Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

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A PNAD vista pelos Três Grandes: sim, mas…

Por Luiz Weis em 30/11/2005 | comentários

Só hoje, cinco dias depois de o IBGE anunciar os resultados da mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) – ver neste blog o artigo ‘Melhorou!’, do último sábado – os Três Grandes da imprensa diária (Folha, Globo e Estado) publicaram editoriais a respeito.

O da Folha se chama “Evolução Estatística”. Diz que os dados que revelam que em 2004 a renda dos brasileiros mais pobres melhorou, assim como a sua distribuição, “precisam ser contextualizados [êta, palavrão] e analisados com cautela [êta, lugar comum: números sempre devem ser analisados com cautela].

É o que editorial se propõe a fazer, para concluir que, sim, evolução houve, “mas ela se verifica em ritmo bastante lento, com efeitos positivos mais visíveis no exercício estatístico do que na vida real”.

Faz lembrar as críticas do PT ao então ministro da Fazenda, Pedro Malan – antes de adotar a sua política econômica, naturalmente. Os petistas, Lula entre eles, diziam que o ministro não saía do seu gabinete, onde vivia cercado de estatísticas, sem ver como viviam as pessoas de carne e osso.


Quando é que vamos aprender que uma estatística bem feita é um retrato fiel da “vida real”, quando a ela se refere?

Para o Estadão, esse é “um retrato em tom cinza”, como diz no título do seu comentário, apressando-se a acrescentar, logo nas primeiras linhas do texto, “como não poderia deixar de ser”.

Mais adiante concede que o país progride – “mais lentamente do que se deseja, mas progride”. E trata de separar os números mais animadores da PNAD dos outros, nem tanto.

Mas bem que poderia ter chamado a atenção do leitor para o fato de que, na comparação com o ano anterior – e, em alguns casos, com uma sequência de anos anteriores – quase tudo melhorou e nada piorou em 2004, nos quesitos cobertos pela pesquisa do IBGE.

Já o Globo sai falando em “Avanço no social”, saúda a “melhora nos indicadores sociais do país”, com a óbvia ressalva de que os números “são ainda preocupantes”.

O editorial conclui pondo os pingos nos is:

“Essa evolução não é tarefa de um só governo. O Brasil vem aprimorando uma rede de segurança social desde meados da década de 90, e os resultados desse trabalho, que se expandiu na administração do presidente Lula, começam a ser colhidos.’

Isso não é nem um retrato cinzento, nem uma construção estatística.

***

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Todos os comentários

  1. Comentou em 06/12/2005 Mauricio Elarrat

    Prezados Senhores,

    Todos nós, deveríamos ler o artigo do colunista Mauro Halfeld do caderno de economia do Jornal O Globo, do último dia 5, nele demonstra de forma inequivoca, que estamos caminhando para ter-mos um índice de desiguldade social tão pequeno quanto de Uganda e Etiópia, ainda chegaremos lá.

    Abraços.

  2. Comentou em 01/12/2005 RICARDO LIMA

    ESTAMOS EM ÉPOCA FAVORÁVEL À ECONOMIA MUNDIAL. PAÍSES COM O GRAU DE DESENVOLVIMENTO DO BRASIL AVANÇAM VELOZMENTE, O BRASIL ENGATINHA COM LULLA.
    Por outro lado tivemos a sorte de ter Malan enfrentando as 10 crises mundiais ocorridas no regime de FHC. Por certo que a inflação que Dilma quer reviver, estando controlada é um dos fatores mais importantes para a redução da desigualdade junto ao salário mínimo (o qual obteve pequeno ganho real) definido em seus reajustes pela capacidade do governo em pagar seus compromissos e por fim o crédito aberto a aposentados que permitiu consumo adicional das famílias (este porém tem fôlego curto e cobrança futura sob os indicadores de consumo das famílias); todos tiveram influência nos indicadores do PNAD. O BRASIL TEVE A SORTE DE TER O PIOR PRESIDENTE NO MELHOR MOMENTO ECONÔMICO MUNDIAL.

