Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

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A prevenção como preocupação permanente da imprensa na cobertura de tragédias naturais

Por Carlos Castilho em 15/01/2011 | comentários



A tragédia da região serrana do Rio de Janeiro indica que a imprensa brasileira precisa passar a tratar a prevenção nos casos de catástrofes naturais como um item permanente em sua agenda noticiosa, como já acontece no Japão, Costa Rica e Chile, por exemplo.


A combinação fatal de mudanças climáticas, crescimento demográfico e descaso governamental criou no Brasil uma situação similar a de países acostumados a conviver com terremotos, furacões, nevascas e enchentes periódicas.


As tragédias de Teresópolis e Nova Friburgo, no Rio de Janeiro já não podem mais ser consideradas eventos ocasionais devido a frequência com que as chuvaradas estão ocorrendo em regiões urbanas do Brasil, especialmente no verão.


E a cobertura desses eventos também não pode mais ser vista pelas redações como pretexto sazonal para shows tecnológicos, palco para performances individuais de repórteres e competição entre empresas jornalísticas.


A prevenção em catástrofes naturais passou a ser item obrigatório na agenda de serviços públicos da imprensa, a exemplo do que ocorre num país pequeno como a Costa Rica, onde os terremotos são considerados eventos rotineiros. Há jornalistas especializados em cobertura de desastres e até cursos regulares, como os ministrados por órgãos governamentais em países da região andina, também sujeitos a terremotos frequentes.


A abordagem jornalística de prevenção de acidentes prevê um trabalho continuado de produção de informações voltadas ao interesse público e à preparação das comunidades para enfrentar situações especiais. Trata-se especialmente de usar a notícia para estimular a preocupação com ações coletivas e criar solidariedades, não apenas na hora da tragédia.


A imprensa tem ainda uma outra função importantissima, conforme a maioria dos manuais existentes sobre prevenção de catástrofes naturais: a de acumular informações e conhecimento sobre desastres e suas consquências. Cada evento gera lições que não podem ser desperdiçadas.


Além disso, a imprensa não pode trabalhar desvinculada das comunidades. Se a relação entre jornalistas e comunidade fosse algo incorporado à rotina profissional, teria sido bem mais fácil usar todos os recursos de comunicação e a rede de contatos dos jornalistas para avisar a população sobre a iminência de uma tragédia. Na Costa Rica, a sincronia entre autoridades, imprensa e comunidades é quase automática numa catastrofe natural.


Na cidade de Areal, na região serrana do Rio, vizinha a Petrópolis, não houve perda de vidas humanas porque a prefeitura avisou a população a tempo sobre a possibilidade de uma tromba d´água.


A preocupação com a prevenção reforça a idéia de jornalismo como serviço público, uma abordagem da profissão que hoje está quase sepultada pela visão mercantil e industrial das empresas de comunicação.

Todos os comentários

  1. Comentou em 20/01/2011 Ney José Pereira

    Se o Haiti é aqui por que o Exército Brasileiro não está aqui em vez de estar no Haiti?. Pô, quem deveria estar no Haiti é o Exército Francês!. Além de estarmos fazendo as vezes da França no Haiti ainda teremos de adquirir aqueles obsoletos ‘aviões de caça’ (caçar o quê?) os tais ‘Rafales’?!. E o tal banco Mundial anunciou na ONU (na ONU, hein!) que ‘adiantará’ US$ 20 milhões ao Estado do Rio de Janeiro!!!. Pô, e que é de aquela dinheirama toda dos tais ‘royalties do tal petróleo’?!. E a tal Copa do Mundo e a tal Olimpíada (olimpiada) serão canceladas ou não!. Pô, se o Brasil (e o Estado do Rio de Janeiro) precisam de um adiantamento do tal banco Mundial de US$ 20 milhões, então, isso significa que não há a menor possibilidade de se realizar nem a tal Copa do Mundo nem a tal Olimpíada (olimpiada)!. E quanto custará a tal reforma do tal estádio ‘Maracanã’?!. E o tal miniministro da Previdência SOCIAL o tal Garibaldi Alves fez um discurso (‘pronunciamento’) à Nação dizendo que ‘adiantará’ o valor de um mês do ‘benefício’ (benefício, não!, ‘re.tri.bu.i.ção’!) aos tais ‘beneficiários’ (beneficiários, não!, ‘re.tri.bu.í.dos’ do tal INSS para desconto em 36 vezes meses!. Ora, esse adiantamento significa aproximadamente (em média) no máximo… R$ 1.000,00. E o ‘custo burocrático’ disso será muito, mas, muito maior!. Pô, por que só os ‘beneficários’ terão esse ‘be.ne.fí.cio’?!. Haiti!.

