pavio se acenda. Lembro-me, a uns 10 anos, mais ou menos, a Globo anunciara durante a semana um filme que seria exibido na sexta-feira, chamado Os adoradores do diabo. Naquela semana, no entanto, ocorreu um crime bárbaro, se não me engano, no Paraná. O crime consistia no assassinato de uma criança por uma seita de malucos, ditos adoradores do demônio. A Globo, muito prudentemente, tirou os comerciais do ar e não exibiu o filme. Agiu corretamente a Globo, diferente, mutatis mutantis, do que fez o jornal dinamarquês.

  31. Comentou em 11/02/2006 Mario Cesar Monteiro de Oliveira

    Excelente artigo. E o primeiro que menciona, aqui no Brasil, as ligações do jornal com partidos de direita na política dinamarquesa.

    Gostaria de lembrar também o fato de que à 2 anos o mesmo editor recusou charges sobre JC com base nas possíveis reações contrárias da parte de grupos cristãos.

    Por outro lado, essa constante lembrança de ’como árabes e judeus convivem pacíficamente em terras brasileiras’ omite o fato de que a maioria do contigente de árabes que aportou aqui professam a religião católica de rito maronita.

    Espero que os extremistas de ambos os lados sejam contidos, pois só a êles interessa o acirramento do conflito.

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