Quinta-feira, 18 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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A PNAD vista pelos Três Grandes: sim, mas…

Por Luiz Weis em 30/11/2005 | comentários

Só hoje, cinco dias depois de o IBGE anunciar os resultados da mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) – ver neste blog o artigo ‘Melhorou!’, do último sábado – os Três Grandes da imprensa diária (Folha, Globo e Estado) publicaram editoriais a respeito.

O da Folha se chama “Evolução Estatística”. Diz que os dados que revelam que em 2004 a renda dos brasileiros mais pobres melhorou, assim como a sua distribuição, “precisam ser contextualizados [êta, palavrão] e analisados com cautela [êta, lugar comum: números sempre devem ser analisados com cautela].

É o que editorial se propõe a fazer, para concluir que, sim, evolução houve, “mas ela se verifica em ritmo bastante lento, com efeitos positivos mais visíveis no exercício estatístico do que na vida real”.

Faz lembrar as críticas do PT ao então ministro da Fazenda, Pedro Malan – antes de adotar a sua política econômica, naturalmente. Os petistas, Lula entre eles, diziam que o ministro não saía do seu gabinete, onde vivia cercado de estatísticas, sem ver como viviam as pessoas de carne e osso.


Quando é que vamos aprender que uma estatística bem feita é um retrato fiel da “vida real”, quando a ela se refere?

Para o Estadão, esse é “um retrato em tom cinza”, como diz no título do seu comentário, apressando-se a acrescentar, logo nas primeiras linhas do texto, “como não poderia deixar de ser”.

Mais adiante concede que o país progride – “mais lentamente do que se deseja, mas progride”. E trata de separar os números mais animadores da PNAD dos outros, nem tanto.

Mas bem que poderia ter chamado a atenção do leitor para o fato de que, na comparação com o ano anterior – e, em alguns casos, com uma sequência de anos anteriores – quase tudo melhorou e nada piorou em 2004, nos quesitos cobertos pela pesquisa do IBGE.

Já o Globo sai falando em “Avanço no social”, saúda a “melhora nos indicadores sociais do país”, com a óbvia ressalva de que os números “são ainda preocupantes”.

O editorial conclui pondo os pingos nos is:

“Essa evolução não é tarefa de um só governo. O Brasil vem aprimorando uma rede de segurança social desde meados da década de 90, e os resultados desse trabalho, que se expandiu na administração do presidente Lula, começam a ser colhidos.’

Isso não é nem um retrato cinzento, nem uma construção estatística.

***

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