  2. Comentou em 20/01/2011 Marcos Fae

    Sinto muito Castilho, mas acho que está confundindo, talvez intencionalmente, função do estado com função da imprensa, apesar desta ser um serviço de utilidade publica. Poder alertar é um dever da imprensa, mas planejar e permitir ocupação em áreas de risco é dever do estado, que por sinal, há muito tempo, não cumpre seus deveres . Tudo bem que seu assunto, e do forum é a atuação da imprensa, mas não custa dar nomes aos bois. Os mortos agradecem.

  3. Comentou em 19/01/2011 ulisses barbosa

    Mais um tragédia anunciada no Brasil, em especial no Rio de Janeiro que ainda não fechou a cicatriz de Angra dos Reis. O poder público mais uma vez falhou. Acho que resultado direto da zona politica que impera nessa terra. Agora, o jornalismo não fica atrás. Ha muito perdeu sua indentidade com os interesses do povo. Com todo respeito ao colega, o próprio colunista escreve sobre ‘vaca fria’, embora a abordagem seja amparada por bons argumentos. De qualquer forma é mais um alerta sobre o rumos que o jornalismo esta tomando – ou sendo obrigado a tomar – com o silêncio constrangedor de quem o faz, nós jornalistas.

  4. Comentou em 19/01/2011 Ney José Pereira

    E o tal banco Mundial dará de esmola ao Brasil US$ 485 milhões. Que é para fazer de conta que os governos prestarão ‘assistência’ às tais ‘vítimas’. ‘Vítimas’ vitimadas pelo próprio poder público governamental. Mas, se o Brasil é uma ‘potência (emergente) econômica’ e ‘credor’ (rarará) do tal FMI e não deve nada ao estrangeiro (pois, segundo o tal eleueleá) ele pagou toda a dívida externa brasileira (pública e privada) e tendo o Brasil Reservas Internacionais de aproximadamente (o equivalente) a300 bilhões de dólares (norte-americanos) por que, então, este país (o Brasil) aceitará essa ‘es.mo.la’ desse tal banco Mundial?. Por que a companheirada não grita agora ‘fora, banco Mundial!’?. À exceção do tal governador Sergio Cabral (Filho, hein!) todos sabemos dos gravíssimos riscos causados pelos solos de serra e pelos solos de charcos e mesmo até pelos tais ‘morros’. Toda a população (à exceção do tal governador Sergio Cabral (Filho, hein!) sabe que na estação do Verão chove e chove e chove!. Mas, o Estado não previne e as consequências são trágicas. E depois querem arrumar tudo com os tais financiamentos emergenciais. Pô, por que na época da ‘estiagem’ preferiram serem cigarras a formigas?. Observação: E no tal rádio toda hora se ouve a palavra ‘castigo’ ou derivadas. Pô, a chuva não é castigo. A chuva não castiga ninguém, não!. E todos os (e as) radialistas querem sol e calor!.

  5. Comentou em 18/01/2011 Eliane Toyama

    Certamente, a ‘janela para o mundo’ nas casas das vítimas dos deslizamentos e enchentes pouco antes dos acontecimentos estava aberta não para o poder público, mas para emissoras detentoras de concessões públicas. Os meios de comunicação -onipresentes na cobertura pós tragédia- além de apontar as responsabilidades do Estado, deveriam assumir sua parte no compromisso com o interesse social e fazer mais no que concerne à prevenção.

  6. Comentou em 18/01/2011 Ney José Pereira

    Os governos no Brasil não antecipam e não previnem e não mitigam absolutamente nenhum problema nacional ou regional ou local!. E a imprensa no Brasil não prognostica absolutamente nenhum problema nacional ou regional ou local. O povo ou a sociedade ou os indivíduos ficamos na ilusão de que os governos no Brasil resolverão todos os problemas. E a imprensa noticia os problemas (principalmente as tais ‘tragédias’). Com muita pieguice e com muita pseudoindignação. PS. A presidente Dilma ‘visitou’ a tal região Serrana (fluminense). Estava com um sério semblante. No dia seguinte à tal visita a presidente Dilma estava gargalhando em sua ‘reunião ministerial’. Garibaldi Alves ria e Guido Mantega sorria. A ‘pasta’ de Garibaldi Alves (Previdência SOCIAL) deixa 2/3 da população brasileira economicamente ativa SEM previdência social. É necessário criar-se o MSP -Movimento dos Sem Previdência-. A ‘pasta’ de Guido Mantega paga os maiores juros reais do mundo e só consegue ‘controlar, apenas ‘controlar’ a tal da inflação com os altíssimos juros reais (a tal Selicona) e com as dívidas públicas interna e externa e com os déficits públicos internos e com os déficits externos em transações correntes. Há uma crença no Brasil que o Brasil ‘pagou’ a sua dívida externa. É mentira e suas Reservas Internacionais não suprem os potenciais saques dos tais investidores estrangeiros. E cadê a tal imprensa?.

