Sábado, 27 de Maio de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº943

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A praga das nomeações políticas nas escolas

Por Luiz Weis em 23/03/2007 | comentários

No Sul Maravilha, o único grande jornal a dar hoje a (má) notícia foi a Folha. O correspondente do jornal em Salvador, Luiz Francisco, informa que o governo da Bahia ‘decidiu aceitar indicações de partidos políticos para os cargos de diretores e vice-diretores das 1.856 escolas estaduais’.

O secretario de Educação, Adeum Sauer, é citado na matéria como tendo dito que as indicações políticas ‘são um fato sociológico existente em todo o Brasil’. E mais: ‘Não sei se é bom ou ruim, a sociedade é que tem de fazer uma análise.’

Um secretário de Educação que diz que não sabe se entregar aos políticos a nomeação de diretores de escolas ‘é bom ou ruim’, ou é um cara-de-pau para ninguem pôr defeito, ou é um gozador. Em qualquer hipótese, é o homem errado no lugar errado.

A decisão do governo baiano é uma ducha de água fria no elogiado Plano de Desenvolvimento da Educação (PED), anunciado semana passada pelo ministro Fernando Haddad. O programa é um esforço nada menos do que heróico para salvar do naufrágio o ensino público brasileiro – para o qual as nomeações políticas de administradores escolares, no lugar de escolhas baseadas no mérito dos candidatos, não cessam de dar sua nefasta contribuição.

Sei de fonte segura que Haddad já manifestou interesse em encontrar estratégias que melhorem a gestão dos sistemas de ensino, o que passa obrigatoriamente pela revisão das suas estruturas de poder e pelo combate aos vícios do sistema político.

Se a mídia, aproveitando o gancho do mau exemplo baiano, mergulhar no problema, decerto ouvirá de especialistas que uma daquelas estratégias seria o MEC estabelecer regras de repasse aos municipios, conforme previsto no PED, exigindo contrapartidas como a nomeação dos diretores por critérios técnicos, acompanhada da coordenação pedagógica das escolas.

Uma analogia vem a calhar. Quando da implantação do Sistema Único de Saúde (SUS), o Núcleo de Estudos de Políticas Públicas da Unicamp criou um programa de apoio aos Estados para fortalecer o que os técnicos chamam ‘capacidades institucionais’ dos sistemas de saúde.

A mídia poderia perguntar a quem de direito se o mesmo não poderia valer para a educação.

Os repórteres que fossem atrás da história ficariam sabendo, por exemplo, que mesmo em sistemas mais organizados, como o de São Paulo, não há como responsabilizar a escola pelos resultados da aprendizagem, por falta de mecanismos para exigir que os diretores e professores permaneçam na mesma escola por um período mínimo [na Inglaterra é de quatro anos, no Chile, três].

Já em Nova York, o prefeito Michael Bloomberg quer que os diretores de escolas assinem um contrato de gestão de quatro anos, com monitoramento externo para supervisionar a implementação das metas em cada estabelcimento.

Em qualquer lugar do mundo onde exista, a enorme rotatividade das equipes escolares impede qualquer trabalho consistente de melhora da qualidade do ensino.

Alô, alô, editorias de Educação. Eis aí um prato cheio e a possibilidade de prestar um belo serviço público numa área crítica.

***

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Todos os comentários

  1. Comentou em 26/03/2007 Haroldo M. Cunha

    Giovana Tenorio, dona de casa (maceio/AL), não entendi seu comentário! Não fui eu, aqui no Rio, que votei em Collor de Melo. Se não me engano ele é Senador da República por Alagoas… ou será que estou delirando? E o Presidente é obrigado, repito, obrigado a receber um representante de um Estado eleito democraticamente. E olha só, vejo um monte de sogra e nora de ‘dando’ muito bem como inimigas cordiais, isto é, dentro de uma família! Por que não existir o mesmo tipo de relação institucional? Se eu não entendi, por favor, me perdo-e. Abraços.

  2. Comentou em 25/03/2007 Ibsen Marques

    Não entendi o espanto.

  3. Comentou em 25/03/2007 Giovana Tenorio

    Não vejo por que tanto estardalhaço!
    Quem vive dizendo que não sabe de nada, e constitucionaliza o mensalão e mensalinhos da vida e estar prestes a aprovar o aborto. Porque agora ter qualquer pudor em receber o Collor!!! que só não obteve sucesso por que esqueceu de comprar a população com o bolsa-família!

  4. Comentou em 25/03/2007 jose mario noronha

    Voto no pT, sou de esquerda e apoio o Lula nessa coisa de alavancar de vez a educação fundamental…e poxa vida gov. da Bahia vamos começar com o pé direito esse governo!
    Acaba logo com esse papo de nomeação politica para escolas…simlesmente é ridiculo e pouco profissional!
    Gente politica… e o preparo?, e a condição técnica?