  3. Comentou em 30/11/2005 Iorgeon Haenkel

    De novo, é impressionante como é difícil para grande parte da mídia e de setores da elite do país admitirem que o governo Lula têm méritos. Antes ouvi de algumas pessoas que os índices do IBGE eram manipulados pelo governo e que tudo não passava de uma estratégia. Mas, e agora? com a FGV confirmando a pesquisa do IBGE? Demonstrando que, 3.500.000 escaparam da linha de pobreza. Estes índicadores são os melhores desde a década de 70! Essa notícia não é somente boa é bótima! Se o Lula não cumpriu tudo que prometeu, pelo menos a promessa mais relevante de combate a fome e a miséria parece estar dando resultados. O que grande parte da mídia, por desconhecimento ou mesmo por má vontade não reconhece, é que programas de distribuição de renda têm um efeito social que vai além do assistencialisno. Essa mesma mídia só reconheceu os benefícios do bolsa família, depois que uma das revistas (The Economist) mais importantes da Europa, publicou uma matéria extensa sobre o assunto.Creio que tá mais do que na hora da mídia começar a ressaltar o país que está dando certo, não só com o Diego Hipólito, Daina e outras estrelas da ginástica que, hoje, não dão mais caruara na hora de executar os seus saltos mágicos.Ainda bem que a elite inteligente deste país já percebeu que a mais beneficiada com a diminuição das desiguldades é ela mesma. Sempre acreditei neste país e no seu povo.

  4. Comentou em 30/11/2005 Julio Pedro

    Eita! E ninguém se pronuncia mesmo, não há repercussão no país sobre os R$101 milhões desviados na Bahia por ACM e seus afilhados. Nem mesmo a Caros Amigos? O que aconteceu? Em Salvador, todas as revistas da edição ‘Tabuleiro da Baiana’ desapareceram das bancas em dois dias. Um vendedor de uma certa banca de revista disse que ‘muitos estudantes iam comprar a revista..não dava pra ver quem comprava, estava, geralmente, num carro com vidro fumê e pedia para o choffer comprar’. Estudantes de alto poder aquisitivo, só pode….
    E o pior é que todo mundo por aqui sabe. Recolheram sim nossas revistas,numa censura descarada, despudorada e que se aproveita da inércia dos estudantes e dos meios de comunicação baianos. Que outros meios de comunicação se pronunciem, pelo menos, e que reconheçam a falta de respeito com a população brasileira, ao ligarmos a TV e assistirmos ACM Neto bancando o justiceiro, quando o próprio avô possui um esquema que arranca dos cofres públicos quantia duas vezes maior que a do ‘Valerioduto’.
    Se se calam, apóiam a covardia.

  5. Comentou em 30/11/2005 Jurandyr Leite

    Há um truque na construção da notícia (ou do fato jornalistico) que é tão ou mais grave quanto a omissão e a parcialidade: o de conectar fatos nem sempre interligados ou não sem a simplicidade/obviedade expressa na frase. Cria-se assim uma grande narração (historinha) lógica, mas questionavel. Um exemplo: lendo O Globo sobre o ‘Caso Angola’ vinha narrando algo acontecido entre 2000 e final de 2003, que envolvia o governo federal e que foi interrompido pelo novo governo. Ao citar o Banco Rural a reporter inclui, sem abrir parágrafo ou informações complementares: ‘que está sendo investigado por empréstimos ilegais ao PT… ‘. É uma opção: há corrupção que envolve vários agentes e governo, e portanto temos que controlar/reformar os Estado, ou tudo acaba concetando-se ao PT.
    O comentário sobre o editorial da Folha cai no mesmo encanto: ‘Faz lembrar as críticas do PT… ‘. PT não é imprensa, é partido. As estatísticas (reais) do governo FHC produziram baixo crescimento, duplicação da dívida e acelerado desemprego, então, o entre-vírgulas ‘antes de adotar a sua política econômica, naturalmente’ é simplista e, no mínimo, pouco esclarecedor.

  6. Comentou em 30/11/2005 José Carlos dos Santos

    Eu acho engraçado como as notícias, que por um motivo ou outro, favoreçam o governo, os grandes jornais se enchem de cuidados, agora para as notícias que denigrem não tomam cuidado algum. Acho que os órgãos de imprensa devem parar com essa história de que são isentos e não estão comprometidos com ninguém, acredito que seria mais honesto dizerem claramente quais a os ideais que defendem e quais os candidatos apoiam, como ocorre com alguns jornais americanos, que em época de eleição deixam claro quais os candidatos e os partidos que apoiam, deixando que o leitor faça uma leitura crítica das notícias publicadas.

  7. Comentou em 30/11/2005 Jedeão Carneiro

    Às favas as reduções no quadro de miséria, de desigualdade entre ricos e pobres e na concentração de renda no Brasil.
    Para as velhas oligarquias, que apostaram no desastre para o retorno ao poder, esse resultado é mais um desaforo deste pobre, baixo e feio homem da esquerda.
    Então ‘vamos sangrá-lo até a morte’ e ‘acabar com esta raça’. ‘Não vamos largar o osso’. (É preciso citar a fonte?)

  8. Comentou em 30/11/2005 Rikene Fontenele

    Fazem muito bem os jornais ao ressalvarem os números das pesquisas citadas. Se alguém quiser conhecer as pesquisas sem ressalvas deve procurar no site do PT (e do OI) e não dos jornais.

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