  7. Comentou em 18/01/2011 Marcylene Capper

    De fato, a função da imprensa de acumular conhecimento e produzir ‘memória’ em favor do bem comum deve ser mais exercitada. Bom texto

  8. Comentou em 18/01/2011 Denise Lopes

    Conheço bem a situação que a cidade passa. A ausência de
    informação real, dentro das ações necessárias por parte dos
    governos envolvidos, foram muitas. Grande parte da mídia sobrevive,
    na cidade, do poder público, desta forma, predomina o interesse do
    mesmo.
    Eu era produtora e apresentadora de um Programa na maior Rádio
    AM da região, meu programa foi retirado do ar pela razão das minhas
    informações serem transparentes, porém em dois anos, nunca sofri
    um processo. Algo precisa mudar. A mãe natureza não pode pagar
    esta conta sozinha.

  9. Comentou em 17/01/2011 Dirceu Pio Pio

    Chove no planeta como sempre choveu; rios transbordam como sempre transbordaram; encostas do maciço chamado Serra do Mar, de terrenos mais antigos do mundo, deslizam como sempre deslizaram. O problema está em que a população mais incauta ou mais pobre do Brasil acha de morar logo nas áreas sujeitas a acidentes climáticos graves e os poderes constituídos não fazem nada para evitá-lo. Talvez fizessem, se a imprensa se ocupasse desses assuntos – problemas das áreas de risco – de modo sistemático e profundo, pelas razões sugeridas pelo Carlos Castilho e outros: cabe ao quarto poder refletir a indignação das pessoas, fiscalizar a aplicação do dinheiro público e denunciar omissões, desmandos, corrupção e outors quetais.

  10. Comentou em 17/01/2011 Deiva Miguel

    De acordo com o novo acordo ortográfico, as paroxítonas terminadas em
    ditongo aberto perderão a acentuação. Nesse caso ideia no último parágrafo não tem acento.

  11. Comentou em 17/01/2011 DANIELA AYRES

    Estou tremendamente feliz por ver alguém abordar a questão das
    enchentes e deslizamentos de terra dessa forma. Tenho exposto nas
    comunidades virtuais o meu descontentamento com a cobertura
    jornalística envolvendo essas situações. Sim. Parece que nosso
    jornalismo torce por uma catástrofe – um jeito fácil de ter pautas
    quentes. É triste. Para todos.

  12. Comentou em 17/01/2011 Cesar Pereira

    Infelizmente a mídia, com seu histórico de interesses politizados, tornou-se um dos organismos públicos de menor credibilidade. Pouco poderá, portanto, contribuir com a questão enfocada. O estardalhaço que vem sendo efetuado com a tragédia da região serrana do Rio é usado como objeto de crítica política. Que tal a mídia usar de honestidade e deixar de divulgar o atual desastre como ‘o maior deslizamento de encostas do Brasil’? E a tragédia da Serra das Araras, em 1967, quando foram cerca de 1700 os mortos e desaparecidos?

  13. Comentou em 17/01/2011 Jeff Domingues

    Desejar que a grande imprensa se involva com utilidade pública, é muita pretensão. O seu negócio é fomentar o ódio e o escárnio, em relação aos governos do PT. Quanto aos 12 anos de enchentes em São Paulo, fazem parte da aprendizagem PSDB.

  14. Comentou em 17/01/2011 Fabiana Tambellini

    O texto toca em ponto fundamental, mudanças climáticas ocorrem no planeta, isso é
    fato. Chove mais e mais concentrado (também as ventanias, nevascas e tsunamis
    são maiores) portanto é preciso políticas de prevenção e novas regras de uso do
    solo. Se chove mais rios enchem mais então precisa aumentar a distância legal entre
    rios e edificações. As chuvas fortes fazem com que encostas fiquem mais
    encharcadas, ou seja, não dá segurança para construir. As cidades crescem, o clima
    muda, é preciso fazer mudanças na gestão do solo.

  15. Comentou em 17/01/2011 Cid Quintela

    A grande imprensa tem apenas um interesse.. seus próprios interesses!

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