  5. Comentou em 24/03/2007 Antonio Carvalho Carvalho

    Para Educação mudara
    O povo brasileiro que ainda não sabe precisa saber que ao longo dos últimos 40 anos a Secretaria de Educação da Bahia foi usada como instrumento político partidário do senador Antonio Carlos Magalhães. Ter derrotado o carlismo na Bahia e manter esta estrutura conspirando mcontra o novo governo seria burrice.
    Alguns se manifestaram a favor de eleição direta nas escolas, eu também sou a favor, não na atual conjuntura onde se tem uma quantidade significativa de diretores com poder de persuação sobre alunos e funcionários. O Secretário disse que no próximo ano haverá eleição direta nas escolas. É por aí, ou a Bahia não muda, já tá difícil com os partidos coligados!

  6. Comentou em 24/03/2007 Euclides Rodrigues de Moraes

    Calma pessoal, que na Bahia o buraco é mais em baixo, a mídia tem dono, ACM. Só se fala, escreve e publica o que ele quer, portanto denúncias desse quilate, vou advertindo a partir de hoje, para quem quiser anotar, para conferir posteriormente, aproveite a oportunidade, será o padrão. Quem não leu ou ouviu falar que o Carnaval deste ano em Salvador foi o mais violento de todos os tempos, apesar dos 15.000 policiais nas ruas? Portanto tenhamos calma e coloquemos um filtro bem fino, pois no lado de cá não existe essa história de liberdade de imprensa, ela tem dono, todo mundo sabe quem é e ela só faz o que ele quer.

  7. Comentou em 24/03/2007 Maria Jose Mendes Souza

    Este tipo de atitude define claramente a maioria dos politicos brasileiros, acostumados a governar amparados no clientelismo, no toma lá dá cá, nos conchavos. Preocupados sim, com os resultados das urnas do que com as verdadeiras necessidades do povo.

  8. Comentou em 24/03/2007 ely de Souza

    Essa foi boa. Pelo jeito a coisa na educação baiana está do tipo SAUER-SE QUEM PUDER. Dá uma tristeza muito grande saber que um Secretário de Educação do governo petista fez tal declaração. Da pra entender que essa síndrome está ligada a uma pessoa que não foi indicada pela categoria profissional que deveria implementar, cuidar e defender, essa pessoa, provavelmente não é da área e, se for, perdeu o bonde da história.

  9. Comentou em 24/03/2007 Paulo Bandarra

    É o resultado do que se assistiu no primeiro reinado lulista. O partido tomando o estado como propriedade própria para se beneficiar! Agora, uma vergonhosa apropriação dos cargos para preencherem com cabos eleitorais para se manterem nos poder! O PT não é igual ao outros partidos, certamente é dos piores que o Brasil já teve! As ações da gestão se apropriando de recursos como ocorreu com os indicados de José Dirceu e Lula para a direção do Partido não foi uma exceção, mas um assalto ao país planejado. Um assalto que até hoje Dirceu e Delúbio se riem dos bobos dos eleitores brasileiros. Dirceu vendendo informações privilegiadas para multinacionais que conseguiu quando no Governo e que ainda possui laços ainda! A Folha de São Paulo divulga hoje, sábado, 24 de março de 2007, Rede pública paga quase igual à particular Estudo mostra que renda média de professores é pouco menor na rede pública, mas benefícios na aposentadoria são maiores. Parece que esta não é a verdadeira diferença, mas certamente este aparelhamento político dos cargos em prol de interesses próprios deve ser uma das causas dos nossos péssimos resultados! Por isto que são a favor das estatais, para políticos usarem em interesses próprios ocupando cargos e desviando dinheiro!

  10. Comentou em 24/03/2007 Fábio Carvalho

    Os reitores da universidades federais são escolhidos por voto paritário e uma lista tríplice é encaminhada ao Presidente da República, que normalmente escolhe o primeiro colocado. Por que não se faz o mesmo com diretores de escola? Isso não me parece democratismo. Ou é? No Rio Grande do Sul, os diretores e vice-diretores são escolhidos pela comunidade escolar desde 1995.

  11. Comentou em 24/03/2007 Haroldo M. Cunha

    Concordo com Weis em uma coisa: é uma praga mesmo! Agora, que isto é prática mais que usual nos municípios brasileiros, não tenham dúvidas, presenciei isto onde moro, ninguém me falou, eu vi! E numa coisa concordo, também, com o secretário: não sei se é bom ou ruim! Algumas escolas funcionaram excelentemente, outras foram um desastre total. A eleição para diretores, pelos pais, alunos e funcionários das escolas seria o ideal, o grande problema é mobilizar as partes interessadas. Em muitas escolas impera o terror do tráfico de drogas (aqui no Rio é uma questão de calamidade) e muitos(as) profissionais nem querem ouvir falar em direção de escolas! Temos que equacionar vários dilemas de nossa sociedade, para que alcancemos uma democracia verdadeiramente representativa, em todos os níveis.

