Sexta-feira, 19 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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A polêmica Nassif/Veja (II)

Por Carlos Castilho em 17/02/2008 | comentários

O post anterior, ‘Caso Nassif/Veja esquenta a guerra política na blogosfera brasileira‘, provocou um grande número de comentários de leitores, inclusive alguns dirigidos diretamente a mim e outros ao Observatório da Imprensa.


 


O objetivo do Código Aberto não é provocar polêmica, embora isso muitas vezes seja inevitável, mas sim tentar oferecer elementos para que os leitores possam refletir sobre os temas abordados nas postagens. A polêmica é necessária, mas ela é uma conseqüência e não a meta.


 


Ao escrever sobre a discussão provocada pelas denúncias do jornalista Luis Nassif contra a revista Veja, eu não pretendia tomar uma posição (embora tenha uma), mas sim chamar a atenção dos leitores para o fato de que não trata de um bate-boca comum e sim a manifestação de um fenômeno mais amplo, o da transformação da blogosfera numa arena de debates políticos.


 


O fato de que temas, como os que estão sendo levantados por Nassif e outros blogueiros envolvidos no debate, estejam sendo discutidos na internet é altamente positivo porque mostra que os cidadãos comuns estão criando um novo ambiente de discussão, onde eles têm muito mais controle da agenda.


 


A maior prova disto é o número, o teor e a intensidade dos comentários feitos por leitores no post anterior. Os ambientes de debate na internet surgem ao sabor dos acontecimentos e ignoram hora e local marcados. Eles são mais uma conseqüência dos leitores do que dos autores.


 


Muitos leitores cobraram de mim e do Observatório um posicionamento sobre as denúncias de Luis Nassif contra a revista Veja. Nem eu e nem os meus colegas do OI evitamos assumir posições. Alberto Dines já polemizou abertamente com Diogo Mainardi. O Observatório, inclusive está reproduzindo toda a série produzida por Luis Nassif, o que não deixa dúvidas sobre o fato de considerarmos o material relevante.


 


Acredito que a revista Veja está renegando os padrões de qualidade informativa que a caracterizaram no passado. Também estou convencido que os fatos publicados por Luis Nassif são um importante elemento para reflexão de todos nós. Mas não posso assinar embaixo de todas as denúncias formuladas contra a Veja porque, para isto, teria que fazer uma investigação quase tão profunda quanto a que fez Nassif.


 


Ao contrário de ambientes informativos anteriores à internet, os leitores são hoje a grande fonte de informações e dados para consumo público. Está diminuindo cada vez mais o poder dos grandes formadores de opinião. Em questões complexas como as que estão em jogo no debate Nassif/Veja, a contribuição dos leitores por meio de argumentos e fatos novos amplia o leque de dados e informações à disposição de todos.


 


Hoje, não há mais donos da verdade absoluta. Tudo passou a ser relativo e seu valor depende do contexto em que é situado. A leitura dos comentários no post anterior ilustra bem este fato, porque muitos leitores tomaram frases do texto e as interpretaram de acordo com o seu contexto pessoal. É isto que faz com que fatos e afirmações ganhem sentidos e significações diferentes, dependendo as circunstâncias.


 


O problema não é o contexto pessoal, porque cada um tem o seu, o que é um dado de realidade, mas a ausência de preocupação em entender o da contraparte. Sem esta preocupação, é quase impossível chegar a consensos. 


 


A dicotomia do ‘quem não está comigo está contra mim’ é uma simplificação sem sentido hoje em dia porque ela nega e oculta a extraordinária diversidade dos contextos sociais, políticos e econômicos atuais. Significa reduzir um problema complexo a uma equação primária, atentando contra a inteligência das pessoas envolvidas num debate.


 


Não tenho a pretensão de organizar a discussão e nem esgotar toda a enorme complexidade dos problemas levantados por Luis Nassif. Esta é uma tarefa do coletivo das pessoas que acham essencial a participação crescente do público no debate sobre a transparência na imprensa. Dentro deste coletivo, eu sou apenas mais um.

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