Sábado, 20 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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A prisão do advogado e o descrédito do Congresso

Por Luiz Weis em 26/05/2006 | comentários

Foi como perder um gol feito.

A Folha com o seu pesquisismo (‘Serra perde votos, mas vence no primeiro turno’) e o Estado com o seu economicismo (‘Superávit é recorde e ajuda na recuperação dos mercados’) deixaram de dar hoje a manchete que se impunha – e que o Globo, acertando em cheio, pegou na veia do sentimento da sociedade:

”Advogado diz que deputados são malandros. E é preso”.

Dentro, provando o acerto jornalístico, 12 cartas sobre o inicidente na CPI do Tráfico de Armas que terminou com a detenção, por desacato, do advogado Sérgio Wesley da Cunha, acusado de repassar ao PCC depoimento secreto de policiais à mesma comissão.

Todas as 12 cartas condenam os deputados.

Wesley foi preso por responder “A gente aprende rápido aqui” à provocação do espalhafatoso Arnaldo Faria de Sá, do PTB paulista: “O senhor aprendeu rápido com a malandragem.”

O tom geral das cartas no Globo é o do leitor Júlio Ferreira:

”Os membros da CPI falaram grosso, foram ofensivos e rígidos quanto ao cumprimento do regimento interno, não hesistando em dar voz de prisão ao advogado […]. Infelizmente, ocorre situação inversa quando os depoentes são pessoas ligadas ao meio político […].”

Ou, por outra, segundo o leitor do Estado Paulo Boccato:

“Quando, finalmente, alguém diz uma verdade numa CPI, acaba preso”.

Ou ainda, segundo o leitor Denilson Geraldo de Luca, na Folha:

”A população brasileira inteira gostaria de ter proferido a mesma frase […]. Sorte dos políticos não haver uma lei que os puna severamente por desacato à população.”

Coincidentemente, Estado e Folha publicam hoje editoriais desancando o Congresso.

O primeiro, por terceirizar a apuração das denúncias contra o grande número de deputados citados na Operação Sanguessuga, da Polícia Federal.

O segundo, por isso e por todos os demais descalabros recentes do Legislativo, incluíndo a prisão do advogado do PCC.

O descrédito da instituição parlamentar, compartilhado por 11 em cada 10 brasileiros, é a grande realização da atual legislatura. E quem garante que a próxima será melhor?

***

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