  12. Comentou em 23/03/2007 renato colombo

    Aqui no Rio Grande do Sul, há mais de uma década a escolha de diretores e vice-diretores de escolas Estaduais se dá através de eleições diretas. Votam professores, funcionários, pais e alunos. Cada voto tem o mesmo peso. O mesmo acontece na escolha para direção das escolas municipais, na maioria do smunicípios gaúchos.

  13. Comentou em 23/03/2007 Paulo Cesar dos Santos Santos

    Como diz o nosso presidente ‘chega de hipocrisia’. Qual Estado não nomeia os Diretores de escola por influência política do governo estadual ou do municípal? Está na hora de deixarmos de ser ingênuos, isso acontece em todo Brasil há muitos anos. Quem tem a ‘caneta’ indica e pronto!

  14. Comentou em 23/03/2007 Gisele Toassa

    Até que enfim alguém conseguiu chegar ao ponto nevrálgico de todo o problema da educação básica: a rotatividade. Foi um meio que o governo encontrou de desarticular as greves e concentrar o poder no nefasto ‘sistema de pontos’ pelo qual, a cada ano, professor ou diretor podem ir para ‘escolas melhores’ (leia-se menos periféricas) ou piores, de acordo com critérios puramente burocráticos

  15. Comentou em 23/03/2007 marina chaves

    dessa eu nao sabia…. que no estado da bahia estao nomeando diretores de escola por influencia politica… eu pensei que nos demais estado acontecesse como em sao paulo, que um diretor precisa prestar concurso publico…. é isso o que eu sei!
    mas tem outra coisa: a rotatividade de professores nas escolas paulistas realmente é alta… e isso prejudica o trabalho escolar…. o senhor jornalista tem toda a razao…

  16. Comentou em 23/03/2007 Afonso Caramano

    Isso demonstra que apesar de alguns esforços (FUNDEB/PED) ainda se faz política com a educação (e não uma política para a educação).
    Qualquer distribuição de cargos por esse critério já deve ser vista com ressalvas (senão suspeição) – para a educação não deveria ser diferente.
    Pode-se deduzir talvez que assim seja mais fácil para governos ‘maquiarem’ estatísticas da área educacional.
    A ‘culpa’ pelo défit de aprendizagem dos alunos geralmente recai sobre o professor – talvez seja hora de se olhar para os gestores escolares (e um pouco mais acima), para os gestores públicos (e a falta de uma política clara e justa – inclusive na distribuição dos recursos – para a educação).

  17. Comentou em 23/03/2007 Marco Costa Costa

    Em função do envolvimento político partidário no sistema de educação, podemos constatar junto ao jovem estudante o quão não estão preparados para enfrentar uma prova das mais simples que existir. Educação, é um assunto sério, o correto seria que pessoas qualificadas e profundas conhecedoras no assunto educação e cultura deveiam estar envolvidas junto ao sistema. Essa gente indicada, não esta preparada para encarar um desafio e tanto, bem como estaráo preocupadas em perseguir quem não estiver de acordo com os seus métodos políticos partidarios.

  18. Comentou em 23/03/2007 José de Souza Castro

    Isso que se passa na Bahia me lembra um drama vivido por uma petista de primeira hora, Sandra Starling, que foi a primeira mulher candidata ao governo de Minas e que foi derrotada por Tancredo Neves. Ela era deputada federal pelo PT, quando Patrus Ananias foi eleito, em 1992, para prefeito de Belo Horizonte. E aceitou o convite para ser Secretária Municipal de Educação. O secretário de Governo era Luiz Dulci, o ministro de Lula, e o da fazenda Fernando Pimentel, atual prefeito. Sandra tomou posse em janeiro de 1993, montou sua equipe contemplando todas as correntes internas do PT, mas não conseguiu se segurar muito tempo no cargo. Ela lutava para trazer de volta às salas de aula os professores cedidos para os gabinetes dos vereadores, para as administrações regionais e para o Centro de Aperfeiçoamento do Ensino. Pior, queria que os ex-diretores de escolas, todos escolhidos por indicações políticas no passado, voltassem a dar aulas. Eles se recusavam. Patrus Ananias não aguentou a pressão e ela se demitiu, divulgando carta denunciando que, para atender os petistas, a prefeitura deixava de lado os interesses dos alunos. Depois Sandra foi secretária-executiva do Ministério do Trabalho quando o atual governador baiano era ministro. E foi demitida e saiu de novo atirando. Essas e outras histórias exemplares estão num livro que ela vai lançar proximamente. Vale a pena esperar.

  19. Comentou em 23/03/2007 Paulo costa

    É o aparelhamento petista cada vez mais descarado.

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